Título: Meu Comandante...Meu Cavaleiro

Autoras: Arsínoe do Egito e Celly M.

Classificação: M

Pares: Heero Yuy x Duo Maxwell (1x2); Trowa Barton x Quatre Winner (3x4)

Disclaimer: Gundam Wing não nos pertence, infelizmente. Se os meninos da série fossem nossos, com certeza eles brincariam de strip poker ou algo que pedisse menos roupas e defintivamente que os mantivesse com os pés no chão. Make love, not war, babies!

Avisos: sim! Essa fic contém yaoi! Se chegou aqui por engano, dê meia volta, senão o bichinho do yaoi pode te pegar e você pode gostar! Leiam o aviso no final, sim?

Sumário: Na busca infinita pela liberdade, até onde o amor pode mudar os rumos da História? Uma decisão pode determinar o destino de duas vidas... de uma lenda. Yaoi – 1x2x1; 3x4

.

Parte IV

.

Heero Yuy POV

.

Minha mente nublou no exato instante em que o pedaço de pano escorregou por seu corpo, indo parar em seus pés, deixando-o completamente nu diante de mim.

Nu e perfeito.

Minhas mãos apertaram o cobertor, enquanto meu coração assumia um ritmo fora do normal.

Eu o desejava. Desejava tocar, sentir, beijar cada centímetro daquela pele pálida e de aparência tão macia. Mas não podia.

Deitar-se com um homem, deixar-se consumir por aquele desejo era um dos maiores pecados que um homem podia cometer e, apesar de amá-lo, deveria ter consciência de que Deus jamais me perdoaria, de que, me permitindo aquele prazer, estaria indo contra tudo que acreditava.

Mas... será que tudo aquilo importava quando aquela noite poderia ser minha última? Nossa última noite vivos?

Não... Deus que me perdoasse, mas eu não poderia me negar mais aquilo, não quando tudo que nos restava era a dúvida de que nossas vidas podiam ou não acabar quando saíssemos por aquela muralha, pisando em territórios que jamais estivemos antes, combatendo inimigos que, provavelmente, estavam sedentos por nossa morte.

Eu não poderia resistir aquele encanto que Duo emanava.

Não poderia e nem queria.

Ameacei dizer algo, mas as palavras morreram no instante em que ele se moveu, se aproximando. Meu sangue passou a correr mais rápido em minhas veias, enquanto minha mente ainda insistia em conflitar com meu coração.

Ele parou, seu abdômen a poucos centímetros de meu rosto. Dignei-me a olhar em seus olhos e percebi que eles brilhavam de forma quase faminta.

Mas não era só desejo. Todo o amor que ele guardou por tanto tempo, estava dançando com a felicidade de finalmente podermos concretizar o que desejávamos há tanto tempo. Tudo isso estava desenhado nas íris violetas.

Com uma lentidão deliberada, ele sentou-se sobre minhas coxas, suas pernas, uma de cada lado de meu corpo, me dando uma sensação de intimidade tão desconhecida.

Minhas mãos ainda estavam sobre o cobertor, não o apertando mais, mas sem coragem de tocar o corpo que me era tão docemente oferecido.

— Essa noite. –ele sussurrou, colando o corpo no meu, me fazendo sufocar um gemido. — Me dê só essa noite. –suas mãos tomaram as minhas e ele se inclinou, beijando-me a testa. — Sem amanhã, nem ontem, nem sempre... essa noite nós seremos nós mesmos. –sua voz era doce, mas não admitia recusas e nem eu tinha vontade de fazê-las.

Ergui o rosto, encarando-o. Naquela posição ele ficava um pouco mais alto e tive que me esticar um pouco para alcançar seus lábios.

Ele concedeu, iniciando um beijo que ia muito além do desejo que nos consumia. Não era como o que acontecera antes, cheio de incertezas, daquela vez... naquele toque, nós expressamos, abertamente, tudo o que sentíamos e eu, jamais em toda a minha vida, me senti tão completo.

Suas mãos apertaram as minhas, conduzindo-as até suas coxas macias.

— Me toque, me sinta, me ame. –ele sussurrou, deixando seus dedos correrem por meus braços, ombros e peito, até encontrar os cordões que ficavam a frente da camisa, esbarrando na cruz dourada. — E deixe-me senti-lo.

A mesma cruz que me fora dada antes de irmos ao encontro do bispo. A mesma cruz que me protegia e me mantinha tão perto de Duo.

Ele puxou os fios da blusa, descobrindo parcialmente minha pele, e então rasgou o resto do pano, tirando-o de meu corpo em seguida.

O encarei, surpreso com aquele gesto, mas ele apenas me sorriu, se curvando e depositando alguns beijos em meu pescoço, fazendo meu corpo se incendiar.

Eu não queria pensar... eu não ia pensar.

Deixei meus dedos apertarem suas coxas, para em seguida, subirem para sua cintura, puxando-o mais para mim, fazendo seu tronco, nu, colar ao meu, dividindo o calor, compartilhando tudo que sentíamos.

— Você é lindo. –eu disse, segurando seu rosto, curvando-o para trás. — Tão lindo. –ele riu baixinho e eu colei meus lábios em seu pescoço, satisfazendo meu desejo de saber o gosto de sua pele.

Ele se contorceu levemente, expondo ainda mais o pescoço, me deixando marcá-lo como bem quisesse. Suas mãos estavam em minhas costas, apertando-me, arranhando-me, deixando-me louco com todo aquele calor que passamos a emanar.

Meu desejo parecia preste a explodir, cada vez que ele movia o corpo, roçando no meu, fazendo minha ereção, presa por minhas calças apertadas, implorar pelo toque.

Mas eu queria muito mais.

— Duo... –gemi, sentindo seus dedos acariciarem meu abdômen, fazendo meus músculos se contraírem.

— Eu quero você. –ele disse simplesmente, me empurrando, fazendo-me cair com as costas na cama, debruçando-me sobre mim. — Quero sentir você... em mim. –seu sorriso me fez corar.

Ele riu, parecendo deliciosamente feliz. Sua língua brincou com minha sanidade, tocando meus lábios, pescoço, escorregando por todo o meu corpo, não deixando uma parte sem ser tocada.

Seus dedos encaixaram-se no cós de minha calça, arrancando-a sem muita gentileza, me fazendo gemer, surpreso. Ficar nu em sua frente foi uma experiência... única. A forma com a qual seus olhos vasculharam meu corpo, ávidos por cada detalhe, me fez sentir o coração disparar.

— Sabe de uma coisa, comandante? –novamente sentou-se sobre meu corpo, seus quadris pressionando minha ereção, enquanto sorria de forma travessa. — Você é lindo.

— Sou? –indaguei, sorrindo junto, puxando-o para mim, tomando seus lábios docemente.

— Perfeito. –disse, mordendo minha orelha. — Eu... quero fazer amor com você. –seu sussurro fez meu corpo estremecer. — A noite toda.

— Você é ambicioso, Maxwell. –falei, invertendo nossas posições, imprensando-o contra o colchão. — Uma noite inteira? Como partiremos amanhã cedo? –seus olhos perderam um pouco do brilho e eu suspirei. — Me desculpe. –entrelacei nossos dedos. — Sem amanhã... mas ainda sim é uma grande ambição... ficar acordado por uma noite inteira.

— Acho que podemos conseguir. O que acha? –sorriu, travesso, passando a língua por meus lábios.

— Hum... talvez. –disse, acariciando seu rosto. — Posso só ficar te olhando, a não ser que você me mostre outras maneiras de ficar acordado por uma longa noite inteira.

— Garanto que posso te deixar acordado por muitas horas. Ou até mais. –deu-me um de seus sorrisos brilhantes e ergueu o rosto, tomando meus lábios.

Enquanto nos beijávamos, eu enxerguei que fora aquilo que eu sempre quisera. Aquela intimidade, nossos corpos unidos... eu sempre quis estar com ele, independente das leis e de tudo mais. Abdicara tanto tempo por algo que me parecia tão certo no momento.

Mas eu sabia que só estava lá, naquela cama, porque tinha certeza que morreríamos e que, mesmo se não morrêssemos, ele iria embora. Acho que sempre imaginei aquilo como um erro... e nunca queremos conviver com um erro. Se vivêssemos, quando voltássemos eu o mandaria embora, mesmo tendo a certeza de que estar com ele era o certo para meu coração. Se morrêssemos... eu levaria aquela lembrança para o túmulo.

Era um erro estar ali, mas... era um erro consciente.

Deixei meus lábios correrem por sua pele, provando-o, vendo seu corpo se arquear, quando achava uma área mais sensível. Seus gemidos, baixos e contidos, me elevaram, me fizeram gemer junto, mesmo não sendo tocado.

— Oh... Heero... –sua voz ergueu-se um pouco e eu sorri, tomando-o em meus lábios.

Não era algo que eu já havia feito, mas estar com ele me deixava com a sensação de liberdade, de que podia fazer qualquer coisa, sem temer represálias e, tomá-lo em meus lábios, era algo que, mesmo que visto como algo vergonhoso, mesmo entre as mulheres, eu sentia que poderia fazer.

E seus gemidos me provaram que ele não se importava se aquilo era moralmente correto ou não.

Seus dedos enrolavam-se em meus cabelos enquanto seu corpo erguia-se, inquieto, atormentado. Eu me deliciava com aquela visão... ele estava tão entregue, tão passional, que eu mesmo me senti mais quente, só de vê-lo daquela forma.

Minhas mãos apertavam firmemente, suas coxas, tentando manterem-no parado, mas nada adiantava. Duo parecia estar em um mundo à parte, gozando de todo aquele prazer, da sensação única que é fazer algo que você sempre desejou.

E eu me permiti ir com ele.

— Heero... amor, não agora. –ele me puxou, encaixando-me entre suas pernas. — Quero você... em mim. –sufoquei um gemido, afundando o rosto em seu pescoço.

Era tão... maravilhoso ouvir aquelas palavras que, se havia ainda algum peso em meu coração, ele se foi.

— Eu... –segurou meu rosto com suas mãos trêmulas, fazendo-me olhá-lo. — Amo você... sempre amei. –fechei meus olhos, suspirando.

Tirei a cruz de meu pescoço, colocando-a sobre a pequena mesinha que havia ao lado, não querendo maculá-la com o que faríamos ali.

Eu sabia que ele me amava, mas jamais havia ouvido e nunca imaginei o quanto ouvi-lo dizendo aquilo me fazia bem. Ele fora contra todas as regras... ele me amava tanto que queria entregar-me seu corpo, confiá-lo a mim.

Naquele ponto eu já não tinha mais certeza de que tudo aquilo era um erro. Na verdade, estar com ele parecia ser o maior acerto de toda a minha vida.

— Eu também te amo.

.
.

Duo Maxwell POV

.

Estava flutuando. Flutuando em um mar tranqüilo, viajando léguas em poucos segundos. Estava perdido em um mundo onde era inundado por Heero. Seu cheio, sua voz, seus gemidos. Tudo era inacreditavelmente maravilhoso que me sentia transportar para um mundo somente meu.

Meu mundo dos sonhos.

Aquilo não podia estar acontecendo. Não na véspera de uma batalha.

Mas estava.

Uma língua exigente me tirou dos devaneios. Ele estava mesmo ali, me provocando, nossos corpos nus estavam mesmo se tocando, se desejando, se levando até o último limite da sanidade que conhecíamos.

E foi então que ouvi as palavras que sempre desejei, ansiei. "Eu também te amo."

Tudo pareceu incendiar-se, ainda mais. Meu corpo chamava pelo dele, pedia incansavelmente que ele me possuísse, que me fizesse dele.

Mas Heero parecia querer tranqüilidade, calma. Minhas pernas foram levantadas e beijadas com uma gentileza impressionante que me senti corar. Fechei os olhos, perdido na sensação de seus lábios pelo meu corpo. Apesar de gostar do cuidado o qual estava sendo exposto, não queria aquilo, não naquela noite.

Tinha vontade de perguntar como Heero sabia fazer tudo aquilo, como tocar, como beijar, mas tive medo. Tinha medo e talvez até raiva por ele já ter tido aquele tipo de experiência com outra pessoa, outro homem.

Os dedos dele escorregaram pelos meus lábios e eu os beijei, em reverência, nunca deixando de olhar em seus olhos, que brilhavam perfeitamente para mim. Estávamos tão livres, nos deixando levar por aquele momento, sem questionamentos do que era certo ou não e eu queria ficar ali para sempre. Dane-se o amanhã, de verdade.

Estava tão perdido no sorriso que ele me dispensou que mal senti quando ele tocou minha entrada com um dos dedos. Senti queimar com aquela proximidade. Queria tudo, queria Heero por completo.

— Pare, comandante... –disse, forçando a nossa posição.

Ele me olhou de maneira predadora e eu me excitei ainda mais. Era daquele jeito que o queria. Dane-se o romantismo.

Apoiei-me nos cotovelos, inclinando meu corpo para cima. Estava tão exposto para ele que tenho a certeza de que aqueles olhos azuis espantados se deviam à minha elasticidade. Sorri.

— Não quero gentileza, comandante. Me ame, me puna, me possua.

Aquilo pareceu funcionar. Heero balançou a cabeça negativamente, mas me sorria, malignamente. Será que ele havia entendido minha mensagem?

A resposta foi positiva. Fui empurrado, descuidado, para a cama novamente, enquanto meus lábios foram tomados rudemente pelos dele. Aquele beijo tinha mais ímpeto do que qualquer outro, tamanha a violência com que era beijado. Sua língua serpenteava por dentro da minha boca, procurando algo. Enroscou-se na minha e eu tive dificuldade de respirar.

Pensei em me soltar, em pedir por clemência, mas entendi o que ele estava fazendo.

Entendi no instante em que ele me possuiu, de uma só vez.

Mesmo impetuoso, ele ainda se preocupava comigo.

Olhei-o mais uma vez e ele estava com uma expressão de dor. Passei os dedos por seu rosto e ele me sorriu, ainda parecendo cansado.

— O que foi? –perguntei, trêmulo, gostando de ser preenchido por ele, mordendo os lábios para não gritar o nome dele.

Um beijo. Ele me respondia com beijos agora. Podia me acostumar aquilo, mas estava realmente interessado em saber o que em mim o havia feito me olhar com tamanha dor. Será que ele estava se arrependendo?

— Suas unhas, meu anjo. –ele disse e eu gostei do som daquilo saindo dos lábios dele. Anjo... ele estava tão enganado. Eu não era puro. Não era casto. E definitivamente não era inocente.

Mas Heero havia falado sobre minhas unhas. Arregalei os olhos ao ver os mínimos filetes de sangue nos ombros dele e percebi que havia feito aquilo. Eu o havia marcado como minha propriedade. Gostava daquilo. Não podia, não queria, não iria me desculpar.

Joguei-me, livre, na cama, trazendo-o comigo. As palavras, como sempre, não eram trocadas e ele me entendia bem. Heero começou a movimentar-se dentro de mim, lentamente a princípio, mas quando ele me tocou em um lugar que nem eu mesmo sabia existir, perdi a cabeça. Meu rosto corou e puxei seus cabelos, com violência.

— Me marque, Heero. Me marque como eu te marquei. Agora. Eu quero. Preciso.

— Duo... –a voz dele tentava sair controlada e eu não queria aquilo. Não sabia o que estava fazendo, mas estar com ele me dava a sensação de saber tudo o que precisava para satisfazê-lo.

— Não discuta, Hee... por favor, eu preciso.

Os olhos dele, mais uma vez, flamejaram. Adorava ser o único a fazer aquilo com ele. Nem em batalha, nem quando ele erguia a preciosa Excalibur, em luta, via aquele brilho. Estava orgulhoso do meu feito.

Com as pernas erguidas novamente, Heero me possuiu, com movimentos secos e firmes, nunca deixando meus lábios, onde ele mostrava seu carinho. Gritei seu nome, minhas unhas cravando em seus ombros já arranhados. Sem fazer qualquer pedido, ele colocou uma das mãos entre nós dois, tocando minha ereção ansiosa. Gemi mais uma vez, gostando de tudo aquilo mais do que qualquer troféu de batalha, mais do qualquer outra coisa.

Senti-o estremecer dentro de mim, ao mesmo tempo em que meu desejo se espalhava por sua mão e entre nós dois. O hálito dele no meu ouvido e as palavras que não conseguia compreender, me deram a sensação da familiaridade que sempre busquei nele.

Beijei sua testa, carinhosamente, e ele saiu de dentro de mim. Senti imediatamente falta daquele contato e logo me pus em cima dele, acariciando as poucas cicatrizes de combate que seu peito tinha.

A magnitude do que havia acontecido entre nós estava me atingindo de maneira reversa e senti meus olhos pesarem e o compasso da respiração de Heero contribuía para aquela sensação.

Mas enganei-me ao pensar que poderia descansar. Meu comandante deslizava as mãos pelos meus cabelos, puxando-os delicadamente, porém firmemente, tirando-os do seu caminho.

— O que quer? –perguntei, me achando tolo por aquilo sair da minha boca.

Novamente, os olhos inflamados de Heero. Aquilo não era um bom sinal.

— Alguém me disse que me faria ficar acordado a noite toda. –ele disse, colocando-me sentado em seus quadris. Senti a ereção de Heero crescer atrás de mim e mordi seus lábios, deliciado.

— Isso pode te levar à morte, comandante. Ambição deveria ser um pecado.

— Então vamos ambos morrer essa noite. Porque eu não planejo te deixar dormir.

Sorri, satisfeito. Mesmo que por uma noite, a nossa última, ele era meu.

E eu morreria, sim, isso tinha certeza.

Mas não em batalha.

Mas ali, naquela cama.

Nos braços do meu comandante, do meu Heero.

.

Heero Yuy POV

.
.

Senti o cheiro almiscarado, antes mesmo de abrir os olhos.

Na verdade, muitas sensações me atingiram no instante que acordei.

O peso contra meu corpo, o hálito em meu pescoço, a mão em meu peito... e o cheiro... aquele cheiro único que só Duo tinha.

Tudo isso despertou algo em meu coração, algo que o fez vibrar e parecer pular dentro do meu peito. Pensei que... aquilo era a felicidade plena e completa que eu sempre procurei.

Duo... e somente ele.

Enquanto meus dedos enroscavam-se em seus cabelos, me dei conta de que... não queria morrer. As leis não me importavam, nada mais me importava a não ser o corpo quente contra o meu.

Eu... queria realmente estar com ele. Por algumas horas, dias, meses... pela vida toda.

Ele me dera, durante aquelas longas horas que nos amamos, tudo que sempre procurei. Nem minhas orações me deixavam tão em paz, nem missões cumpridas me davam tanta felicidade.

Pela primeira vez, pensei que gostaria que Roma e a Santíssima Igreja se danassem.

Eu só queria aquele lindo anjo, meu anjo.

— Já é dia? –a voz rouca me fez sorrir e depositei um beijo em sua testa.

— Faltam poucas horas. –informei, abraçando-o mais forte. — Dormiu bem, meu anjo?

— Posso me acostumar com isso. –ele murmurou. — Você parece feliz.

— Estou. –disse, fazendo-o me encarar. — Você me fez sentir tão...

— Heero, eu te amo, mais que qualquer coisa, mas... você deve manter uma coisa em sua cabeça. –ergui uma sobrancelha, confuso. — Quando sairmos por aquela porta, tudo isso deve ser esquecido... eu quero viver... quero voltar dessa maldita missão, mas isso só vai acontecer se você se desprender disso, entende?

— Eu sei disso. –disse, chateado.

— Não se deixe levar por essa felicidade que está sentindo... é só porque você nunca esteve com alguém que amasse você. Eu sei que você quer... jogar tudo por alto, e eu adoraria se você fizesse isso, mas... entenda que você não vai esquecer tudo que acreditou de repente... eu não quero isso. Quero estar com você, quando você perceber que só o que importa é isso aqui. –pegou minha mão, colocando-a sobre seu peito. — Se sobrevivermos, se você ainda quiser... eu estarei para você, mas... eu não posso competir com suas crenças... até que você me deixe vencer. –deitou a cabeça em meu peito, abraçando-me. — Eu amo você... e te quero mais que você possa imaginar, mas e você? É capaz de abdicar tudo por mim?

Não respondi, apenas passei meus dedos por seu braço, sentindo-o sorrir contra meu peito.

Duo... estava certo.

Eu não conseguiria abdicar tudo de uma vez... minhas crenças, minhas obrigações... tudo que eu teria que enfrentar.

Isso tudo se sobrevivêssemos, claro.

— Duo... eu acho que morreremos, eu sei que é horrível um comandante dizer isso, mas é o que penso, então... eu não quero ter que pensar nas leis ou em tudo isso... eu só quero estar com você, amar você como nunca tive coragem. –disse, sentindo-o beijar meu peito. — Entende?

— Entendo, mas quando sairmos pelo portão, prometa-me que isso que aconteceu não influenciará em nada. Nem na batalha, nem na forma de me tratar, nem em nada.

— Não pensei que você fosse tão sensato. –confessei, puxando-o para um beijo. — Eu estou confuso... muito confuso, isso que fizemos aqui foi contra tudo que acredito, mas... por outro lado, eu não consigo me arrepender... pode ser porque acho que vamos morrer, mas... droga! Me parece o certo.

— É o certo pra mim. –ele disse, sorrindo. — Mas não pensemos nisso, não vamos estragar essas últimas horas juntos. –assenti, deixando meus dedos correrem por sua pele nua.

— Claro, meu anjo... temos assuntos a tratar. –disse, de forma maliciosa. — Quero te amar de novo... –beijei seu pescoço, puxando-o mais para mim. — E de novo... e de novo.

— Hum... como você ficou assim? –ele indagou, beijando meus lábios delicadamente. — Mas... eu quero fazer amor, quero te sentir em mim. –sorri, meio envergonhado.

Nem eu acreditara que havia me tornado tão... fora de controle quando sentia sua pele na minha. Jamais havia me deitado com outro homem e nunca pensei que me sentiria muito melhor do que com uma mulher.

Os traços firmes, os braços delineados, as coxas... tudo nele me atraía.

Eu o amei novamente, sentindo seu calor, ouvindo seus gemidos e sua respiração. Era o paraíso sentir-me tão ligado a ele.

Eu estava confuso. Minhas crenças ainda estavam firmes em minha mente, mas não achava que havia cometido um erro, como antes. Era contra o que eu acreditava, mas parecia certo... para mim.

Suas mãos acariciaram minhas costas delicadamente, como se pedissem desculpas pela violência anterior. Não que eu tenha me importado, nenhuma dor havia sido tão bem vinda como aquela.

O assisti se render mais uma vez, para, logo depois, segui-lo. Ele desabou sobre meu corpo, o rosto em meu pescoço, suspirando.

— Depois de uma noite inteira... onde você acha tanta energia, Hee? –eu ri, deitando-o ao meu lado, admirando-o.

Ele era lindo... a criatura mais linda que eu já vira e, por Deus, eu poderia ficar ali, deitado, observando-o por muito tempo.

Mas os sonhos não duram para sempre e eu tinha uma batalha pela frente.

— Descanse um pouco, eu vou me preparar. –disse, beijando sua testa.

— Espere! –ele me fez sentar, colocando a cruz novamente em meu pescoço. — Leve-me com você, onde quer que vá.

Eu o beijei, carinhosamente, sentindo o peito queimar.

Me levantei, sentindo frio pela primeira vez desde que entrara naquele quarto. O calor dele realmente fazia falta e doía fisicamente a ausência de contato.

— Heero... –ele segurou minha mão, impedindo-me de vestir minhas calças.

Me virei, vendo-o se erguer também, expondo seu corpo maravilhosamente nu. Mas aquilo não importava, não quando vi aqueles dois orbes violetas brilhando, tentando conter as lágrimas.

— Duo... –o puxei, abraçando-o fortemente.

— Tudo isso que aconteceu... não foi um sonho, mas eu sei que quando você sair por essa porta, será. –senti suas lágrimas em meu ombro e fechei meus olhos. — Mas, por mais que você queira ver como um sonho, por favor, caso sobreviva, não esqueça que esteve aqui... que me amou, me tocou, me possuiu... porque eu nunca, morto ou vivo, eu nunca vou esquecer no que senti quando você estava em mim, me amando.

Senti meus olhos umedecerem, mas não disse nada.

Eu jamais esqueceria, por mais que voltasse a Roma, que fosse a missas, eu nunca conseguiria esquecer o que fora tê-lo comigo.

O abraço tornou-se ainda mais apertado, mas eu não consegui me desvencilhar, mesmo que tivesse que ir.

Naquele momento eu soube que não era o abraço que me prendia ali.

Era Duo e a consciência de que, depois que saísse pela porta, tudo que aconteceu deveria ficar envolto a uma névoa espessa, onde eu não pudesse enxergar.

E isso machucava.

Eu só queria continuar com ele, sentindo-o tão perto quanto possível.

Mas nada nunca fora fácil, para nenhum de nós dois.

E daquela vez não seria diferente.

.

Continua...

Nota: O que me dizem dessa cena entre os dois, hein? Acho que estava mais do que na hora de Heero e Duo ficarem juntos assim, ne? Mesmo com esse final de capítulo, não me matem, ainda temos muitas coisas pela frente! Obrigada a todos que estão lendo até hora e que encontraram um tempinho para revisar! Vou adorar que comentem mais, claro...adoro saber o que estão achando do fic até esse momento! Um beijão em todos! Até o próximo capítulo!