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Canção Para Você

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Capítulo VII – E chegam os convidados...

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Na sexta–feira Tomoyo não pôde mais fugir do trabalho, então levantou cedo e rumou para o teatro, deixando Syaoran e Sakura dormindo.

Antes de entrar no táxi, ela deu uma boa olhada em todos os cantos da rua, apenas para se certificar de que ninguém a seguiria.

Chegou no local e passou a destrancar as portas, acender as luzes e abrir as cortinas. Estava sozinha.

Aproximando–se do palco ela reviveu a dança que fizera com Eriol, na quarta–feira anterior.

"Espero não encontrá–lo aqui hoje... Preciso me distanciar dele", ela concluiu, tentando afastar aquela cena de seus pensamentos.

A morena virou–se e foi em direção à sua saleta, começar o seu trabalho.

Algumas horas se passaram e, querendo ou não, ela se perguntava onde Eriol poderia estar.

Ao mesmo tempo em que temia encontrá–lo cara a cara, ela sentia uma enorme ansiedade para vê–lo de novo. Estava dividida entre seu coração e sua mente mais uma vez.

Esperou, durante seu turno todo, que ele aparecesse lá, mas ele não foi.

O que teria dado errado? Será que ele descobrira sobre os sentimentos dela? Não, não poderia ter acontecido. Ele com certeza teria vindo conversar sobre isso com ela. Mas, então, o que poderia ser?

Tomoyo começara a se desesperar com a idéia de nunca mais voltar a vê–lo. Ele era um amigo tão bom...

"Não! Você sabe que o considera como sendo mais que um amigo!", a jovem fechou os punhos e bateu de leve no tampo da mesa. Ela sentiu que as lágrimas voltavam a sua face.

"Droga! Eu já disse que não vou mais chorar!", ela apertou os olhos, na esperança de absorvê–las.

Duas batidas em sua porta foram ouvidas.

Tomoyo, pega de surpresa, colocou no rosto uma expressão neutra e tentou se concentrar. Seu coração batia acelerado e uma ansiedade tomou conta dela, a ponto de fazê–la se sentir a ponto de voar. Seu estômago pulava e se contorcia.

– Pode entrar – ela disse com o melhor tom casual que conseguiu.

– Com licença, senhorita Daidouji – um rapaz colocou a cabeça para dentro de sua sala. – O senhor McGreggor pediu que eu a lembrasse de cobrar o vaso da peça Acquarius.

– Ah, sim, quase esqueci. Obrigada, Nick – ela sorriu.

Nick apenas acenou e saiu, fechando a porta. Deixou para trás uma desapontada Tomoyo.

Ela retomou o trabalho e continuou fazendo as ligações. Quando olhou em seu relógio de pulso já estava tarde, era hora de fechar o teatro e sair para a faculdade.

Só que, mais uma vez, ela hesitou um pouco quando chegou ao palco. Começou a lembrar do que seu pai costumava falar.

"Se alguma vez se sentir triste, cante uma música, a primeira que vier a sua cabeça. Isso pode não te alegrar, mas com certeza vai fazê–la se sentir melhor".

Tomoyo certificou–se de estar sozinha e seguiu o conselho de seu pai.

Cantou a primeira música que lhe veio à mente e colocou nela tudo o que pensava e sentia.

O teatro vazio ecoava o tom melancólico da jovem, atuando como uma segunda voz, mas, principalmente, reforçando as palavras e convicções dela.

A morena sentia como se o teatro a incitasse a continuar cantando, passando–lhe toda a segurança que precisava.

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No sábado, dia 14 de fevereiro, Tomoyo ainda estava na casa de Sakura, e lá permaneceria até domingo. Depois do baile ela iria para o alojamento.

Esperava que seu tio já tivesse desistido de procurá–la e ido embora, mas ela continuava em alerta sempre que saía do prédio.

Ela não tinha tido uma boa noite. Dormindo por aproximadamente quatro horas descontínuas, Tomoyo refletiu sobre tudo o que acontecera desde que chegara a Londres. Resolveu que ficaria mesmo por lá, mas que se mudaria o mais rápido possível da pensão. E também que continuaria no teatro por mais algum tempo, mas que não passaria pelo palco, a não ser que soubesse que Eriol não estaria lá. Tinha sido uma noite importante para ela.

Acordou com uma aparência péssima: estava com olheiras, pálida, parecia cansada e desanimada e seus belos cachos estavam desgrenhados.

Naquele dia, ninguém do teatro precisaria trabalhar, pois ele seria pintado por dentro e por fora.

– Melhor, assim não preciso inventar uma desculpa – ela disse a Sakura, sentando–se a mesa enquanto colocava leite no copo com chá.

– Eu até entendo o seu lado, Tomoyo, mas você não vai poder fugir para sempre – Sakura informou inocentemente.

– Eu sei, mas eu realmente não queria me deparar com ele... pelo menos não agora. Descobrir que ele estava com a Kanna foi um choque maior do que eu podia imaginar.

Sakura apenas acenou, concordando, e voltou a tomar o seu café.

– O que vai fazer hoje? – a Kinomoto perguntou animada.

– Sinceramente? – Sakura confirmou. – Ficar de pijama o dia todo, me trancar num quarto escuro, comer muito chocolate e, se tiver paciência, assistir a algum filme romântico com final trágico.

– Credo, Tomoyo! – Sakura estava espantada com tamanho desânimo da amiga. – Eu tenho uma idéia bem diferente do que é um sábado divertido! – Tomoyo olhou para ela. – Que tal se alugássemos alguns filmes de comédia? – a essa altura, a Daidouji já sabia que Sakura não trabalhava de sábado e domingo.

A morena arqueou uma sobrancelha.

– Ah, vai! Podemos ficar de pijama, mesmo.

– Tá bom – Tomoyo girou os olhos.

– Legal! – ela levantou e foi até a geladeira, voltando para a mesa depois de pegar um pote branco. – Olha só, estamos sem chocolate... mas tem sorvete de chocolate.

– É... vai servir – Tomoyo disse, um pouco mais animada.

– Bom dia – Syaoran entrou na cozinha apressado. Ele vestia um terno cinza que combinava com a calça. A camisa social era azul clara e a gravata, azul–escura.

– Bom dia, querido. Aonde você vai com toda essa pressa? – Sakura quis saber.

– Reunião de emergência no escritório – ele respondeu, nem um pouco animado.

– Hum... Tomoyo e eu vamos ficar aqui em casa, assistindo a alguns dvds – Sakura disse.

– Tudo bem... Vejo vocês mais tarde! – ele ia saindo, mas lembrou–se de algo e voltou. Deu um selinho na namorada e saiu novamente.

– Até mais – Tomoyo disse.

As garotas foram até a locadora perto da casa de Sakura e alugaram seis dvds, entre eles: os quatro discos da sétima temporada de Friends, Get Smart e Just Married.

Passaram o dia a base de sorvete de chocolate, pipoca e, o mais importante, de risadas.

Tomoyo já se sentia mais alegre quando, às 20h46 um cansado Syaoran apareceu em casa.

– Como foi a reunião? – Sakura perguntou.

– Discussões, estresse, desentendimentos, ódio pra todo o lado... eu diria que foi normal – ele concluiu por fim arrancando risos das duas. – Só preciso de um banho. Vocês se importariam se depois do banho eu fosse direto para a cama?

– Claro que não... fique à vontade – Tomoyo disse.

– É, faça de conta que a casa é sua – completou Sakura, rindo.

– Certo – Syaoran dirigiu–se para o banheiro do casal.

As duas terminaram de ver os filmes cerca de uma hora depois.

– Obrigada por isso, Sakura.

– De nada, Tomoyo! Amigas servem para animar umas as outras! Além disso tinha muito tempo que eu não fazia uma tarde/noite de filme com uma amiga.

– É... eu também... – Tomoyo concordou. – Mas acho que vou dormir agora... tô morrendo de sono.

– Sabe que eu também? Vamos dormir mesmo porque amanhã será um dia... como posso dizer...

– Cheio? – Tomoyo completou.

– Isso! Cheio de glamour! – as amigas caíram na gargalhada.

– Boa noite, Tomoyo – Sakura desejou quando saiu da sala e rumou para o quarto.

– Boa noite – a morena dirigiu–se para seu quarto.

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O dia amanheceu nublado e frio, mas a meteorologia prometia uma noite agradável, com uma leve brisa soprando, ideal para um baile.

Tomoyo acordou mais tarde. Ela tinha dormido muito melhor do que nos dias anteriores. Estava com as energias renovadas e sentia–se mais disposta e animada.

Lavou o rosto, escovou os dentes, passou os dedos pelos longos cachos para dar uma rápida assentada neles e rumou para a cozinha, onde havia uma pequena mesa com quatro cadeiras. Sakura já se encontrava vestida e pronta. Syaoran estava esquentando alguma coisa no fogão.

– Bom dia! – ela estava animada, sentia vibrações positivas naquele dia.

– Bom dia, Tomoyo! Dormiu bem? – Sakura estava tão empolgada quanto a amiga.

– Sim, muuuito bem! – ela espreguiçava–se. Depois, escolheu uma cadeira ao lado da amiga e sentou–se.

– Chá ou café? – Syaoran perguntou do fogão.

– Hum... prefiro chá.

Ele colocou o chá em uma xícara e levou para a mesa, depositando–a na frente da morena, para logo em seguida ir sentar–se do outro lado de Sakura.

– Antes que eu me esqueça... Tomoyo, marquei para nós duas passarmos o dia no cabeleireiro. Vamos fazer mão, pé, cabelo e maquiagem – a Kinomoto informou.

– Ah, ótimo! Que horas precisaremos estar lá? – ela estava empolgada.

– Marquei para às 10h – a amiga disse e deu uma olhada no relógio. – Temos exatamente 26 minutos.

– Já vamos tomadas banho ou faremos isso mais tarde?

– Nós iremos para lá agora e faremos o pé e a mão ao mesmo tempo em que prendemos os cabelos. Aí, nós voltaremos para cá, tomaremos banho e nos vestiremos. Depois vamos novamente ao salão para terminar o penteado e fazer a maquiagem, assim as maquiadoras poderão ver os modelos e as cores dos vestidos e combinar tudo. O que acha?

– Nossa... planejou tudinho! – Tomoyo riu.

– Querido, vou ficar com o carro hoje – ela dirigiu–se ao namorado.

– Sem problemas... Só não se esqueça de estar de volta às 16h30. Precisamos chegar lá antes de todos para liberar a lista de convidados, ou seja, no máximo temos que estar lá às 17h30 – Syaoran lembrou–a.

– Pode deixar! Agora precisamos ir! Até mais! – ela deu um rápido selinho no namorado.

– Tchau! – Tomoyo apenas acenou para Li, que acenou de volta.

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Eram 13h18 e as duas amigas tinham cumprido a primeira parte da tarefa, apenas parando para beliscar alguma coisa.

Syaoran, que estava lendo o jornal sentado no sofá da sala, levou um belo susto ao baixá–lo e deparar–se com as duas garotas que entravam: Sakura usava uma redinha preta sobre os cabelos e Tomoyo estava com uma touca térmica.

– Deus do céu! O que a cabeleireira fez com vocês duas? – ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

– Ah, nem está tão ruim assim, vai! – a Kinomoto tinha acabado de se olhar no espelho.

– Bom, você vai ficar muito espantado com o resultado depois que isso – Tomoyo apontou para o topo de sua cabeça. – for retirado.

– Concordo... mas até lá... – ele fez cara de menino travesso.

Logo que as duas se viraram para ele, Syaoran revelou ter, escondida sob o jornal, uma câmera digital e assim tirou uma foto delas.

– Apaga essa foto! – Sakura tentou colocar a mão na frente, em vão.

– Essa vai pra internet! – Syaoran animou–se.

– Ah, mas não vai mesmo! – Sakura correu e atirou–se sobre ele. Os dois se embrenharam numa confusão gostosa: Sakura tentava tirar o objeto das mãos dele e Syaoran, por sua vez, desviava dela.

– Bom, enquanto vocês se entendem, eu vou tomar banho, ok? – Tomoyo avisou.

– Ok! – Sakura gritou do meio da confusão. Depois ela parou um instante e virou o rosto para Tomoyo. – Mas use o nosso banheiro. Os vestidos, junto com os acessórios estão em cima da cama, no quarto. Se quiser, eu posso te ajudar a colocar quando você terminar.

– Certo. Eu te chamo, então – a Daidouji disse e foi para o banheiro.

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Ela desligou o chuveiro, enxugou–se e enrolou–se numa toalha emprestada por Sakura, logo depois de ter colocado suas roupas íntimas.

– Sakura, eu já acabei! – ela gritou para a amiga quando saiu para o quarto.

Ela foi até a cama e admirou o vestido mais uma vez... era lindo!

A Kinomoto apareceu e ajudou Tomoyo com suas vestes.

Depois, foi a vez dela de tomar banho e começar a se preparar. A morena ajudou a amiga também.

Syaoran já tinha tomado banho e estava parcialmente vestido. Usava a roupa masculina que a corte de antigamente costumava vestir, só que com detalhes em preto com linhas douradas. Ele não viu quando as garotas saíram.

Elas resolveram tomar um táxi e deixar o carro com Syaoran, pedindo para que ele fosse buscá–las no salão quando Sakura ligasse.

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Mais duas horas e elas estavam completamente prontas. Sakura ligou para o namorado.

Syaoran ficou espantado com tamanha beleza e graciosidade que Sakura emitia naquela noite.

Ela usava um vestido longo de mangas curtas. Era um corpete branco com decote "princesa", sendo que a parte de trás e as mangas eram vermelhas. O tecido da saia bufante, mas sem armação, também era branco e sem cortes, coberto por um pano do mesmo vermelho das mangas, porém a saia tinha finos bordados dourados ao longo de toda a sua extensão. Só era possível ver o tom alvo pela abertura em triângulo que o pano vermelho fazia na frente.

Contrariando os padrões da época na qual o vestido era usado, a Kinomoto usava sandálias de salto fino e alto, igualmente douradas. Uma corrente de ouro com um pingente em forma de coração estava pendurada em seu pescoço, fazendo conjunto com um par de brincos da mesma cor, só que sem o coração.

O cabelo estava impressionantemente cacheado e na altura dos ombros, com uma franjinha uniforme caindo até um pouco acima dos olhos. Uma fivela vermelha e dourada prendia uma mecha de cada lado atrás da cabeça. A maquiagem era leve, mas reforçava a cor de esmeralda que seus olhos possuíam.

– Como fiquei? – Sakura perguntou para o namorado.

– Está linda... mais linda do que sempre fora – foram as palavras que ele disse enquanto lançava a ela um olhar terno e apaixonado.

– Obrigada... você também está ótimo...

Tomoyo veio logo em seguida.

– Estamos em cima da hora, precisamos ir agora! – Sakura apressou os dois.

E assim partiram para um grande salão que o casal tinha alugado, na cobertura de um prédio.

O lugar estava totalmente decorado com artefatos da mesma época que as vestes dos convidados, inclusive as toalhas das mesas. As paredes eram em tom de creme e uma mesa com o buffet estava encostado na parede do lado direito da porta principal. As mesas eram dispostas ao longo das paredes laterais, deixando o centro livre para as pessoas dançarem. Seguindo reto desde a entrada até a parede oposta, havia uma porta de vidro que dava para a grande sacada, de onde era possível ver a maior parte da cidade. Um quarteto de músicos, que havia sido contratado para tocar músicas clássicas, chegara logo depois dos três. Um pequeno palco ficava no meio da parede esquerda, em um espaço sem mesas. No final do salão, ao lado do palco, estava um corredor que dava para os banheiros.

– Sakura, este lugar é fantástico! – Tomoyo exclamou assim que adentrou o ambiente. – Mas como você garantirá que todos virão com as roupas apropriadas?

– Realmente, ficou muito bom... – a amiga concordava. – Ah, sim, eu mandei fazer as roupas e as enviei para cada um deles.

"Imagino o quanto eles devem ter gastado com TUDO isso...", Tomoyo pensava.

– Ah, os convidados começaram a chegar! – Syaoran informou e encaminhou–se para perto da porta, tal como os anfitriões devem fazer.

– Quero que se divirta hoje... como se esse fosse o último dia de sua vida! Aproveite muito! – Sakura cochichou no ouvido de Tomoyo antes de ir para perto do namorado. A morena não entendeu as palavras da amiga.

Dois seguranças ficavam parados na porta de entrada, parando os convidados e checando seus nomes na lista que Syaoran lhes havia entregado.

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O tempo foi passando e os convidados, chegando. No total, cerca de 350 pessoas já estavam no lugar uma hora depois.

A morena se perguntava quantos mais ainda viriam.

Uma música lenta estava tocando, o que levou muitos casais para a pista de dança. Um jovem parou ao lado de Tomoyo.

– Dança comigo? – ele perguntou a ela. Tomoyo reconheceu pelo sotaque que ele era inglês.

– Claro – ela respondeu, mesmo sem conhecer o rapaz.

– Como se chama esta senhorita?

– Tomoyo Daidouji.

– Muito prazer, senhorita Daidouji, sou Ian Brown.

Ela não pisara uma só vez no pé dele, o que era um grande avanço. Agora ela havia aprendido a dançar. Depois da aula que tivera com Eriol, seus passos melhoraram consideravelmente...

"Lá vem esse nome me assombrar de novo... Por que eu continuo pensando nele? Ele tem namorada... não está disponível. Preciso tirá–lo dos meus pensamentos!", a morena repreendeu–se silenciosamente.

A música chegara ao fim e Tomoyo resolveu ir até a sacada. Quem sabe se ela olhasse para o céu e admirasse as estrelas, se sentiria melhor? Talvez, se visse toda a cidade de Londres iluminada, ela pudesse se divertir com as luzes e esquecer dele.

Saiu e foi debruçar–se no parapeito. Londres era linda de noite. Alguém parou atrás dela e colocou suas mãos sobre seus olhos, tapando–os.

– Hum... realmente não sei quem é... – Tomoyo disse, sendo sincera.

– Olá, Tomoyo! Há quanto tempo, não?

– Meiling! Nossa! Muito tempo mesmo! – a Daidouji sorriu ao rever a amiga.

Elas começaram a conversar animadamente sobre suas vidas, como grandes amigas fazem, mesmo depois de oito meses sem contato.

O que elas não sabiam era que um certo inglês havia acabado de chegar ao salão e, naquele momento, estava passando pelos seguranças.

Intencionalmente ou não, o olhar de Eriol caiu sobre Tomoyo logo que ele adentrou o lugar. Isso porque ao olhar em linha reta, era ela quem estava à sua frente. As portas de vidro eram o único obstáculo entre ele e a japonesa; apesar disso, ele pôde ver o figurino dela muito bem. Ela, por outro lado, não o tinha visto.

O vestido dela era do mesmo estilo que de todas as outras convidadas, mas também tinha seu charme próprio. O corpete era branco e estilo tomara–que–caia e a saia, muito parecida com a de Sakura, só que a de Tomoyo era branca com detalhes em azul e prateado, o mesmo prateado de suas sandálias de salto.

Uma estrela de prata pendia do pescoço da jovem e fazia conjunto com seus delicados brincos também em formato de estrela. A maquiagem era leve, dando a impressão de ser natural e o cabelo dela estava liso e ia até a cintura, estando preso como de Sakura. A franja falsa estava jogada sobre a metade direita da fronte.

Ele cumprimentou todas as pessoas que conhecia e foi apresentado a muitas outras, tendo passado por praticamente todos os cantos do salão. Era impressionante como todos eram puxa–sacos dos artistas famosos.

Tomoyo passou um bom tempo papeando com Meiling e depois com Chiharu e Yamazaki, que se juntaram à conversa em algum momento. Os quatro mataram a saudade, puseram o assunto em dia e até aproveitaram para trocar endereços de e–mail.

– Tomoyo, vem comigo até o banheiro? – Meiling perguntou.

– Claro! – Tomoyo concordou. As duas entraram e foram na direção do toalete.

– Ai, que bom que você, a Chiharu e o Yamazaki estão aqui... não conheço quase ninguém nessa festa! – Meiling disse assim que elas entraram no banheiro feminino.

A Daidouji apenas sorriu.

As duas retocaram a maquiagem e saíram, bem na hora que uma música começava a ser tocada.

Tomoyo descobriu, então, ser a única sem acompanhante, pois o namorado de Meiling havia chegado e a tirou para dançar.

"Nossa, e ela nem teve a decência de me avisar que estava acompanhada!", a morena pensava consigo, rindo. "Parece que, pra variar, eu vou sobrar novamente...".

Decidiu, por fim, sentar–se em uma das mesas e ficar olhando os outros dançarem. Além dela, também estavam sentadas algumas senhoras, uns velhinhos e duas outras garotas, sendo que uma delas só estava sentada porque ela e o namorado estavam no meio de um ritual de engole–engole, de tanto se beijarem.

Um dos senhores pareceu ficar com pena de Tomoyo e foi até ela, tirando–a para dançar.

– O que uma senhorita tão bela está fazendo sentada aí sozinha? – ele havia perguntado, sorrindo.

– Ahn... não sou muito de dançar – ela respondeu retribuindo o sorriso.

– Já que a minha Esther não dança mais, quer se juntar a um velho que adora música clássica?

– Eu ficaria lisonjeada – ela ainda sorria. Tomoyo achou aquele senhor muito simpático.

Os dois rumaram para a pista de dança e se embrenharam no meio dos outros casais. Tomoyo ria alegremente das piadas que ele contava enquanto dançavam.

A música chegara ao fim, mas outra começava logo em seguida.

– Com licença – alguém batera no ombro de Tomoyo. – Me dá a honra?

O senhor a soltara e a cumprimentara com um gesto de cabeça, indo sentar–se com a sua esposa.

A morena retribuiu o cumprimento para só então se virar e poder dançar com o rapaz que ela imaginara ser Ian. Só que ela apenas imaginara, pois quem ela viu parado diante de si foi Eriol, vestido com roupas parecidas com as de Syaoran, só que as do inglês eram azuis.

– E–Eriol? Eu não sabia que você vinha – embaraçada era como ela se sentia.

CONTINUA...

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N/A: Heeey!

Mais um capítulo postado. Nós ficamos muito orgulhosas dessa fanfic, já que, por enquanto, é a mais longa que escrevemos.

O baile, na verdade, sempre foi o centro dessa história e foi nele que a Mizu pensou durante toda a escrita. Para variar, foi de um sonho que ela tirou essa idéia... aliás, nós duas tiramos idéias dos lugares mais inusitados, sendo o banho o principal deles.

Bom, sem mais enrolação, ficamos por aqui e esperamos que gostem de ler esse capítulo tanto quanto nós gostamos de escrevê–lo. Por favor, mandem reviews comentando o que acharam da fic.

Kissus,

Mizu e Kimi