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Canção Para Você
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Capítulo VI – De repente apaixonada
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Ao perceber que a garota não tomaria iniciativa, Eriol adiantou–se colocando um sorriso na face que, verdadeiro ou não, era um sorriso.
– Oi – cumprimentou–a incerto.
Tomoyo não tinha achado a voz. Mas o pior de tudo era que ela sabia porque estava se sentindo daquela maneira.
– Tomoyo! Confesso que realmente não esperava te encontrar por aqui – Kanna era alheia aos sentimentos da morena.
Por fim, Sakura apareceu.
– Ah, olá, Eriol! – Sakura disse. – Entre e fique à vontade!
– Obrigado, Sakura.
– Tomoyo, este é Eriol, um grande amigo nosso – Sakura apresentou–o. – Mas a namorada dele eu não conheço.
– Esta é Kanna. Kanna, esta é Sakura, namorada do Syaoran. E esta é Tomoyo, nós viemos no mesmo avião – Eriol informou.
– Muito prazer, Kanna. O jantar será servido daqui a pouco – Sakura disse. – Por que vocês não se sentam um pouco?
– Ahn... Sakura? – Tomoyo chamou. Estava a ponto de derramar várias lágrimas. Mesmo assim, a morena costurou um sorriso na face pálida.
– Sim? – ela disse a meio caminho da cozinha.
– Se importa de deixarmos esse jantar para um outro dia?
– Mas... por quê? – a amiga não entendia.
– É que eu estou um pouco cansada hoje... foi um dia puxado e, além disso, preciso me preparar para um longo dia de apresentações amanhã – ela mentiu bem.
– Ah... se você quer descansar, pode ir – Sakura deixou que um pouco de tristeza transparecesse em sua fala.
– Sinto muito...
– Não tem problema – Sakura afirmou. – Marcaremos de você vir aqui numa próxima vez, então, pode ser?
– Claro. Até mais – Tomoyo se segurava para não derramar uma lágrima sequer.
– Espera que eu vou tirar o avental e te acompanhar – Sakura já ia em direção a cozinha novamente.
– Não precisa.
– Mas a pensão fica meio longe... e já está tarde.
– Não precisa se incomodar! – Tomoyo garantiu sorrindo, ainda escondendo suas emoções.
Sem nem olhar para trás, ela abriu a porta e foi esperar o elevador.
Viu–se sozinha dentro do bloco metálico e não agüentou, deixando que seus olhos se enchessem de água uma vez mais.
Tudo o que sabia era que queria chorar, sentia o coração apertado e uma enorme sensação de solidão.
Por que escolhera se apaixonar justamente por aquele homem? Com tantos na cidade, no país, no mundo, por que justo ele? Pensou que talvez pudesse escutar o coração ao menos uma vez, mas apenas se magoara ainda mais. Prometeu a si mesma que nunca mais se deixaria levar por ele. Aceitaria seu destino e passaria os anos sozinha, apenas cercada de amigos, sem ninguém especial em sua vida.
Saiu do prédio e tomou o caminho da esquerda, como sempre fazia ao ir embora.
"Não vou chorar... Vim para cá a fim de melhorar minha vida e minha relação com todos. Não vale a pena jogar tudo isso fora por causa de uma só pessoa...", Tomoyo andava em silêncio e com passos lentos.
Alguém chegou por trás dela e segurou seu pulso firme, fazendo–a parar.
Ela nem acreditou no que seus olhos estavam vendo. Ali, parado atrás dela, estava o mesmo tio–avô com quem ela falara no avião.
– Está me machucando – ela disse. As lágrimas cessaram e deram lugar à falta de expressão.
– Vamos voltar agora para Tomoeda.
– Eu não vou. Minha vida é aqui agora, e não vou abandonar a chance de fazer algo que eu gosto. Já fiz isso uma vez e me arrependi amargamente. Não cometerei o mesmo erro duas vezes – Tomoyo falava calmamente e usava um tom de voz baixo.
O tio não respondeu e a levou consigo.
– Me solta! Você não tem esse direito! – ela debatia–se.
O velho continuou puxando a garota contra a vontade dela na direção de um táxi.
– Pare! Eu não quero voltar! – Tomoyo perdeu a pose e deixou que o desespero tomasse conta.
No momento em que ele abriu a porta do carro, a jovem conseguiu se soltar e correu para longe dele, ignorando os chamados do tio.
A garota correu para dentro do edifício sem nem olhar para onde estava indo. Terminou por esbarrar em alguém que estava saindo do elevador... alguém chamado Eriol.
– Tomoyo? O que acont...? – ele não terminou a frase quando viu a jovem olhá–lo. Já não era mais aquela pessoa magoada que ele encontrou no apartamento de Sakura, muito menos aquela sorridente e esperançosa.
– Não quero voltar... por favor, eu não quero voltar... – ela sussurrava olhando para a porta.
O pianista entendeu tudo quando viu os olhos de Tomoyo se arregalarem quando ela avistou o senhor que se aproximava.
Eriol segurou–a de frente para ele e, juntamente com a garota, virou–se de costas para o velho, assim ele não a veria.
O tio de Tomoyo olhou em volta, mas não a viu e desistiu da procura. Saiu do prédio, entrou no táxi e foi embora.
Consciente da atenção que ela chamara, Eriol guiou Tomoyo para fora de lá, sob o olhar atento de muitas cabeças.
Do lado de fora, ele viu que ela segurava as lágrimas de desespero.
– Ele já foi, não se preocupe – ele falava esfregando os braços dela.
Mas Tomoyo não parecia escutar, olhava atentamente para os lados, temendo a volta do tio.
Ele então fez o que lhe pareceu mais certo: passando seus braços um pouco abaixo dos ombros dela e por cima dos braços da garota, ele envolveu–a em um abraço.
Ela se debateu um pouco no começo, empurrando–o, mas depois parou.
– Você pode chorar à vontade. Ninguém vai achar que é mais ou menos corajosa por isso – ele disse baixinho, de um modo gentil.
Ela encostou a cabeça no ombro dele e desatou a chorar. Colocou nesse ato todas as mágoas e dúvidas que tinha, desabafando sete meses de tristezas e inseguranças. Ela soluçava e não conseguia parar, tamanha era a sua tristeza.
Ficaram ali, parados na calçada por uns minutos, até que a jovem conseguisse retomar o controle. Era a primeira vez que ela se permitira chorar, a primeira vez que não se repreendera.
Ele não a soltou, mesmo depois que ela parou de chorar. Isso serviu para que ela percebesse com quem estava. Foi quando os sentimentos dela por ele voltaram à tona.
– Melhor agora? – ele foi gentil novamente, soltando–a.
– Sim... obrigada... – ela sequer olhava para ele. – Preciso ir – ela já se afastava quando ele falou algo importante.
– Eu não quero parecer pessimista, mas não acha que esse seu tio pode estar te esperando no alojamento?
Ela não tinha considerado essa hipótese e parou de andar no mesmo momento. E agora? O que faria? Melhor ainda, para onde iria?
Desanimou mais uma vez.
– Por que não fica na casa da Sakura? – ele sugeriu.
Mas Tomoyo não ia agüentar olhar para Kanna de novo.
– Não. Ela já tem outras preocupações... e além disso, um baile que ela e o Syaoran estão organizando.
– Então, aceita ficar na minha casa?
Ela realmente não pôde evitar que seu queixo caísse. Virou–se para ele e lançou o olhar mais incrédulo que pôde arquitetar.
Eriol, contrariando as expectativas dela, apenas sorriu de volta.
– Vou tomar isso como um sim – ele deduziu.
A morena não tinha palavras. De novo.
– Vamos – ele pegou o braço dela e se encaminhou para a rua, em direção ao carro.
Tomoyo sabia que se odiaria pelo resto da vida se fizesse aquela pergunta, mas se sentia na obrigação de fazê–la.
– Mas, e a Kanna?
– Ela vai entender...
E mais uma vez Tomoyo estava em uma encruzilhada tripla: ou voltava para o alojamento, torcendo para o seu tio–avô não estar lá; ou ficava na casa de Sakura, tendo que aturar Kanna pelo resto da noite; ou ia para a casa de Eriol.
Até que esta última opção não era tão ruim... porém, ela tinha sido escolhida por aquele que havia jurado não mais escutar, seu coração. Ela estava com medo de ser magoada de novo, de ser iludida. Nunca tivera, em todos os seus vinte anos, um relacionamento sério, talvez por medo de sua família, talvez por insegurança, talvez até por medo próprio.
Agora que sabia que estava realmente se encantando por Eriol, ela precisava fazer logo alguma coisa. Manter distância sempre funcionava. Por que não funcionaria dessa vez?
Mas seus pensamentos foram interrompidos quando ela sentiu–se sendo empurrada para dentro de um carro.
Eriol tinha o celular em mãos e conversava com alguém do outro lado da linha.
Tomoyo não entendera sequer uma palavra, pois ele falava em outra língua. Percebendo que a tal conversa não a atraía, ela começou a olhar pela janela.
"O que eu faço agora? Não posso gostar do Eriol... é errado. Não sei porque ele tinha que ser tão cavalheiro e aparecer justamente no momento em que eu estava me sentindo tão sozinha... E depois de ter descoberto que ele tinha uma namorada e me sentir péssima, por que estou indo para a casa dele? Isso não está certo... Mas... Eu nem sei mais o que é certo e o que é errado!", Tomoyo estava confusa.
Ela observou toda a paisagem e, quando deu por si, eles já tinham deixado a cidade para trás e estavam numa área mais arborizada, em uma região situada entre a cidade e o campo.
Assim que o carro de Eriol parou em frente a uma linda mansão, cerca de seis pessoas juntaram–se em volta do carro, todas com câmeras fotográficas em mãos.
– Esses paparazzi não dão trégua – Eriol comentava suspirando.
Mal deu tempo de Tomoyo destravar a porta e ela já estava sendo puxada para fora do carro, com mil flashes e perguntas pipocando à sua frente.
– Qual é o seu nome?
– Nossa! Ainda é jovem! Seria a outra?
– Você é a mais nova "ficante" do pianista?
– Provocou o fim do romance dele com a senhorita Tachiji?
– Como se sente sendo pivô de uma separação?
– Faz tempo que estão juntos? Como se conheceram?
Ela nem pensava nas respostas. Apenas estava assustada.
Eriol andou até o outro lado do carro, infiltrou–se na multidão e a resgatou de lá, puxando–a pelo pulso em direção à casa.
Esse breve contato despertou na jovem inúmeras sensações.
– Me desculpe por isso. Eu realmente não imaginei que eles ainda estariam aqui quando voltasse – ele disse sorrindo, embora parecesse estar um pouco bravo.
– Não tem problema – ela disse olhando para trás, evitando assim que ele visse o rosto corado dela.
Entraram na bela mansão. Ela tinha dois andares de cômodos bem distribuídos e detalhadamente decorados. Era harmoniosa e arrumada, apesar de grande.
Um homem apareceu correndo e gritando, aflito. Parecia que ele falava a mesma língua que Eriol tinha falado ao telefone. Eles conversaram por um tempo.
Tomoyo sentiu–se totalmente desconfortável por estar sobrando ali, então foi até a janela, de onde pôde ver todo o quintal da mansão dividido entre uma piscina, um enorme jardim e uma estufa. Como estava de noite, as luzes azuladas davam um tom brilhante à paisagem.
– Boa noite. Eu poder ajuda? – uma senhora se aproximou da morena. Ela vestia roupas simples e tinha um inglês péssimo.
– Ah, boa noite – Tomoyo virou–se para a senhora.
– Japonês? Você falar japonês? – a senhora perguntou.
– Sim.
– Melhor, então. Agora posso falar melhor. Seja bem vinda, senhorita, sou Sayuri, governanta dessa casa – ela havia mudado para o japonês.
– Obrigada – Tomoyo respondeu também em japonês. Tinha achado a senhora muito simpática.
– Enquanto eles conversam, venha comigo. Vou preparar um chá.
As duas foram para a cozinha.
Sayuri havia notado os olhos ainda vermelhos e inchados da Daidouji, mas ela era muito educada para perguntar o que tinha acontecido.
– Aqui está.
– Eu posso fazer uma pergunta? – Tomoyo quis saber.
– Certamente – a senhora sorriu caridosa.
– Quem é aquele ali, conversando com o Eriol?
– É o agente dele. Um chato, só sabe reclamar, telefonar e reclamar mais um pouco. Às vezes, o senhor Hiiragizawa o deixa falando sozinho.
Tomoyo riu das palavras da senhora. Ela parecia ter um ótimo humor e uma paciência sem limite.
– Vai dormir aqui? – a senhora perguntou enquanto elas observavam os dois homens conversando.
– Vou, sim – a jovem corou rapidamente.
– Ora, não se acanhe. Vou lhe contar uma coisa, você foi a melhor das namoradas que o senhor Hiiragizawa teve.
Tomoyo quase cuspiu o chá que tomava. Namorada?
– Não sou namorada dele. Apenas... uma amiga.
– Oh, perdão. Então, espero que seja um dia.
O rosto da morena, se é que ainda era possível, se tornava mais vermelho a cada frase da senhora.
– Eu nunca fui com a cara daquela Kanna... – a idosa continuou. – Ela nunca fez o tipo do senhor Hiiragizawa.
– Entendo – a morena desviou o rosto e passou a encarar os vários armários embutidos da cozinha. Apenas a menção do nome daquela garota a entristecia.
– Vamos arrumar um quarto para você, então – ela ia subindo as escadas com Tomoyo atrás.
Havia cinco suítes na mansão: duas de cada lado do corredor e uma na parede do fundo, que era a principal. Uma delas tinha sido transformada em sala de tevê e a outra (principal) pertencia a Eriol.
– Você ficará neste aqui – a senhora abriu a segunda porta à esquerda.
– Está ótimo, muito obrigada – Tomoyo fez uma mesura a senhora.
– Não precisa agradecer – Sayuri retribuiu o gesto. – Se precisar de qualquer coisa, é só me chamar.
Tomoyo acenou com a cabeça e a senhora saiu do quarto, fechando a porta em seguida.
A morena trancou a porta e foi até a cama, onde puxou o edredom e deitou, cobrindo–se.
– Amanhã, logo cedo, eu irei para a casa de Sakura. Não posso ficar aqui – ela cochichava para si mesma.
E, dizendo isso, adormeceu.
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Quando ela acordou ainda eram 5h27 da manhã. O dia ainda nem estava claro, mas mesmo assim, ela resolveu ir embora.
Arrumou a cama, pegou o celular e ligou para Sakura. A morena odiava ter que ligar para as pessoas tão cedo, mas era uma emergência.
– Alô? – uma sonolenta Sakura atendeu depois de seis toques.
– Bom dia, Sakura. É a Tomoyo. Eu sei que eu te acordei, me desculpe por isso, mas eu estou com um problema. Foi uma emergência.
– O que aconteceu? – a Kinomoto estava completamente desperta, agora.
– O meu tio apareceu quando eu estava saindo da sua casa e tentou me levar de volta para Tomoeda à força. Por sorte, Eriol estava lá e me ajudou. Mas eu não voltei para a casa ontem.
– Onde você está?
– Eu dormi na casa dele e ainda estou aqui, mas me sinto desconfortável. Você se importaria se eu fosse para aí?
– Claro que não! Você já está saindo daí?
– Sim.
– Então, pode vir, sim.
– Certo. Muito obrigada. Depois eu te conto a história toda.
– Ok. Vou ficar te esperando.
As duas desligaram ao mesmo tempo.
Tomoyo destrancou a porta e olhou para os dois lados do corredor. Não havia ninguém.
Desceu as escadas e também não encontrou uma alma viva. Já ia abrindo a porta da frente quando se lembrou de que não tinha agradecido Eriol ainda. Resolveu deixar um bilhete colado na porta da geladeira:
Eriol,
Obrigada por tudo. Espero não ter incomodado muito.
Até um dia,
Tomoyo.
Assim que ela apareceu do lado de fora da casa, um rapaz uniformizado estava encostado em um carro.
– Senhorita Daidouji? – ele perguntou.
– Sim?
– O senhor Hiiragizawa me pediu para levá–la de volta a cidade assim que estivesse pronta.
– Bem, então já podemos ir.
Ele abriu a porta traseira e fez sinal para ela entrar. Tomoyo fez o que lhe fora pedido e deu o endereço de Sakura a ele.
Após algum tempo, o motorista abriu novamente a porta, dessa vez para ela sair.
– Obrigada. Se puder, diga ao Eriol que agradeço a hospitalidade.
– Pois não.
Assim que a jovem entrou no prédio, ele fez o caminho de volta para a mansão.
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Tomoyo estava no apartamento de Sakura e tinha acabado de contar para o casal a história toda, desde o porquê de ela não ter ficado para jantar no dia anterior até sua chegada naquele dia. Eles estavam sentados na sala e, como ainda era cedo, nenhum deles tinha ido para o trabalho.
– Você pode ficar aqui pelo tempo que precisar – Syaoran disse. – Se quiser, posso buscar suas coisas e trazê–las para cá.
– Acredito que não será necessário, mas obrigada mesmo assim.
– Você entra que horas no trabalho? – Sakura quis saber.
– 7h30, mas acho que não vou hoje. Vou ligar para o senhor McGreggor e dizer que não estou me sentindo bem. Ele vai entender.
– Por acaso um dos motivos pelo qual não quer trabalhar chama–se Eriol? – Syaoran estava desconfiado.
– Honestamente? – ela suspirou. – Sim. Não sei como encará–lo depois disso tudo.
– Se eu soubesse que era do Eriol que estávamos falando ontem, não o teria convidado para jantar aqui – Sakura arrependeu–se.
– A culpa não é sua – a morena abaixou a cabeça. – Eu é que sou uma boba... uma infeliz – as últimas palavras saíram num sussurro.
Sakura levantou–se, foi até a amiga e a abraçou.
– Eu vou voltar para Tomoeda – Tomoyo falou enquanto ainda estava abraçada com Sakura.
– O quê? – o casal perguntou em uníssono.
– Eu vim para cá acreditando que seria mais feliz por estar longe da família e assim enfrentar tudo sozinha, ser livre. Mas só encontrei mais tristeza. Entre ser infeliz lá ou mais infeliz aqui, eu prefiro lá.
– Não é justo o que está fazendo consigo mesma. Você pode ter uma terceira opção, pode ser alegre em outro lugar – Sakura consolou–a.
– Não acho que vou conseguir ser feliz até cumprir o que meus tios querem. Caso contrário, eles passarão a vida me perseguindo, me caçando como se eu fosse um animal.
– Se quiser voltar para Tomoeda, fique à vontade. Se estiver realmente disposta a jogar pela janela um trabalho promissor, uma faculdade renomada e uma vida mais feliz ao lado daqueles de quem você gosta – Syaoran foi franco. – Só que depois, não vai poder voltar atrás; muito menos reclamar das coisas por lá. É você quem escolhe o que quer fazer da vida, Tomoyo, não é a sua mãe, nem os seus tios, mas você.
A morena hesitou diante das palavras do chinês. Nem ela mesma sabia o que queria.
– Eu concordo com o Syaoran. E se o problema é o Eriol, esqueça–o. Arrume outro emprego, mude de casa e esqueça a existência dele.
– Não é tão fácil quanto parece – Tomoyo defendeu–se. – Se eu pedisse para você esquecer o Syaoran, você o faria? Ok, talvez até faria, mas não sofreria ao longo desse processo? – ela estava à beira das lágrimas. – Não seria doloroso ter que apagar da memória uma pessoa que você gosta? Não seria difícil, praticamente impossível, deixar de lado alguém que você ama?
E então uma campainha soou no cérebro de Tomoyo. Ela tinha dito que amava Eriol.
– Ai, não! Eu o amo! – mais uma vez, ela deixou o choro falar mais alto. – Como pude deixar isso acontecer? Como pude ser tão boba? – ela dizia em meio a soluços.
– Amar não é tão ruim – Sakura consolou–a novamente.
– Mas amar sem ser correspondido, é!
– Você tem certeza de que não é correspondida? – Syaoran perguntou.
Tomoyo hesitou pela segunda vez.
– Ele nunca falou nada – disse por fim.
– Eriol sabe que você gosta dele? – Sakura estava desconfiada.
– NÃO! E ele não vai saber! – Tomoyo tinha parado de chorar, apenas secava o rosto molhado.
Sakura e Syaoran trocaram olhares entre si.
– Vocês precisam me prometer que não vão contar isso a ele! – a morena continuou. – Por favor...
– Se isso vai deixar você mais calma, então nós prometemos – Sakura falou.
Syaoran escondeu a mão direita entre o sofá e suas costas e cruzou os dedos.
– Obrigada. Ainda bem que eu tenho pessoas tão maravilhosas como vocês ao meu lado – ela sorria.
– Amigos servem para isso! – Syaoran disse e deu uma piscadela discreta para a namorada, que entendeu o recado.
– Já que você está tão pra baixo, o que me diz de tomarmos um café da manhã delicioso na padaria aqui perto? – Sakura sugeriu.
– Concordo...
– Ih... já vi que eu vou sobrar de novo – Syaoran concluiu.
– Claro que não! Vamos todos! – Sakura disse animada.
Depois de se alimentarem, o casal rumou para o trabalho e Tomoyo para o apartamento deles. Tendo tirado aquele dia de folga, ela distraiu–se com Kero e comprou um jornal a fim de procurar imóveis para comprar. Precisava logo resolver a vida.
Quando Sakura e Syaoran voltaram, o que foi por volta das 21h, eles comeram hot dogs.
Tomoyo ficou sem fazer muita coisa naquela quarta–feira, tanto, que se sentiu como alguém que estivesse de férias.
O relógio indicava 22h34 e ela estava tão cansada que foi logo dormir no quarto extra que o casal possuía.
Syaoran e Sakura, porém, continuaram na sala, conversando.
– Você acha que devemos contar a ela que Eriol vai ao baile domingo? – Sakura perguntou.
– Não. Vamos deixá–la descobrir sozinha. Estou torcendo para eles se acertarem por lá – Syaoran disse.
– Sabe, acho que eles combinam direitinho... – Sakura dizia sonhadoramente.
– Com certeza, mais de um casal vai se acertar lá... – Syaoran afirmou.
– É... – Sakura estava distraída. Depois de um tempo, ela fez uma pergunta. – Você não está pensando em contar ao Eriol sobre os sentimentos da Tomoyo, está?
– Depende de como eles vão agir no baile – Syaoran fez a sua melhor expressão de quem arquiteta um plano. Sakura, muito curiosa, aproximou–se do namorado e passou a cochichar.
– Então, posso saber quais são seus planos?
– Claro! – Sakura aproximou–se ainda mais dele. – Na verdade, eu ainda não tenho um... mas se aqueles dois não se acertarem no baile, eu providenciarei o melhor de todos os planos.
– Ah... – ela tinha perdido totalmente a curiosidade e assumido uma cara de tédio profundo. – Interessante...
CONTINUA...
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N/A: Olá, pessoal!
Aqui está mais um capítulo da história, não deixem de acompanhar! Pedimos também que nos deixem comentários com suas opiniões, porque é muito importante para nós sabermos o que estão achando.
Enfim, esperamos que gostem desse capítulo... tivemos algumas coisas diferentes acontecendo, não? Será que a Tomoyo conseguirá lidar com seu sentimento pelo pianista? Será que ela conseguirá se manter longe de seus tios chatos? E, antes que fiquemos parecidas com narradores de desenhos animados fazendo perguntas retóricas ao fim do capítulo, ficamos por aqui, haha! Não se esqueçam de deixar reviews!
Kissus,
Mizu e Kimi
