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Canção Para Você
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Capítulo V – Quando menos se espera
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Era quarta–feira, dia 04 de fevereiro. Fazia duas semanas e meia que a morena havia ingressado em sua nova vida.
Com a mesma rotina de antes, Tomoyo estava em sua sala, tirando o seu pesado sobretudo e pendurando–o nas costas de sua cadeira. Deu uma rápida olhada nas notas que estavam sobre sua mesa.
– Até que nem são tantas hoje... – ela falou para si mesma.
Como de praxe, a jovem foi dar a sua caminhada matinal pelo teatro.
Passou pelas mesmas salas e corredores de sempre, todos agora memorizados em sua cabeça, até que chegou ao enorme palco.
Até então ela tinha pensado que era a única pessoa por ali, naquela fria manhã, mas John, um dos funcionários da parte elétrica, também havia pulado cedo da cama e, no presente momento, encontrava–se em cima de uma escada comprida, daquelas de armar.
– Muito bom dia, senhorita Daidouji – ele acenou com a cabeça.
– Bom dia – ela respondeu sorrindo. – O que faz aqui tão cedo, John?
– É que hoje começam os ensaios do musical de inverno e esse espetáculo requer dois holofotes aqui no meio – ele mostrou onde seria esse "meio". – eles vão iluminar os protagonistas durante as músicas.
– Entendo... – ela disse. – Quer ajuda? Isto é, se eu puder ajudar.
– Sim, por favor – ele achou graça da pergunta dela. Lydia nunca havia oferecido esse tipo de ajuda a ele.
Tomoyo ficou parada com o olhar voltado para ele, esperando que falasse o que ela teria que fazer.
– Preciso que a senhorita olhe bem e me diga onde seria o melhor ponto para eu instalar esse holofote aqui, de modo que fique bem próximo do centro do palco.
– Certo – ela confirmou.
Devagar, Tomoyo foi se afastando da escada, tentando localizar o centro e indicar o melhor ponto para ele instalar o tal holofote.
A partir daí, duas coisas aconteceram. E ela não tinha previsto nenhuma delas.
Por estar de costas para os assentos da platéia, a jovem não viu onde o palco terminava e continuou a andar, até que seus pés deixaram de sentir a sólida madeira de debaixo deles.
Ela não tentou evitar que a queda acontecesse, visto que fora pega totalmente de surpresa. Acabou por cair de costas e bater forte com a cabeça no chão.
A vista de Tomoyo ficou negra, porém ela ainda conseguia ouvir e sentir, embora não conseguisse se mexer e nem falar.
Conseguiu distinguir duas vozes diferentes, uma mais perto e outra mais longe, sem, contudo, prestar atenção ao que elas diziam. Sua cabeça doía bastante.
Sentiu–se sendo, de certo modo, examinada. Depois foi levantada e carregada. Para onde? Por quem? Não sabia. Só tinha certeza de estar desmaiada.
Alguns segundos depois ela foi depositada em uma superfície macia e mais baixa.
Assim que abriu os olhos, demorou mais ou menos um minuto para a jovem se localizar e focalizar o olhar novamente.
Quando isso finalmente aconteceu, Tomoyo viu–se deitada no sofá de sua saleta. A cabeça ainda latejava, "pulsava", mas ela reconheceu duas pessoas olhando para ela, muito provavelmente, as donas das vozes que ela ouvira. John estava debruçado no braço do sofá, aos pés dela, e exibia na face uma leve preocupação.
Mas foi a segunda pessoa quem chamou mais ainda a atenção da jovem. Podia esperar que qualquer pessoa estivesse ali, menos ele. Eriol Hiiragizawa estava agachado ao seu lado, apoiado no sofá, próximo ao cotovelo esquerdo dela.
– Ela acordou. Vá buscar um copo d'água – foi a ordem que ele deu a John.
O que ele estaria fazendo ali? De onde viera? Quando aparecera? Será que vira tudo o que estava acontecendo? Eram muitas as perguntas que fervilhavam em sua mente.
– Você está bem? – ela deixou as interrogações de lado para responder àquela pergunta.
– Acho que sim... – Tomoyo não estava muito certa.
– Dói alguma coisa? – ele perguntou gentil sem, contudo, abandonar a expressão séria.
– Apenas a cabeça, mas deve ser normal – ela levou a mão à parte em questão.
Eriol estendeu a mão para a jovem, que a aceitou de bom grado, e a fez sentar–se.
– Foi uma queda e tanto! – John exclamava enquanto voltava para perto do sofá. Ele trazia um copo plástico nas mãos, tal como Eriol havia pedido.
– Tome. Vai ajudar com a dor de cabeça – o inglês garantiu entregando–lhe um analgésico que tinha tirado de dentro da gaveta dela.
Tomoyo ingeriu os dois.
Passaram–se cinco minutos. John ofereceu um sorriso à jovem e voltou para o seu trabalho. Eriol, entretanto, continuou lá. Sentou–se ao lado dela e a ficou encarando.
– Melhor? – o pianista quis saber, sorrindo.
– Sim, obrigada – a morena respondeu. Era estranho ter alguém a encarando por um certo tempo. Tomoyo começou a ficar sem graça, mas não deixou que Eriol percebesse isso.
Ela pensava em algo para dizer e quebrar aquele silêncio infernal, mas ele foi mais rápido.
– Parece que sempre acontece um acidente quando a gente se encontra, não é? – ele tentou descontrair o ambiente.
– É verdade... acho que não damos sorte... – ela riu e fez uma pausa. – Mas o que realmente me deixa curiosa é saber o que você estava fazendo aqui à uma hora dessas.
– Ah, é mesmo... esqueci de explicar – ele confessou. – Bom, como todo bom pianista, eu treino e componho minhas melodias em um piano. Certamente que tenho um em casa, antes que você pergunte, mas eu prefiro vir e tocar aqui, assim alegro o dia daqueles que trabalham no teatro e, em troca, eles me inspiram – ele fez uma pausa. Depois pensou um pouco antes de continuar. – Bom, ficarei por aqui até os paparazzi me encontrarem – ele riu.
– Isso é legal... – ela riu com ele. – também tenho andado em busca de inspiração... sem muito sucesso por enquanto – ela ponderou. – Mas você não estava aqui nessas duas últimas semanas.
– É porque eu estava de férias. E elas acabaram ontem – ele fingiu um tom triste. Tomoyo achou engraçado.
Eles ficariam mais uma vez no silêncio se John não tivesse entrado na saleta.
– Desculpe incomodar, senhorita, mas eu queria saber se ainda vai me ajudar com os holofotes – ele estava um tanto sem–graça... mas por quê?
– Ah, sim! Claro! – ela havia esquecido completamente.
Os dois, seguidos por Eriol, foram até o palco. E dessa vez ela prestou bastante atenção para ver onde ele terminava.
Eriol estava parado ao lado dela enquanto decidiam os melhores lugares para os holofotes. Isso tendo sido determinado, John começou a fixá–los.
O pianista e a morena conversavam e observavam o trabalho de John.
– E então, como veio trabalhar aqui? – o jovem inglês perguntou.
– Uma amiga me indicou esse lugar. E já que música é a minha paixão, não vi obstáculos.
– Entendo. Mas eu não sabia que o teatro precisava de novos funcionários.
– Na verdade, não precisava, até que a senhora Lydia decidiu se aposentar, e eu fiquei no lugar dela.
– É uma pena que a senhora Lydia tenha resolvido sair... ela era a alma desse negócio... mas tenho certeza que você fará o trabalho tão bem quanto ela.
– Eu diria que ela faz o trabalho melhor do que a velha Lydia – John gritou do alto de sua escada.
– Muito obrigada! – Tomoyo gritou de volta, corando.
O barulho de portas se abrindo foi ouvido e Tomoyo soube que já era hora de começar a ligar para a loja de confecções e cobrar os uniformes de marinheiros para a peça do dia seguinte. Além de encomendar um jarro de barro para a peça da outra semana. Ah, Tomoyo não poderia esquecer do arco com bexigas para a apresentação de balé no sábado.
– Eriol, tenho que ir. Preciso continuar o meu trabalho – ela avisou.
– Tudo bem. Boa sorte! – ele desejou a ela.
Tomoyo entrou em sua saleta pela terceira vez naquele dia, sentou–se na cadeira giratória e passou a dar telefonemas.
Foram horas de encomendas, cobranças, pedidos, gritos de cá, gritos de lá e mais pedidos. Ela só havia parado por um momento: para almoçar.
A morena havia acabado por aquele dia. Seu relógio de pulso marcava exatas 15h47, o que significava que era hora de dar a sua segunda e última volta pela grande construção em que trabalhava.
Deixou tudo arrumado, vestiu o seu sobretudo e passou na sala do senhor McGreggor para deixar as faturas e os outros papéis.
À medida que ia passando pelos aposentos, a jovem ia apagando todas as luzes.
O último lugar por onde passou foi o palco. Assim que ela ia se aproximando dele, uma melodia ia enchendo os seus ouvidos. Era a sua música favorita, a mesma que havia escutado durante a apresentação que Eriol havia feito na tevê.
Ela finalmente alcançou a grande plataforma de madeira. Ficou parada do lado esquerdo, exatamente por onde os atores entram. Eriol estava de costas para ela.
Como sempre acontecia, ela se deixou levar por aquele som paradisíaco. Fechou os olhos e deixou a mente vagar.
Ela não saberia colocar em palavras o que sentia quando aquela melodia era tocada. Só sabia que a música a fazia esquecer de todos os problemas, trazia uma enorme paz.
Para sua infelicidade, a melodia foi diminuindo o volume até cessar, porém a morena continuava com os olhos fechados.
– Você gosta dessa melodia – a voz de Eriol estava bem perto dela. Não era uma pergunta, mas uma afirmação.
A jovem abriu os olhos rapidamente, assustando–se com a proximidade dele. Quase se perdeu nos calmos e penetrantes olhos azuis.
– Ela é linda. Uma das poucas que fazem a gente esquecer da vida e apenas imaginar coisas boas, sentir uma imensa tranqüilidade – Tomoyo respondeu.
Eriol pareceu pensativo por um instante. Por fim fez uma pergunta.
– Sabe dançar?
– Depende. Se for um estilo livre, sei. Caso contrário, não.
– Eu tenho essa música gravada... e já tem um tempo que eu gostaria de criar uma dança para ela, afinal também é a minha favorita. Quer servir de cobaia?
– Ahn... eu não sei... costumo representar um grande perigo para a saúde dos pés alheios.
– Não se preocupe com isso. Estou acostumado – ele garantiu com um sorriso doce.
Ela ainda não estava completamente convencida, mas Eriol dirigiu–se para um pequeno rádio, ligou na tomada mais próxima e colocou um cd para tocar. Escolheu a música e voltou para perto da jovem.
Esticou a mão direita em direção a ela, como se estivesse oferecendo um convite, e ela aceitou, colocando sua mão esquerda na dele.
Eriol, então, levou a mão esquerda dela até o seu próprio ombro para, em seguida colocar a sua mão direita na cintura da jovem. A mão direita dela enlaçou–se com a mão esquerda dele e assim eles dançaram.
A morena ainda era inexperiente com a dança e ele percebeu isso, então ele a conduziu, vez por outra dando alguns conselhos.
Ela se deixou ser conduzida e tirou da mente todas as dúvidas, perguntas e pensamentos. Não fechou os olhos; abriu o coração para deixar aquela melodia perfeita penetrar em seu íntimo, até chegar no fundo da alma.
– Agora que você aprendeu os passos, vamos tentar começar de novo. Deixe a melodia levar o seu corpo, permita que ela guie os seus passos – esse foi o último conselho que ele deu antes de parar e se desvencilhar dela. Seguiu para o rádio e recomeçou a música, voltando logo em seguida para junto da jovem.
Eles recomeçaram a dançar e ela, seguindo os conselhos dele, se saiu muito bem. Pareciam dois profissionais dançando, tamanha era a facilidade deles e a harmonia de suas auras.
Perderam a noção de quanto tempo ficaram dançando até que em uma das paradas, ela olhou casualmente para o relógio e descobriu serem 17h39.
– Ai, não! Estou atrasada! A minha aula começa às 18h! – ela dirigiu–se para o pianista que a olhava com uma certa confusão. – Preciso ir!
– Tomoyo! – ele chamou quando ela já tinha descido do palco e rumava para a porta principal, passando pelas poltronas da platéia.
Ela olhou para trás, para ele.
– Eu levo você. Meu carro está parado aqui perto, eu te dou uma carona.
Será que havia entendido bem? Eriol Hiiragizawa a levaria para a faculdade? No carro dele? Sozinhos, só eles dois? Não... ela deveria estar ouvindo coisas... talvez tivesse batido muito forte com a cabeça naquela manhã... ou talvez ainda estivesse ouvindo a melodia e sonhando...
Os dois ficaram se encarando. Ele, esperando a resposta dela e ela, pensando no que diria. E agora?
Tomoyo queria recusar, precisava recusar, pelo menos, era o que sua mente achava o mais certo a fazer. Porém, em uma de suas aulas de etiqueta ela aprendeu que sempre se deve aceitar uma oferta, por mais errada que esta possa parecer.
– Se não for incomodar, eu aceito – ela disse por fim. Cavou um buraco no fundo de sua essência para esconder a timidez que sentia.
– Certo. Então vamos.
Eriol saiu na frente, enquanto ela apagava as últimas luzes do palco e trancava a porta.
A sua curta estada naquele belo país não lhe permitiu reconhecer o modelo do carro preto, mas Tomoyo percebeu que era confortável e – muito provavelmente – caro.
Sentou–se do lado do passageiro e colocou o cinto de segurança. O coração dela tinha adotado um comportamento diferente naquela noite: ele batia mais rápido que o normal. Além disso, ela sentia algumas sensações novas.
– Então, o que está achando daqui? – Eriol perguntou logo que deu a partida.
– Estou gostando muito. É um lugar lindo, bem diferente daquele onde eu vivia.
– Já deu umas voltas por aí? Para conhecer melhor a cidade?
– Sim... comprei um mapa e passeei um pouco... conheci o Big Ben, a ponte de Londres, o castelo de Buckingham, a Abadia Westminster, entre outros – ela foi enumerando aqueles de que se lembrava.
– Andou no famoso ônibus de dois andares? – ele perguntou rindo.
– Ainda não – Tomoyo riu com ele. – Aliás, muito obrigada por me lembrar.
– Por nada – eles ainda riam.
A conversa não durou muito, pois quinze minutos depois, eles haviam chegado à London College.
– Muito obrigada pela carona – ela dizia enquanto saía do carro.
– De nada. Até amanhã, Tomoyo.
– Até, Eriol – ela disse para o carro que partia.
Surpreendendo até a si mesma, a primeira coisa que Tomoyo fez assim que se virou para as portas da faculdade foi procurar Kanna.
A morena já estava tão acostumada com as aparições "relâmpago" da jovem, que se pegou procurando por ela.
"O que será que ela diria assim que me visse sair do carro de Eriol? Será que também pensaria que sou a namorada dele?", Tomoyo refletia. "Ia ser até engraçado... num dia eu supostamente namoro o meu amigo, e no outro, um pianista famoso em todo o país!", ela divertia–se com essa hipótese.
Só então ela se deu conta de duas coisas: no que estava pensando e em como estava atrasada.
Decidiu que refletiria sobre os pensamentos depois e que, naquele momento, ela apenas correria para assistir à primeira aula.
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Depois daquele encontro totalmente inusitado com o pianista de olhos azuis, a jovem acostumou–se em tê–lo trabalhando por perto, e assim se passaram dois dias.
No terceiro dia depois do encontro, Tomoyo estava em sua sala dando uma pausa entre o almoço e a próxima ligação quando uma jovem de uns dezessete anos entrou quase desabando em lágrimas. A morena, depois de um rápido susto, resolveu falar com ela, mas a jovem pronunciou–se primeiro.
– Desculpe entrar assim, senhorita, mas não queria que o diretor me visse chorando – as lágrimas falaram mais alto.
– Não tem problema – Tomoyo aproximou–se dela e passou a esfregar suas costas, consolando–a. – Mas, me fala, o que aconteceu?
– A moça que ia cantar o tema de abertura da peça e o meu tema desistiu – a jovem fez uma pausa quando um soluço a sacudiu mais forte. – E agora eu provavelmente serei cortada do espetáculo... isto é, se ele ainda for acontecer! – e desatou a chorar ainda mais.
A morena viu–se abraçando a moça ao mesmo tempo em que uma idéia passava por sua mente, mas Tomoyo decidiu que não falaria nada para a garota.
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Tendo chegado o horário de fechar o teatro e verificando que Eriol não estava mais lá, Tomoyo dirigiu–se para a sala de gravações.
Como já tinha visto várias delas acontecerem, a morena já tinha uma noção dos equipamentos que precisaria utilizar e, ajustando alguns deles, começou a gravar a canção que seria o tema de abertura da tal peça.
Tomoyo tinha colocado toda a sua alma naquela música. Havia cantado com o melhor tom de voz que possuía.
O tom delicado, que se encaixava perfeitamente, seria ouvido por mais alguém naquele dia. Um certo inglês havia esquecido seu casaco e voltado para buscá–lo quando se deparou com a voz melodiosa e veio confirmar o que já desconfiava.
Tomando todo o cuidado para não deixar que a jovem o visse, ele esperou que ela cantasse as duas músicas enquanto ficou admirando–a pelo vidro da sala de gravação.
"Ela canta muito bem. É impressionante a sintonia entre letra, ritmo e voz. Aposto que ela não sabe o potencial que tem...", ele riu.
Quando ela fez menção de sair, o jovem virou–se rapidamente e seguiu seu rumo para o carro antes mesmo que a morena pudesse perceber qualquer coisa.
Sabendo o quão tímida Tomoyo era, ele resolveu que guardaria segredo sobre isso por um tempo, até que ela se acostumasse com a idéia.
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Tomoyo havia dito para o diretor da peça, Charles Creevey, que tinha convencido uma amiga a gravar uma demo com as duas músicas que estavam faltando na peça.
Assim que ele ouviu a voz dela através do cd, Charles teve a certeza de ter achado quem ele inicialmente procurava.
– Simplesmente magnífico! Preciso que traga esta jovem aqui para que ela cante durante o musical.
Tomoyo engasgou–se.
– T–Trazê–la aqui? Mas, por quê?
– Ora, precisa ser algo autêntico. As músicas que utilizo são sempre cantadas ao vivo.
E agora, o que faria? Tinha que escolher entre contar a verdade sobre a gravação ou fazê–lo desistir. Ambas as opções pareciam impossíveis.
Então ela teve uma idéia.
– A minha amiga é muito tímida... não creio que conseguirei trazê–la aqui para cantar.
O diretor já ia reclamar quando a morena prosseguiu.
– Mas porque o senhor não toca a própria demo? Ela parece estar em tão bom estado... aposto que ninguém nem vai perceber.
Depois de alguns minutos tentando, Tomoyo finalmente conseguiu convencê–lo a tocar a demo.
A peça de fato aconteceu para valer no dia 9, uma segunda–feira, e foi um sucesso.
A maioria das pessoas estava elogiando o ótimo gosto do diretor quanto à escolha das músicas e dos intérpretes das mesmas.
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Era quarta–feira, dia 11 de fevereiro. Sakura e Syaoran tinham convidado Tomoyo para jantar na casa deles. Logo que Tomoyo saiu da faculdade, as duas garotas foram para o apartamento do casal e ficaram experimentando os vestidos e os adereços para o baile.
Naquela hora Syaoran tinha saído para comprar mais comida, visto que um amigo deles tinha ligado e avisado que jantaria por lá com a namorada.
As duas amigas conversavam abertamente na sala. Como eram amigas desde muito pequenas, nenhuma delas escondia (praticamente) nada uma da outra.
– Eu me senti estranha naquela noite – Tomoyo contava do dia em que reencontrara Eriol. O único detalhe que a morena havia omitido era o nome dele. Ela ainda não estava pronta para contar a amiga que o tal "cara" era o pianista mais famoso do Reino Unido.
– Como você se sentiu? – Sakura quis saber.
– No momento da dança, pela primeira vez em muitos anos, eu me senti livre, esqueci todos os problemas e pressões.
– Entendo – a amiga, sorridente, já tinha chegado a uma conclusão, apenas esperava que a morena terminasse sua história.
– E depois, no carro dele, eu me senti ansiosa, insegura, feliz, só que tudo ao mesmo tempo – Tomoyo olhava para as estrelas no céu, através da janela.
– Tomoyo, olhe para mim – foi tudo o que Sakura pôde dizer.
– O quê? – a morena olhou para a amiga.
– Eu sabia! – Sakura gritou levantando–se e puxando Tomoyo pelos braços para se levantar também. – Você está apaixonada!
– Como? Não, não é possível...
– Claro que é! É só olhar para o brilho nos seus olhos, perceber o seu ótimo humor e fazer a conta!
Por mais que tentasse negar, Tomoyo sabia que estava realmente gostando de Eriol e que, mais ainda, essa idéia a agradava.
– Estou errada? – a Kinomoto perguntou, fingindo estar desconfiada.
A morena nem precisou dar uma resposta, o sorriso tímido (mas feliz) dela disse tudo.
– Tá vendo só? Você gosta dele! Agora, me fala quem é esse felizardo!
Mas antes que ela pudesse dizer, a porta se abriu e revelou um Syaoran cheio de sacolas penduradas nos braços e nas mãos.
– Eles estão subindo! – anunciou ele, para depois correr para a cozinha.
– Syaoran...? – Sakura começou a perguntar, mas foi interrompida por ele.
– Sim, eu vi os dois lá embaixo... e não, eles não me viram.
– Isso resume tudo – Sakura disse. Ela fechou a porta de entrada e esperou que os dois subissem. Tomoyo foi usar o banheiro.
Mas os convidados estavam demorando mais do que a Kinomoto havia calculado, então ela foi para a sala de jantar colocar a mesa.
Tomoyo saiu do banheiro assim que a campainha tocou.
– Você pode atender, Tomoyo, por favor? – Syaoran perguntou da cozinha.
– Claro! – ela respondeu. – Parece até que eu moro aqui, já até atendo a porta! – ela disse baixinho e riu consigo mesma.
Abriu a porta e estancou. O que viu fez o riso e a alegria dela evaporarem como se nunca tivessem existido um dia. Novamente ele a surpreendeu. Eriol estava diante dela, olhando–a surpreso, e ao lado dele estava a outra pessoa, a namorada dele, ninguém mais, ninguém menos do que Kanna Tachiji.
CONTINUA...
OoOoO
N/A: Hello!
Primeiramente gostaríamos de pedir desculpas pelo atraso de mais de dez horas em postar esse capítulo, mas o site do fanfiction estava dando erro todas as vezes que tentávamos colocar esse capítulo novo no ar. Esperamos que esse problema não volte a acontecer.
Com relação à história... E agora? O que Tomoyo fará? Logo que ela descobre que gosta do Eriol, ele aparece com uma namorada! E o pior de tudo é que a namorada dele é a Kanna! Acho que não precisamos nem comentar qual vai ser a reação da Tomoyo... É esperar pra ver!
Tomara que tenham gostado do capítulo e continuem a acompanhar a história e a mandar reviews!
Kissus,
Mizu e Kimi
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Respostas às reviews
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Lady Luna Andrews: Oii! Esperamos que esteja gostando da história e que continue acompanhando–a! Obrigada pela review! Kissus!
