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Canção Para Você

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Capítulo XIV – Lembranças

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– Obrigada, Isuzu – ela interrompeu a amiga. – Vou para o restaurante com uns amigos hoje, para almoçar. Acho que a gente se vê mais tarde.

– Ok... até lá! Beijo!

– Outro... – Tomoyo desligou o telefone.

Deixou–se cair no sofá e ficou pensativa mais uma vez. Ela já havia pensado em sair do emprego, mas agindo desse jeito, estaria dando a vitória a Kanna.

Fechou os punhos quando pensou nessa possibilidade.

Não! Ela nunca se daria por vencida! Não ia abrir mão de tudo quando estava começando a viver mais uma vez.

A campainha tocou.

A morena foi até a porta e a abriu.

Antes de sequer pensar ou raciocinar, a pessoa passou correndo por ela, entrando na casa. Se fosse um ladrão, Tomoyo estaria perdida.

Fechando a porta e virando–se, ela passou a desejar que realmente fosse um bandido e que ele tivesse uma arma em mãos e a matasse, porque ela viu Hiro parado na sala.

– Pode sair pelo mesmo lugar por onde você entrou – ela disse, inexplicavelmente calma, ao abrir a porta da sala mais uma vez e indicar a saída.

– Bom dia para você também, Tomoyo – ele cumprimentou alegre, sentando–se no sofá.

Sakura desceu as escadas e, parando perto da amiga, estranhou a expressão dela, que ainda apontava para fora. Virou–se e viu um homem sentado no sofá.

Syaoran rumou para a sala, assim que terminou de comer e encontrou Tomoyo de lado, falando com alguém no sofá. Sakura estava ao lado dela. Ele se aproximou tentando ver para quem elas olhavam.

– Eu mandei você sair – ela repetiu.

– Ah! Você deve ser a amiga da Tomoyo. Sou Hiro Yamato, muito prazer – ele se levantou e estendeu a mão a Sakura.

Syaoran andou, instintivamente, na direção de Sakura assim que o estranho ergueu–se. Pelo tom de Tomoyo, ele sabia que alguma coisa estava errada; e suas suspeitas só se confirmaram quando ele ouviu o nome do outro.

– Sakura Kinomoto – ela apertou a mão de Hiro enquanto sentia os braços do noivo fechando–se em torno de sua cintura.

Tomoyo contou até dez mentalmente. Depois suspirou enfurecida.

– Saia! Ou chamarei a polícia – ela ameaçou, cansada de ser ignorada e impedindo Hiro de se apresentar a Syaoran.

Hiro pareceu voltar a notá–la, mas Tomoyo preferiu que ele não o tivesse deito depois de escutar o que ele disse.

– Em quem você acha que a polícia acreditaria? Em você ou em mim?

E lá se foi a sua paciência, logo cedo.

Ela andou até ele e começou a empurrá–lo na direção da porta, sob os olhares atentos dos amigos que estavam lá.

Syaoran soltou Sakura e passou a vigiar Tomoyo atentamente. Tinha ouvido pouco sobre aquele homem, mas sabia que boa coisa ele não era. Se fosse o caso, ele ajudaria a amiga a socá–lo ou o que quer que ela quisesse fazer com ele.

Hiro se surpreendeu com a repentina demonstração de força daquela criatura que ele julgava ser muito fraca.

Tanto, que chegou a se mover alguns centímetros.

Depois, ele aproveitou a proximidade com a jovem e, enlaçando sua cintura, puxou–a para perto de si.

Foi Tomoyo quem foi pega de surpresa dessa vez.

– Ei! Não me olhe com essa cara! Foi você quem pediu por isso! – ele defendeu–se rindo.

Porque tinha certeza de que era mais forte e mais rápido, além de mais esperto, o Li deu dois passos para perto de Tomoyo, pronto para defender a amiga contra aquele metido. Mas sua demonstração de força teria de esperar, pois a morena se livrara do brutamontes sozinha.

Lembrando–se do dia em que conheceu aquele ser, Tomoyo fez como na primeira vez: deu–lhe um pisão no pé.

Hiro odiou–se mentalmente por ter esquecido que essa era uma das táticas daquela a quem tanto admirava. Precisou soltá–la.

A Daidouji aproveitou a distração dele e conseguiu empurrá–lo porta afora, fechando–a com um barulho estridente logo depois e trancando–a.

– E COITADO DE QUEM ABRIR ESSA MALDITA PORTA! – ela gritou para Hiro ouvir do lado de fora.

– Sinto muito, Tomoyo. Não sabia que ele era tão grudento – Sakura consolou a amiga.

– Podemos ir logo? Assim não preciso aturar uma possível ameaça. Vamos sair pela porta dos fundos.

– Claro! – ela virou–se para Syaoran. – Você está pronto?

– Sim, já podemos ir – ele respondeu.

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Como ainda era cedo, os três entraram no carro e, com Syaoran dirigindo, deram um passeio por Tomoeda.

– Eu estava com saudades dessa cidadezinha – Sakura confessou.

Eles pararam o carro no estacionamento do parque da cidade.

– O Parque Rei Pingüim! – Syaoran lembrou–se.

– Aham – Tomoyo estava feliz. Gostava muito de relembrar a infância.

– Foi aqui que tivemos nosso primeiro encontro – Sakura dirigiu–se ao noivo, sonhadoramente.

– Muitos fatos da nossa infância aconteceram aqui – Tomoyo lembrou–os.

– Eu adorava a vista dessa ponte! – Sakura continuava com o tom sonhador enquanto andava por uma ponte sobre o rio que cortava a cidade.

– Você passava por aqui para ir à escola – Syaoran disse para a noiva. – De patins – ele completou mais baixo.

– Sim... todos os dias, praticamente – a Kinomoto concordou parando de andar. Ela debruçou–se sobre o parapeito da ponte e passou a mão nele.

Syaoran repetiu o gesto da noiva.

– Tivemos ótimos momentos aqui. Aliás, não foi exatamente sobre essa ponte que decidimos namorar? – ele perguntou a Sakura enlaçando sua mão na dela carinhosamente.

– Isso mesmo... – ela retribuiu. – E também foi nesse parque que decidimos que realmente nos mudaríamos para Londres – o tom dela mudara. Lágrimas eram encontradas em seus olhos verdes, embora ela ainda sorrisse.

Tomoyo apenas ficara olhando de fora. Não queria destruir a mágica presente naquela enxurrada de lembranças.

Um pouco mais longe do casal, ela revivia as próprias memórias.

Fora naquele parque que ela dera a última volta com seu pai. E era aquele lugar tão lindo e calmo que ela procurara tantas vezes quando se sentiu sozinha ou triste pela perda de seu pai.

Praticamente nada mudara por lá, apenas as pessoas... e os sentimentos que elas tinham quando iam para lá.

Ao olhar em volta, ela identificava todos os tipos de sentimento presentes num lugar só. Realmente, aquele parque tinha uma história e tanto.

– Ainda não sei quando consegui reunir coragem para decidir que um dia deixaria esse lugar – Sakura murmurou chorosa. Syaoran a abraçou, confortando–a.

Tomoyo não sabia essa resposta, mas se alguém lhe perguntasse como ela conseguira coragem para deixar aquela cidade, ela saberia muito bem.

No passado ela não pensaria duas vezes antes de trocar a vida infeliz que levava por qualquer outra coisa. Agora, porém, era diferente: ela tinha uma mãe que a amava e novos ótimos amigos.

Mas uma parte de seu coração continuava faltando em ambos os casos.

Ainda estava triste, isso era inegável; só que dessa vez esse sentimento era menor e, por mais que ela não admitisse, a viagem a Londres a fizera mais feliz. Não totalmente, mas um pouco mais.

O trio andou pelo resto do parque e, de volta ao carro, visitaram outros pontos da cidade.

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Finalmente era hora do almoço e eles estavam a caminho do restaurante.

"Meu destino está, sem dúvida nenhuma, ligado a esse restaurante", Tomoyo pensou. "Tudo o que acontece por aqui acaba no Clow".

– Olá, Tomoyo! Tudo bom? – Isuzu a cumprimentou assim que a morena adentrou o local.

– Tudo, e você? – ela retribuiu.

– Também.

– Estes são Sakura e Syaoran, amigos de infância – ela apontou para cada um deles separadamente. – Essa é Isuzu, amiga recente, mas que eu pareço conhecer a algum tempo – ela tinha se virado para o casal.

Os três apresentados apertaram as mãos.

– Sua mesa é aquela ali, a segunda à esquerda – Isuzu informou mostrando a direção.

– Obrigada – Tomoyo agradeceu.

– Sua amiga Rika já está lá, esperando – ela completou.

– Faz tempo que ela chegou? – Sakura quis saber.

– Não muito... uns dez minutos eu diria.

Os três caminharam até a mesa e cumprimentaram Rika, cada um demorando um certo tempo em tal ação.

– Sempre pontual – Syaoran disse à amiga.

– Não posso evitar – Rika sorriu amarelo.

As outras duas garotas riram com o comentário dela.

– Tomoyo, você não quer ligar para a Naoko? – Rika sugeriu. – Ela tem o péssimo hábito de se esquecer de alguns compromissos.

– Tudo bem – a morena concordou. Depois ela parou por um instante, pensativa. – Por que a Sakura não faz isso? Assim, se ela tiver esquecido, uma Sakura brava pode fazê–la se lembrar rapidinho!

– Gostei... – a Kinomoto comentou. – Vamos ver no que dá! – ela sorriu brincalhona, pegou o celular e começou a procurar o telefone da amiga.

O telefone chamou sete vezes até alguém atender.

– Pois não? – era uma voz grave, de homem.

– Ahn... Este é o telefone da Naoko? – Sakura perguntou incerta.

– É, sim.

– ...

Sakura esperava que ele entregasse o aparelho a Naoko, mas quando ele não o fez, ela tornou a falar.

– Posso falar com ela, por favor?

– Da parte de quem?

Uma voz foi ouvida ao fundo. E depois, um barulho de alguma coisa sendo derrubada no chão. A julgar pela altura do som, o próprio telefone era o que havia caído.

– Já falei para não fazer isso! – Naoko censurava o homem em meio a risadas. – Alô?

– Senhorita Yanagisawa! – Sakura fingia estar brava. – Onde a senhorita está?

– ... – a linha ficara muda por algum tempo.

– Naoko! – Sakura falara mais alto.

– Q–quem é? – Naoko estava assustada.

– Sakura Kinomoto.

– Sakura? – ela ainda processava as informações. – AI MEU DEUS! – ela gritou ao bocal do celular assim que lembrou.

– Francamente, Naoko, eu esperava que você tivesse mais consideração por uma velha amiga do que por um cara qualquer que apareceu de repente.

– Desculpa, Sakura! Eu esqueci completamente! – Naoko pegava suas roupas espalhadas pelo chão do quarto enquanto se desculpava.

– Sei – Sakura fingia descrença.

– Ai... Sinto muito mesmo! Onde vocês estão? – ela correu para o banheiro e passou a se vestir com uma mão só.

– No Clow.

– Certo. Peçam um Donburi¹ para mim e me dêem dez minutos que eu chego!

– Está bem – Sakura segurava a risada, tal como todos os outros presentes faziam.

As duas desligaram os telefones.

– Nossa, você quase a matou do coração – comentou Rika.

– É, mas isso é para ela aprender a dar mais valor à amizade do que ao sex... – a Kinomoto se interrompeu. Limpou a garganta e escolheu melhor as palavras antes de continuar. – ...do que a um rapaz.

– Bem típico dela – Tomoyo ponderou em meio a gargalhadas.

– O que ela disse, afinal? – Syaoran queria saber.

– Que é para fazermos nossos pedidos e pedir um Donburi para ela – Sakura informou.

– Ah... então ela vem? – Rika perguntou.

– Estará aqui em dez... – Sakura consultou o relógio. – ...nove minutos.

– Também! Depois dessa, nem que ela tivesse que vir de carona na traseira de um caminhão! – Syaoran comentou rindo.

As garotas acompanharam o humor do rapaz.

Embora não demonstrasse, Tomoyo não deixara de notar a ausência de Eriol e Kanna no restaurante.

"Estranho... O nome deles estava na lista de hoje...", ela pensou.

O que será que tinha acontecido?

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– Nossa, foi ótimo poder rever vocês! – Rika abraçou Sakura.

– Nós também ficamos felizes em poder matar a saudade – Syaoran revelou depois de abraçar Naoko.

– Precisamos fazer isso mais vezes... – Sakura ponderou.

– E eu prometo que da próxima vez não vou esquecer! – Naoko disse.

– Então até mais! – o casal se despediu das amigas e, juntamente com Tomoyo, rumaram para o carro a fim de ir para a festa em Odawara.

Os três começaram a seguir viagem.

– Qual é o problema, Tomoyo? – Sakura perguntou enquanto a olhava pelo retrovisor interno.

– Não tem problema nenhum – ela disse esboçando um sorriso.

– Eu te conheço bem... e você não disse nada desde que a gente saiu do restaurante.

– É que eu continuo meio sem graça de ter que ir ao aniversário do seu amigo – ela revelou sem encarar a Kinomoto.

– Relaxa, Tomoyo! – Syaoran entrou na conversa. Ele tentava animar a morena. – Ele nem vai ligar.

Tomoyo continuou incerta. Aquela festa não lhe cheirava bem.

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Duas horas e meia depois, os três haviam finalmente passado o portal que dizia o nome da cidade. Eram seis da tarde.

– Ah! Chegamos finalmente! – Sakura exclamava enquanto Syaoran estacionava na rua do prédio.

– Onde é a festa? – Tomoyo perguntou.

– Na cobertura dele – Sakura revelou.

"Cobertura?? Ah meu Deus! Ele é rico... e eu nem comprei um presente tão bom assim!", pensou a morena. "Não sei se tenho coragem de encarar uma festa na cobertura... da última vez em que fiz isso deu tudo errado...", ela relembrou o baile de Sakura e Syaoran e a insegurança bateu mais uma vez.

Os três desceram do carro e passaram a andar rumo ao tal prédio.

Syaoran vestia uma calça social preta com uma camisa esporte azul–clara de mangas curtas e sapatos pretos. Sua noiva usava um vestido preto de mangas curtas que ia até um pouco abaixo dos joelhos e calçava sandálias vermelhas de salto alto que combinavam com os detalhes na mesma cor de seu vestido. Seu cabelo estava solto.

Tomoyo estava com uma blusa regata verde, calça jeans escura e sapatos de bico fino e salto alto da mesma cor de sua blusa. O cabelo da morena estava solto e ondulado, ao invés do cacheado usual.

Depois de pegar os dois presentes no porta–malas do carro, eles foram até a portaria e Syaoran os identificou.

– Syaoran Li, Sakura Kinomoto e Tomoyo Daidouji. Vamos à cobertura de Eriol Hiiragizawa.

CONTINUA...

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N/A: Oii!

Acho que nem precisamos comentar sobre esse capítulo... ele fala por si só! Hahaha! Então o amigo aniversariante da Sakura e do Syaoran era o Eriol. Mais uma vez a Tomoyo deve ter se perguntado "E agora?"...

Se fosse com vocês, o que fariam? Nós, francamente, não saberíamos se entrávamos na festa ou se simplesmente viraríamos as costas e iríamos embora.

O jeito é esperar pelo próximo capítulo para descobrir! Não se esqueçam das reviews!

Kissus,

Mizu e Kimi

1. Donburi: é um prato japonês, que consiste em uma taça de arroz cozido com coberturas temperadas.

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Respostas às reviews

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Bruna cm Yamashina: Oii! Muitíssimo obrigada pelos elogios! É ótimo saber que alguém está gostando do nosso trabalho! Pois é... o Hiro não é o namorado da Sonomi... mas também não é o da Tomoyo! Se o pesadelo que ela teve realmente for acontecer, então a Tomoyo pode perder as esperanças, pois estará condenada a viver no inferno. Então, o encontro entre Syaoran, Sakura, Tomoyo, Eriol e Kanna pegaria fogo, mas ele não aconteceu! Esperamos não tê–la desapontado... e, se serve de consolo, também gostaríamos de saber quais seriam as reações de cada um deles. Continue acompanhando para obter possíveis respostas! Kissus!