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Canção Para Você

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Capítulo X – Um Hiro no caminho

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Obrigando a mente a pensar rápido, ela rapidamente reuniu toda a força que tinha e direcionou para o seu próprio pé esquerdo. Pisou com tanta força no pé de Hiro, que este chegou a ver estrelas.

Ele afrouxou o aperto por um instante e foi o suficiente para Tomoyo conseguir se desvencilhar e correr para dentro do vestiário. Bom, pelo menos ela tentou correr, mas Hiro foi mais rápido e segurou seu pulso, puxando–a novamente.

– Ninguém me escapa quando eu quero – ele disse, sorrindo mais uma vez. Aquele maldito sorriso, dessa vez malicioso, podia derreter o coração de muitas jovens, ou pelo menos balançá–las, mas não funcionaria com Tomoyo. O coração dela pertencia a outro.

– Estou perdendo a paciência. Não me obrigue a tomar atitudes drásticas – a voz da morena continuava controlada, mas havia ódio espelhado em seu olhar.

Rindo maliciosamente, Hiro já se inclinava para dar o bote, quando Tomoyo fez valer sua ameaça.

Dobrando a perna direita, ela tomou impulso e deu uma bela joelhada nas partes frágeis dele.

Dessa vez, ela tinha reunido toda a sua raiva e a concentrado naquele golpe.

Hiro caiu no chão, encolhido, e ficou agonizando.

A morena aproveitou a nova deixa e foi para o vestiário.

– Infeliz... cachorro... cara de pau! – ela murmurava para si mesma.

– Para quem seriam dirigidas todas essas injúrias? – perguntou uma garota no vestiário.

Tomoyo a reconheceu depois, ela era a maîtresse.

– Hiro Yamato – a morena respondeu simplesmente, dura.

– Imaginei que sim – ela sorriu divertida. – Sou Isuzu.

– Tomoyo – ela apresentou–se mais uma vez, com ar de poucos amigos.

– Então ele já tentou alguma coisa com você – não foi uma pergunta.

– Sim... – Tomoyo enfureceu–se.

– É assim com todas elas... – ela pareceu pensativa por um instante. – Mas você foi a única que não caiu na conversa dele.

– Aparentemente ele não está acostumado a ser rejeitado – a morena ainda estava brava.

– Definitivamente não... Mas não se preocupe, vou falar com Takuya e ele não vai deixar que Hiro volte a encher a sua paciência.

Isuzu deu um sorriso brincalhão.

– Takuya? – agora Tomoyo estava curiosa. Deixou de lado o mau humor.

– É... ele também é da banda e costuma proteger as moças do Hiro... Sabe como é... o Hiro tem "medo" do Takuya.

– Ah.

Isuzu terminou de se trocar e guardou as roupas que estava usando no armário.

– E acho melhor você correr... o restaurante abre daqui a meia hora – ela informou depois de consultar o relógio.

Tomoyo apressou–se em tirar a roupa que estava usando para colocar o vestido que tinha trazido.

– Quer ajuda com o vestido? – Isuzu perguntou.

– Sim, por favor.

Ele era azul escuro, bem básico, o único detalhe era o drapeado na parte do busto. Para completar, sandálias prateadas de salto alto, também básicas.

Isuzu se ofereceu para ajudar com a maquiagem (leve, sendo apenas a sombra escura, para marcar bem os olhos), enquanto a morena se ocupava em dar uma ligeira prendida nos cachos, algo como um coque desarrumado.

– Está ótima! – ela concluiu depois de analisar a obra de longe. – Vamos, vamos!

As duas saíram do vestiário e rumaram para os seus supostos lugares.

Logo que subira ao palco e recebera a lista de música, Tomoyo não deixou de perceber que Hiro ainda não estava lá. Suspirou aliviada.

Isuzu havia chamado Takuya e cochichado algo em seu ouvido. Depois, ela olhou para Tomoyo e deu uma piscadela.

A jovem Daidouji apenas sorriu satisfeita.

As portas foram abertas e, algum tempo depois, Tomoyo pôs–se a cantar. Ela notou que as músicas do jantar eram bem mais românticas do que as do almoço, que tinham um ritmo mais agitado.

O restaurante foi lotando e Tomoyo estava cantando uma de suas canções favoritas.

Foi quando ela o viu.

Sua sorte foi que naquele exato instante vinha a parte do solo de violão.

Ela demorou alguns segundos para se recompor da surpresa... que deu lugar a tristeza.

Eriol Hiiragizawa estava sentado em uma das mesas, acompanhado por KANNA TACHIJI.

Muitas perguntas pipocaram em sua mente confusa, mas ela não tinha nenhuma resposta.

Eriol não parecia estar se divertindo, mas também não parecia infeliz. Kanna falava o tempo todo, rindo sozinha de suas próprias piadas, enquanto ele apenas sorria solidário, sem prestar atenção às palavras da jovem.

Tomoyo era um misto de raiva e dor... nem ela própria sabia o que se passava em seu coração.

Isuzu seguiu o olhar de Tomoyo e entendeu que ela não seria capaz de se recompor a tempo de cantar a parte final da música.

Depois de ver lágrimas se formando no rosto de sua mais nova amiga, ela resolveu agir.

Como o restaurante estava lotado, os serviços dela não seriam necessários naquele exato momento, então ela subiu no palco, discretamente, e cochichou no ouvido de Tomoyo.

– Acho melhor você fazer uma pausa. Dá uma passada no banheiro e demore o quanto precisar por lá. E não se preocupe, posso segurar a barra.

Tomoyo virou–se para ela, com um agradecimento sincero nos olhos úmidos, desceu do palco e caminhou rapidamente até o banheiro feminino.

Mas ela não entrou. Parou na saleta que ficava antes dos banheiros e sentou–se no sofá.

Agarrada a uma almofada, ela tentou controlar as lágrimas. Não podia, afinal, estragar a maquiagem e sabia que Isuzu não poderia substituí–la por muito tempo.

Aproveitou aqueles cinco minutos para colocar os pensamentos em ordem.

Ela tinha dito que levaria a vida em frente, não importando se ela fosse ao lado de Eriol ou não. Prometera a sua mãe que seria mais alegre.

Tomoyo, inclusive, tentava convencer a si mesma de que ele não voltaria... de que deveria esquecê–lo aos poucos.

A enorme ansiedade que ela sentia sempre que imaginava Eriol indo até Tomoeda para procurar por ela desaparecera ali, naquela noite.

Assim que seu olhar o encontrou, ela perdeu o controle dos pensamentos e, conseqüentemente, dos sentimentos. Se era para ele aparecer lá com Kanna, que não fosse, então.

"Se as palavras dele fossem verdadeiras, ele teria vindo atrás de mim... Quer dizer então que elas não passavam de mentiras? E por que ele não falou com o Syaoran ou com a Sakura? Por que não pegou o número do meu telefone e me ligou? E por que ele está com a Kanna?", ela se perguntava.

Respirou fundo uma, duas, três vezes. Conseguiu engolir o choro e esperou as lágrimas secarem.

"Não vou me deixar abalar. Se Eriol está com ela, é porque era para ser assim... fui apenas um caso passageiro em sua vida", ela concluiu dolorosamente.

Estava conformada e pronta para voltar ao palco e terminar a noite. Levantou–se, colocou a almofada em seu respectivo lugar e virou–se para voltar ao palco.

Um par de olhos azuis a fitava. O dono deles estava parado na entrada daquela saleta.

Tomoyo perdeu toda a compostura que tanto custara a conseguir.

– Boa noite, Tomoyo – Eriol tinha uma voz tranqüila, mas não sorria. A jovem não conseguiu decifrar a expressão nos olhos dele.

– B–Boa noite – ela gaguejou depois de passar um tempo procurando por sua voz.

– Não sabia que trabalhava aqui.

– Comecei hoje – ela lutava, em vão, para controlar as batidas frenéticas de seu coração disparado.

Eriol apenas acenou com a cabeça.

– Bom, a gente se vê por aí – ele virou–se para voltar a mesa, mas Tomoyo o impediu.

– Espera – ela não sabia o que dizer agora. O pedido tinha escapado de seus lábios antes que ela pudesse conter.

Ele parou de andar e olhou para ela.

– Mais do que já esperei? – ele perguntou antes que ela tivesse tempo de formular qualquer outra frase. O inglês tinha uma expressão que beirava a mágoa.

– O que quer dizer? – Tomoyo estava completamente confusa com a pergunta dele.

– Você sabe o que quero dizer...

Ela tentou buscar a resposta nos olhos dele, mas não teve tempo suficiente para isso, pois o inglês virou–se e voltou a andar de volta para sua mesa.

A morena estava confusa e triste com a reação dele. O que aquilo significava? E por que ele estava tão... magoado? Seria com ela?

Os aplausos quebraram a seqüência de divagações dela e Tomoyo percebeu que era hora de voltar ao palco e terminar a noite.

Colando um sorriso na face, ela se encaminhou de volta ao palco.

Subiu nele e encontrou Isuzu parada ao lado do microfone, olhando em sua direção.

– Obrigada...

– Sem problemas – ela passou os olhos rápidos pelo restaurante. – Os clientes nem notaram – voltou–se para Tomoyo. – Conseguiu resolver o problema? – perguntou esperançosa.

– Não exatamente... acho que não era o momento e nem o lugar certo – a morena ficou pensativa. – Mas pode deixar que eu assumo daqui.

– Certo – Isuzu virou–se e aceitou a mão de Takuya para descer do palco.

Tomoyo recomeçou a cantar, dessa vez sem tirar os olhos das letras das músicas.

Eriol não olhou em sua direção uma vez sequer, o que a deixou profundamente deprimida.

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– Ótimo trabalho, rapazes! – Isuzu elogiou depois dos clientes terem saído. – Acho que a Tomoyo se encaixou perfeitamente na banda – ela dirigiu seu olhar a morena.

A Daidouji apenas lhe lançou um sorriso de agradecimento. Takuya postou–se ao lado de Isuzu e passou um dos braços em volta da cintura dela.

– Quer carona para a casa? – ela perguntou a Tomoyo.

– Não precisa, vou tomar um táxi.

– Não acho que vá encontrar um táxi livre a essa hora, senhorita Daidouji – disse Takuya.

– Por favor, me chame apenas de Tomoyo – ela corrigiu enquanto avaliava a possibilidade de conseguir um táxi livre em plena uma hora da madrugada.

– Não, você não vai atrapalhar – Isuzu leu sua mente e deu um sorriso divertido.

– Então está bem – Tomoyo concordou.

A morena não teve muito tempo para refletir durante o trajeto, visto que tinha que indicar o caminho pelo qual seguiriam.

– Obrigada! Vejo vocês amanhã! – ela despediu–se do casal e o carro partiu.

Tomoyo caminhou até a porta da sala e já estava com a chave em mãos, pronta para destrancá–la, quando ouviu um barulho atrás de si.

Um carro prata parava no mesmo local onde o carro de Takuya estivera, segundos atrás.

Como uma espécie de reflexo, ela pensou em Eriol e seu coração logo correspondeu passando a bater mais rápido.

O vidro escuro do lado do passageiro foi abaixado, revelando Hiro ao volante.

Tomoyo revirou os olhos e suspirou brava.

"Por que hoje, meu Deus! O que eu fiz para merecer isso?", ela exigiu saber. "Vou precisar de muita, mas muita paciência!".

Será que se ela entrasse ele iria embora? Não podia arriscar acordar a mãe àquela hora.

Deixou a porta destrancada, mas não aberta, e resolveu ficar lá parada, esperando pelo próximo movimento de Hiro.

Este desligou o motor e saiu, dando a volta para chegar até Tomoyo.

– O que é? – ela perguntou claramente mal humorada.

– Primeiro, acho que me deve desculpas por hoje – ele disse sorrindo.

Tomoyo fez uma careta de indignação.

– Não, você mereceu. Agora, se me dá licença, vou dormir, tenho um longo dia pela frente – ela virou de costas para ele. – Passar bem.

– Nossa, mas por que tanta pressa? – ele a enlaçou pela cintura, prendendo os braços da jovem ao lado do corpo e a trouxe para perto de si.

– Mas que coisa! Me solta! Não me faça armar um escândalo em plena madrugada! – ela protestou, quase gritando.

– Onde foi parar todo o seu autocontrole de hoje de tarde? – ele estava se divertindo às custas dela.

– FOI PRA ONDE VOCÊ TAMBÉM DEVERIA TER IDO, PRO INFERNO! – a essa altura ela gritava.

Tomoyo fez menção de pisar no pé dele, tal como fizera mais cedo, mas Hiro, pressentindo o perigo a levantou alguns centímetros do chão.

– ME DEIXA EM PAZ!

– Só se você me der um beijo! – o sorriso dele era mais largo ainda.

– O QUÊ? EU NÃO TE DARIA UM NEM QUE VOCÊ FOSSE A ÚLTIMA PESSOA NESSE... – mas ela foi cortada.

Hiro pegou Tomoyo no colo e com uma das mãos imobilizou as dela nas costas, enquanto segurava suas pernas com a outra mão.

Ainda surpresa com o movimento, ela não viu quando ele se aproximou e a beijou.

Ela resistiu, mas seus braços e pernas estavam presos. A opção, então, foi debater–se. Ela fez isso até conseguir soltar um dos braços e logo um estrondoso tapa foi ouvido.

Hiro parou o que estava fazendo, desnorteado.

– Isso, é para você aprender a não se aproveitar de ninguém! – ela disse irritada, soltando–se totalmente.

A surpresa de Hiro foi tão grande que ele ficou sem ação. Nunca tinha apanhado de ninguém antes, afinal todas as mulheres caíam aos seus pés.

– Canalha! – ela saiu pisando forte e batendo a porta da frente ao passar.

Hiro voltou para o carro e deu a partida, não demorando a sair dali.

Pelo menos ele tinha conseguido cumprir o plano.

A jovem demorou para dormir naquela noite. Ficou rolando na cama enquanto pensava em Eriol.

Por que ele estaria de volta? Se não sabia onde ela morava, por que viera até ali? E o que fazia com Kanna? Eles teriam reatado?

Pensar nessa possibilidade doeu. Tomoyo sentiu seu coração despencar. Lágrimas formaram–se em seus olhos.

A morena rapidamente as limpou.

"Jurei que seguiria em frente", ela disse a si mesma, tentando se convencer. "Cansei de chorar e bancar a vítima. Se ele escolheu a Kanna, vou me conformar e passar adiante".

Somente depois de determinar que esquecê–lo era a sua prioridade foi que ela conseguiu dormir. Tomoyo não sonhou.

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Tomoyo teria as sextas e segundas–feiras de folga, mas ainda teria que enfrentar meia semana antes de realmente começar a relaxar. E isso incluía agüentar Hiro por mais três dias... mas ela tinha um objetivo agora.

E nada, nem ninguém se colocaria em seu caminho.

– Bom dia, Tomoyo! – cumprimentou Isuzu alegremente, assim que a morena chegou ao restaurante.

Aparentemente ela nunca estava de mau humor. Isuzu era, com certeza, a alma daquele lugar.

– Bom dia – Tomoyo cumprimentou de volta, no mesmo tom da amiga, fingindo ser quem ela não era.

– Posso fazer uma pergunta um tanto pessoal? – Isuzu perguntou enquanto seguia a amiga até o vestiário.

– Claro – Tomoyo respondeu pegando a roupa em seu armário.

– Você viu alguém na frente da sua casa ontem, depois que eu e o Takuya saímos?

– Infelizmente, sim – ela disse suspirando. – O Hiro deve ter nos seguido e foi me provocar.

Isuzu assumiu uma expressão pensativa quando Tomoyo mencionou Hiro.

– O que foi? – a morena perguntou, não entendendo a reação da amiga.

– Nada... quer dizer que o Hiro foi até a sua casa? – Isuzu se recompôs.

– Pois é... – e Tomoyo contou tudo o que tinha se passado.

– Não acredito que ele foi capaz disso! – Isuzu exclamou depois de ouvir toda a história.

– Para ser sincera, nem eu. Só sei que vou entrar correndo em casa hoje – ela terminou de se vestir e guardou a roupa que estava usando. Isuzu assentiu.

– Pelo menos aqui você está protegida – ela riu e Tomoyo a acompanhou.

As duas voltaram para o palco bem a tempo. Uma lista foi entregue a Tomoyo, mas dessa vez ela não sabia todas e precisou dar umas olhadas no papel para cantar.

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De noite, Tomoyo já estava trocada e esperava pela abertura do restaurante perto do palco, sob o olhar de proteção de Takuya.

Ela usava um vestido prata brilhante que ia até um pouco abaixo do joelho e as mesmas sandálias da noite anterior. Os cabelos, sempre cacheados, estavam soltos, mas a maquiagem leve não fora dispensada, com a ajuda de Isuzu.

Ainda faltava meia hora até a abertura do restaurante e, sem o que fazer, Tomoyo foi para a mesa de Isuzu, a que ficava perto da cozinha.

A amiga estava no telefone e, assim que desligou, Isuzu sorriu para Tomoyo.

– Teremos uma noite cheia – ela disse anotando um nome no livro de reservas. – Quinta é o segundo dia mais tumultuado, o telefone não pára de tocar!

– Quer ajuda? – ela perguntou, ainda pensando em como poderia ser útil à amiga.

– Sim... – e depois de pensar um instante Isuzu concluiu que Tomoyo não poderia realmente ajudá–la. – A única coisa que você pode fazer é levar esse livro para a minha outra mesa, na entrada do restaurante.

– Tudo bem – a morena concordou e, pegando o livro aberto, encaminhou–se para a entrada.

Assim que depositou o objeto na mesa da amiga, ela inconscientemente correu os olhos pela lista e deparou–se com um nome que lhe chamou atenção.

Voltou, então, para onde Isuzu estava.

– Isuzu, esta não foi a lista de ontem?

– Não, é a de hoje. Por quê?

– Você tem certeza de que anotou todos os nomes corretamente? – ela ignorou a pergunta feita por Isuzu.

– Claro que sim.

Tomoyo pareceu refletir um pouco.

– Bom, tudo bem, então – ela disse e voltou para o palco.

O que o nome de Eriol estaria fazendo na lista daquela noite? Ele já não fora lá no dia anterior? Onde ela tinha errado? Qual igreja ela tinha amaldiçoado para merecer isso?

O livro dizia que a reserva dele estava feita para às 19h, ou seja, exatamente quando o restaurante abrisse.

Aceitando o seu destino, ela fez os testes de som e deixou tudo pronto.

Eriol foi o primeiro cliente a chegar, junto com Kanna. Sentaram–se na mesma mesa da noite anterior, com ela de costas para o palco e, conseqüentemente, ele de frente.

A Daidouji resolveu ignorar a presença do inglês, afinal ela tinha um objetivo. Ele não olhou para ela nenhuma vez e Kanna, alienada, também não notou a presença da morena.

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A noite foi bem tranqüila e o casal foi quase o último a sair, por volta das 23h40.

– Finalmente podemos ir para a casa – Isuzu desabafou.

– É... meus dedos já estão doendo de tanto tocar – Takuya admitiu descendo do palco e juntando–se a namorada.

– Eu estava pensando, Tomoyo, já que moramos perto da sua casa, podíamos te dar uma carona de ida e volta. O que você acha? – sugeriu Isuzu.

– Ah... não vai atrapalhar vocês?

– Claro que não! Se atrapalhasse, nós não estaríamos convidando – Takuya riu.

– Então eu aceito. Vocês já vão sair?

– Ainda não, preciso me trocar – informou Isuzu. – E acho que você também – Tomoyo deu um sorriso amarelo diante desse comentário. Tinha esquecido desse detalhe.

– Vou esperar no carro – Takuya disse.

– Ok. Vamos? – Isuzu dirigiu–se a Tomoyo, que apenas acenou afirmativamente.

Depois de poucos minutos, elas saíram do restaurante e se dirigiram para o carro.

– Obrigada – Tomoyo agradeceu assim que pararam em frente a sua casa. – Você trabalha amanhã? – perguntou a Isuzu.

– Sim... Eu não trabalho às quartas. E apenas alguns integrantes da banda têm folga nas sextas e segundas, o resto do pessoal tem folga em outros dias.

– Ah. Então, te vejo sábado.

– Até lá – Isuzu acenou e o carro partiu.

Como prometido, Tomoyo correu até a porta de entrada, abriu–a rapidamente e entrou, trancando–a atrás de si. Não estava com a menor vontade de ver Hiro de novo.

Tomou um banho rápido e foi deitar. Naquela noite ela também rolou na cama, ainda que por menos tempo, já que se proibiu de pensar no pianista.

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Sexta–feira, dia 20 de março. Tomoyo não trabalharia naquele dia, então aproveitou para dormir até mais tarde.

Acordou às 10h17 e não conseguiu dormir de novo. Interrompendo o fluxo de pensamentos que ela sabia que acabaria em um certo inglês, Tomoyo levantou–se e foi para o banheiro.

Lavou o rosto e assentou os negros cachos. Sem trocar de roupa, desceu e foi preparar o café da manhã.

Encontrou um bilhete colado na geladeira.

Tomoyo,

Fui chamada para uma entrevista de emprego no Banco de Tomoeda e estarei de volta por volta do meio–dia. As panquecas que a senhora Johnson mandou estão no forno.

Qualquer coisa, me liga.

Mamãe.

A morena adorava as panquecas da senhora Johnson, uma velhinha norte–americana que morava do outro lado da rua. Quando Tomoyo vinha visitar seus avós maternos, ela sempre passava na casa da velha senhora para pegar panquecas. Era provavelmente a única comida estrangeira que ela apreciava e fazia questão de comer de vez em quando.

Abaixou–se, pegou a comida e estava para colocá–la na mesa, quando algo inusitado aconteceu.

– Bom dia, querida. Dormiu bem? – Hiro estava parado à sua frente, com o rosto a poucos centímetros do dela.

CONTINUA...

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N/A: Hi!

Vocês não adoram esse jeito cara de pau do Hiro? Hahaha! Podemos dizer que ele é um dos nossos personagens favoritos nessa história, porque simplesmente amamos escrever as cenas dele! O que mais será que ele irá aprontar?

Bom, oficialmente chegamos ao meio da fanfic e estamos muito felizes! Esperamos que as pessoas que leiam essa história não desistam e que, se possível, mandem reviews, pois cada uma delas é única e nos traz uma enorme felicidade, além de nos incitar a continuar postando!

Sem mais delongas, ficamos por aqui!

Kissus,

Mizu e Kimi

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Respostas às reviews

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Rocks: Oii! Obrigada pelos elogios! Ficamos felizes em saber que está gostando da fic e esperamos que continue acompanhando e mandando reviews! Bom, aqui está o capítulo! Hehehe! Kissus!

Bruna cm Yamashina: Olá! Pois é, finalmente Tomoyo e sua mãe se acertaram! Mas quando um problema é resolvido, um novo aparece... e ele se chama Hiro! Hahaha, concordamos com a parte dele ser lindo, mas achamos que o Syaoran ganha! Bom, o Hiro é convencido. Ele acha que todas as mulheres se renderiam aos seus encantos, então já chega "chegando"! Ele é daqueles que já agarra e tasca um beijão, Tomoyo que o diga! E sobre a confusão no ar, você está mais do que certa e esse capítulo é a prova! Kissus!