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Canção Para Você
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Capítulo XVII – Retorno à felicidade
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– O pai da Sakura? – Tomoyo surpreendeu–se.
– É... – Sonomi continuava sem jeito.
– Que ótimo, mãe! Se vocês ficarem juntos, eu e a Sakura seremos irmãs de verdade!
– Que bom que aprovou, filha – ela suspirou aliviada.
– Sabe mãe, eu estava pensando... se eu for para a Inglaterra e as coisas derem certo lá, como você vai fazer? Quero dizer, eu não gostaria que você ficasse morando aqui sozinha.
– Você não precisa mais se preocupar com isso, Tomoyo, porque dois dias atrás o Fujitaka me pediu para ir morar com ele.
– Ahhh!! – Tomoyo gritou de felicidade. – Não acredito!!!
– Na verdade, nem eu. Eu tinha dito a ele que pensaria sobre isso, mas que falaria com você primeiro.
– Agora estou mais feliz ainda, mãe! – Tomoyo foi até ela e, praticamente pulando em cima da mãe, a abraçou.
Quando se separaram, Sonomi ficou sentada no sofá e Tomoyo estava com a cabeça no colo dela. As duas permaneceram assim até o fim da conversa.
– Engraçado como tudo está dando certo.
– Acho ótimo que esteja! Pode dizer ao Fujitaka que você vai, sim, morar com ele.
– Farei isso. Mas mudando um pouco de assunto, filha, quando você vai para Londres?
– Esse domingo, dia 29.
– Hum... posso saber por que você ainda tem dúvidas sobre essa viagem? – Sonomi tinha percebido o tom duvidoso de Tomoyo quando essa dissera o dia em que iria para lá.
– Tenho dinheiro para bancar a passagem, mas não a minha estadia lá. Hoje mais cedo eu falei com a Sakura sobre a minha possível ida a Londres e ela me ofereceu a casa dela... mas eu não queria incomodar.
– Entendo. Bom, eu realmente não posso te ajudar com isso, mas acho que se você estiver destinada a ser feliz lá, então não terá problemas.
– É... acho que eu nunca vou saber se não tentar, não é mesmo?
– Com certeza!
– Obrigada mãe.
– De nada – Sonomi riu.
– E parabéns pelo namorado!
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Empolgada com sua decisão, Tomoyo acordou cedo no dia seguinte e resolveu arrumar suas coisas.
Com a ajuda da mãe, ela colocou todas as suas roupas e pertences em cinco malas de viagem.
Elas levaram quase o dia inteiro e só pararam para comer alguma coisa por cerca de uma hora.
O desafio seguinte foi descer todas as malas e deixá–las na sala, pois assim seria mais fácil transportar a bagagem até o carro.
Tudo isso feito, as duas podiam ser encontradas na cozinha, sendo que Sonomi estava literalmente largada em uma cadeira e Tomoyo estava de pé, bebendo um copo d'água.
– Nossa! Finalmente acabou! – a jovem disse.
– Levamos quase o dia todo, mas conseguimos! – Sonomi tinha uma voz cansada.
– É... – Tomoyo disse assim que depositou o copo na pia. Depois ela foi se sentar na cadeira em frente à da mãe. – Foi um longo dia... Obrigada pela ajuda, mãe.
– Não foi nada... mas me diga, será que amanhã você vai conseguir levantar sem se atrasar?
– Ah, espero que sim... – a morena fechou os olhos.
– Então, posso te pedir uma coisa? – Sonomi parecia inquieta.
– Claro! – ela os abriu.
– Você tinha dito que queria encontrar o Fujitaka antes de partir... lembra? – a mãe da jovem parecia insegura.
– Lembro.
– Então... eu marquei de jantar na casa dele hoje... nós três.
– Ah... – Tomoyo murmurou e deixou a cabeça pender para frente até encontrar o tampo da mesa.
– Você tinha outros planos, não é? – Sonomi pareceu desapontada.
– Não, não é isso. É que você podia ter me dito isso antes – a morena levantou a cabeça e voltou a olhar para a mãe com um sorriso amarelo nos lábios. – Agora vamos ter que vasculhar as malas em busca de uma roupa.
– Ah... – Sonomi repetiu o murmúrio de Tomoyo. Depois, ela respirou fundo. – Bom, ao trabalho!
Mãe e filha levantaram–se sem qualquer vontade e passaram a procurar por alguma coisa que Tomoyo pudesse vestir para aquela noite.
Duas malas depois elas tinham finalmente encontrado um vestido preto básico de mangas curtas e um par de sandálias prateadas.
– Que horas você marcou com ele? – a morena perguntou enquanto terminava de calçar as sandálias em seu quarto.
– Disse que estaríamos lá por volta das sete horas – Sonomi disse do quarto ao lado.
A jovem deu uma olhada no relógio: 19h47.
– Acho que estamos um pouco atrasadas – Tomoyo constatou.
– Depois que contarmos sobre as cinco malas, ele vai ter que nos perdoar! – aquilo soara como uma ameaça.
Rindo, a morena foi até o banheiro e deu uma olhada no curativo que fora feito em seu ombro. O local ainda doía, mas não sangrava e, muito provavelmente, os pontos estavam no lugar certo.
– Pronta? – a mãe gritou da sala.
– Sim – Tomoyo respondeu quando corria para a escada.
As duas entraram no carro e partiram rumo à casa de Fujitaka, do outro lado da cidade.
Tomoyo reparou na expressão de sua mãe, apreensiva, como uma filha levando os pais para conhecer o namorado novo. Era incrível como os papéis tinham se invertido.
– Sabe, filha, eu queria comentar algo com você, mas não sei se está pronta para falar sobre isso.
– Hm... – a jovem pensou um pouco. – Sobre o quê?
– Eriol – a mãe respondeu simplesmente.
– Ah, sim. Tudo bem, pode falar.
Tomoyo não se sentia mais triste quando elas tinham que falar sobre ele. Depois do acontecido na festa de aniversário, ela percebeu que eles tinham voltado a ser amigos.
– Eu o conheci quando você estava no hospital. E, de certo modo, sou muito grata a ele.
– Por quê?
– Porque ele foi na ambulância com você e ficou lá no hospital ao seu lado, esperando que eu chegasse.
– E–ele fez isso? – Tomoyo ficou vermelha.
– Sim. E nós conversamos bastante durante a sua estadia lá.
– Ai meu Deus, mãe! – a jovem agora era um pimentão. – Conversaram sobre o que, exatamente?
– Sobre um monte de coisas. E a maioria delas envolvia você.
Tomoyo ficou calada e passou a imaginar alguns possíveis assuntos.
– Eu tirei umas conclusões – Sonomi a trouxera de volta à realidade.
– Conclusões? – a morena fora do acanhamento ao espanto em dois segundos.
– É... Se você quiser namorá–lo, saiba que tem a minha aprovação.
– Mãe! – ela falou sem acreditar nas palavras de Sonomi.
– Ele é um ótimo rapaz, gentil, inteligente e, o mais importante, gosta de você.
Tomoyo abriu a boca várias vezes, mas não soube o que dizer.
– E pelo que vejo, você também gosta dele.
– Mãe, por favor! – ela continuava sem uma resposta melhor.
– Tomoyo, você não viu o que eu vi. Não viu o jeito como ele te olhava e nem como você ficou depois que conversou com ele no hospital.
– Como eu fiquei? – ela se perguntou. Não tinha percebido que seu comportamento havia mudado depois de falar com ele.
– Você estava toda sorridente, dava quase para sentir a felicidade que você irradiava!
– Eu... não sei o que dizer... – e ela estava embaraçada de novo.
– Não precisa me dizer nada, filha. Tudo o que você precisa fazer é convencer a si mesma de que gosta dele. O que pode dar errado dessa vez?
– Não sei... tem uma coisa na minha mente que não me deixa segura... algo que diz que amá–lo não é certo.
– Já entendi – Sonomi sorriu. – Você tem medo de não ser amada, de ser magoada.
– Medo... – a jovem Daidouji repetiu baixinho.
– Mas, filha, olha só para você! Não decidiu voltar para Londres? – Tomoyo assentiu, ainda sem entender aonde sua mãe queria chegar. – Então, isso mais do que prova a minha teoria! Seu coração decidiu isso porque ele quer ficar junto de Eriol.
– As pessoas dizem que não se pode deixar levar pelo coração.
– Isso é verdade quando as emoções atrapalham, o que não é o caso. Querida, ele já não te deu provas suficientes de que ainda gosta de você?
– Talvez...
– Então! Às vezes nós precisamos confiar no que nosso coração diz e deixar que ele nos guie.
– Da última vez em que eu fiz isso, que deixei meu coração tomar o controle, eu só me magoei.
– Isso aconteceu porque aquela não era a hora certa de se deixar levar... mas agora é!
– Como pode ter tanta certeza?
– Porque sou sua mãe – ela sorriu docemente. – E as mães sabem o que acontece no coração de seus filhos.
– Hum... – a jovem estava pensativa, ainda não estava convencida.
– Sei que te dei razões suficientes para não confiar em mim – o sorriso dela desapareceu. – mas faça–o, apenas dessa vez, e sei que não vai se arrepender.
– Está bem... – Tomoyo exalou sonoramente. – Vou confiar em você, mãe.
– Obrigada, querida – Sonomi virou–se para a filha por um instante e deu um beijo no topo de sua cabeça.
Assim que a conversa delas se encerrou, Sonomi parou o carro em frente à casa de Fujitaka.
As duas saíram do carro e pararam no portão.
Sonomi tocou a campainha e Fujitaka apareceu logo em seguida, com um sorriso estampado no rosto.
– Desculpe o atraso – Tomoyo disse quando ele destrancava o portão.
– Não tem problema.
– Muitas malas – Sonomi informou.
– Entendo – Fujitaka deu uma risada.
Tomoyo ficou sem jeito, pois não sabia como cumprimentá–lo. Antes, quando ele era apenas o pai de sua amiga, ela o cumprimentava com um beijo, mas agora, que ele havia se tornado seu padrasto, ela não tinha muita certeza.
Em todo caso, a morena ofereceu a ele um aperto de mão. Fujitaka o aceitou, mas adicionou o tão comum beijo na bochecha da garota, agora sua enteada.
Quando chegou a vez de Sonomi cumprimentá–lo, ela olhou incerta para a filha, mas Tomoyo apenas acenou com a cabeça, encorajando–a. Percebendo que a morena tinha concordado, Sonomi e Fujitaka se beijaram apaixonadamente.
Tomoyo sorriu. Sua mãe estava feliz e, conseqüentemente, ela também. Depois de toda a confusão na saída da mansão, a jovem sabia o quão difícil aquilo tudo era para sua mãe. Mas ela tinha superado; as duas tinham.
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O jantar fora tranqüilo, com muita conversa e, da parte de Tomoyo, muita aprovação do romance.
– Soube que você pediu que mamãe se mudasse para cá – a morena disse.
– É... fiz essa oferta a ela, mas não sabia o que Sonomi diria – Fujitaka admitiu.
– De início, eu disse que pensaria, mas queria dizer não, porque não sabia se Tomoyo concordaria. Confesso que estava com medo de perguntar isso a você, filha – ela se virou para a jovem.
– Mãe, desde que você seja feliz, eu aprovo qualquer coisa!
– Então... isso quer dizer que você reconsiderou e que vai se mudar para cá? – Fujitaka estava esperançoso.
– Sim... agora que Tomoyo vai voltar para Inglaterra, não tenho porque me preocupar.
– É justo... você vem morar comigo e ela vai morar perto da Sakura – ele ponderou.
– Uma troca justa – Tomoyo concordou.
– Vai partir amanhã mesmo, Tomoyo? – ele perguntou.
– Sim. Tenho que estar no aeroporto às 7h30. Aliás, não quer vir junto? – ela convidou o padrasto. – Assim mamãe não precisará voltar sozinha.
– Combinado! Vou junto! Vão sair que horas?
– Bom, o aeroporto fica em Tóquio, que fica a uma hora daqui – Sonomi fazia as contas. – Precisaremos sair às 6h, então, para não corrermos o risco de ficar presos em algum congestionamento.
– 6h. Estarei lá às 5h50, então.
– Que bom que vai junto – Sonomi estava animada em ver Fujitaka no dia seguinte também.
– Eu não queria interromper vocês, mas acho melhor irmos para casa agora. Temos que acordar cedo amanhã – Tomoyo interrompeu os olhares que os dois trocavam.
– Bom, então vamos? – Sonomi perguntou à filha, que deu um murmúrio positivo como resposta.
– Então vejo vocês amanhã – Fujitaka disse.
Depois de se despedirem dele, as duas foram para o carro e rumaram de volta para a casa.
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Depois de uma noite de sono bem dormida, Tomoyo estava pronta para confiar em sua mãe e deixar o coração assumir o controle de suas decisões.
Ela, Sonomi e Fujitaka estavam no aeroporto alguns minutos antes do previsto.
– Espero que me deixem embarcar com todas essas malas – Tomoyo pensou alto enquanto olhava para suas cinco malas.
Fora precisa ajuda de Fujitaka para empurrar o carrinho, pois este estava muito pesado.
– Você já vai despachar as malas? – Sonomi perguntou.
– Acho melhor. Assim já me livro logo de todo esse peso – Tomoyo decidiu rumando para o balcão.
Tendo despachado as malas, os três rumaram para a praça de alimentação do aeroporto, onde tomaram um chá.
Ela aproveitou aquele momento para pensar no que faria assim que chegasse em Londres. Tinha informado a Sakura o horário provável do pouso e, juntamente com Syaoran, a amiga tinha ficado de buscá–la no aeroporto.
Tomoyo ficaria na casa de Sakura até conseguir um lugar barato onde pudesse ficar. Com relação ao emprego, ela decidiu que trabalharia em qualquer coisa, desde que conseguisse algum dinheiro para sobreviver sem ter que pedir ajuda a ninguém.
Esperaram pacientemente por uma hora, até que o vôo de Tomoyo começou a ser anunciado.
Ela se levantou e, com a passagem em mãos e a bolsa pendurada no ombro bom, virou–se para Fujitaka para se despedir.
– Obrigada por tudo – ela o abraçou forte. – Cuide bem dela – ela pediu quando se separaram.
– Pode deixar. Dê um beijo na Sakura por mim – ele respondeu.
Tomoyo assentiu. Depois, com lágrimas nos olhos, virou–se para a mãe e a abraçou forte.
– Ah, mãe... – elas começaram a chorar ao mesmo tempo.
– Divirta–se lá, querida! – ela deu um beijo estalado na bochecha da filha. – Estamos torcendo muito por você e sabemos que tudo vai dar certo!
– Obrigada, mamãe! – o estado de espírito de Tomoyo era exatamente o mesmo que o de Sonomi. – Volto para visitá–los assim que puder.
– Ficaremos esperando – Sonomi disse.
O casal ficou observando a jovem morena até que ela entrou na sala de embarque, de onde não podia mais ser vista.
– Vamos – Fujitaka disse e, abraçados, ele e Sonomi deixaram o local.
Tomoyo sentiu um frio na barriga.
Estava ansiosa, confiante e com medo ao mesmo tempo.
Foi uma das primeiras a entrar na aeronave e logo foi procurar o seu assento.
Ela não esbarrou com nenhum pianista famoso nem nada assim, e também não precisou trocar de lugar com ninguém.
Simplesmente colocou a bolsa no bagageiro e sentou–se em sua poltrona.
Ela não tinha levado remédio nenhum, mas sabia que não sentiria medo dessa vez. Seria uma viagem legal, sem pressões, sem mentiras, sem estresse.
Ela apenas aproveitou as doze horas de um vôo tranqüilo, pacífico.
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Assim que saiu do avião, Tomoyo pegou o celular, mas nem foi preciso ligar para Sakura, pois ela e o noivo estavam na saída da sala de desembarque, esperando por ela.
– Sakura! – ela abraçou a amiga.
– Oi, Tomoyo. Como foi de viagem? – ela estava animada com a chegada da outra.
– Tudo bem... nenhuma turbulência – a morena disse sorrindo.
– Tomoyo – Syaoran cumprimentou a amiga.
– Acho que as suas malas já estão disponíveis – Sakura informou. – Eles disseram que elas iam estar na esteira quatro.
– Ah, Syaoran, acho que vou precisar de ajuda com o carrinho... São cindo malas pesadas.
– Sem problemas! – ele bateu continência.
Os três foram andando rumo à esteira de número quatro. Sakura e Tomoyo iam conversando mais atrás, enquanto Syaoran pescava as malas de Tomoyo e as colocava no carrinho.
– Olha, Sakura, eu não quero atrapalhar vocês...
– Se você atrapalhasse a gente não iria te receber aqui – Sakura respondeu rindo.
– É por pouco tempo, juro! – Tomoyo estava apreensiva.
– Não se preocupe! Fique o tempo que quiser!
– Muito obrigada, você sempre foi como uma irmã para mim! – Tomoyo foi sincera.
– Bom, e acho que agora realmente somos!
– É verdade... gostei da idéia dos nossos pais ficarem juntos.
– Eu também! Acho que eles combinam bastante.
– Aliás, seu pai te mandou um beijo – a morena se lembrou.
– Obrigada – Sakura agradeceu.
Tendo resgatado as cinco malas, os três amigos foram para o apartamento.
Chegando lá, Sakura ajudou Tomoyo a desfazer as malas e colocar as roupas no armário do quarto de hóspedes.
Depois, elas arrumaram os lençóis na cama e deixaram tudo pronto para dormir.
– Esqueci que vou ter que me acostumar com a diferença de horário novamente...
– Uma hora você se acostuma – Sakura garantiu dando uma piscadela.
– Espero que sim.
No horário biológico de Tomoyo já eram 5h48, sendo que em Londres os relógios marcavam 20h48.
– Bom, como dormi no avião e estou sem sono, vou dar uma saída.
– Certo. Ah, leve a chave do Syaoran, assim você não precisa tocar a campainha quando voltar – Sakura andou até a cozinha, sendo seguida por Tomoyo, onde pegou um molho de chaves e o entregou a amiga.
– Obrigada! Eu não vou demorar! – ela garantiu e rumou para a porta.
Saindo do prédio, Tomoyo chamou um táxi e pediu que esse a levasse até o Dominion Theatre.
Como sempre, depois de alguns minutos, ela chegou.
"Exatamente como eu me lembrava", ela disse quando desceu do carro e parou em frente à entrada.
Animada, Tomoyo parou na porta principal, ainda aberta àquela hora.
Ela entrou e começou a andar por aqueles tão conhecidos corredores, cumprimentando todo mundo que passou por ela, rostos familiares e desconhecidos.
Uma das últimas pessoas que ela encontrou foi o senhor McGreggor.
– Senhorita Daidouji? – ele perguntou.
– Senhor McGreggor! – ela se assustou. – Eu sei que não posso mais entrar aqui, mas...
– Você voltou! – ele cortou a frase da garota.
Tomoyo lançou a ele um olhar confuso.
– É... – ela tentava entender onde ele queria chegar.
– Ah, meus pedidos foram ouvidos! – ele olhou para cima enquanto erguia os braços na mesma direção.
– C–como?
– Por favor, pelo amor de Deus, volte a trabalhar aqui no teatro! – Leonard se ajoelhou diante dela.
– Ahn... eu... – a jovem estava sem palavras.
– A senhorita não sabe a falta que faz! Desde que precisou voltar ao Japão, as coisas por aqui andaram muito bagunçadas, os cenários não são entregues na data certa, os funcionários não fazem o trabalho direito, os atores não têm com quem ensaiar suas falas, as pessoas da platéia não conseguem achar seus assentos... resumindo, está tudo um caos! A senhorita é a alma desse lugar e é insubstituível! Por favor, volte a trabalhar aqui!
– Bom, se a minha ajuda aqui é tão necessária, então eu aceito – ela estava surpresa.
– Ah, que bom, que bom! – ele se levantou e apertou a mão dela inúmeras vezes. – Obrigado, muito obrigado! A senhorita vai salvar o Dominion Theatre!
Tomoyo sorriu e, deixando um saltitante senhor para trás, continuou seu caminho até chegar ao palco, vazio no momento.
Andou até ele, embora tenha ficado no corredor entre a primeira fileira da platéia e o próprio palco, e relembrou a cena da dança que tivera com Eriol.
– Fui tão feliz aqui... – ela passou a mão sobre a superfície de madeira. – Por que me levaram de volta? – ela ainda buscava o entendimento daquela reação de seus tios.
– Justamente porque não queriam que fosse feliz – alguém respondeu.
Tomoyo virou–se rapidamente para a entrada do salão e deparou–se com Eriol.
Ela não sabia o que dizer para ele... tinha prometido escutar o coração, mas achou que teria mais tempo antes de se deparar com Eriol e lhe dizer como se sentia.
Ofereceu um sorriso tímido.
– Então, você voltou – ele disse encaminhando–se para ela.
A cada passo que ele dava o coração de Tomoyo batia mais rápido.
– Percebi que aqui era o meu lugar... que aqui eu seria mais feliz.
– Acho que tem razão – Eriol a alcançou. – Me daria a honra de uma dança?
Tomoyo sorriu com sinceridade.
– Continuo não dançando muito bem – mesmo assim ela aceitaria o convite dele.
– Mas está ganhando experiência... está praticando.
– Praticando?
– Sim... você dançou comigo aqui algumas vezes e depois dançou no baile.
– Está bem, dançarei com você, mas não me responsabilizo por possíveis danos – ela brincou rindo.
– Pode deixar que eu me responsabilizo por eles – ele também estava rindo. Ofereceu uma mão a ela, que aceitou.
Os dois subiram no palco e passaram a dançar no silêncio, enquanto conversavam.
Ela estava ansiosa, insegura e feliz ao mesmo tempo, ou seja, estava apaixonada novamente.
A jovem acreditava que nenhum outro acontecimento poderia fazê–la mais feliz do que estar ao lado de quem ela amava.
A mente dela esqueceu as definições de certo e errado e parou de deixá–la insegura, de brigar com o coração.
Tomoyo estava fazendo o que prometera a sua mãe, estava deixando o coração guiá–la... e estava gostando.
– Preciso admitir uma coisa – Tomoyo distanciou–se dele um pouco para olhar em seus olhos. Porém, eles continuaram dançando.
– O quê? – ele estava curioso.
– Você teve um grande peso na minha decisão de voltar para cá.
– É bom ouvir isso – ele a encarava com carinho. – Quando isso aconteceu?
– No seu aniversário, quando eu te abracei.
– Foi naquele momento que eu descobri que não podia viver longe de você... E já que estamos confessando alguns segredinhos...
Ela o encarou ternamente, esperando que continuasse a falar.
– Tiveram duas situações que eu gostei muito de passar com você: a da nossa primeira dança aqui no teatro e a do nosso primeiro beijo no baile.
Tomoyo corou furiosamente. Tinha esquecido que ainda não haviam falado sobre o beijo.
– Adoro quando você fica sem graça – ele riu e tocou a bochecha dela.
Ela riu com ele, mas continuou vermelha.
– Bom, e como esses foram dois momentos mágicos para mim, vamos unir o útil ao agradável.
– Como assim? – ela perguntou confusa.
– Nós já estamos dançando – ele explicou. – Só falta uma coisa.
Eriol se aproximou dela rapidamente e a beijou.
Mesmo pega de surpresa, Tomoyo gostou. Foi como na primeira vez em que se beijaram, ela sentiu–se completa e segura. Uma felicidade enorme tomara conta de seu interior e seu coração estava tão alegre que batia muito rápido.
Sentira falta de todas aquelas sensações juntas, que somente o beijo de Eriol poderia lhe proporcionar.
– Tem uma coisa que eu queria falar para você desde o baile, mas que não tive chance – ele revelou parando de dançar.
– E o que é?
– Eu te amo.
Tomoyo fora surpreendida mais uma vez. Não esperava que ele pudesse ser tão direto.
– A primeira vez em que nos encontramos, você era triste e escondia seus verdadeiros sentimentos, além de não desabafar a insegurança e pressão que sentia. De início, achei que o que eu sentia por você era pena, mas percebi que queria ficar com você o tempo todo e que queria protegê–la, fazer você mais do que feliz. Percebi que eu te amava.
– Eriol... – ela sussurrou o nome dele, emocionada. – Eu também amo você.
Tomoyo jogou os braços em volta do pescoço dele.
– A primeira coisa que me conquistou em você foi aquela melodia... por isso eu quis me aproximar de você. Mas depois, eu notei que estava dando a você mais adjetivos do que a uma pessoa qualquer e que me sentia diferente quando você estava perto. Eu nunca tinha sentido isso antes.
Eles se beijaram mais algumas vezes, mas para Tomoyo cada beijo ia ser como o primeiro, sempre lindo, sempre mágico, sempre único.
– Você já tem onde morar aqui em Londres? – ele perguntou de repente.
– Não... por enquanto estou na casa da Sakura, mas é provisório.
– Então venha morar comigo.
– Com você?
– É... aliás, não quero só que você more comigo, mas quero que cante, que faça shows ao meu lado.
– Eu não sei se conseguiria... não sou muito boa com multidões – Tomoyo sentiu–se pressionada e seu corpo endureceu.
– Calma – ele a beijou de leve. Ela voltou a relaxar. – Não estou pressionando, mas fazendo um convite – ele tinha um sorriso doce no rosto.
– Gosto muito de cantar, mas não sei se sou capaz de tamanha façanha – ela mordeu o lábio inferior.
– Eu sei que você consegue. Você cantava em um restaurante, lembra?
– Sim, mas dessa vez é diferente. E também não sei se tenho coragem suficiente.
– Uma pessoa que teve coragem de contrariar a família e deixar o próprio país de origem em busca da felicidade não tem porque temer uma simples platéia – ele tentava convencê–la.
– Eu não sei... Também acho que não conseguiria gravar uma música.
– Isso eu tenho certeza de que você consegue fazer! Quando você gravou aquela demo para uma peça no teatro, soube que você era uma extraordinária cantora.
– Você... ouviu? – ela se perguntou baixinho. Sentiu as bochechas se avermelharem mais uma vez.
– Claro. Você estava cantando tão bem que eu precisava saber de quem se tratava.
Eriol arrancou risadas da garota.
– Além do mais, vou estar ali, ao seu lado.
Aquilo fora o suficiente para convencê–la.
– Está bem, eu vou cantar.
– Obrigado. E não se preocupe, vou marcar os nossos shows para quando você não estiver em época de provas nem nada assim na faculdade.
– Você é maravilhoso, sabia? Acho que é por isso que eu te amo tanto!
Eles se beijaram mais várias vezes.
Tomoyo descobriu em Eriol aquele por quem ela tanto esperou, o príncipe, o cavalheiro, o romântico. E ele encontrou nela alguém que precisasse de todo o amor, carinho e segurança que ele tinha para dar.
Um tinha o complemento das necessidades sentimentais do outro e os dois, juntos, tinham a oferecer a felicidade.
CONTINUA...
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N/A: Oi, pessoal!
Ahhh, está chegando ao fim! Agora só falta o epílogo para CPV acabar de vez... nós pensamos nisso há umas duas semanas e iremos com certeza sentir falta de postar todo sábado, responder às poucas, mas maravilhosas pessoas que nos deixaram reviews e tudo isso.
Sobre esse capítulo... depois de uma boa dose de adrenalina no capítulo XVI, enfim a paz... Tomoyo toma suas decisões e, o melhor de tudo, resolve sua vida! E finalmente, consegue o que quer, não é? Afinal, esse era o objetivo, haha!
É isso, gente. Tomara que gostem do capítulo e continuem comentando!
Kissus,
Mizu e Kimi
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Respostas às reviews
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Trisha Nunes: Oii! Que bom que está gostando da fic! Nós também ficamos tristes com a morte do Hiro, até porque, apesar de encher o saco da Tomoyo, ele é um personagem muito carismático. E é claro que o fato de ele ter se apaixonado de verdade por ela soma uns pontos a seu favor! Tomara que goste desse capítulo e do resto da fic, e continue nos deixando reviews. Kissus!
Bruna cm Yamashina: Olá! Haha, não, aquele não era o último capítulo, apesar da grande quantidade de lembranças. Mas, de fato, a fic está acabando... como dissemos, só falta o epílogo agora. Uma pena... obrigada pelo elogio ao capítulo e por nos acompanhar! Esperamos que goste deste. Kissus!
Rocks: Oiee! Haha, sim, realmente, deu a louca na Kanna! Quem diria que ela é tão pirada... e, como foi pedido, nesse capítulo a Tomoyo finalmente tomou seu rumo... e do jeito que nós queríamos, né? Obrigada pelos elogios e pedimos desculpas, mas não entendemos sua pergunta sobre os pais do Fujitaka. Qualquer coisa, mande outra review ou um e–mail explicando melhor que ficaremos felizes em responder! Kissus!
