Amanda continuava sorrindo, e seu coração explodia de tanta alegria dentro de si. Distraída em pensamentos, assusta-se quando sua amiga levanta num salto, sorrindo e com os olhos brilhando em sua direção.

- STÉ! – ela diz, animada. Sté era um apelido carinhoso, que vinha desde o início da amizade. – TENHO QUE TE CONTAR MEU SONHO!

- Bom dia, Jéjé! – outro apelido. – Você sempre tem os melhores sonhos. Vá em frente! – ela riu.

Obviamente, o sonho de Laiz envolvia o show. Mesmo quando não havia show, os sonhos dela envolviam-no. Depois de muitas risadas, um banho, e um café da manhã divino no restaurante do hotel, as duas amigas saíram para passear. Desta vez, queriam comprar as roupas que encontraram na avenida principal, algumas bijouterias, óculos escuros da moda, bolsas. Bom, elas fizeram um esforço para economizar um bom dinheiro para a viagem, e claro, os pais contribuíram um pouco.

Entraram numa loja super descolada, com uma pintura meio psicodélica, toda colorida, especial em acessórios do estilo from UK, que as garotas adoravam. Ao lado, havia uma loja de acessórios e roupas meio heavy metal, e as meninas dariam uma passadinha lá depois, só por curiosidade.

- Olha que óculos irados, Jé! – diz a menina. – Acho que vou comprar!

- Amiga, olha esse! É meu!

Depois de um bom tempo fazendo compras e algumas sacolas nas mãos, as duas entram na loja heavy metal, observando tudo. Munhequeiras, colares de caveira, cintos de rebites, suspensórios, botas cheias de fivelas e muito mais.

- Isso me lembra as roupas do Bill... – uma delas diz, sorrindo. A outra não diz nada, fica apenas parada olhando para a vitrine. Laiz se vira para olhar também, e mal pode conter o sorriso: Bill estava lá. Ele entrou na loja devagar, estava sozinho. Vestia uma calça jeans surrada, tênis all star, uma jaqueta de couro preta, fechada até o pescoço. Tinha os cabelos soltos, uma touca preta e óculos escuros. Ele não havia notado as meninas na loja, e então, Amanda resolveu tomar a iniciativa, se aproximando apenas uns dois passos, com a amiga atrás de si.

- Bill? – ele as olhou, e não disse nada. – Lembra de nós? As meninas depois do show? Nós, ér... Conversamos um pouco. – ele então, deu um sorriso, parecendo recordar-se.

- Lembro-me sim. Vocês falaram em alemão com o Tom. Como estão? Comprando muito, é? – disse, olhando as sacolas.

- Ah, um pouco... – Ela deu uma risada sem graça. – Eu sou a Amanda, mas pode me chamar de Mandy. – e olhando para a amiga, que ainda sorria. – Esta é a Laiz!

- Ah, olá Mandy e Laiz. – elas riram com o seu sotaque. E ele também. – Gostaram de Berlim?

- Sim, muito. Adoramos, amamos, é lindo. Gostamos. – Laiz falou sem nem respirar, se atrapalhando nas palavras, e Mandy segurou o riso.

- Ah, hahaha, que bom! – ele parecia meio envergonhado, e olhou para a menina. – Olha Laiz, eu não costumo fazer isso, mas vocês parecem legais. O resto da banda está me esperando numa lanchonete aqui perto, querem ir comigo? – as meninas iam dizer que não, por mais que quisessem ir, pois nem conseguiriam falar no meio deles, e Bill interrompeu-as. – Não aceito um "nein" como resposta! – brincou. E com um discreto aceno indicando para que saíssem da loja, finalizou. – Vamos!

As meninas o seguiram pela rua, sem conseguir conter a excitação. Sorriam o tempo todo, riam à toa, e ele parecia divertir-se com isso. Apenas alguns minutos de caminhada, e chegaram à lanchonete. "Planet Hollywood" era o lugar, elas mal podiam acreditar. Ao entrarem, ficaram vidradas. No teto, uma moto pendurada, nas paredes, autógrafos e fotos dos artistas mais idolatrados no mundo, luzes coloridas, uma decoração estilo "Rock Anos 80". Era maravilhoso.

Numa mesa ao fundo, elas puderam identificar os outros três integrantes da banda. Eles estavam rindo de alguma coisa, Amanda e Laiz sentiram-se até incomodadas achando que poderia ser delas, mas não era. Georg havia deixado cair refrigerante nas calças, e na verdade, parecia outra coisa. Nem elas conseguiram segurar o riso, ao ver o garoto levantando da mesa e indo em direção ao banheiro masculino, do outro lado. Bill também ria.

Chegaram mais perto e Tom e Gustav levantaram-se para cumprimentá-las. Como se fosse necessário. Elas mal conseguiam falar, jamais haviam se imaginado nessa situação. Elas não eram mais simples fãs de Tókio Hotel. Eram fãs-de-Tokio-Hotel-que-o-Bill-havia-chamado-pra-sair-e-se-encontrarem-com-Tom-Georg-e-Gustav-no-Planet-Hollywood! Ou, pelo menos era isso que se passava na mente delas. Sentaram-se, uma do lado da outra. Amanda de frente para Tom, Laiz de frente para o Gustav, e Bill ao seu lado, ficando de frente para Georg, que ainda não havia voltado.

Tom olhava para Amanda com um sorrisinho maroto nos lábios. Ela parecia envergonhada, estava com as mãos cruzadas sobre a mesa, e olhava fixamente para elas, como se fossem interessantes. Ele deu um suspiro, e disse:

- Sprichst du Deutsch? – seu tom de voz era zombeteiro.

- Ja, hmm... Ein wenig... – o alemão da menina era quase perfeito, fazendo o sorriso dele, desaparecer.

- Wie heisst du?

- Elas se chamam Amanda, - interrompe Bill, apontando para a primeira menina. – e Laiz. – aponta para a segunda. – E são brasileiras, Tom. Não vamos torturá-las com alemão, ok?

- Meu inglês é horrível... – resmungou o gêmeo, fazendo uma careta desgostosa.

- Se vire! Tenha dó das garotas! – ele sorriu e piscou na direção de Laiz, que ficou visivelmente vermelha. Mandy encarou Tom com um sorrisinho nos lábios, e quando seus olhos se encontraram, a menina desviou os seus depressa.

Nesse momento, Georg retorna do banheiro, com as mãos cruzadas em frente ao seu corpo, tentando esconder a frente da calça molhada. Ele ria descontroladamente da besteira que tinha feito.

- Oh, ich kann nicht glauben ich… - e olhou para as meninas. – Hallo!

- Aah, Georg. Bill não nos deixa mais falar em alemão por causa de nossas amigas brasileiras! – Tom mostra a língua. – Que, por acaso, falam alemão muito bem. – ele levanta uma sobrancelha, olhando para a garota à sua frente. – Vire-se com seu inglês.

- Hahaha, ok. Olá, como estão? – ele diz, meio receoso, meio contente pela companhia. – Me lembro de dar autógrafos a vocês ontem.

- Ah, olá! Estamos bem! – elas falaram em coro, rindo em seguida.

- Amanda e Laiz! Antes que você pergunte... – disse Gustav, enquanto o amigo sentava-se ao seu lado. – Sie scheinen fein.

- Nós entendemos! – Amanda riu. – Que bom que nos acham legais! – Gustav ficou um pouco vermelho, mas não se deixou abalar.

O garoto de longas rastas olhou para o lado e soltou um riso debochado. Mandy – e todo o mundo – conhecia sua fama de "pegador", e ele era realmente irresistível. Ela, apenas, não seria mais uma. Já havia chegado tão longe, o que custa mais um desafio?

Bill mirava as garotas com ternura, mas era visível um brilho extra em seu olhar quando o dirigia à Laiz. Mais visível ainda, era a retribuição dela ao gesto: bochechas rosadas, olhar hipnotizado e um sorriso.

Para Georg e Gustav, restaram as garotas sentadas numa mesa ao lado, que olhavam e riam e cochichavam. Os dois piscaram antes de se levantarem e irem até elas, que agora pareciam bem animadas, sustentando sorrisos marotos... Isso com certeza acabaria em "Reden".

Um garoto loiro, de olhos penetrantes e bem azuis entra, atraindo a atenção de todas as meninas no local, inclusive das amigas brasileiras. Ele olhou na direção da mesa onde estavam, e seu olhar cruzou com o de Amanda, que dessa vez não desviou. Deu um sorriso, e recostou-se no banco estofado, enquanto o menino se aproximava com passos lentos.

- Hallo. – ele disse, estendendo a mão.

- Olá. – ela levou a sua até a dele, apertando-a delicadamente.

- Qual é o seu nome? – seu inglês era perfeito.

- Me chame de Mandy. E o seu?

- Michael. Onde está hospedada?

Eles trocaram telefones e endereços, e marcaram um encontro para mais tarde. O garoto foi embora, se despedindo com um beijo nas costas da mão da brasileira. Quando ele saiu, ela e Laiz trocaram olhares comprometedores, e diversos comentários, em português, sobre Michael surgiram. Enquanto demonstrava euforia na conversa com a amiga, Amanda sentia o olhar de Tom sério, e fixo sobre si.

Ficaram mais um pouco no Planet Hollywood e então os rapazes as deixaram na porta do hotel. Ao entrarem no quarto, Amanda jogou-se na cama e ria alto, falando com a amiga:

- Você viu como ele me olhou? Ah! E o jeito como ele olhava para o Michael?! Ele estava espumando de raiva! Logo sairia fogo pelas rastas! – Laiz sentou-se na beira da cama da garota, rindo.

- Mas você acha que vai dar certo? Não é como se ele tivesse se apaixonado à primeira vista.

- Eu não quero que ele se apaixone, só quero que ele me dê valor! – ela senta ao lado da amiga, e pega suas mãos, demonstrando euforia. – O Tom não está acostumado a ser rejeitado, vou fazê-lo correr atrás!

- O Tom não está acostumado a correr atrás...

- E também não está acostumado a perder! – e então ela levante, apressando-se até o banheiro para tomar banho.

Laiz se deita lentamente, e dá uma gargalhada alta, sem poder conter o misto de emoções e o turbilhão de pensamentos no momento. Ela esperava apensar uma semana com sua amiga, passeando num país novo, comprando, visitando monumentos famosos e tirando fotos, muitas fotos. Mas, nunca isso! Agora ela estava lá, pegando intimidade com o homem de sua vida, tão perto dele quanto sempre quis estar! E tudo o que ela consegue fazer é agir estúpida, sorrir como boba, rir à toa e responder coisas sem sentido quando lhe perguntam algo. Mas nada importa, não quando Bill a encara com seus olhos escuros brilhando e sorri, com aquele sorriso encantador. Ela escuta Amanda cantando no chuveiro, uma versão zoada de "Ich bin nich' ich" que dizia: "Ixi, vou fazer xixi, aqui no peniii... No pinico do alien! Vá fazer xixi no dia, oh, o meu xixiii... No pinico sai!", e começa a rir. Às vezes ela não conseguia acreditar nas besteiras que a amiga dizia e fazia. Tanto que, oras, ela estava na Alemanha e, poderia-se dizer, estava amiga do Tokio Hotel! E do Bill! Ah, Bill...

Laiz escuta a porta do banheiro destrancar, e vê a outra menina saindo, enrolada na toalha. Esteve tão absorta em pensamentos que nem viu o tempo passar.

- Brr, que friozinho. Vou me trocar antes que congele! – diz Amanda, começando a se vestir. – Você não vai tomar banho? – ela indaga.

- Pra quê? Tomo antes de me deitar...

- Você vai comigo, Jéjé. – sabe os emoticons de MSN? Um bem impaciente? Essa era a cara dela.

- E ficar de vela? Ou melhor, com um homem daqueles, castiçal? – ela brinca.

- Você sabe muito bem que eu só vou sair com ele para fazer ciúmes no Tom, e nada mais. Além disso, eles estarão lá na boate.

- COMO É QUE É? – e em apenas uma fração de segundo, Laiz já estava despida, embaixo do chuveiro quente.

Cerca de uma hora depois, as meninas estavam apenas dando os toques finais no visual, e toca o telefone do quarto. Amanda corre para atender:

- Hallo?

- Herr Michael ist hier. – diz o atendente.

- Oh ok, dankeshön! – ela vira-se para Laiz, colocando o fone no gancho com um sorriso de orelha-a-orelha.

As duas descem, e encontram Michael no saguão do hotel. Ele as cumprimenta cordialmente, e com delicadeza, oferece o braço à Amanda, que aceita. Vão andando até o carro, e em menos de 40 minutos, já chegaram à boate. Sorte delas, estarem num hotel bem no centro da cidade, ou então demorariam horas, com o trânsito da grande Berlim.

O lugar era maravilhoso. Uma boate chic, com uma grande placa iluminada aonde lia-se "Tänzer", o que significa "dançarino", em português. Michael fez apenas um sinal para o segurança diante da enorme fila na entrada, e elas passaram à frente de todos.

- Eu sou o dono daqui, espero que gostem. – e então, virando-se para a acompanhante, completa: - Mandy, Verzeihung, mas vou ter que me ausentar um pouco para uns últimos ajustes. Pode conhecer o lugar com sua amiga, e tudo o que quiserem beber ou comer, é por minha conta.

Elas estavam admiradas com a decoração. Luzes de todas as cores iluminavam o lugar, refletindo nas paredes pretas com detalhes em espirais, prateados. Nos pequenos camarotes havia dois sofás brancos em cada extremidade, uma mesa de centro prateada com um enfeite lindo de velas vermelhas em cima, e mesinhas de canto ao lado dos sofás com abajures acesos, também vermelhos. O bar era imenso, os bartenders faziam apresentações com fogo no momento, e todos aplaudiam. Andaram mais um pouco, e encontraram um corredor estreito, e no fundo havia uma pequena escada, que dava à uma pista de dança grande, e um pequeno palco. Em cima do palco, uma tela de projeção... Na projeção, uma foto... A foto era dos gêmeos Kaulitz.

Elas se entreolharam, finalmente caindo na real. Hoje era 1° de setembro! Aniversário dos gêmeos! Oh Deus!

As amigas não sabiam se riam ou se choravam. Encontraram com eles mais cedo, e nem deram parabéns, esqueceram-se completamente! O quê eles iriam pensar?

Uma pessoa chega por trás delas, e passa os braços ao redor da cintura de Laiz, que rapidamente o repele, para só depois descobrir que era Bill:

- Oh, me desculpe! E me desculpe também por não ter lhe dado os parabéns, eu estava completamente distraída...

- Tudo bem! – ele interrompe, e recebe abraços de aniversário de ambas. – Obrigado. Espero que gostem da festa! – e então olha apenas nos olhos de uma. – Quer dançar, Fraulein? – e beija a mão de Laiz.

- Claro! – ela responde, e Amanda sorri, incentivando-a.

- Onde foi seu acompanhante? Deixou-a sozinha aqui? – diz Tom, aproximando-se da menina que ficara pra trás.

- Na verdade, ele é o dono deste lugar... Disse que precisava cuidar de uns ajustes finais. – ela o olha. – Parabéns pelo seu aniversário, me desculpe por hoje à tarde... – ele sorri em agradecimento.

- E qual será o meu presente? – o menino de rastas pára na frente dela, sorrindo irresistivelmente com o canto dos lábios.

- Se quiser nos encontramos amanhã e compro algo para você e Bill. – ela disse, fingindo não entender.

- O que eu quero, dinheiro não compra.

- O que você quer, eu não vou lhe dar...

- Vai negar meu presente de aniversário? – ele faz uma carinha de cachorro abandonado.

- Seu presente você consegue com qualquer uma. – seu tom era desafiador.

- E vou conseguir de você. – ele replica à altura.

- Eu não sou qualquer uma. – ela pisca e sorri, antes de virar-se para procurar Michael.

Laiz e Bill estavam dançando animados ao som de Lily Allen, e divertiam-se bastante. Ela estava muito tímida no início, mas agora mais descontraída, sentia-se incrivelmente à vontade com Bill. Dançavam juntinhos, às vezes ele pousava as mãos na cintura dela, trazendo-a para perto, às vezes a abraçava pelas costas, seduzindo com seu jeito divertido.

Não trocavam uma palavra sequer, ambos estavam apenas aproveitando este momento juntos, e um diálogo não era necessário para saber o que queriam.

Bill aproximou seu rosto lentamente do dela, enquanto seus braços agarravam a cintura da garota, e os lábios roçaram levemente. Ela fechou os olhos, deixando-se levar pelos instintos e passou os braços ao redor do pescoço dele, pressionando seus lábios mais aos dele. Os pés pararam de se mover, e os dois ficaram simplesmente parados no meio da pista de dança, atraindo os olhares de todos ao redor. Eles se beijavam com vontade, como se dependessem disso para viver, e ao mesmo tempo, com carinho, com... Amor. O homem grudou-se ainda mais a ela, indo contra as leis da física, provando que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço.

Amanda dirigiu-se até o bar, pediu um drink e ficou sentada em um dos banquinhos em frente ao balcão, observando quem passava. Alguém vem por trás, e tampa seus olhos, e de imediato, a menina reconhece o perfume de Michael. Ela se vira, e dá de cara com o homem, sorrindo:

- Pronto Mandy... Quer dançar? – ele dá uma piscadela.

- Claro!

O casal segue de mãos dadas até a pista, aonde Bill e a outra brasileira dançam animados, trocando alguns beijinhos durante a música. Michael passa os braços pela cintura da companheira, que dá uma olhada rápida para trás, e vê Tom agarrando uma outra garota, quase que com brutalidade. Ela se vira, deixando-se levar pelo momento e, com os braços ao redor do pescoço do homem, começa a seguir seus passos lentos.

Dançavam juntinhos, uma música bem devagar. Amanda fecha os olhos, sentindo a respiração do outro em sua bochecha.

- Você está linda. – ele sussurra, antes de dirigir os lábios ao encontro dos da menina.

Porém, antes de qualquer contato entre as duas bocas, ambos são bruscamente separados por alguém que esbarrou. A brasileira piscou várias vezes antes de ver quem era, e então, Tom passa depressa entre eles, indo em direção à porta de saída dos fundos. Olhando para Michael como se pedisse desculpas, ela saiu atrás do guitarrista.

Abriu a porta, e viu que o lugar era como um beco sem saída, mas não como aqueles de filmes, em que usavam os fundos como lixão. Era até limpinho, as paredes eram pintadas de branco, e havia um sofá velho e rasgado ao fundo. Tom estava sentado nele, curvado, apoiando os cotovelos nos joelhos e com a cabeça abaixada.

- Tom...

- Saia daqui. – disse grosseiramente. Vendo que a menina não se mexeu, continuou. – O quê você pensa que está fazendo? Tentando me deixar com ciúmes, é? Acha mesmo que vou me apaixonar por você? – ela fez menção de falar, e ele levantou, fazendo um gesto para que esperasse. Foi até ela, e a empurrou na parede, segurando seus braços firmemente, mas sem machucar. Aproximou a boca de seu ouvido. – Você é como qualquer outra pra mim.

- Então por que se importa tanto? – ela desafiou, com a voz fraca. Estava desnorteada com a proximidade dele.

- Você ainda vai implorar pra me ter. Como qualquer outra vagabunda dessa cidade.

Amanda o encara, séria. Estava lutando contra as lágrimas, e estava obtendo sucesso. Não se deixaria abalar na frente dele. Soltou-se e foi de volta a pista. Se despediu de Michael e Bill dizendo que não se sentia bem e queria deitar-se. Apenas Laiz sabia que algo havia acontecido, e combinou de conversar com a amiga quando ela voltasse ao hotel.

A brasileira pegou um táxi, e chegou rápido ao quarto, para o seu alívio. Trocou de roupa, e se jogou na cama, não se permitindo derramar uma única lágrima pelo garoto de rastas. Adormeceu depressa, ignorando qualquer pensamento sobre o que acabara de acontecer.