Acordou cedo no dia seguinte, e viu Laiz adormecida na cama ao seu lado. Sentiu-se feliz pela amiga, ao ver que ela sustentava um leve sorriso ao dormir. Levantou sem fazer barulho e seguiu até o banheiro para tomar um banho. Entrou, trancou a porta e foi se olhar no espelho. Encarou a si mesma por intermináveis minutos, tentando encontrar algo que desse motivo para Tom tê-la comparado à uma vagabunda. O quê ela havia feito de errado? Ao contrário, ela não havia feito absolutamente nada, nem sequer beijou alguém. Certo, certo... Ela estava prestes a beijar Michael, mas ainda sim, isso faria dela uma vagabunda?! É claro que não!
Pela primeira vez desde ontem... Deixou que uma lágrima escorresse por sua face. Ao mesmo tempo em que sentia seu coração se partir em pedaços, sentiu-se mais forte e mais determinada a atingir seu objetivo. Ela provaria à Tom que não era uma vagabunda, faria ele lhe dar o valor que era merecia.
Entrou no banho, evitando cantar para não acordar a amiga. Saiu do chuveiro e se vestiu. Deixou um bilhete para Laiz, que dizia: "Me ligue quando acordar. Fui dar uma volta. Te conto tudo depois. Beijos.", e saiu do quarto, fechando a porta sem barulho.
Olhou em direção ao elevador, e viu que a porta se abria. Correu para não perder a chance e esbarrou em alguém que saía, caindo no chão. Olhou para cima para pedir desculpas e se reparou com um garoto de boné, longas rastas loiras e roupas largas.
- Ah, é você. – disse, disfarçando o coração acelerado.
- Ah, hm... Ja. – ele respondeu, parecendo sem jeito. Estendeu a mão, e completou em tom gentil, porém envergonhado: - Desculpe. Quer ajuda?
- Não, obrigada. – e ela se levanta sozinha. – O quê faz aqui? Por que não me avisaram que estava subindo?
- E quem disse que eu vim para te ver? – ele riu, olhando-a com uma sobrancelha levantada. A brasileira simplesmente cruzou os braços, impaciente: - Certo. Não te avisaram porque eu não queria que avisassem. Eu aluguei um quarto no hotel só para subir aqui. Satisfeita?
- E como sabia em que quarto eu estava?
- Hmm, acredito que Laiz deixou escapar ontem à noite. – ele sustentava uma expressão de criança que acabara de aprontar.
- Certo. Perdeu seu tempo. Agora, se puder me dar licença... – ela fez menção de entrar no elevador, mas ele bloqueou a entrada.
- Você vem comigo.
- Há! Com certeza. – ela andou em direção até a porta que dava acesso às escadas, e ele correu, puxando-a pelo braço em seguida.
- Você vem. Por favor. – encarou-a suplicante. – Preciso... Te dizer uma coisa.
Ela não respondeu, simplesmente entrou no elevador com ele, que subia mais dois andares. A porta se abriu e ambos saíram, seguindo para um quarto, provavelmente o que ele havia alugado. A suíte era enorme, belamente decorada. Uma cama de casal ao centro, com um criado-mudo de cada lado, um abajur em cima de cada. Em frente à cama, um sofá de dois lugares. Ao lado do sofá, um móvel com uma TV de plasma em cima. Num canto, um pequeno frigobar. Um estreito e pequeno corredor à esquerda, tinha armários embutidos em uma das paredes e a porta que dava acesso ao banheiro em frente. O quarto era decorado em tons pastéis, com ênfase no creme.
Tom passou por ela, dando um sorriso e jogando-se na cama com um salto. A menina foi até o sofá, sentando-se de frente pra ele, as pernas e braços cruzados. O guitarrista a encarava de volta, com um sorriso nos lábios que aos poucos foi desaparecendo. Deu um suspiro impaciente, e rapidamente sentou na beira da cama.
- Olha, - ele começou, sem jeito. – eu queria pedir perdão pelo o que disse ontem, na boate. Você não é uma vagabunda, e não queria que pensasse isso. Eu estava de cabeça quente, e não pensei antes de falar. – vendo que ela ainda esperava que ele falasse, completou: - É isso. Me perdoa?
- Eu não sei... – seu coração estava completamente derretido, mas ela não poderia demonstrar isso. – Você me magoou muito, sabia? Eu não sou uma vagabunda qualquer.
- Eu sei que não é! Por isso estou pedindo perdão. – Tom começava a ficar com as bochechas coradas. – Não sou bom nisso, não me faça pedir de novo. – ele abaixou a cabeça, fitando o chão.
- Haha, certo.
E então, ele voltou a olhar pra ela. Deu um sorriso, provavelmente o mais bonito que Amanda já o vira dar. Não era um sorriso maroto, nem irônico ou nada do tipo. Era um sorriso sincero, simplesmente. Ele levantou, indo até ela. Ajoelhou-se em sua frente, e ela permanecia sentada, sem reação. Não fez nada de romântico, não foi como se sinos tocassem, ou estrelinhas brilhassem em volta de ambos. Mas, segurando o rosto da menina gentilmente, ele levou seus lábios aos dela.
Primeiro, deu uma mordida leve em seu lábio inferior. Depois, roçou sua boca na dela, devagar. A menina sentia os movimentos dele com intensidade, por conta do piercing pressionando sua boca. Iniciou um beijo lento, intensificando-o aos poucos, até incendiar completamente. Passava a mão livre na coxa dela, que tinha os braços em volta de seu pescoço, e o acariciava com as unhas suavemente, lhe causando arrepios.
Percebendo aonde aquilo iria terminar, Mandy parou o beijo.
- Não... – ela ia dizer, com a voz fraca.
- O quê?! Vai me rejeitar de novo?! – ele levantou bruscamente, arrumando o boné diversas vezes, num gesto nervoso. – Não é assim que as coisas funcionam, Amanda! – o rosto dele estava vermelho, e sua respiração não estava regularizada. E nem a dela.
- Não é isso, é... É que...– ela não sabia ao certo o que dizer.
- Certo. Você conseguiu o que queria. – ele esbravejou. – Queria que Tom Kaulitz fosse te procurar, queria beijá-lo e cair fora, pra contar vantagens às suas amigas, não é?! Pois bem, pode voltar para o seu país! Geh!
Ela se levantou e virou-se para a saída. Colocou a mão na maçaneta, pronta para ir embora, mas desabou. Caiu no choro, e sentou-se no chão, com o rosto entre as mãos, envergonhada pelo que estava acontecendo. Tom foi correndo até ela, e agachou ao seu lado, lhe dando um abraço e confortando-a. Deu leves beijinhos na sua bochecha, e sussurrou pedidos de desculpa em seu ouvido.
- Eu perco a cabeça quando fico nervoso, e... Bem, ultimamente eu tenho ficado muito nervoso perto de você. Isso nunca... – ele não terminou a frase.
- Vai ser isso toda vez? Você sempre vai dar um jeito de me magoar? É isso? – ela o olhou, com os olhos lacrimejantes. – O quê quer de mim, afinal? Num momento, está me expulsando, e no outro me abraça! Você... Ah. ARGH! – ela soltou. – Eu queria que você sentisse ciúmes de mim, certo? Mas não... Não quero que se apaixone, só quero que me dê valor! Eu não sou qualquer uma, Kaulitz. Mas ao que parece, isso nunca vai acontecer. Quando você não consegue o que quer, fica todo bravinho, diz o que vem à cabeça, sem nem se importar se está ferindo os sentimentos de alguém. – ele escutou calado. Nesse momento, seu celular começou a tocar, e no identificador de chamadas lia-se "Laiz". – Amiga? Sim, sim, estou choran... Não, ainda estou no hotel. Longa história, estou indo te encontrar, me espera aí... Ok, ok. – e desligou.
Olhou para o garoto à sua frente e se levantou. Secou as lágrimas e abriu a porta, saindo sem dizer uma palavra. Se arrependia de ter "brincado" com ele, de tê-lo feito sentir ciúmes, ou pelo menos, ter tentado. Tom Kaulitz não amava, só sabia machucar, ou pelo menos, era assim que ela se sentia agora.
Retornou ao quarto, e chorou deitada no colo da melhor amiga, que lhe fazia carinho e consolava.
- Sté, eu vou sair com o Bill. Quer ir conosco?
- Não, não... Obrigada. Mas hoje acho que vou ficar aqui, assistindo TV ou lendo... Não quero ver ninguém, me desculpa...
- Não precisa se desculpar, amiga, eu te entendo. Qualquer coisa, sabe que pode me ligar, não é? – Amanda assentiu. – Certo. Eu te amo, e se cuide. – Laiz se despediu dando um beijo na testa da amiga, e foi se encontrar com o vocalista.
Bill a estava esperando na porta do hotel, cumprimentou-a com um delicado beijo.
- Dormiu bem? – ele perguntou, sorrindo.
- Melhor impossível! E você?
- Não consegui dormir... Passei a noite pensando em nós. – ambos tinham as bochechas coradas. – E então, aonde vamos almoçar?
- Oras, eu não conheço nada por aqui! – ele riu. – Mas em qualquer lugar, pra mim tá bom!
- Nein! – ele fez uma careta de bravo. – Eu não vou te levar em qualquer lugar! Vou te levar no melhor!
_ Bill, não seja absurdo. Nada de gastar dinheiro à toa comigo. Existem muitos restaurantes bons e que não são caros! Ontem, eu e a Mandy almoçamos...
- Shh. – ele a interrompeu, colocando o dedo indicador levemente sobre os lábios da menina. – Eu já sei aonde te levar. – Ele abriu a porta do banco passageiro de sua BMW, para que ela entrasse, indo em seguida para o outro banco e dirigindo até o restaurante.
Era um lugar chique, decorado em tons de vermelho e cinza. Um ambiente clássico, e Laiz ficou observando os garçons que passavam com a comida, que parecia deliciosa. Olhou para o acompanhante, praticamente boquiaberta e balbuciou:
- Você está louco? Isso... Deve... Ser... – Bill ia guiando-a até a mesa que estava reservada para eles. – Muito caro. – ela terminou ao sentar-se. Tudo o que ele fazia, era rir. Ria dela como se ir à um restaurante chique desses fosse algo totalmente normal do dia-a-dia.
O almoço transcorreu normalmente, conversaram bastante, deram muitas risadas. Especialmente Bill, que mau se agüentava com o jeito atrapalhado da menina. Quando terminaram de comer, ela foi rapidamente ao banheiro para ligar para a amiga, pois estava preocupada. O celular chamava, chamava, chamava, e ninguém atendia. Ela ligou umas três vezes, e nada... Imaginou que Amanda talvez estivesse dormindo, ou teria saído para dar umas voltas e esfriar a cabeça, então relaxou e não insistiu. À noite estaria de volta ao quarto, e tudo seria explicado.
Ela e Bill saíram do restaurante e foram a um shopping próximo, passear e talvez pegar um cinema mais tarde. Estava sendo uma tarde maravilhosa, ela mal podia esperar para dividir tudo com a outra brasileira mais tarde.
Amanda não estava dormindo, pois não conseguia. Não estava deitada, pois se sentia inquieta. Não havia ido passear, porque não sentia vontade. E ela não estava sozinha. Estava sentada no chão, com Michael à sua frente. Ele havia chego para saber se ela se sentia melhor, pois saiu correndo na noite passada, e a encontrou chorando. Conversaram abertamente, e Mandy contou tudo sobre o "plano" com Tom.
- Ah, eu entendo... – ela percebeu que Michael estava magoado.
- Me perdoe, eu me arrependo tanto... Você é um cara legal, e não merece alguém que faz o que eu fiz, me perdoe...
- Está tudo bem, mesmo. Vamos... Vamos ser amigos... Certo? – ele disse, e pegou nas mãos dela. Amanda se aproximou e deu um beijo amigável nas bochechas do rapaz, e logo em seguida ouviu a porta do quarto bater. Ela devia tê-la esquecido aberta ao deixar o amigo entrar, e alguém deve ter entrado por engano e deixado-a bater quando fechou. Ambos sorriram, e o celular da garota começou a tocar. Ela viu que era sua melhor amiga, mas preferiu não atender, para não interromper a conversa com o homem que a visitava. Poderia explicar tudo depois e sabia que ela iria entender.
Laiz e Bill assistiram à um filme de comédia, e estavam já no estacionamento do shopping, comentando as cenas mais engraçadas e rindo. Entraram no carro, e Bill a beijou passionalmente. Ela estava com o coração a mil por hora, pois dentro do cinema já havia rolado um clima mais quente entre o casal. Mas estava tentando disfarçar, imaginando o que ele pensaria. As carícias tornaram-se mais intensas, as mãos dele adentraram a fina blusa branca que ela usava, os seus dedos frios percorrendo a pele quente dela, marcando-a à ferro em brasa. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e o mesmo culminou num gemido baixo que ela soltou no ínfimo segundo que seus lábios se separaram para que pegassem ar. Eles se encararam, e a menina estava perdida nos olhos do rapaz. Olhos brilhantes, cor de chocolate, delirantes. Um olhar que lhe despertava felicidade, paixão... Desejo.
Talvez eles fossem muito parecidos, talvez Bill tenha lido seus pensamentos, ou melhor, talvez pensasse o mesmo que ela. Acionou o carro, e dirigiu rápido até o hotel.
- Espero que a Sté não se incomode de ficar no quarto vago de Tom esta noite... – a garota pensou, sorrindo.
Não demoraram muito tempo para chegar, e apressados, deixaram a BMW branca com o motorista do Vallet, que o colocou no estacionamento. O elevador estava à espera deles, no térreo, e de dentro dele, saía Tom. Sorrindo para Laiz, o gêmeo correu até o irmão.
- Tom, você já deu o check out na suíte?
- Ainda não. Quer usá-la? – ele levantou uma sobrancelha, dando um sorriso cínico.
- Na verdade, nós queríamos ficar no quarto da Laiz. Ér, ela se sente mais à vontade, as roupas dela estão lá, e... Ah. – ele ficou vermelho e não terminou a frase. – Pode tirar a Mandy de lá? CADÊ A AMANDA? – só então ele viu que o irmão estava sozinho.
- Ela? HÁ. Não quero saber, nós... Brigamos, quer dizer, foi bem estranho, eu não sei o que deu na gente... – ele encarou o moreno. – E agora Michael-o-lindo-do-pedaço está aqui e... Não importa. Eu a tiro de lá, suba em 10 minutos. – deu um sorrisinho acenando para Laiz de longe e voltou para o elevador, subindo.
Abriu a porta do quarto, viu que a menina e Michael ainda estavam sentados e riam como se fossem velhos amigos. Amanda o encarou, e o sorriso desapareceu de seu rosto completamente. Michael virou-se para trás, e sua expressão também não era de felicidade.
- Desculpem interromper os pombinhos, - ele começou, bem irônico. – Mas, hm, Laiz e Bill querem usar o quarto. – tentou segurar uma risadinha. – E não é legal vocês ficarem aqui... A não ser que queiram assistir, é claro.
- Ah, e Mandy, já está na minha hora... Vou abrir a boate hoje, me desculpe, prometo que volto para conversarmos amanhã... – eles sorriram novamente.
- Sim, volte, aposto que ela adora a sua companhia.
- É, eu adoro. – Amanda retrucou, porém não olhava para Tom. – Vamos sair daqui, haha.
Levantaram-se, e Michael se despediu rápido, indo ao elevador e então descendo. Tom a olhava da cabeça aos pés, tentando reprimir as sensações que sentia. Ela trajava apenas uma camiseta rosa, e um shorts preto, curto. A garota calçou uns chinelos Havaianas, e fechou a porta do quarto.
- Me empresta seu quarto esta noite, para que eu não tenha que dormir no corredor? Por favor? – ela pediu, olhando na direção oposta à que ele se encontrava.
- Eu ficarei lá também, pode dormir no sofá. – ele riu, indo até as escadas. Ela o seguia, subindo os primeiros degraus.
- Sofá?! Está falando sério? – seu tom era de indignação.
- Não acho que vai querer dividir a cama comigo, depois de hoje à tarde.
- Você poderia ser cavalheiro e dormir você mesmo no sofá. – ela riu. – Mas, isso é impossível.
- É, é impossível, Amanda. – continuavam subindo, faltava pouco. – Pegou seu pijama?
- Ah, esqueci. Não importa, durmo assim mesmo. – ela fez uma careta, mas não se importou muito.
- Como quiser.
Chegaram ao corredor, e o garoto destrancou a porta, abrindo espaço para que ela entrasse. Foi direto ao sofá, tirando o chinelo e se deitando. Fechou os olhos, e o escutou trancar tudo e ir ao banheiro. Não falou nada, nem se moveu. Simplesmente ficou lá pensando, esperando o tempo passar.
O vocalista observava Laiz enquanto ela abria o zíper de seu casaco, retirando-o. O quarto estava propositalmente mal iluminado, o que dava um ar mais sexy ao ambiente. Estavam deitados, ela por cima dele. Parecia que o ar não lhe era o suficiente, estava ofegante e tinha as mãos tremendo enquanto tirava as roupas dele. Ela mesma estava só de calça jeans e sutiã. E mal podia esperar para se livrar disso.
Ele começou a beijar seu pescoço de forma sensual, mordendo de leve, e passando a língua suavemente, causando-lhe arrepios. Ela soltava gemidos baixinhos ao pé de seu ouvido, e sentia como isso o deixava louco. Suas mãos percorriam o corpo, agora seminu, dele e as dele buscavam desesperadas o botão da calça, para retirá-la. Logo, todas as peças que vestiam os corpos do casal, estavam no chão, amassadas e jogadas de qualquer jeito ao pé da cama.
Suor, respirações ofegantes. Gemidos, beijos urgentes. Os movimentos combinando perfeitamente, seguindo um ritmo apressado. Calor, calor.
Tom estava no banho, e os minutos pareciam uma eternidade. A menina começou a andar de um lado pro outro tentando acalmar os nervos. Ao mesmo tempo em que sentia raiva na presença dele, ela se sentia tão bem. Gostava quando ele falava com ela, gostava do som da sua voz e de como ela se sentia. Gostava quando ele estava com ciúmes, e nossa, gostava de seu beijo... E que beijo. Ela sabia que queria mais, apesar de tentar esconder isso de si mesma. Ao ouvir o chuveiro ser desligado, deitou-se novamente no sofá, imóvel. Ele saiu, apenas com uma toalha enrolada na cintura, e ela espremeu os olhos, para que ele não percebesse que estavam abertos. O corpo dele era perfeito, um tanquinho definido, braços razoavelmente musculosos. Abriu sua mala, haviam algumas roupas lá, que ele trouxe só por precaução. Vestiu a cueca, removendo a toalha em seguida. Dessa vez, Amanda fechou os olhos, mas não conseguiu controlar o instinto de enrubescer. Remexeu-se, incomodada, e o garoto a mirou:
- Está me espionando? – ela não conteve o riso. Seria uma noite longa.
Ele começou a rir descontroladamente, enquanto vestia uma calça, daquela de pijama. Andou até ela, sentando na beira do sofá, colocando uma das mãos na perna da menina.
- Não adianta esconder, - ele disse entre risadas. – estava mesmo a me espionar, não é?
- Não... Deu... Pra Evitar... – Amanda abriu os olhos, limpando as lágrimas que caíam, de tanto rir. – Des... Desculpa... – e ria ainda mais.
Tom não respondeu, mas sua mão subiu de sua perna até a cintura, enquanto ele se apoiava com a outra, inclinando seu corpo por cima do dela até seus lábios se encontrarem num beijo carinhoso. Separaram-se apenas poucos centímetros, para se encararem. Ambos tinham as bochechas coradas, um sorriso nos lábios, e Amanda estava perdida no olhar do garoto à sua frente. Ele a fitava com carinho, como nunca antes. E ele estava lindo... Sem camisa, as rastas presas no alto da cabeça, trajando apenas a calça de pijama preta. Tentou manter seus olhos nos dele, mas seu olhar baixou para a barriga descoberta do rapaz sem que ela percebesse, fazendo-o rir novamente. Pegou sua mão e sussurrou:
- Pode deitar na cama, eu durmo no sofá. – ela sorriu, e o empurrou levemente para longe, levantando e se deitando na metade esquerda no colchão macio.
- Deita comigo? – suas bochechas coraram ainda mais. Também sorrindo, ele andou até ela, e a abraçou. Apagou o único abajur aceso do quarto, ao lado da cama, e fechou os olhos, desejando-lhe boa noite.
