OoOoO
Canção Para Você
––x––
Capítulo XV – Um abraço
OoOoO
"ERIOL HIIRAGIZAWA???", a morena gritou mentalmente. Várias emoções passaram por ela rapidamente.
O portão foi aberto, mas apenas duas pessoas entraram.
Ao invés de seguir os outros dois, Tomoyo deu meia–volta e passou a andar rumo ao carro.
Sakura saiu e foi atrás dela, deixando para trás um porteiro totalmente confuso e um Syaoran de expressão cansada.
– Já vi que vai demorar... – ele murmurou sem vontade ao mesmo tempo em que se sentava no único degrau ao lado da guarita, já dentro do condomínio.
– O que aconteceu? – o porteiro perguntou observando as duas jovens saírem.
– Ih... é uma longa história! Mas acho que elas vão voltar.
Sakura ainda ia atrás da amiga. Ela não iria desistir de colocar Tomoyo dentro da casa de Eriol naquela noite, ainda mais agora que estava tão perto.
– Espera, Tomoyo!
– Podem ir à festa, vou chamar um táxi e voltar para casa – ela estava brava com os amigos.
– Tomoyo! – Sakura precisou correr um pouco para alcançar a morena que andava a passos rápidos.
A Kinomoto entendia o comportamento da amiga, mas, assim como todo mundo, estava cansada de saber que Tomoyo amava o pianista e queria que os dois se acertassem logo.
"A Tomoyo é uma teimosa! Ah, mas nem que eu tenha que ficar a noite inteira aqui para convencê–la, eu vou conseguir! Ela vai entrar por aquela porta e vai encontrar o Eriol!", Sakura estava convicta. "E se dependesse de mim, os dois já saíam daqui casados hoje!".
– Mande os parabéns ao Eriol por mim – ela nem olhava para Sakura.
– Não! – Sakura segurou o braço dela e a impediu de continuar andando. Usou de sua força para fazer a amiga encará–la. – Você precisa vir com a gente!
– Por quê? – a pergunta pegou a Kinomoto de surpresa. – Por que fizeram isso? Por que simplesmente não me disseram que a festa era do Eriol? Aliás, antes de tudo, vocês nem deviam ter me convidado! Achei que podia confiar em vocês, mas pelo visto não posso! – ela estava profundamente magoada. Apenas pelo tom que usava e pelo olhar que ela tinha, Sakura pôde visualizar isso.
– Se a gente tivesse te contado que a festa era do Eriol, você viria? – ela desafiou.
– Claro que não!
– Então está explicado! – Sakura tentava convencer a amiga. – Tomoyo, qualquer um pode ver que você ainda gosta dele e que não está pronta para desistir disso.
– Eu... Não! Não é verdade! – ela sabia que amiga estava certa, mas não queria admitir.
– Nós duas sabemos que esse dia iria chegar, mais cedo ou mais tarde. Por que não dá uma chance a vocês dois? Quem sabe as coisas se acertem hoje? Você não teve chance de explicar a ele o que aconteceu depois do baile, não é? – Sakura continuou depois do aceno positivo da amiga. – Então! Aproveita e explica para ele.
– Ele não se importa – ela tinha passado a encarar os próprios pés. – Não existe mais um "nós" para ele – ela não ia chorar, mas continuava magoada. – E ele está com a Kanna agora... e nem esperou que eu desse qualquer explicação, simplesmente ficou com ela assim que eu voltei. Tenho quase certeza de que ele nunca terminou com ela de verdade.
Mesmo tendo dito as últimas palavras, a morena se sentiu mal. Ela não queria sentir ciúmes de Kanna, mas o ciúme é inevitável quando se ama alguém.
– Você sabe tão bem quanto eu que ele não é assim. Ele não te enganaria, nem mentiria.
Sim, Tomoyo sabia que esse tipo de coisa não era do feitio de Eriol, mas queria uma desculpa para fugir dali. Fugir de tudo o que lhe causava dor.
Covarde. Era assim que a morena se sentia. Ao invés de enfrentar seus problemas de frente, como todo mundo deveria fazer, ela preferia fugir e ignorá–los.
– Eu não quero mais ter que encará–lo! – ela gritava em desabafo e seu olhar voltou a encarar o da amiga. – Ter que olhar para ele todos os dias e vê–lo acompanhado da Kanna! Estou cansada de chorar por ele, porque sei que ele não vai voltar! Nós não vamos voltar a sentir o que sentimos por uma noite um pelo outro! – os olhos da morena estavam molhados, mas ela se recusava a derramar uma lágrima sequer.
Tudo o que Sakura queria era abraçá–la e confortá–la, mas se fizesse isso, todo o seu plano iria por água abaixo. Ela tinha que se mostrar mais teimosa que Tomoyo e fazê–la enfrentar seus medos. Do contrário, a amiga nunca voltaria com Eriol e perderia a chance de ser feliz. Ela resolveu apelar.
– Vou te contar uma verdade – Sakura disse calma. – No baile, eu e Syaoran não te contamos que Eriol ia porque queríamos que fosse uma surpresa. Era para vocês se acertarem naquela noite e foi isso que aconteceu. Essa noite é para ser igual à noite do baile. Vocês precisam se acertar.
– Por que é tão importante para você que nos acertemos essa noite?
– Não é importante para mim, mas para vocês dois – Sakura sentia que Tomoyo estava começando a dar o braço a torcer e sorriu internamente. – Você realmente acha que Eriol está feliz com a Kanna? Eu tenho conversado com ele desde o baile e ele não é mais o mesmo. Quase nunca sorri, prefere ficar quieto em seu canto e até parou de compor melodias e de tocá–las.
– Ele... não está mais tocando? – a morena estava surpresa com aquilo.
"Nunca imaginei que isso pudesse acontecer um dia... Eriol não compor mais melodias... Mas, por quê?", por um breve momento ela deixou de lado suas inseguranças.
– Não. E ele só está com a Kanna porque ela não larga do pé dele e o fica seguindo por todos os lados. E mesmo assim, eles não voltaram a namorar, apenas saem juntos porque ele não tem escolha.
Tomoyo não tinha palavras. Aquelas informações haviam mexido com ela.
– Você superou a separação abrupta muito melhor do que ele, se quer saber. Você chorou e se desesperou, mas desabafou. Depois colocou um sorriso no rosto e decidiu que seguiria com a vida. Ele não – Tomoyo já estava convencida, mas queria saber o resto da história. – Eriol não chorou, nem se desesperou; ele não desabafou. Portanto, não conseguiu seguir com a vida e ficou parado no tempo. Me arrisco até a dizer que ficou esperando por você.
De repente ela se lembrou da primeira vez que o encontrara no restaurante.
"– Espera – ela não sabia o que dizer agora. O pedido tinha escapado de seus lábios antes que ela pudesse conter.
Ele parou de andar e olhou para ela.
– Mais do que já esperei? – ele perguntou antes que ela tivesse tempo de formular qualquer outra frase. O inglês tinha uma expressão que beirava a mágoa."
"Um lindo sorriso triste...", ele avaliou mentalmente.
– Pode deixar que entre – ele autorizou sem retribuir o sorriso dela, porém seus olhos ficaram cravados nos dela.
– Parabéns, Eriol! – Sakura foi a primeira a cumprimentá–lo quando os quatro já estavam do lado de dentro do apartamento. – Tudo de bom!
– Parabéns! – Syaoran trocou um aperto de mãos com ele, seguido de um abraço. – Esse presente é em nosso nome – ele enlaçou Sakura com uma mão e, com a outra, entregou o embrulho ao inglês.
– Obrigado – ele sorriu. Em seguida, Eriol olhou para Tomoyo, como se esperasse pela reação dela.
Antes, porém, ele foi surpreendido pela fala de Sakura.
– Com licença, Eriol, vamos beliscar alguma coisa porque estamos morrendo de fome! – Sakura mentiu e ela e o namorado saíram, deixando o casal a sós.
Tomoyo se aproximou dele timidamente. Ela realmente não sabia o que dizer naquele momento. Resolveu começar pelo mais óbvio.
– Feliz aniversário – ela chegou ao limite da aproximação e entregou o presente a ele. – É simples, mas espero que goste – ela completou ainda tímida.
Ele acenou com a cabeça, mas não disse nada. Percebendo que estava deixando a jovem muito embaraçada, ele baixou os olhos para o presente e passou a abri–lo. Era uma camisa social branca, comum.
Tomoyo continuou olhando para Eriol enquanto ele abria o presente. Ela tinha cumprido a parte mais fácil que era entregar o presente. Agora, vinha a parte mais difícil.
Chegando ao máximo de sua coragem e no auge da timidez, ela decidiu que continuaria com o plano, que lhe daria um abraço.
– Eu posso... – ela se sentiu intimidada diante dos olhos azuis que voltaram a fitá–la no momento em que falou. Como ela sentira saudade de olhar fundo neles. – Posso te dar um abraço?
Ela falou de uma vez para não poder voltar atrás. Não importava o que ele respondesse, pelo menos ela havia tentado. Mas contrariando sua mente, que gritava para que ela fosse embora dali logo, ela queria abraçá–lo, confortá–lo.
– Claro – ele respondeu simplesmente sem desviar o olhar. Talvez para encorajá–la mais ainda, Eriol sorriu docemente.
Devagar, a morena cortou a distância que a separava dele e passou suas mãos sob os braços dele, repousando a cabeça em seu peito.
Ele correspondeu, passando seus braços em volta dos ombros da jovem e descansando a cabeça sobre a dela.
Tomoyo aspirou o perfume que ele usava. Ela se lembraria do cheiro para sempre. Era tão bom estar mais uma vez perto daquele que ela tanto amava.
"Mas que jamais poderia ter...", ela pensou dolorosamente.
Aparentemente Eriol também estava gostando da proximidade, já que ele não tomara a iniciativa de desfazer o abraço.
Eles tinham ficado assim por um tempo.
– Eriol? Pode vir aqui um minuto? – alguém gritou do meio da sala.
Os dois se separaram e Tomoyo sorriu mais uma vez antes de Eriol deixá–la sozinha e ir até aquele que o chamara.
"Acho que o abraço não foi uma idéia tão boa assim... eu não devia ter me aproximado dele agora que estava começando a esquecê–lo. Mas não posso negar que gostei...", a garota aproveitou aquele pouco tempo sozinha para tentar ordenar os pensamentos. "A Sakura estava certa, eu ainda não estou pronta para desistir dele, por mais que eu queira".
A morena decidiu dar uma volta pelo apartamento dele, buscando os aposentos que estivessem mais vazios.
Era hora de voltar à realidade. Ela não ficaria na festa por muito mais tempo, fora apenas para dar um abraço nele.
Então ela passou a procurar por Sakura e Syaoran, para avisá–los de que estava voltando para Tomoeda.
Durante sua procura, ela reparou no apartamento: era grande e muito bem arrumado, tal como a mansão que ele tinha na Inglaterra. As paredes eram ornamentadas com fotos, pinturas e até cifras.
Em uma das salas ela parou para admirar um quadro na parede. Ele era uma pintura abstrata, composta apenas de linha curvas, mas as cores que ela viu lá chamaram a sua atenção. Eram cores claras, que traziam uma certa calma ao ambiente lotado de gente.
– Não acredito que você teve a cara de pau de aparecer aqui – falou uma voz baixa e odiosa ao seu ouvido.
Tomoyo foi pega de surpresa, mas nem precisou se virar para saber que era Kanna quem estava falando com ela. Com seu vestido azul–piscina decotado em "V" até o umbigo, ela tinha um olhar ácido.
– Não preciso dar explicações sobre a minha vida – Tomoyo respondeu com frieza, ainda sem se virar.
– Quem te convidou? Como deixaram você entrar? – Kanna quis saber. – Ah, já sei, você invadiu. Vou chamar o segurança.
Ela já se preparava para sair, mas Tomoyo foi mais rápida.
– Não é necessário, o segurança sabe que estou aqui – ela finalmente se virou para encarar Kanna nos olhos. Tanto a voz da morena quanto o olhar dela eram desafiadores.
Kanna virou–se espantada e totalmente sem entender.
– O próprio Eriol autorizou a minha entrada – a morena sorriu usando ainda o mesmo tom dos olhos e da voz.
Os olhos de Kanna se arregalaram ainda mais.
– Como se atreve, sua vaca! – Kanna perdeu a paciência.
Sacou uma arma e apontou para a jovem, discretamente.
Era uma arma pequena e leve e estava encostada no abdômen de Tomoyo.
A jovem se surpreendeu com a falta de limites de Kanna.
– Agora, vamos dançar conforme a minha música – Kanna sorriu.
Ela fez Tomoyo se virar de costas para ela e, ainda com a arma encostada na jovem (dessa vez nas costas dela), passou a empurrar a morena por entre os convidados.
Do lado de fora da cobertura, elas subiram as escadas até chegar a uma laje que ficava sobre a cobertura.
Lá, ela empurrou Tomoyo, que caiu no chão. Ficou de pé a alguns metros da morena, ainda com a arma em punho.
– O que você pensa que está fazendo? QUEM VOCÊ PENSA QUE É? – Kanna gritou.
Tomoyo estava realmente com medo de Kanna. Sem outras opções, ela resolveu jogar com o que sabia e tentar mexer com o psicológico da outra. Se levantou, para não demonstrar à outra que era inferior.
– Do que você tem medo, Kanna? – ela escolhia cada palavra com cuidado. – Honestamente, eu não entendo. Não é você quem está com o Eriol? Por que eu ainda represento uma ameaça?
– NÃO SE FAÇA DE ESTÚPIDA! VOCÊ SABE QUE ELE AINDA NÃO TE ESQUECEU – Kanna tinha puro ódio nos olhos.
– Ainda não me esqueceu? Ah... bom saber disso – Tomoyo sorriu. – Quer dizer que eu ainda tenho chance.
– CALA A BOCA! – o corpo de Kanna tremia. – Nós dois estávamos indo às mil maravilhas até você aparecer! – ela não gritava, mas ainda falava alto.
Tomoyo olhava para ela, mas não respondeu, por mais que soubesse que aquilo não era verdade. Preferiu deixá–la continuar a história.
– Mas, a partir de hoje, você não vai mais representar perigo algum, pois vou matá–la! – Kanna carregou a arma.
CONTINUA...
OoOoO
N/A: Olááá!
Esse capítulo foi tenso do começo ao fim, hein? Pra quem achava que a Kanna já tinha feito todas as suas maldades... agora sim é que ela está agindo pra valer! Mas a Tomoyo está bem corajosa para lidar com ela. Então, é esperar para ver no que vai dar...
Bom, é isso aí! Esperamos que gostem do capítulo!
Kissus,
Mizu e Kimi
––x––
Respostas às reviews
––x––
Trisha Nunes: Oii! Nós é que agradecemos por acompanhar a história e comentar. Continuaremos postando, com certeza, e esperamos comentários seus! Kissus!
Bruna cm Yamashina: Hey! Respondendo às suas perguntas, sim, a festa é do Eriol! E, por esse capítulo, já deu pra sacar que a Kanna vai estar lá... e não muito feliz em ver a Tomoyo. Tadinha dela! Tomara que goste e continue lendo. Kissus!
