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Canção Para Você

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Capítulo VIII – Sentimentos aflorando

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Antes de responder, eles começaram a dançar por iniciativa dele. Do contrário, os dois ficariam lá parados, no meio da multidão.

– Pois é, eu também fui convidado.

E agora? Como encará–lo? O que dizer? O que fazer? Ela não sabia como se sentia de verdade. Sua mente lhe ordenava que ficasse longe do inglês, mas seu coração implorava para ficar perto do dele; seus pés acompanhavam os dele na dança, mas suas pernas recebiam a ordem de saírem rápido dali.

Ficaram em silêncio, com apenas a música de fundo. Ele encarava a morena, mas ela não correspondia. Olhava para os outros casais e para qualquer outro canto do salão.

– Obrigada por aquela noite. Por me deixar dormir em sua casa – ela disse timidamente.

– Por nada. Ela estará lá sempre que você precisar – ele a olhava. – Só não entendi porque você saiu de lá tão cedo.

– Foi indelicado de minha parte, eu sei, mas... – ela parou de falar. Estava pensando no que diria a ele.

– Mas...? – ele queria que ela continuasse.

– Mas... eu não queria incomodar – Tomoyo estava mentindo. Não tinha porque dizer a ele o real motivo.

– Hum... – ele parecia estar analisando as palavras dela. – Só por isso?

Mas ela não precisava responder. A música acabara e ela estava livre. Além do mais, tinha se lembrado da promessa de nunca mais ouvir o coração, e como esse lhe pedia para ficar perto dele, ela o ignorou.

Poderia correr para o banheiro ou para a sacada ou simplesmente sair dali andando naturalmente, fazendo mistério.

Escolheu a segunda opção.

Só que ela não teve tempo de colocar o seu plano em ação. Eriol foi mais rápido e a segurou pelo pulso.

– Não vai me responder? – ele perguntou. Não estava sendo frio ou sério, pelo contrário, estava sendo gentil e compreensivo.

Contudo, Tomoyo não conseguiu evitar que seus olhos se enchessem d'água. Dessa vez, por causa do inglês.

– Eu... – ela não completou a frase. Desvencilhou–se dele e foi para a sacada, que estava vazia.

Ele foi atrás dela. O que estaria acontecendo com a garota dessa vez?

Quando chegou na sacada, viu que ela estava de pé em um canto, tremendo e abraçando o próprio corpo.

Ele retirou o casaco que usava e colocou sobre os ombros dela.

– Pode me dizer o que aconteceu? – Eriol havia parado ao lado dela. – Por favor...

O tom dele era tão tranqüilizante... Mas como dizer a alguém que você o ama? Ela nunca precisara fazer isso antes... Por que agora?

– Tomoyo... olhe para mim – ele levantou o queixo dela e a obrigou a olhar nos olhos dele.

Os olhos dele passavam tranqüilidade e confiança.

– Eu não podia ficar mais tempo na sua casa porque... – ela baixou o tom de voz. – eu estava gostando de você... – ela andou para longe dele.

Eriol permaneceu em silêncio, esperando que a garota terminasse.

– Mas eu não podia! A Kanna é a sua namorada... e você é famoso! E, meu Deus, quem sou eu para... quero dizer, olhe para mim! Eu não sou ninguém... nunca fui querida pelos meus familiares... eu só tinha aos meus amigos e à minha mãe... agora nem com ela eu posso contar mais! – ela ia andando pela sacada a esmo. – E, de repente, achei alguém legal, que se importa com o que eu penso e sinto... mas quando vi, já era tarde... eu já estava gostando dessa pessoa, sem nem saber o que ela sentia por mim! – ela parou de andar e voltou a encará–lo. Tomoyo passou a sussurrar novamente. – Eu tenho medo... medo de não ser aceita por aqueles que eu gosto, de ser desprezada... – ela voltou a chorar.

– É só que você tirou todas as conclusões sozinha, não perguntou às pessoas a sua volta o que elas achavam de você – ele disse depois de um tempo. – Tomoyo, você já partiu do princípio de que elas não gostavam de você... o que não é verdade – Eriol caminhou até ela e a sacudiu de leve, tentando fazer com que a morena voltasse à realidade. – A Sakura e o Syaoran não teriam te convidado para essa festa se eles não gostassem de você. E nem os seus amigos viriam aqui conversar. E você não estaria tão alegre na companhia deles. Já parou para pensar nisso?

Não. Ela ainda não tinha pensado sobre isso. Eriol deu a ela alguns segundos, mas continuou em seguida.

– E agora, como todos eles já provaram o quanto gostam de você, é a minha vez.

Ele ergueu novamente o queixo dela, mas dessa vez, foi aproximando seu rosto do dela, até que finalmente os lábios se encontraram.

Ele colocou suas mãos em volta da cintura dela, e ela, subiu as suas para o pescoço dele, como um reflexo.

Tomoyo sentiu–se protegida, confiante e, o mais importante, ela sentiu–se feliz.

Foi como um momento mágico, melhor do que como ela tinha sonhado.

Os dois se separaram depois de algum tempo.

Embora estivesse radiante por dentro, ela sentiu um peso em seu coração. E esse peso tinha um nome: Kanna.

– E quanto a Kanna? – ela perguntou.

– Eu terminei com ela na sexta–feira. Por isso não fui ao teatro.

Tomoyo não falou nada.

– Percebi o quanto nós dois éramos diferentes. Além disso, ela não confiava em mim – ele fez uma pausa. – Quando contei a ela que você tinha dormido em casa, ela ficou muito brava e pensou errado. Foi aí que percebi que nosso relacionamento não tinha uma base. Confesso que você influenciou nessa escolha também – ele riu e provocou um fraco sorriso na garota.

Os dois ficaram parados se olhando. O silêncio tomou conta da sacada, com a diferença de que, desta vez, era um silêncio cômodo, reconfortante.

– Eriol, se importa em tocar uma música? – Syaoran apareceu na porta de vidro e deu uma piscada significativa para o pianista.

– Claro que não – o inglês sorriu. Virando–se para Tomoyo ele lhe lançou um olhar que pedia desculpas. Ela, lembrando–se de ainda estar com o casaco dele, tirou–o e o entregou a Eriol. Depois, os dois entraram.

Lá dentro, todos já haviam aberto caminho para Eriol passar e o piano, antes tocado por um dos integrantes da banda, estava à espera dele. Os convidados estavam todos em volta do palco. Syaoran e Sakura haviam subido no palco e estavam ao lado do piano.

– Antes que Eriol possa tocar qualquer uma de suas músicas, eu gostaria de um minuto de sua atenção, por favor – Syaoran disse, batendo, de leve, um garfo em uma taça.

Todos pararam de falar e se concentraram no Li.

– Isso mesmo, obrigado. Quero que todos entendam o motivo desse baile estar acontecendo. Ao contrário do que muitos podem pensar, não foi apenas para reunir os amigos e familiares – ele virou–se para Sakura e a olhou ternamente. Ela também não estava entendendo nada. – Eriol, se puder tocar agora...

O pianista começou a tocar a música favorita de Sakura.

E esta, após lançar um olhar confuso ao amigo pianista, lançou o mesmo olhar para o namorado.

– Sakura... – Syaoran ajoelhou–se diante dela e pegou sua mão direita. – Por todos os momentos que passamos juntos, por toda a felicidade que nós sentimos e por todo o amor que temos um pelo outro... – ele colocou a mão no bolso e de lá tirou uma caixinha de veludo azul. – Aceita casar–se comigo?

Sakura estava surpresa e emocionada com o pedido. Não tinha esperado que o propósito do baile fosse esse.

– Claro que eu aceito! – ela disse em meio às lágrimas.

Syaoran levantou–se, abriu a caixinha e tirou de lá o anel mais bonito que Sakura já vira, colocando–o no dedo anular da mão direita dela.

A Kinomoto abraçou–o, explodindo de alegria.

– Beija! Beija! Beija! – todos os convidados gritavam em uma só voz.

E eles atenderam ao pedido: os dois deram um longo e apaixonado beijo.

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Tomoyo, Sakura e Syaoran esperaram que todos os convidados fossem embora para só depois saírem, o que aconteceu por volta das 3h da manhã. Assim que chegaram à porta, a Daidouji comemorou com eles.

– Foi lindo, Sakura! Estou tão feliz por vocês dois! – Tomoyo abraçou a amiga e, em seguida o amigo.

– Eu realmente não esperava que esse fosse o motivo... – Sakura disse. – Você me enganou direitinho... – ela dirigiu–se ao noivo. – Quem mais sabia desse plano?

– Só eu e o Eriol, que aliás fez um belo trabalho tocando aquela música – Syaoran respondeu.

Tomoyo corou assim que Syaoran pronunciou o nome do pianista.

– E você, Tomoyo? Vi que estava se divertindo com o Eriol – a Kinomoto deu uma piscadela.

– É... a gente... – ela parecia um pimentão agora. – acabou se beijando – a morena literalmente sussurrou a última palavra.

– Ah! Então eu também estou muito feliz por você, amiga! – Sakura deu um abraço apertado na Daidouji.

– Eu não queria ser estraga prazer, mas precisamos sair logo... – Li chamou a atenção delas.

– Então vamos – Sakura foi abraçada pelo noivo e ficou assim até chegarem ao térreo.

– Quase esqueci de perguntar – o chinês lembrou–se de fazer uma pergunta crucial. – você vai ficar em nossa casa ou vai para o alojamento?

– Vou para o alojamento – e diante do olhar inseguro da amiga, ela completou. – Não se preocupe, ele não está nas redondezas, eu já me certifiquei disso.

Passaram–se alguns minutos e o casal de noivos deixou Tomoyo na porta da pensão.

– Muito obrigada por tudo! – ela agradeceu sincera. – Me diverti hoje... e a festa foi perfeita!

– Não tem o que agradecer, Tomoyo! E sempre que quiser, nossa casa estará de portas abertas para você! – Sakura disse, dando um beijo nela.

– Obrigada mais uma vez e até mais tarde...

– Até! – Syaoran despediu–se.

– Depois eu te ligo! – Sakura prometeu.

– Estarei esperando! – Tomoyo disse, já do lado de fora do carro.

A morena entrou no alojamento assim que o carro partiu.

Aliviada por não ter topado com Kanna ao longo de seu caminho, ela colocou uma roupa comum: uma calça, daquelas estilo ginástica, preta e uma baby look rosa clara. Pendurou o vestido e guardou os acessórios. Depois, foi até o banheiro escovar os dentes e retirar a maquiagem.

Terminado isso, ela penteou os cabelos, lisos àquela hora.

Pelo espelho, Tomoyo viu um movimento suspeito vindo de seu quarto, um vulto passara correndo atrás dela.

A morena virou–se, porém nem viu o que a atingiu: alguma coisa branca foi colocada na sua frente e em seguida tudo ficou preto.

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Acordou algumas horas depois, com a cabeça ainda girando. Olhou para os lados, completamente desnorteada, e se viu dentro de um lugar fechado, com várias poltronas azuis enfileiradas. Do seu lado esquerdo, havia uma pequena janela quadrada e do seu lado direito, um rosto familiar.

– Mas o quê... já acordou? – a pessoa falou. – Vou precisar de um pouco mais, então.

O homem abaixou–se e embebeu um lenço branco num líquido.

A morena reconheceu Akihito, o tio que havia implicado com ela e tentado levá–la de volta à força. Entrou em pânico e começou a debater–se, porém seus movimentos eram lentos e o cenário ainda não estava em foco.

Depois, o tio tornou a sentar–se reto na poltrona e virou–se para Tomoyo, levando o lenço para perto do rosto dela.

– Não! Eu não quero voltar! NÃO... – lágrimas caíam por sua face enquanto ela se debatia e tentava, em vão, levantar–se. – Por favor... – a voz foi sumindo.

– Cale–se! – o tio ordenou. – Nós já estamos voltando.

E tapou a boca e o nariz dela com o lenço mais uma vez. A morena resistiu, mas acabou aspirando o líquido e perdeu a consciência mais uma vez.

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Dessa vez Tomoyo abriu os olhos e se viu deitada em uma cama, num ambiente mais do que conhecido, com a mesma roupa que pusera assim que voltara do baile. Esperou o ambiente entrar em foco.

"Meu quarto? O que estou fazendo aqui? Como voltei? Quando voltei?", ela perguntava–se. "Isso só pode ser um pesadelo! Eu não posso ter voltado!", ela sentiu o desespero subindo–lhe pela garganta.

O relógio de cabeceira marcava 1h19 da manhã. Ela levantou–se e correu até a janela. Viu a piscina azulzinha lá embaixo, fazendo contraste com o céu negro. Tentou a porta, mas estava trancada por fora.

– Não! Não pode ser! Não, não, não... – a voz dela foi definhando a medida em que constatava que aquilo tudo era real.

Suas malas estavam na porta do banheiro de sua suíte.

– ABRA ESSA PORTA!! POR FAVOR, ABRA ESSA MALDITA PORTA!! EU NÃO QUERO FICAR, ME DEIXE SAIR!! – mais uma vez ela chorou descontroladamente enquanto esmurrava a porta. – EU NÃO QUERIA VOLTAR, VOCÊS NÃO TINHAM ESSE DIREITO!!

E chorou, gritou, se desesperou... mas ainda assim ninguém abriu a porta.

Tomoyo escorregou até o chão, onde ficou de joelhos.

– Não... eu não queria voltar... – a voz dela não passava de um sussurro. – Não! Por favor! Não é justo! – ela não tinha mais forças para gritar. – Não pode ser! Por quê? Por que fizeram isso? Ninguém tinha esse direito...

Tomoyo mal respirava, de tanto que chorava. Estava inconsolável.

Se era possível, ela chorou mais naqueles vinte minutos do que durante todo o tempo que passou em Londres.

– ABRAM A PORTA!! – a morena voltara a gritar em meio aos soluços que a sacudiam. – EU NÃO QUERO FICAR AQUI!! MEU LUGAR NÃO É ESSE!! – depois ela voltou a sussurrar. – Por favor... eu imploro a vocês que me deixem ficar na Inglaterra... lá é o meu lugar... por favor...

Quando a morena desistiu de tanto implorar, ficou sentada no chão, encostada na porta do quarto, soluçando descompassadamente e querendo chorar mais, mas suas lágrimas aparentemente tinham secado. Ficou olhando para o nada, com os olhos e o coração vazios de expressão e de sentimento.

Inconformada e injustiçada, era assim que ela se definia, que se sentia.

Ninguém estava ligando para o sofrimento dela, nem a sua própria mãe viera até seu quarto. Vasculhando suas malas, ela encontrou seu celular no fundo de uma delas.

– Alô?

– Sakura! – foi a voz desesperada da morena.

– Tomoyo! O que aconteceu? – a amiga ainda não tinha notado o estado de Tomoyo. – Eu tentei te ligar mais cedo, mas você não atendeu.

– Sakura... – ela começou a chorar. – Me trouxeram de volta... à força... – a morena mal conseguia completar as frases.

O QUÊ? – a Kinomoto assumira um tom preocupado, alerta. – Como isso aconteceu?

– Eu não sei... Ele me dopou e me trouxe à força... Mas eu não queria voltar! Eu não queria! – desatou a chorar.

– Calma, Tomoyo – Sakura tentava, em vão, fazer a amiga se acalmar. – Nós vamos dar um jeito! Vamos trazer você de volta, eu juro!

– Não... eles me trancaram no quarto... – ela continuava chorando e soluçando.

– Ah, Tomoyo... – Sakura derramou algumas lágrimas, como em solidariedade. – Eu não sei o que dizer... mas sei que vamos te ajudar, você vai voltar para a Inglaterra.

Tomoyo passou mais quinze minutos chorando ao telefone, desabafando, enquanto Sakura a consolava, sentindo o pânico da amiga como se ela estivesse ali do seu lado.

Quando desligaram, a morena ficou deitada na cama. A cabeça doía como nunca e ela mal conseguia abrir os olhos, de tão inchados que eles estavam.

O trinco da porta girou e ela foi aberta, revelando Akihito.

Ele não disse nada, apenas colocou uma bandeja com comida em cima da escrivaninha dela e depois saiu e fechou a porta, tornando a trancá–la.

A Daidouji não tentara fugir porque sabia que mal sairia do quarto e já seria apanhada novamente.

Não era justo tudo aquilo acontecer por causa de um mísero curso de faculdade.

Mas Tomoyo sabia que aquele não era o motivo real de tudo isso. A família dela nunca gostara do fato de seu pai ter se casado com Sonomi, e menos ainda de eles terem tido uma filha.

Como ele tinha morrido e Tomoyo era a única herdeira, resolveram que ela teria no mínimo que ser alguém muito bem–sucedida, ou melhor dizendo, ser alguém que eles aprovassem e, para isso acontecer, ela teria que dançar conforme a música.

A mudança para Londres fora apenas uma desculpa convincente para que a fizessem prisioneira, fora o estopim.

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Tomoyo ligou para Sakura novamente dois dias depois, no sábado, e pediu que ela trancasse sua matrícula na faculdade, cancelasse sua estadia no alojamento e avisasse o senhor McGreggor que ela não apareceria mais para trabalhar.

Akihito entrou no quarto da jovem enquanto ela estava no telefone e arrancou–lhe o aparelho das mãos, desligando–o e levando–o consigo.

– Você não terá mais amigos a partir de agora – ele foi duro nas palavras e no olhar. – Ousou me desafiar, agora aceite as conseqüências. Seu castigo será a exclusão.

E depois de dizer isso, ele virou–se e saiu.

Tomoyo não disse nada, apenas voltou a chorar silenciosamente.

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Mais um dia tinha passado e Tomoyo nem saía de sua cama. Ela mesma não sabia quando estava dormindo e quando estava acordada. As únicas e raras vezes que ela se levantava eram para ir ao banheiro.

Ela não tinha comido desde que chegara, apenas tomara um pouco de água uma vez.

Estava claro que ela não se importava em morrer. No presente momento isso não fazia a menor diferença, pois seu coração estava despedaçado, sua alma estava desolada e suas esperanças há muito tinham acabado. De que adiantaria viver assim, então?

O trinco da porta girou e ela foi aberta. Sonomi, sua mãe, acabara de adentrar seu quarto. Deixou a porta fechada, mas destrancada, pois sabia que a filha, por mais que quisesse, não sairia dali.

– Tomoyo... – Sonomi sentou–se na cama, ao lado da filha.

A morena assustou–se quando sua mãe chamou seu nome daquela maneira delicada. Não esperava que Sonomi voltasse a falar com ela naquele tom maternal tão cedo. Mesmo assim, ela não demonstrou ter se abalado com a presença da mãe.

– Eu sinto muito por isso tudo... – Sonomi começou a acariciar os cabelos desgrenhados da filha. – Tentei intervir, mas não tenho voz contra seus tios.

Tomoyo ainda não falara. Tampouco olhara para sua mãe. Começou a repassar na mente todas as boas lembranças que tinha da família, quando seu pai ainda era vivo e sua mãe se importava com ela.

– Se você soubesse o quanto isso também é difícil para mim... manter distância de você, fingir que não me importava... – lágrimas começaram a aparecer nos belos olhos azuis da mãe – apenas ficar chamando a atenção quando alguma coisa não saía como seus tios queriam... – Sonomi permitiu–se chorar ao lado da filha.

Tomoyo olhou para a mãe quando esta começou a derramar algumas das primeiras lágrimas.

– O quê? – a morena perguntou quase num cochicho, encarando a mãe profundamente, como que tentando avaliar a veracidade das palavras dela.

– Não fiquei longe de você porque quis, mas porque fui obrigada – Sonomi a encarou de volta, com uma doçura úmida no olhar.

Tomoyo não tinha palavras mais uma vez. Esperou que a mãe continuasse.

– Depois que você foi morar longe, comecei a sentir a pressão dos seus tios sobre mim – ela fez uma pausa. Depois, continuou. – Eles achavam que não era justo eu ter "todo aquele dinheiro", como costumavam dizer, que só pertencia a mim por causa do casamento.

– Eu... não sabia – Tomoyo admitiu, culpando a si mesma mentalmente por ter tido raiva da mãe.

– Eles ainda disseram que eu não podia ficar por aí sem fazer nada, e acabaram me obrigando a trabalhar, em casa mesmo. Quando souberam da sua desistência, vieram para cima de mim e me pressionaram, dizendo coisas horríveis, que eu não era nada além de um fardo na vida deles e que não servia nem para colocar no mundo uma filha decente – lágrimas rolaram pelo rosto de Sonomi mais uma vez. – Resolvi, então, manter distância de você... para que não a julgassem mal, para te proteger.

– Ah, mamãe... – Tomoyo, chorando, jogou–se no colo da mãe e a abraçou, sendo correspondida.

– Mas aí, eu percebi que ficar longe só iria piorar as coisas... que faria mais mal do que bem para nós duas – Sonomi soltou Tomoyo e a olhou nos olhos. – E agora, venho humildemente pedir que aceite o meu perdão, as minhas mais sinceras desculpas.

– Claro que aceito, mamãe... E também peço desculpas por tudo de ruim que eu pensei de você.

As duas se abraçaram de novo, ainda mais forte dessa vez, cada uma chorando um ano de mentiras e saudade.

A porta do quarto de Tomoyo foi aberta com enorme violência e Yoshihito, outro dos tios–avós de Tomoyo, irrompeu dentro do cômodo.

– SONOMI, O QUE ESTÁ FAZENDO? – ele praticamente espumava pela boca.

Mãe e filha se assustaram, mas continuaram abraçadas, olhando para ele.

– EU DISSE QUE NÃO PODERIA SUBIR AQUI! SAIA! AGORA!! – ele ordenou, gritando.

Sonomi soltou–se de Tomoyo, desceu da cama e permaneceu de pé, encarando Yoshihito frente a frente.

– Não vou sair. Você não tem, nunca teve e nem nunca terá poder sobre mim – ela respondeu simplesmente, mantendo–se calma e, ao mesmo tempo, desafiadora.

– Não vou sair. Você não tem, nunca teve e nem nunca terá poder sobre mim – ela respondeu simplesmente, mantendo–se calma e, ao mesmo tempo, desafiadora.

CONTINUA...

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N/A: Oiee!

Bom, temos muito o que comentar sobre esse capítulo... então vamos lá:

Primeiro, muito fofo o encontro da Tomoyo com o Eriol! O primeiro beijo dela não podia ter sido com uma pessoa melhor! (Só para esclarecer, o Eriol não é nossa idéia de cara perfeito, só achamos que esse casal combina muito!).

Segundo, Syaoran pedindo Sakura em casamento! Foi uma cena muito legal de escrever, linda demais! (Só de curiosidade, o Syaoran é um dos ideais de cara perfeito da Kimi!).

Por último, nesse capítulo tivemos os dois extremos da história: a alegria da Tomoyo no baile e depois sua tristeza em ser arrastada para casa contra sua vontade. Tadinha dela!

Depois de tudo isso, ainda esperamos que gostem e deixem reviews!

Kissus,

Mizu e Kimi

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Respostas às reviews

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Trícia Nunes: Oii! Tudo bom? Não pretendemos parar essa fic, mesmo que tenhamos poucos leitores. Aqui está o novo capítulo, tomara que goste! Obrigada pelos elogios! Continue lendo e opinando! Kissus!