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Canção Para Você
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Capítulo XI – Novo namorado
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Com o susto que levou, o prato com as panquecas caiu e ela já esperava ouvir o barulho típico de vidro se estatelando no chão, mas Hiro foi mais rápido e salvou o café dela.
O que ele fazia ali, na sua casa? Como tinha entrado? O que estivera fazendo lá dentro?
Depois ela deu uma rápida olhada nos trajes dele. Uma cueca samba–canção e chinelos. O peito estava nu.
Ela rapidamente arregalou os olhos, temendo o pior.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?! – ela gritou se afastando dele.
– Hum... – ele estudou a expressão dela, divertido. – Por que você não me diz?
– Fora! – ela foi curta e grossa.
Ele depositou o prato intacto na mesa e se aproximou dela.
– Posso ver em seus olhos que não quer que eu saia.
– Abusado! Cara de pau! – ela estava realmente perdendo a pouca paciência que tinha com ele.
Ele não se moveu um centímetro, mesmo com a ameaça dela.
Suspirando extremamente alto, ela saiu da cozinha e foi em direção à sala... ou à porta da sala, mais precisamente.
Estava trancada.
Voltando para a cozinha, viu Hiro com as chaves em mãos, balançando–as.
Ainda mais brava, Tomoyo voltou para a sala, tentando encontrar a chave reserva, quando lembrou que sua mãe tinha saído e, muito provavelmente, a tinha levado com ela.
– Droga! – ela exclamou, procurando retomar o controle.
Desistindo das chaves, ela se encaminhou para a porta novamente, e passou a esmurrá–la.
Hiro estava na cozinha, assistindo a tentativa inútil dela de derrubar a porta.
Rindo, ele foi até a jovem e a agarrou pela cintura, puxando–a de volta para a cozinha.
Tomoyo protestou veementemente, mas não teve chance.
– Não acredito que estava tentando colocar a porta abaixo – ele zombou dela, ainda rindo.
Ela não respondeu. Estava mais ocupada controlando a vontade que tinha de pular no pescoço dele e esganá–lo, até ouvir o "crack" dos ossinhos se quebrando e ele urrando de dor.
Não se importava de ir para a cadeia depois, pois sabia que teria feito um bem enorme para a humanidade.
A campainha soou, e isso desviou os pensamentos assassinos da mente de Tomoyo.
Quando deu por si, Hiro já estava na sala, destrancando a porta.
Aquela era sua chance. Correu o mais rápido que pôde.
A porta não ficou aberta nem por um minuto. Hiro a fechou e a trancou novamente.
Antes, porém, de ele conseguir girar a chave no trinco, ela o empurrou, pegando–o de surpresa e conseguiu abrir a porta enquanto ele tentava manter o equilíbrio.
Abriu–a e só teve tempo de ver um carro preto arrancando. Os vidros eram da mesma cor, impedindo que a pessoa de dentro fosse vista.
– Acho melhor você entrar – Hiro disse, da porta.
– Não – o tom de sua voz era profundo e medonho.
– Não acho que gostaria de ficar aí fora vestindo isso – ele ponderou e apontou para a camisola branca que ela usava e que ia até acima dos joelhos.
– Melhor do que aí com você – ela sabia que Hiro estava com a razão, mas não daria o braço a torcer.
– Você é quem sabe... mas não se esqueça de que estarei sozinho aqui dentro – um sorriso malicioso passou pelo rosto dele.
Não acreditando em sua própria sorte, Tomoyo foi obrigada a entrar de novo.
– Boa menina – ele fechou a porta assim que ela passou, satisfeito.
Tomoyo podia jurar que ouviu um rosnado escapar de sua própria garganta.
Resolveu subir e se trocar, e estava no meio da escada quando o telefone tocou. Arregalando os olhos, ela se virou rapidamente e tentou correr, mas Hiro já estava lá.
– Alô?
Fez–se uma pausa. A morena aguçou os ouvidos o máximo que pôde, mas não foi capaz de ouvir o outro lado da linha.
– Não, ela não pode atender agora, quem gostaria?
Outra pausa.
– Sem problemas, eu digo. Agora, se me dá licença, está nos atrapalhando.
Pausa.
– Claro! Até logo – ele desligou e colocou o fone no gancho.
– Q–quem era? – Tomoyo perguntou com uma voz sombria.
– Uma tal de Sakura.
A Daidouji empalideceu.
Sakura tinha ligado e Hiro tinha dito que ela os estava atrapalhando! E agora? O que ela pensaria? Precisava consertar isso rápido.
Até lá, ela só precisaria manter Hiro longe.
Subiu as escadas e entrou no quarto, fechando a porta e trancando–a.
Colocou um vestido branco, da cor que deveria ser a do seu estado de espírito naquela manhã, mas que, na verdade, não chegava nem perto.
Calçou uma sandália baixa e abriu a porta. Decidiu que era melhor manter o inimigo sob a sua vista do que longe dela.
Achou Hiro na cozinha, convenientemente sentado à mesa e assistindo tevê.
Tomoyo sentou–se na frente dele e começou a comer suas panquecas. Ele zapeava pelos canais tranqüilamente, o que só serviu para deixar a morena mais furiosa.
Era como se ele já fosse de casa... não, pior, ele estava se portando como o marido dela!
Diante dessa constatação, ela arregalou os olhos e largou o que restava do café da manhã, perdendo o apetite.
– Tudo bem, já chega. O que você pretende com esse joguinho? – ela perguntou num tom de voz indiferente, mas, na verdade, ela estava possessa.
– Como assim? – ele olhou para ela com ar de pura inocência. – O que você quer dizer?
– Não se faça de cínico! – ela aumentou a voz, quase gritando. Depois, controlou–a mais uma vez. – Por que está fazendo isso?
– Não sei do que está falando, não estou fazendo nada – ele continuava com aquele maldito olhar.
Tomoyo segurou o assento da cadeira com muita força quando na verdade queria torcer o pescocinho de Hiro. Respirou fundo algumas vezes e contou mentalmente até dez.
Ia continuar discutindo, mas ele pôs–se de pé num salto, depois de dar uma olhada no relógio, e foi para a sala.
Sem entender, ela foi atrás.
– O que está fazendo? – perguntou enquanto ele vestia a roupa que havia ficado no sofá.
– Até mais! – ele inclinou–se para dar um beijo nela, mas Tomoyo foi mais rápida e se afastou. – Talvez eu até te ligue mais tarde.
E saiu. Simplesmente andou para o carro prata e foi embora.
Tomoyo, confusa, ficou olhando para onde o carro tinha ido, tentando entender.
Sonomi chegou alguns minutos depois, com um carro que tinha alugado.
– Oi, filha – ela disse, descendo do carro.
– Oi... – Tomoyo fez uma pausa. Com as sobrancelhas foramando um "V" em sua testa, ela continuou. – Mãe, quando você saiu, tinha algum carro parado aqui? Ou algum homem? – ela falou a última frase num sussurro que Sonomi não foi capaz de ouvir.
– Não... Por quê? – ela estranhou a pergunta da filha.
– E você levou a chave reserva com você?
– Sim...
– E trancou a porta quando saiu? – ela parecia estar seguindo as pistas de um crime.
– Certamente...
– E...? – ela foi cortada por sua mãe.
– Tomoyo! Calma! O que você está pretendendo com esse interrogatório todo?
– Ah, desculpe. Não era nada...
Sonomi não parecia convencida, mas deixou passar.
– Como foi lá no banco? – Tomoyo quis saber. Não conseguiu pensar em nada melhor para desviar o assunto.
– O emprego parece promissor...
E Sonomi contou a ela que não tinha sido aceita ainda, pois estava concorrendo com muitas outras pessoas. E acrescentou mais detalhes, nos quais Tomoyo nem prestou significativa atenção.
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As duas estavam sentadas no sofá da sala, assistindo aos créditos finais de um seriado. Quando já era por volta das 19h, Tomoyo resolveu ir até a locadora pegar um filme e perguntou se a mãe ainda precisaria do carro.
– Não... Por quê?
– Vou até a locadora, então. Não vou demorar muito.
– Ok...
A morena se levantou e estava indo para a porta, mas sentiu que a mãe estava incerta, que queria lhe contar alguma coisa.
– Você quer me contar algo – ela afirmou depois de voltar para o sofá.
Sonomi apenas acenou, confirmando. Estava surpresa com a percepção da filha.
– Bom... eu não sei como te contar isso... – Sonomi parecia embaraçada. Tomoyo esperou pacientemente que ela continuasse. Quando isso não aconteceu, ela resolveu incentivar.
– Por que não tenta ir direto ao assunto?
– Certo... – ela respirou fundo. – Eu estou saindo com alguém.
Tomoyo não teve nenhuma reação a essas palavras. Sonomi estudou curiosamente o rosto da filha, mas este não parecia ter se alterado.
– Fico feliz por você – Tomoyo disse, abrindo um grande sorriso.
– Não está brava? – Sonomi esperava qualquer reação, menos essa.
– Por que deveria? – mas Sonomi ainda parecia confusa. – Sempre acreditei que você deveria continuar com a sua vida e achar um outro alguém – Tomoyo explicou.
A mãe suspirou aliviada.
– Há quanto tempo estão saindo?
– Há um mês... aconteceu depois que você foi para Londres.
O nome daquela cidade provocou uma onda de tristeza em Tomoyo, mas ela não ia estragar a felicidade da mãe.
– E quando vou conhecê–lo?
– Na verdade, você já o conhece – o rosto de Sonomi ficou vermelho.
Tomoyo arqueou as sobrancelhas, surpresa com o comentário da mãe.
– Mas você ficaria muito brava se eu ainda não te contasse quem ele é? – ela continuava envergonhada.
– Claro que não... – a filha foi sincera.
– É só que eu não sei se vai realmente dar certo entre a gente... e eu não queria mergulhar de cabeça para me arrepender depois... entende?
– Sim... – Tomoyo tinha um sorriso caloroso na face. – Não se preocupe, mamãe... vou esperar até que esteja pronta para me contar quem é.
Ela se levantou mais uma vez e dessa vez realmente foi até a porta.
– Tem mais uma coisa – Sonomi disse, levantando–se também e seguindo os passos da filha.
– O que é? – ela perguntou enquanto colocava um grosso casaco. Mesmo sendo primavera, o inverno ainda deixava seus ventos gelados.
– Vou sair com ele essa noite... vamos jantar fora – ela fez uma pausa. – Você se importa? Porque se você se importar, eu ligo pra ele e cancelo!
– De jeito nenhum! Vá e divirta–se!
– Provavelmente não vou estar aqui quando você chegar da locadora, se você estiver indo naquela perto do centro.
– Bom, que eu me lembre essa é única em toda a cidade... é nessa mesma que eu vou... Tudo bem, eu preparo alguma coisa para comer – Tomoyo terminou de colocar o casaco e pegou a chave de casa e a do carro. – Você não vai mesmo precisar do carro?
– Não... ele vem me buscar – Sonomi corou.
– É... – a jovem fez uma pausa. – Um cavalheiro... já tem um ponto a seu favor! – Tomoyo brincou.
Sonomi ficou ainda mais vermelha.
– Te vejo mais tarde, então! – a morena virou–se e beijou a mãe. – E juízo!
– Pode deixar! Tchau, querida.
E Tomoyo saiu e trancou a porta. Entrou no carro e deu a partida, forçando a mente a se lembrar do caminho mais curto para a locadora.
Desde que tinha voltado, ela praticamente ainda não tinha dado uma volta por Tomoeda.
Aproveitou para se ater aos detalhes... as placas coloridas das lojas em contraste com o céu escuro... nada mudara.
Depois de aproximadamente quinze minutos, ao virar em uma rua, ela finalmente achou a bendita locadora.
Estacionou o carro na rua, bem em frente ao estabelecimento, e entrou.
Havia um corredor principal no meio, com várias estantes ao longo de sua extensão, todas dispostas perpendicularmente a ele, formando corredores menores. Cada corredor menor tinha um gênero diferente de filme.
A morena andou pela seção de aventura, mas não achou nada interessante.
"Talvez eu não esteja procurando exatamente por uma aventura...", ela concluiu silenciosamente.
Deixou–se passar pelas seções de suspense e de terror sem nem pensar duas vezes.
Tomoyo costumava ter medo desses tipos de filme quando era mais nova... então seu pai os assistia com ela, para que não tivesse pesadelos de noite.
Depois de sua morte prematura, ela nunca mais assistiu a esses gêneros de filme, como uma forma de honrar a memória que ela tinha dele.
Decidiu andar pelo corredor intitulado de "Ação", mas também não achou nenhum filme que chamasse a sua atenção. Ela se deu conta, então, de que não estivera procurando por nenhum filme em particular, e sim por uma desculpa para sair de casa, apesar de não ter sido esse o plano inicial traçado logo que acordou.
Quando deu por si, ela já tinha passado por quase todos os corredores, restando apenas três. Ao olhar para cima, deparou–se com a placa de "Romance".
Não achou que seria a escolha mais sensata a se fazer naquele momento.
Continuando em frente, ela encarou a placa de "Drama", mas concluiu que de dramática, bastava a sua própria vida.
O último corredor era, ironicamente, sua última esperança. A placa, que dizia "Comédia", parecia também estar rindo da cara dela, rindo do motivo banal e egoísta que fez com que ela mesma quisesse sair mais rápido ainda de casa.
Sim, fora egoísta ao invejar a mãe por encontrar alguém que a completasse, enquanto ela própria continuava sozinha.
Ocorreu–lhe que talvez nunca fosse, de fato, encontrar aquele que a amasse de verdade.
Mas aquela idéia era ridícula! Tinha apenas vinte anos e pelo menos mais vinte para encontrar a pessoa certa e criar uma família. Tratou de espantar o pensamento.
– Posso ajudá–la, senhorita? – uma garota perguntou, parando ao lado dela.
Tendo o pensamento trazido de volta a terra bruscamente, ela encarou a atendente de longos cabelos negros.
Ficara tanto tempo refletindo e encarando a placa que deve ter parecido uma pessoa estúpida.
A atendente ainda esperava por uma resposta... e se Tomoyo demorasse mais um pouco a responder àquela pergunta, a moça certamente a acharia uma louca com graves problemas mentais.
– Estou procurando por um filme realmente engraçado – ela disse à atendente.
A garota, que parecia ter uns dezessete anos, estudou o rosto de Tomoyo por alguns instantes até se convencer de que ela era sã o suficiente para estar falando com ela.
– Sei exatamente do que precisa, então.
Ela, seguida por Tomoyo, entrou no corredor e parou praticamente no meio desse.
– Eu, particularmente, recomendo este. Acho que conseguirá boas risadas com ele – ela informou sorrindo.
– Vou ficar com ele, então. Obrigada.
Tomoyo saiu do corredor e deixou a garota colocando outros dvds na ordem correta.
Tendo que percorrer todo o caminho de volta, Tomoyo apenas focalizava o caixa à sua frente, mas um movimento à sua direita chamou a atenção.
Alguém de cabelos platinados estava saindo da seção de filmes eróticos, que ficava em um corredor especial.
Ela reconheceria aqueles cabelos em qualquer lugar, principalmente se eles estivessem no mesmo conjunto que um par de olhos negros, uma cintura fina (até demais) e roupas escandalosas.
CONTINUA...
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N/A: Olá, povo!
Primeiro, gostaríamos de agradecer pelas reviews do último capítulo. Ficamos muito felizes!
Sobre esse capítulo, por onde começar? Bom, sejamos sinceras, abusadinho o Hiro, não? Entrando assim na casa dos outros como se fosse super bem–vindo... E quem será o novo namorado da Sonomi? Já era hora de ela reconstruir a vida, né, gente? Isso é bom!
Por último, a locadora: cabelos platinados, cintura fina, roupas pouco discretas... reconheceram??
Hahaha, agora só no próximo capítulo! Até sábado que vem! E não se esqueçam de comentar.
Kissus,
Mizu e Kimi
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Respostas às reviews
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La Nubit: Oii! Hahaha, sim, o Hiro precisa mesmo se tocar! Nesse capítulo principalmente, não? Mas ficamos felizes que esteja gostando da história. A Tomoyo e o Eriol são muito fofos juntos, nós apoiamos! Esperamos que goste desse capítulo. Kissus!
Milla Mansen Cullen: Olá! Obrigada pelo elogio. Tomara que continue nos acompanhando e comentando. Kissus!
Bruna cm Yamashina: Oiee! Que bom que gostou! Nós também adoramos a Isuzu e o Takuya e, apesar do Hiro ser meio inconveniente às vezes (ok, quase sempre), nós acabamos nos apegando a ele! Hahaha, quanto ao Eriol e seu horário misterioso, não podemos revelar nada, só esperando pra ver! Continue acompanhando, esperamos que goste! Kissus!
