Título: Meu Comandante...Meu Cavaleiro

Autoras: Arsínoe do Egito e Celly M. (também conhecidas como Endless Magic)

Classificação: M

Pares: Heero Yuy x Duo Maxwell (1x2); Trowa Barton x Quatre Winner (3x4)

Disclaimer: Gundam Wing não nos pertence, infelizmente. Se os meninos da série fossem nossos, com certeza eles brincariam de strip poker ou algo que pedisse menos roupas e defintivamente que os mantivesse com os pés no chão. Make love, not war, babies!

Avisos: sim! Essa fic contém yaoi! Se chegou aqui por engano, dê meia volta, senão o bichinho do yaoi pode te pegar e você pode gostar! . Leiam o aviso no final, sim?

Sumário: Na busca infinita pela liberdade, até onde o amor pode mudar os rumos da História? Uma decisão pode determinar o destino de duas vidas... de uma lenda. Yaoi – 1x2x1; 3x4

PARTE I
Heero Yuy POV

Seis meses.

Seis malditos meses naquele posto distante, tendo lições de como comandar.

Besteira.

Eu saberia lidar com meus homens, saberia como incitá-los à batalha, saberia como comandá-los.

Estava no meu sangue. No sangue romano que herdara de meu pai. De minha mãe bretã... bem, dela eu só trazia as amargas recordações, recordações de sua morte.

Toquei a espada presa à cela de meu cavalo e suspirei.

Fora para salvá-la que eu desencravara a Excalibur do túmulo de meu pai... mas não aquilo não fora o suficiente. Ela, minha adorada mãe, fora morta numa das invasões bárbaras ao território Romano.

E eu os mataria para que Roma pudesse controlar o mundo e, assim, criar uma ordem e então teríamos a paz.

Sim... mães não seriam mais arrancadas de seus filhos.

Melhor era não pensar naquilo, determinei, ao avistar minha fortaleza.

Oh sim, eu Heero Yuy, aos vinte e dois anos já era senhor de minha própria fortaleza. Lá meus cavaleiros, que acabavam de se tornar homens, viviam e serviam à Roma.

À minha tão amada Roma.

Avistei meus homens, parados no portão, aguardando minha chegada.

Haviam sido duramente treinados durante oito anos para servir à Roma, sob o meu comando.

E havia chegado a hora de enfrentarem sua primeira batalha.

Eu já havia participado de algumas, mas jamais comandara e, se seria a primeira vez deles em um campo de combate, seria a minha na liderança.

Mas eles eram fiéis a mim, disso eu sabia. Podia ver a admiração brilhar nos olhos de cada um deles.

Eu e a tropa nos aproximamos e fomos saudados pelo povo que vivia na fortaleza. Eram poucas pessoas, algumas mulheres casadas com soldados, crianças... nada muito significativo.

Coisas que poderiam ser deixadas rapidamente para trás no caso de alguma invasão bárbara.

— Ó grande Heero! –um de meus cavaleiros, Duo, disse.

Duo... esse era um guerreiro... bem peculiar. Trajava-se sempre de preto, usando couro geralmente, uma cruz de ouro no pescoço alvo, uma longa trança e um comentário sarcástico na ponta da língua.

Sentira falta dele.

Ele e vários cavaleiros que ali estavam eram os melhores da Bretanha, sabia disso. A maioria era sarmatiana e dos antepassados, não herdaram somente a fama, mas a habilidade de montar também.

Eram os melhores.

E estariam sob o comando do melhor, determinei a mim mesmo.

— Duo, meu bom homem. –dei-lhe um pequeno sorriso, descendo do cavalo. — Espero que tenha melhorado desde que parti.

Ele sorriu abertamente e me abraçou apertado, sussurrando que sentira falta de nossos duelos.

Duo era... meu melhor amigo.

O aperto em torno de meu corpo não cessou e eu me vi correspondendo a ele, sentindo os contornos do corpo que parecia tão delicado, mas, eu sabia bem, escondia uma grande força.

E aquela aparência... me perturbava.

Não era comum um cavaleiro ser dono de olhos violetas e de longos cabelos castanho-dourados.

E isso o tornava único naquele meio.

— É bom tê-lo de volta, grande Heero. –suprimi um sorriso. — O que Vossa Majestade trouxe de novidade para nós, pobres cavaleiros esquecidos nesse fim de mundo? –antes de qualquer resposta, já remexia na bolsa que estava na cela do cavalo.

Suspirei.

Melhor não lhe dar atenção.

Um a um, meus cavaleiros vieram ao meu encontro, me cumprimentando.

Eu via, nos olhos de cada um, a expectativa pela batalha que viria. Mas eu não estava tão ansioso assim. Matar nunca é divertido, acreditem.

Senti um incômodo toque em minhas costas e virei.

— Vamos, Heero, mostre-me se aprendeu algo novo! –dessa vez me permiti sorrir, vendo Duo apontar uma espada para minha garganta.

— Eu sempre lhe ganho. –disse, segurando minha espada e me colocando em posição de combate.

Ele gargalhou, os olhos brilhando de forma estranha.

Seu corpo avançou sobre o meu, sua espada encontrando a minha, num golpe preciso e certeiro.

Ouch. Ele havia melhorado imensamente.

Rodamos pelo pátio, o barulho de nossas espadas, as gargalhadas de Duo e as palmas das pessoas à nossa volta, enchendo o lugar com os sons que me eram tão familiares.

Em um golpe certeiro, Duo derrubou-me no chão, seu corpo sobre o meu, a espada em minha garganta, enquanto a minha própria voava de minhas mãos.

Arregalei meus olhos, vendo seu rosto aproximar-se do meu.

Quando ele ficara tão rápido?

— Admita que sou o melhor, Heero. –ele disse, a espada ainda em minha garganta, sua lâmina afiada prestes a me cortar e os lábios próximos aos meus.

Engasguei, não acreditando no quão quente era seu hálito sobre minha boca.

Meu corpo todo estremeceu e eu fechei os olhos, girando meu corpo, escapando de sua lâmina e invertendo as posições.

— Eu sou o melhor. –disse, sério.

Me ergui, pegando a espada e respirando fundo.

O que fora... aquele calor em meu corpo?

Perdoe-me Deus meu, pelas coisas que pensei.

— Todos os cavaleiros, acompanhem-me, temos que falar sobre a batalha que virá. –falei, de maneira firme, vendo o sorriso nos lábios de Duo tornar-se... maligno.

Caminhei para dentro da casa maior, indo até o grande salão.

— Acomodem-se. – Minha voz soava quase rude naquele lugar.

Ali eu era o comandante Heero Yuy, não o amigo que duelava com os rapazes lá fora.

Quando todos estavam dispostos na grande mesa redonda, me permiti andar por toda a extensão do salão, dando-lhes detalhes da batalha que todos aguardavam tão ansiosamente.

— Há uma tribo, vinda do extremo norte da ilha, que pretende invadir os territórios do nosso amado Império. –oarei, vendo vários rostos desgostosos. — Do meu amado Império. –consertei. — Eles pretendem invadir a Muralha de Adriano mais ao leste, na altura da outra fortaleza já desabitada. Roma retirou os soldados de lá e solicitou que vocês, meus nobres cavaleiros, a protegessem dessa invasão bárbara. Eu, Heero Yuy, os comandarei para a vitória e, juntos, venceremos essa primeira batalha! –ouvi vários sons de aprovação e, internamente , agradeci ao meu amado Deus por me manter firme. — Por Roma e pela Sagrada Igreja, expulsaremos esses pagãos e asseguraremos, mais uma vez, o poder do nobre Império Romano! –mais vivas e um suspiro aliviado deixou meus lábios. — Partiremos ao amanhecer!

Quando o salão esvaziou, agarrei o crucifixo que estava sob a armadura e sussurrei uma prece, implorando, ao Deus todo misericordioso, que protegesse meus homens e os fizessem triunfar naquela batalha tão difícil.

Os passos, soando no chão polido me despertaram e eu me virei, encarando o homem que entrara.

— Heero? –respirei fundo, colocando o crucifixo em seu lugar novamente.

— Sim, Duo?

— Achei que não houvesse necessidade dessas formalidades entre nós. –ele brincou, se aproximando. — O que foi aquilo lá fora? Você... me olhou de uma forma tão estranha, pensei que fosse me matar.

— Eu devo estar cansado. –disse, tentando sorrir, mas falhando. — Foram muitos dias cavalgando e amanhã partiremos cedo.

— Oh sim... diga-me, Heero, acha que podemos vencer?

— Deus nos protegerá. –falei, caminhando até o corredor onde ficava meu quarto.

— Ele não me protegeu quando aqueles soldados me tiraram de minha família. –o tom raivoso me fez suspirar.

Não valia a pena discutir com ele. Nunca adiantava, tínhamos crenças diferentes.

Eu lutava por Roma.

Duo lutava por sua liberdade.

E mesmo assim, lutaríamos juntos dentro de algumas horas.

— Antes que ele me mate, eu os matarei. –ele disse, entredentes.

— É a regra. –falei, abrindo a porta de meus aposentos.

Ele pareceu hesitar por alguns instantes, mas então me abraçou, apertando os dedos em minha nuca.

— Lutaremos juntos, venceremos ou morreremos unidos. –e, sem mais palavras, se foi.

Meu corpo queimava pelo contato.

Mas não podia pensar naquilo.

Tinha uma batalha para lutar algumas horas depois.

Duo Maxwell POV

Eu o amava.

Era simples assim.

Amor.

Nunca sabia como reagir quando Heero estava perto de nós. Meu coração disparava e perdia todo e qualquer contato com meus membros. Eles involuntariamente queriam aproximá-lo de mim, me deixar sentir seu cheiro forte, uma mistura estranha que não sabia identificar, mas que reconhecia há quilômetros de distância.

Balancei a cabeça com força, alguns fios caindo da minha trança. Onde estava com a cabeça? Estávamos às vésperas de uma batalha e eu só queria beijar Heero, depois de tanto tempo longe dele. Era egoísta, mas ele era meu. Meu melhor amigo, meu comandante, meu...

Confesso que não conseguia me controlar quando o assunto era a batalha, quando queria nada mais do que me aninhar no peito de Heero como quando fazia quando chovia demais, logo nos primeiros meses que cheguei à muralha. Ele me repelia com freqüência, mas sempre existiu o dia em que simplesmente passava a mão no meu cabelo e me abraçava. Estava feliz naquela época. Poderia ser feliz com ele assim novamente.

Se ele ao menos me visse como o Duo de sempre e não um dos soldados dele...

Pensar naquilo era besteira, com uma batalha à vista. Tirei a capa de couro que protegia meu peito, ficando apenas com a fina camisa preta, gostando do vento que entrava pela porta do estábulo aberto, bagunçando meus cabelos, já soltos.

E foi então que senti. Aquele cheiro. Não estava sozinho, meu coração palpitando no ritmo frenético de tambores, anunciou.

Heero estava ali.

E me observava.

Apesar de todos sempre me acharem o soldado mais atirado e despojado do nosso grupo, na presença de Heero eu simplesmente não conseguia ser eu mesmo. Era do homem inexpressivo e frio que estávamos falando e eu não conseguia falar nada ou agir de maneira igual como fazia com Trowa ou Quatre.

Mais um ponto para Heero Yuy. Conseguia me transformar em uma garotinha mais do que ávida por um olhar, um comentário da parte dele. Qualquer coisa que o tirasse daquela fina camada de gelo à sua volta. Eu exagerava às vezes, admito, parecia que todas minhas ações eram direcionadas a chamar sua atenção.

Até Wufei uma vez notou isso. Disse que eu queria chamar a atenção do comandante para ter mais privilégios.

Se ele soubesse os privilégios que queria ter com Heero...

Mas não queria olhá-lo naquele instante, procurei então a única coisa que podia fazer.

Mexer nos cabelos.

Tinha um certo ciúme dos fios castanhos, me orgulhava absurdamente deles, especialmente de minha trança. E agora ela estava desfeita, culpa de quem? Adivinhem!

Ouvi um suspiro contido e tive a vontade mortal de saber o porquê daquilo. Em um pensamento insano, talvez Heero gostava do que eu estava fazendo. Talvez ele quisesse que eu continuasse. Talvez ele quisesse que eu me aproximasse e o beijasse.

— Gosta do que vê, comandante? –perguntei, não me importando com o que aquilo parecia.

Tudo bem, enquanto não fitasse aqueles olhos azuis que não falavam nada, mas diziam uma infinidade de coisas, eu poderia ser o Duo de sempre. Contanto que não os olhasse, que não me perdesse neles. Porque aí, seria o meu fim.

— Como sabia que era eu?

"Ó meu doce capitão, suas perguntas são tão evasivas e sem propósito. Se me desse uma chance, poderia enumerar as maneiras que me faziam identificar-te a quilômetros de distância".

Porém, não poderia falar aquilo. Ele provavelmente me expulsaria, me penduraria de cabeça para baixo na árvore solitária que tínhamos na frente na Muralha e eu teria que lutar contra ele, e vencer mais uma vez.

Porque, claro, eu era ótimo com uma espada.

Mas não podia me desviar. Heero havia feito uma pergunta e queria uma resposta.

Virei-me, perdendo-me, ligeiramente, em seus olhos azuis, sendo levado para um outro lugar, onde tudo era naquela cor, onde nada, a não ser nós dois, fazia sentido.

Patético, mas no meu mundo, era o que eu queria. Podia sonhar, não podia?

A resposta mais estúpida de todas saiu dos meus lábios e assim que o fiz, me arrependi.

— Reconheceria esse seu cheiro em qualquer lugar.

Não pude ignorar o estranho brilho que surgiu nos olhos dele, mas tão rápido quanto ele apareceu, sumiu, dando lugar a uma coisa fria e indefinida, que me fazia esquecer meus sentimentos.

Nervoso por ele ter feito isso, voltei a mexer nos cabelos, irritando-me por não conseguir prendê-los de uma vez. Percebi que ele olhou para eles e logo para minha cruz. Sorri por dentro.

— Gosta do que vê? –repeti.

Dane-se a segurança, quem disse que eu não gostava de brincar com o perigo?

Talvez eu estivesse vendo coisas, mas não queria acreditar que era a iluminação das velas ali que fizeram os olhos do meu comandante brilharem daquele jeito.

Ele não falou nada e me irritei novamente. Heero conseguia ser insuportável às vezes.

— Estava falando da minha cruz. Gosta do que vê?

Ele murmurou algo que não entendi e logo comentou que aquilo combinava comigo. Sorri, satisfeito por ele ter reparado em mim.

— Sabe, essa cruz é o que me lembra da minha família. Ela representa o que eu acredito, o que amo, o motivo pelo qual eu luto. Fico feliz por dizer que combina comigo. Ela é a minha herança.

Eu sabia ser sério, quando queria. Mas não gostava muito disso, aquela droga de vida já era por demais triste pra que eu ficasse bancando o homem sério o tempo todo.

Heero sorriu, se aproximando, e tocou meu ombro. Uma corrente elétrica percorreu meu corpo, como chuva gelada pela manhã logo depois que se sai do calor do quarto. Só pra variar, coloquei os pés pelas mãos, algo tão normal quando ele estava tão próximo.

Vi a cruz que representava sua amada Roma me provocar. Não me importo com o Deus dele, realmente, aquilo não representa nada para mim.

Tinha algo melhor em mente.

Me inclinei, deliberadamente, roçando meu corpo no seu, com o propósito de tirar a corrente dourada de seu pescoço.

Ele não precisaria dela. Nenhuma proteção como aquela era necessária.

Ele teria a mim.

Coloquei o objeto dourado em suas mãos e tirei meu cordão de meu pescoço, colocando-a no dele. Minha cruz ficou aninhada no vão de suas vestes, brilhando perfeitamente. Ela estava em casa.

E eu também.

— É para dar sorte. Não a perca. Volte para mim, Heero. Com ela. –suspirei, olhando-o por mais um segundo. — Nos vemos na batalha, meu comandante. –e fui embora.

Ou seria capaz de perder a cabeça e agarrá-lo ali mesmo.

Heero Yuy POV

Não conseguia acreditar o quão... provocante Duo conseguia ser.

Nos seis meses que fiquei fora, acabei me esquecendo que ficar sozinho com ele me perturbava, a ponto de fazer meus pensamentos lógicos sumirem.

O que havia ido fazer mesmo ali no estábulo?

Não importava, na verdade.

Toquei a cruz fria em meu pescoço e suspirei. O que significava aquilo? O que significava Duo colocar em minha responsabilidade um bem tão precioso? Um bem que... representava quem ele era?

Desamarrei o fio de couro que a prendia em meu pescoço e a coloquei na palma da mão, analisando-a.

Era uma cruz normal, sem adornos, sem pedras preciosas. Apenas ouro maciço.

E era tudo que Duo tinha de valioso.

Será que eu estava sendo cego ao não querer enxergar o que parecia tão óbvio?

"Volte para mim".

Ajoelhei-me, mãos postas em súplicas e rezei, pedindo pela vida de meus homens na batalha e para que Deus clareasse meus pensamentos, para que eu não pecasse.

Meus pensamentos deveriam estar voltados para Roma e para a Santíssima Igreja.

Não deveria sequer sentir aquelas... coisas estranhas.

Duo... eu me sentia estranho perto dele, apenas porque éramos amigos demais e, de alguma forma, isso me incomodava.

Mas não saberia de dizer porque me incomodava.

Só poderia haver dois motivos.

Ou eu ainda me sentia estranho por gostar tanto de alguém a ponto de chamá-lo de amigo.

Ou talvez meus sentimentos por ele tivessem raízes mais obscuras.

Como homem, ciente de minhas obrigações, sempre tive a enorme capacidade de bloquear pensamentos inúteis.

E foi isso que fiz.

Bloqueei a imagem de Duo com seus cabelos soltos... bloqueei a lembrança de seu corpo tão perto do meu.

O Império não precisava daquilo. E era por ele que eu batalhava, era por Roma que eu comandaria meus cavaleiros na batalha. Não por Duo... não por seus cabelos e olhos.

Esses eram pensamentos pertinentes para a situação pré-batalha na qual me encontrava.

Entoando minha última prece, me retirei à solidão de meus aposentos.

Faltavam poucas horas até o amanhecer e eu tinha que descansar, deixar minha mente voltada para o confronto. Quando abri meus olhos, ainda estava escuro, mas mesmo assim me levantei, indo preparar meu cavalo.

Em poucos minutos, um a um, meus cavaleiros foram entrando estábulo. Alguns colocavam a cela nos animais, outros os acariciavam e sussurravam coisas, pedindo algo aos seus deuses pagãos.

Eram muitos cavaleiros, sequer conseguia lembrar-me o número, mas sentia que, em alguns anos, seriam poucos os que restariam. Seriam poucos os que estariam ao meu lado.

Eu batalharia por Roma e eles... por sua liberdade.

Todos os meus homens, sem nenhuma exceção eram sarmatianos e tinham, obrigatoriamente, que servir Roma por quinze anos.

Eu não estava ali pro obrigação, poderia ter ido para Roma quando minha mãe morreu, mas desde pequeno decidi que queria herdar o lugar de comandante de meu pai.

Porém quando meus cavaleiros partissem... eu iria para Roma, gozar de seu progresso.

Terminava de celar meu cavalo quando Duo entrou no lugar.

Os cabelos já estavam firmes em uma trança e o brilho de seus olhos era feroz. Mas foi com doçura que se dirigiu a mim.

— Vejo que você não a tirou. –ele comentou, roçando o dedo pela cruz dourada. – Fico feliz.

Me retraí, encostando-me na parede mais próxima, mal entendendo as reações em cadeia que assaltaram meu corpo com aquele toque.

Seus olhar mudou para uma mescla de mágoa e decepção. Eu mal pude controlar o impulso de tomá-lo em meus braços e dizer-lhe que eu tinha que ser forte, que tinha que me manter afastado, que não podia ir contra as leis de Roma, as leis dos homens e as leis de Deus.

Mas só o que fiz foi ficar lá, mirando seus olhos tristes.

Oh... que Deus ajudasse-me a vencer aquela terrível batalha. Contra os encantos de Duo.

— Desculpe-me se fiz algo errado. –ele murmurou, tentando me dar um de seus sorrisos falsos, mas que enganavam a todos.

— Não... é só que... somos amigos, não somos? –perguntei, me aproximando. — Melhores amigos.

— Oh, sim, Heero... nós somos amigos. –ele desviou o olhar. — Apenas amigos. Cuide bem dela, é tudo que tenho. –apontou pra cruz e sorriu tristemente.

— Por que eu? Por que... você vai deixá-la comigo? –perguntei, antes que conseguisse me calar.

— Eu sei que você cuidará bem dela... caso eu morra. –um nó se formou em minha garganta e percebi que não havia pensado na possibilidade de Duo morrer.

Duo não... podia morrer.

— Você não vai morrer. –disse, com convicção.

— Eu espero que não, Heero... há uma coisa que gostaria de fazer antes de morrer, alguém com quem gostaria de estar. –meu coração falhou a batida, enquanto ele se virava para ir.

Seus olhos estavam completamente expostos, abertos para que eu pudesse lê-los.

Naquele momento eu tive duas certezas.

Duo me amava.

E estaríamos fadados a sermos somente amigos pelo resto da vida.

Eu não sabia o que sentia por ele, tinha que admitir. Meu Deus jamais me falara dos sentimentos em meu coração, mas eu sabia que eram errados, que me trariam a desgraça.

Amigos.

Era o que éramos e o que sempre seríamos.

Porém as chamas que ardiam em seu olhar, tocaram meu peito, aquecendo-o, me deixando com uma sensação que quase esquecera com o passar daqueles anos.

A sensação de ser amado.

Só depois que percebi isso, que pude enxergar claramente através dos gestos sempre tão gentis de meu cavaleiro mais querido. De meu melhor amigo.

Finalmente pude compreender o porquê de sua constante preocupação, de seus suspiros de alívio quando eu voltava de alguma viagem.

Deus! Como eu não havia percebido antes? Como não havia lido seus sentimentos, que sempre estiveram tão expostos em seus olhos violetas?

"Fora o Senhor que me cegara? Que me fizera cego até o momento certo, para que eu não relegasse minha missão naquela terra?"

Como teria sido há anos atrás? Como eu reagiria? Talvez eu o tomasse nos braços, a confusão que eu sentia no momento teria sido demais para minha mente jovem suportar e então... eu teria cedido e ido contra todas as leis.

As leis sagradas que regiam nosso mundo.

Suspirei, vestindo minha armadura e observando meus homens.

Eu era um comandante romano, que obedecia às leis dos homens e as de Deus.

Um homem que comandaria vários outros em uma batalha.

E que não podia falhar.

Mesmo que os olhos violetas, tão lindos, me dissessem mais coisas que meu peito pudesse suportar.

Continua...

N/A: sexta-feira é dia de atualização, como prometido! Espero que continuem acompanhando aqui o desenvolver desse fic que eu me diverti tanto quanto escrevi com a Arsínoe. Obrigada a todos pelas reviews e também pelos comentários por MP. Nem preciso dizer que eu adoro ler cada um deles e que isso me motiva ainda mais. Até semana que vem!