Título: Meu Comandante...Meu Cavaleiro
Autoras: Arsínoe do Egito e Celly M.
Classificação: M
Pares: Heero Yuy x Duo Maxwell (1x2); Trowa Barton x Quatre Winner (3x4)
Disclaimer: Gundam Wing não nos pertence, infelizmente. Se os meninos da série fossem nossos, com certeza eles brincariam de strip poker ou algo que pedisse menos roupas e defintivamente que os mantivesse com os pés no chão. Make love, not war, babies!
Avisos: sim! Essa fic contém yaoi! Se chegou aqui por engano, dê meia volta, senão o bichinho do yaoi pode te pegar e você pode gostar!
Sumário: Na busca infinita pela liberdade, até onde o amor pode mudar os rumos da História? Uma decisão pode determinar o destino de duas vidas... de uma lenda. Yaoi – 1x2x1; 3x4

PARTE II

Heero Yuy POV

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Queria me chutar por ter me denunciado tão facilmente.

Droga! Denunciar o quê? Que eu, o grande comandante Heero Yuy, não sabia o que sentia por um soldado? Que eu simplesmente não queria que Duo partisse?

Eu queria entender... não... eu queria ter coragem para entender.

Mas estávamos em batalha, o que sentia ou que achava que sentia, não era importante.

Os inimigos que nos cercavam eram velhos conhecidos, os Ísatis. Já tínhamos combatido-os antes e vencido. Eu só não entendia porquê atacavam o bispo.

Mas não importava, eles queriam acertar a carruagem de um sacerdote, mas eu não permitiria.

Era minha missão escoltá-lo para que ele desse a liberdade aos meus homens.

A Duo.

A batalha foi fácil.

Graças a Deus, porque eu não consegui me concentrar. Não quando imaginava que, quando voltássemos, Duo partiria junto com os outros e eu nunca mais o veria.

Nunca mais receberia aquele olhar tão doce que só eu conhecia.

Quando o homem que comandava o grupo que nos atacava morreu, todos os outros desistiram e eu e meus homens passamos pelo mesmo ritual de todas as batalhas.

Matamos todos.

Não era algo que eu gostasse de fazer, mas era por Roma.

E existiam tantas coisas que eu fazia por Roma que não gostava. Não gostava de matar, de ferir, de destruir minha própria gente. Odiava não poder sentir os fios dos cabelos de Duo em meus dedos.

Em dado momento, antes que abríssemos a porta da carruagem do bispo, olhei para Duo. Ele estava parado, olhando para o nada, parecendo extremamente perdido.

A vontade de abraçá-lo rompeu em meu peito e soube que estava lutando com algo muito pior que homens armados.

Eu o amava.

Cristo! Que Deus e o Império Romano me perdoassem, mas... olhando-o daquela forma, parecendo tão abandonado, eu notei... notei que o que sentia era muito mais que amizade.

Oras... eu sabia, sempre soube, mas nunca havia deixado a aceitação me atingir.

Como naquele momento.

Rezei, fervorosamente, por dentro, pedindo perdão por sentir algo tão... abominável.

Duo era um homem, era um pagão, era... não importava. Logo ele iria embora e aquele sentimento partiria com ele. Mas, raios! Eu não queria que ele partisse!

— Comandante Heero Yuy. –acordei de meus devaneios quando ouvi a voz diferente.

— Bispo Quinze. –curvei ligeiramente a cabeça. — Lamento que essa batalha tenha sido necessária. –disse, caminhando com ele para longe. — Tanto sangue derramado.

— Não foi em vão, nobre Heero, foi o desejo de Deus. Esses homens estão nas terras do Império.

— Do Império? –Duo se aproximou, sorrindo de forma sarcástica. – Essa terra é deles, vocês a invadiram, vocês os forçaram a ir para o norte, vocês... –ele rangeu os dentes. – Vocês nos obrigaram a matar pessoas que só lutavam por sua terra.

— Duo Maxwell! –repreendi e ele se virou para mim.

A intensidade de seu olhar pegou-me desprevenido e eu tive que desviar meus olhos.

— Perdoe-me, nobre comandante. –fez um floreio exagerado. – Esqueci-me que você só enxerga o que Roma quer que veja. –curvou-se para o bispo. – Perdoe-me nobre... bispo. –e se foi, recebendo sorrisos de aprovações de todos os meus homens.

Ao meu lado o bispo franziu o cenho e disse-me algo, mas eu não ouvi.

Será que só eu, entre os poucos homens que restaram, acreditava que sacrifícios eram necessários para um bem maior? Depois que Roma assumisse todo o seu poderio, o mundo não teria mais batalhas.

— A fortaleza não fica muito longe daqui, bispo. –eu disse, indiferente. – Amanhã ao amanhecer estaremos lá.

O vi subir em sua carruagem e partimos.

Eu parti para a fortaleza, mas, para meus homens, era muito mais que isso.

A liberdade.

De algumas dezenas homens, somente seis sobraram.

Eram meus amigos, adorava-os todos, mas um entre eles...

— Heero? –Trowa parou ao meu lado, com aquela ave em seu braço.

— Sim? –olhei para meu amigo, vendo-o com um sorriso nos lábios. Aquele que quase nunca estava lá.

— Não parece feliz com nossa vitória, com nossa liberdade. –suspirei. – Há algo que o incomoda, meu amigo?

Senti vontade de chorar.

Deus! Eu senti vontade de descer do cavalo e chorar como uma criança.

Eles haviam lutado tanto... tantos haviam morrido e quando a liberdade finalmente lhes era dada, eu pensava em como aquilo me parecia triste.

Eles, os únicos amigos que tinha, partiriam.

Duo partiria. Voltaria para sua terra, casaria com uma bela sarmatiana e enterraria o que sentia por mim. Da mesma forma que eu teria de fazer com o que sentia por ele.

Mas eu não conseguiria... não conseguia imaginar em apagar o que ardia em meu peito.

Será que o amava desde sempre?

Provavelmente, sim... provavelmente, o amava desde que pusera meus olhos naquele garotinho choroso, quinze anos antes.

Agora ele tinha vinte e cinco anos, várias mortes nas costas e... iria embora.

Sufoquei um gemido estrangulado e me afastei do grupo, rezando, implorando perdão por desejar algo assim. Por desejar tocá-lo, beijá-lo, tê-lo para mim.

Toquei a cruz em meu pescoço e suspirei.

Pela primeira vez, em diversos anos servindo a Deus e a Roma, questionei se era certo eu desistir do que sentia por todas as leis.

Deus punia o amor?

— Me desculpe por meu comportamento. –Duo se aproximou, sorrindo. – Eu só ouvi boatos e fiquei um pouco nervoso quando vi o bispo.

— Boatos? –fitei seus belos olhos violetas e ele aproximou mais seu cavalo do meu.

— Alguns homens dizem que Roma abandonará a Bretanha. –ele disse, sombrio.

— O quê? –praticamente gritei e Duo riu. – Por que eles fariam isso? Lutamos anos para...

— Os anos que perdemos aqui não importam para Roma, as mortes e tudo que perdemos... nada vale para eles. –tocou meu ombro e suspirou. – Você abdicou tanto por sua Roma utópica e agora essa mesma Roma irá destruir os esforços de seus homens, e seus próprios, para manter esse território dentro dos domínios do Império. –seus dedos correram por meu pescoço e eu fechei os olhos. – Você ainda acha que vale a pena abdicar tudo? –e, sem mais palavras, se foi.

Eu fiquei lá, parado, vendo meus poucos homens seguirem.

Roma abandonaria o território que defendi por toda a minha vida. Todos os esforços... em vão.

Meus homens ganhariam a liberdade, então estava tudo bem, pensei. Mas e eu que matara meu próprio povo? Eu que achava que Roma acolheria a todos? Essa mesma Roma deixaria os bretões, aqueles camponeses que só queriam viver em paz, a mercê de invasões bárbaras.

Cristo! Que Deus protegesse aquelas pessoas porque, se caso fosse mesmo verdade, certos povos só se apoderavam do que destruíam.

Eu escondi sentimentos em meu peito, tive ideais por Roma, lutei pelo Império e pela Santíssima Igreja e, de repente... de repente, tudo parecia tão falso.

Agarrei a cruz em meu pescoço e, mais uma vez, rezei, dessa vez implorando para que aquilo não fosse verdade.

Pela vida do povo.

E pela minha própria, porque, se caso tudo fosse verdade, eu havia vivido uma mentira. Todas as batalhas e mortes, tudo em vão... tudo por uma Roma que não existia.

Novamente, olhei para Duo, sua trança balançando em suas costas e meu peito se apertou. Também havia abdicado meus sentimentos por ele, escondendo-os, camuflando-os.

Mas se aquilo tudo desse a liberdade aos meus homens... teria valido a pena, por mais que deixar Duo partir me destruísse.


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Duo Maxwell POV

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Odiava o olhar perdido e decepcionado de Heero.

E odiava ainda mais por ter sido eu a dar aquela notícia a ele.

Sim, os boatos existiam, eu não estava mentindo. E foi aquele o estopim para meu disparate em enfrentar o bispo e até mesmo meu comandante.

Mas era a única justificativa que tinha para explicar minha raiva.

Antes destruir os sonhos idealizados de Heero do que tínhamos, mesmo não sendo o que eu queria de verdade.

Afastei-me logo depois de fazer aquela revelação, não suportando fitá-lo por mais minutos, então segui para o final de nossa escolta, reparando no traço de sangue que ficou para trás. E nos nossos soldados mortos.

Tudo por culpa daquela Roma. A mesma Roma que iria deixar tudo o que fizemos durante todos aqueles anos para que os bárbaros tomassem.

Droga. Com o fim das batalhas, nossa liberdade e o afastamento de nosso comandante, o quê iria fazer? Parei meu cavalo por um momento. Odiava me sentir daquele jeito também. E aquela era a verdade. Não suportava estar dividido entre a liberdade e a vontade de estar com Heero.

"Gostaria de te ver em Roma, Duo". As palavras dele me assombravam e senti frio pela primeira vez.

Olhei, desgostoso, para a carruagem que levava o homem que selava nossos destinos. Não queria pensar na pontada de insegurança que me acometeu.

Era sempre assim quando íamos enfrentar algum obstáculo perigoso demais. Desde o dia em que fui levado pelos soldados romanos para a Muralha. Era sempre o mesmo sentimento.

Não dessa vez. Dessa vez seria um homem livre.

E nem Roma ou Heero iriam me impedir.

Havíamos recebido as ordens secas do nosso comandante que não iríamos descansar até chegarmos à fortaleza. Pelo visto ele estava mais do que ansioso em nos libertar e mais uma vez tive vontade de perguntar o porquê daquilo. Por que ele parecia estar tão disposto em nos deixar partir e no instante seguinte, queria que ficássemos por perto?

Na manhã seguinte, mantive meu posto de fechar a escolta, bem longe de Heero. Nos conhecíamos tão bem que sabia que tínhamos que ficar longe um do outro por algum tempo, por menor que fosse. Ambos precisávamos, para digerir informações, sentimentos. Percebi que ele queria se aproximar, mas não lhe dei aquela abertura, fitando-o de longe somente quando ele não estava observando.

Mas não era da minha natureza ficar preocupado em um canto, especialmente, quando todos pareciam antecipar a comemoração. Logo me juntei aos meus companheiros, que faziam planos divertidos sobre como usar sua recém-adquirida liberdade.

— O que vai fazer Trowa? Vai cuidar daquele bicho voador até quando? –Treize perguntou ao mais calado do nosso grupo e, instantaneamente, olhei para Quatre, que estava com uma expressão de antecipação no rosto.

Conhecia bem aquilo. Era a mesma expressão que tinha sempre que esperava algo de Heero. Será que eles...

— Vou procurar algo que realmente valha a pena. –Trowa respondeu e olhou na direção de meu amigo loiro, que baixou a cabeça, sorrindo, contido.

Sim. Existia alguma coisa ali.

Sorri quando Zechs me fez a mesma pergunta. Era tão fácil responder aquilo. Dirigi um olhar para Heero e balancei a cabeça. Eles não precisavam saber a resposta. Mas ainda assim...

— Vou aceitar aquilo que realmente vale a pena. Porque encontrar, eu já encontrei. –e galopei, jogando minha prudência para o alto e indo de encontro a Heero.

— Entendeu alguma coisa? –ainda pude ouvir Wufei perguntando.

— Nada. Mas ele sempre foi um maluco mesmo. –Zechs respondeu e olhei para trás. Enquanto todos estavam intrigados, Quatre me sorria.

Ele sabia.

— Comandante. –disse, incerto e Heero olhou-me, curioso.

Por um momento achei que ele ainda não havia digerido bem tudo o que havia falado e me culpava por ter dito aquilo tudo. Tive vontade de pedir-lhe desculpas.

— Soldado Maxwell. –e ele sorriu. Não consegui controlar meus lábios, sorri de volta.

Estávamos bem.

— Sinto muito pelo que falei ontem, Heero. –não havia necessidade daquilo, mas nunca me controlava ao lado dele, sempre precisava de uma justificativa.

— Não importa. –me respondeu, olhando para frente, no instante em que entrávamos na área conhecida, próxima a nossa fortaleza.

— Mas...

Ele me olhou daquela maneira que conseguia fazer com que eu desmontasse. Era um misto de ternura e severidade, uma maneira cuidadosa, porém firme de dizer: "Assunto encerrado, Maxwell".

E eu me calei.

— Falta pouco agora, Duo. Já pensou no que vai fazer com a sua liberdade?

— Por que todos querem saber disso? –perguntei, mas Heero era o único que eu contaria realmente. Queria ficar com ele, era simples assim.

— Porque, de repente, eu posso querer procurar você... –ele disse, mas hesitou no instante seguinte. Maldição. A cada minuto que passava, minhas dúvidas ficam mais fortes. Será que estava imaginando coisas?

— Heero! – A voz de nosso conhecido guardador de cavalos quebrou aquele momento, indicando que já estávamos em casa.

Para nossa liberdade.

Para meu afastamento oficial de Heero.

O pátio da fortaleza já estava cheio com as pessoas que crescerem como nossa família. As crianças corriam, felizes, atrás da carruagem do bispo, que parecia não gostar de tudo aquilo. Aproximei-me de Trowa e Wufei, que também estavam com o mesmo sentimento que eu.

O de aversão àquele romano de nariz empinado.

— Se somos homens livres, por que ele não nos entrega logo esses papéis? –Wufei perguntou e Quatre chegava naquele exato instante, com um dos filhos de Zechs no colo. Sorri, brincando com o menino por alguns segundos, gostando daquele olhar de conhecimento da criança.

— Parece que não conhece os romanos. Tudo para eles tem que ter uma cerimônia. Provavelmente até se forem arrotar, farão algo formal.

Gargalhei com o jeito que Quatre falou sobre aquilo. E ele estava com razão. Lembrava de todas as vezes que Heero queria nos informar alguma coisa, por mais banal que fosse. Tínhamos que estar todos limpos e em volta da mesa de reuniões. Ele exigia.

Romanos e suas tradições... pros diabos.

Falando em Heero, percebi quando ele se aproximou em silêncio de nós. Não gostei do olhar dele, especialmente quando me fitou.

— Meus guerreiros. –começou e ficou ao meu lado. Nossos braços se tocaram e eu senti uma força emanar dele, mas era algo totalmente diferente do que sentia em tempos normais. Ele estava... tenso. – Vamos formalizar a liberdade de vocês em breve. Banhem-se e me encontrem na sala de reuniões.

Ele me sorriu, por fim, tocando meu ombro com firmeza, justamente onde minha cicatriz jazia. Doeu e aquilo era incomum. Havia algo errado.

Horas mais tarde, estávamos em volta da nossa mesa, redonda, onde todos éramos iguais, sem distinção de posto militar ou qualquer outra coisa, em silêncio, apenas esperando pelo bispo. Aquele clima me enervava, especialmente, porque estava com um daqueles pressentimentos estranhos. A mesma sensação de quando foram me buscar em casa.

— Tem certeza de que tomou banho, Zechs? –perguntei, tentando fazer uma brincadeira, para aliviar a tensão.

Mas meu companheiro, devidamente zombado, não pôde responder, porque naquele exato instante o Bispo Quinze entrara na sala em suas vestes formais, contrastando com a nossa simplicidade.

E a sensação estranha de que algo estava errado voltou, mais forte do que poderia imaginar.

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Heero Yuy POV

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Não gostava daquele homem, mas ele era o representante do Santíssimo Papa e eu deveria respeitá-lo.

— Sentem-se todos. –o bispo ordenou e todos obedeceram, mesmo a contra gosto.

Um clima estranho permeou a sala, que sempre ficava cheia de risadas, mesmo quando discutíamos estratégias ou coisas sérias.

Faltavam as piadas de Duo, os sorrisos de Quatre e tudo mais.

Mas eles estavam ansiosos demais, eu podia sentir. Principalmente, Duo.

Suas mãos estavam sobre a mesa, juntas e os dedos apertavam uns aos outros. Ele estava nervoso, o conhecia bem, e sabia que estava preste a voar sobre o bispo, apertar-lhe o pescoço e ordenar que lhe entregassem os salvo-condutos que lhe garantiria a liberdade.

A liberdade que o levaria para longe de mim, dos meus sentimentos errados.

— Não concorda, Heero? –me virei, sentindo o bispo tocar meu braço e só pude assentir.

O quanto havia perdido de suas palavras?

— Então, meus bons cavaleiros, que lutaram pela glória do Império e da Igreja, lhes peço um minuto a sós com seu comandante.

— Não temos segredos. –disse, de pronto, encarando-o.

— Eu insisto, Heero. –olhei meus homens, ouvindo alguns reclamarem.

— Deixemos os romanos tratarem de assuntos de Roma. –Duo se pronunciou, bebendo um gole de seu vinho. – Vamos companheiros, vamos comemorar o fim de nossa escravidão.

Todos se foram e eu me vi na incômoda posição de estar sozinho com um homem que me desagradava, imensamente.

— Seus homens lutaram, bravamente, Heero, são os melhores cavaleiros que Roma já viu.

— Me orgulho deles. –disse, seco.

— E é por isso, que o Papa, insiste para que eles executem mais uma missão em nome de Roma. –franzi o cenho, mal acreditando em suas palavras. – Ao norte da muralha há uma nobre família romana e um dos membros é afilhado próprio Papa, e Vossa Santidade insiste para que você e os seus homens o escoltem até aqui.

Fechei meus olhos, suspirando.

— Logo hoje... hoje que deveria conceder a liberdade aos meus homens, você me pede para enviá-los a uma missão ao norte da muralha, onde nunca pisamos, o território dos Ísatis. –contive minha raiva e me levantei. – Uma missão suicida... eles que lutaram por causas que não eram suas, que perderam companheiros... que acham que esse seria seu último dia sob o comando de Roma.

— Deixaria uma família romana morrer? Um garoto cristão morrer nas mãos de bárbaros? –o segurei pelo colarinho, erguendo-o.

— Isso não é da conta dos meus homens! –praticamente, gritei, soltando-o. – Eles já batalharam demais por Roma, por seus ideais!

— Você vai contra as ordens de Vossa Santidade, Heero? Logo você? –me mantive calado, vendo-o ajeitar suas vestes e pegar a caixa onde estavam os papéis de liberação. – Para voltarem para casa, seus homens precisam passar por toda a extensão do Império Romano e desertores, Heero... desertores são caçados e mortos como cães. –soquei a mesa, sentindo meu punho latejar. – Traga o afilhado do Papa vivo e seus homens poderão voltar para seus lares, juro pela honra do Império.

Ele se virou pronto para partir, mas eu o impedi, colocando minha espada em seu pescoço.

— Você cumprirá essa promessa, bispo, porque se não o fizer, nem o Exército romano, nem o exército do Papa e nem mesmo Deus me impedirão de matá-lo. –disse, controlando-me.

O vi assentir, querendo parecer firme, mas suas pernas tremiam.

Fui deixado sozinho no enorme salão, com o coração pesado.

Não conseguia acreditar... não podia acreditar que haviam quebrado o pacto.

Era suicídio! Ao norte da muralha era suicídio! Era território ísati, praticamente, desconhecido pelos romanos!

Os Ísatis eram o povo que dominava, praticamente, todo o norte da ilha da Bretanha. E claro eram inimigos dos romanos e adorariam matar eu e meus homens por simples vingança.

Havia vários povos ao norte, mas nenhum com força significativa, nenhum que ousaria atacar Roma ou as forças do Império. Só os Ísatis. E talvez os saxões, mas eles estavam muito ao norte.

A palavra "saxões" causou-me um arrepio pela espinha. Eles correspondiam bem à expressão "bárbaros". Só se apoderavam do que destruíam, matavam a todos... como nós, os romanos.

Suspirei, banindo aqueles pensamentos. Não teríamos problemas com os saxões. Provavelmente seriam os ísatis que nos matariam.

A Roma pela qual lutei me mandava para a morte, mandava meus homens para morte.

— Duo... –murmurei, sentindo meus olhos arderem.

Lutaria por ele, faria de tudo para protegê-lo, para que pudesse gozar a liberdade que tanto desejava. Se não podia estar com ele, ao menos lutaria para dar algo importante.

Caminhei até a taverna que havia perto do quartel e vi meus homens, bebendo, cantando, comemorando... eles estavam felizes e eu... teria que lhes dar praticamente a sentença de morte.

— Meus nobres cavaleiros... –gritei e todos se aproximaram. – Vocês foram corajosos, venceram muitas batalhas, mataram por um ideal que não era de vocês...

— Não enrole, Heero, dê-nos logo os papéis! –Zechs disse, sorridente.

Engoli o bolo que formou-se em minha garganta e mantive a voz firme.

— No entanto, meus bravos homens, Roma ordena uma última missão a nós. –seis pares de olhos arregalaram-se. – Ao norte da muralha há uma nobre família romana que precisa ser escoltada até aqui, dentre eles está o afilhado do próprio Papa e...

— Dane-se o Papa! Dane-se Roma! –Wufei brandiu.

— Ficou louco, Heero? –Quatre tocou meu ombro. – Nosso acordo com eles está acabado, não podem...

— Ele não entregou os papéis, não é? –Treize indagou, entre dentes. – Os malditos papéis não estão com você! Eles... não acredito, Heero!

— Eles não cumpriram a palavra, como saberemos que não farão de novo? –Zechs gritou.

— O Bispo fez uma promessa, eu prometo a vocês. –disse, firme. – Terão os papéis assim que voltarem.

— Se voltarmos! –olhei para Quatre, vendo-o suspirar pesadamente. – É território... Deus! Nunca fomos para o lado norte da muralha!

— A palavra de Heero é o suficiente para mim, vou me preparar para a batalha. –Trowa se virou e todos os outros o seguiram, mesmo que resmungando.

Só Duo ficou parado, encarando-me.

Não havia dito nada, não havia gritado, nem xingado... ficara apenas lá, me lançando aquele olhar que fazia meu corpo se arrepiar.

Eu sabia o que significava... era o mesmo olhar antes de todas as batalhas.

O medo de morrer sem consumar algo desejado.

Eu não podia continuar olhando-o... nós dois sabíamos que aquele era uma batalha sem volta e se o olhasse por mais um instante, lhe daria o que pedia, mudamente.

Simplesmente me virei e fui embora.

Sem olhar para trás.

Continua...

Nota: As coisas agora estão começando a esquentar, então o que estão achando disso tudo? Alguém mais quer mandar Roma passear assim Heero e Duo podem ficar logo juntos? Eu adoraria! Agora o próximo capítulo só depende de vocês! O que estão achando hein? Um beijo a quem está lendo, mesmo que não tenha deixado um comentário!