Capitulo 6 – Muy cerca de ti

EPOV

A casa onde estávamos agora era enorme, simplesmente enorme, a decoração era simples mais ao mesmo tempo elegante.

Na sala estava recheada de fotos familiares, algumas minhas com Bella… ela estava tão jovem e inocente, umas minhas com Eleonor no colo, até uma onde eu estava dormindo com ela no colo, como Bella havia dito eu nunca tinha sido posto de parte.

O que agradava-me no lugar era que o clima não era aquele clima sombrio de Forks, estava bastante ensolarado e quente.

- Eu mandei preparar um quarto para ti. – Disse Bella tirando-me dos pensamentos – Fica ao pé do meu…

- Não precisava… - Eu aproximei-me dela – Porque não dividimos quartos? Afinal somos casados, certo? – Ela abriu e fechou a boca durante um segundo e eu já sabia ela não queria – Desculpe, deves não querer.

- Não, não há problema. Eu pensava que não querias… é um bocado complicado lidar com esta situação.

- Concordo, mas somos marido e mulher… vamos encontrar uma maneira.

Ela deu um leve sorriso

- Se iremos.

- Viram a Megan? – Perguntou Abby entrando na sala, nos dois acenamos negativamente – Céus, ela saiu daqui e desapareceu.

Bella deu um sorriso

- Não se preocupe, ela deve estar na praia… e não há como perder-se aqui… há guias sempre atentos.

- Eu estou vendo que eu vou ter uma dor de cabeça. – Disse Abby com um leve sorriso

- Porque não vais para a piscina? Ou podes ir a biblioteca e pegar um livro, há milhares.

- Oh isso parece-me agradável. Até mais tarde. – Disse saindo deixando-nos sozinho

- Onde estão as meninas? – Perguntei apercebendo-me que desde que tínhamos chegado aqui eu não tinha visto mais elas.

- Estão perto do parquinho, queres ir até lá?

- Claro.

Seguimos em silêncio e encontramos as duas sentadas brincando com bonecas, o parque era magnífico, era o sonho de qualquer criança. Tinha uma grande casinha, casa na árvore, cama elástica e vários outros brinquedos.

Nos aproximamos com cuidado e pude ouvi-las cantando em espanhol.

- Para siempre cuenta conmigo
Di mi nombre y alli estaré
Tu por mí y yo por ti
Déjame verte feliz
Para siempre cuenta conmigo
Y si el miedo te hace caer
Te abrazaré yo
Confía en el amor
Que sigo estando aqui
Muy cerca de ti

Minhas filhas falavam espanhol?! Ouvi um leve riso de Bella atrás de mim e virei-me.

- O quê foi? – Perguntei confuso

- Fizeste a mesma cara de quando soubeste que eu falava espanhol.

- Há sério? E o que elas andam a cantar.

- Queres a tradução? – Ela perguntou divertidamente

- Sim, seria agradável.

- Para sempre conta comigo

diga meu nome e lá estarei

tu por mim e eu por ti

deixe-me te ver feliz

Para sempre conta comigo

E se o medo te fizer cair

eu te abraço, confie no amor,

Porque sigo estando sempre bem perto de ti.

Encarei-a atentamente e lhe dei um leve sorriso, meu coração estava a mil, será que eu estava apaixonado?

BPOV

Deixei Edward com as crianças e segui para o meu quarto onde pedi para uns empregados arrumarem para mim e Edward, dei um leve sorriso comigo mesma, um sorriso de vitória.

Depois que já tinham tudo tratado, eu liguei meu computador e conectei-me a rede para falar com Emmett, e ele estava online.

Ligamos ambos as cameras, e eu automaticamente reconheci o lugar o escritório da sua casa.

- Olá patroa. – Disse ele rindo – Como está Forks?

- Forks estava agradável, mais tive de sair de lá… os paparazzi.

Ele riu com isso

- Sinto muito, estás onde? Na Ilha?

- Exactamente, qual é o único lugar onde eles não me localizam?

- A Ilha… e como andam a minha afilhadinha e minha sobrinha?

Pois Emmett e Rose eram padrinhos de Eleonor e os padrinhos de Nina eram Danni e Leo, eu havia prometido o próximo filho para Alice e Jasper… afinal tínhamos feitos tudo muito bem combinado.

- Elas estão muito bem. – Passei a mão rapidamente pelo cabelo – Emm, aconteceu algo.

- Estás bem Bella?

- Sim eu preciso do seu sigilo durante um tempo.

- Claro, Bells. O que se passa? – Perguntou ele sentando melhor na cadeira

Eu contei tudo o que tinha acontecido, sobre Edward, sobre ele não ter mais memoria, sobre eu ter terminado com Bernard e também que eu levaria Edward de volta a onde ele pertencia.

- Diz algo Emm… - Eu perguntei aflita por ele estar calado a tanto tempo

- É… é… ena pá, eu que pensava que eu já tinha visto de tudo… - Nisso ele deu um grande sorriso – Meu amigo está mesmo vivo?

- Sim está Emm, mas infelizmente ele não lembra-se de ninguém.

- Pelo menos ele está vivo. – Disse com um suspiro – O que precisas que eu faça?

- Preciso que fiques quieto e quando eu pedir, traga a família toda para aqui. – Eu expliquei – Quando ele sentir-se preparado eu falarei com a família e preciso que ajude-me.

- Claro Bells, estarei sempre ao teu lado.

- Obrigado. Bem agora eu terei de ir, adoro-te irmão urso. – Eu disse aliviando o clima

- Também adoro-te pentelha. – Disse ele rindo – Me mande mais noticias.

- Pode deixar, mande beijos para Rose e as crianças.

- Claro.

Desliguei o computador, eu sabia que a minha família e amigos ficariam muito felizes com a volta de Edward, eles tinham aceitado a minha relação com Bernard, mas eu sabia que eles sempre preferiram Edward. Só que eles queriam-me ver feliz e Bernard fez-me muito feliz quando estávamos juntos.

Respirei fundo e encarei a tela preta do computador, até que levei um susto pois Edward encontrava-se logo atrás de mim.

- Desculpe, não queria te assustar. – Disse ele com aquele meio sorriso de sempre.

- Tudo bem, precisas de algo? – Perguntei meio confusa

- Vim lhe chamar para jantar, passaste a tarde aqui.

- Sim, eu estava falando com um amigo. – Eu disse levantando-me e pegando a minha bolsa do computador – E eu não janto agora, eu vou para o outro lado.

- O outro lado? – Ele perguntou confuso

- Eu preciso escrever, e eu gosto de ir para o outro lado da ilha. Hoje vai ter lua cheia. – Lhe explicando fechando o portátil na bolsa, pus ela de lado – E eu preciso escrever o meu romance, e o melhor lugar é no outro lado. – Dei um suspiro – Eles levam-me a comida, não preocupes e as crianças as babas tratam dela.

- És sempre assim? – Virei-me confusa e ele aproximou-se de mim – Afastas sempre as pessoas.

- Eu não faço isso. – Eu disse incrédula

- Não? Quando estavas na fazenda passavas pouco tempo com Nina e Eleonor, elas passam mais tempo com a baba do que contigo Bella.

- Tu não sabes nada sobre isso, eu as levo comigo sempre que eu posso.

- Sim, mas pelo visto elas ficam sempre aos cuidados das babas.

- Edward, este é o mundo que vivemos. Eu não sou e nunca poderei ser como as mães que vias em Forks, eu não posso passar o dia todo com elas, eu tento eu faço o melhor que eu posso. – Encarei-o irritada – Elas sabem que são as pessoas mais importantes na minha vida, tu não sabes o que eu sacrifiquei para as ter! Tu não lembra-se, mas eu tinha 17 anos quando engravidei de Eleonor, eu não queria ser mãe e fui por ti!

- Por mim? – Ele perguntou incrédulo

- Sim, por ti… eu tinha medo, estava apavorada, mas quando eu vi o quanto estavas feliz pela minha gravidez eu aceite… eu ia fazer um aborto e desisti por ti.

- Eu não sabia, mas mesmo assim acho que passas pouco tempo com elas.

- Vamos esclarecer uma coisa Edward, eu faço o possível para estar com elas, eu dou uma vida de princesa, elas tem tudo e mais alguma coisa que uma criança poderia sonhar. – Ele tentou falar algo mais eu fiz um sinal para não ser interrompida. – Acho que tens de pensar que não estas mais numa cidade pequena como Forks e sim elas vivem e são criadas em L.A, num mundo que infelizmente eu não querias expostas, mas elas já estão acostumadas, seus primos também vivem uma vida igual a esta e são felizes.

Sai dali rapidamente sem querer ouvir mais nada, o que ele achava? Que eu era como aquelas mulheres que passam o dia todo em casa a cuidar de crianças?! Eu poderia trabalhar em casa mas infelizmente certos casos eu não poderia as das atenção, mas quando eu estava livre eu sempre dedicava tempo junto a elas… ele não sabia de nada… ele não lembrava-se de nada.

EPOV

Eu não poderia acreditar na mudança de atitude dela, uma hora estava tão doce e depois tomou uma posição totalmente de defesa.

Decidi seguir-lhe por isso peguei um leve casaco e partir silenciosamente atrás dela.

Bella seguia calmamente pela trilha escura, a única coisa que iluminava era apenas a lua, ela seguia com passos apresados e eu sempre ia atrás dela.

Eu sabia que sua paixão era escrever, até tinha ido atrás de uns livros. O livro You Found Me, tinha sido dedicado a mim o que fez-me sentir um grande aperto no coração. Os outros livros eram bastantes conhecidos, e aproveitei e pesquisei tudo, segundo uma revista muitos dos personagens ela baseava-se em pessoas reais, pessoas que ela convivia no dia-a-dia.

Bella parou numa simples casa que estava muito bem iluminada, ela entrou rapidamente, vi ela mexendo em algo era o telemóvel.

Quando ela saiu ela tinha uma bebida no copo, parecia-me mais algo alcoólico e estava falando com alguém ao telemóvel, aproximei-me mais para poder ouvir. Porque eu mesmo não lembrando de nada, sabia que ela era minha mulher e sentia uma sensação de posse por ela.

- Eu estou bem. – Disse ela ao sentar-se - Eu apenas queria ouvir a tua voz, está tudo complicado… céus porque inferno eu não dei ouvidos a Bernard? – Ela parou um pouco e pude aperceber que tinham lágrimas caindo no seu rosto – Eu sei, é só irritante tudo o que esta acontecendo. mãe os estúpidos encontraram-me em Forks! Isso é irritante. – Ela deu outra pausa para beber um pouco – Não mãe não precisa vim para a ilha, e não precisas ficar com as garotas, elas estão bem. Sabe que elas já nem ligam mais a isso… - Ela deu um suspiro – Mas acho que vou envia-las para aquela viagem que Alice disse que ia fazer com Jazz para Sevilha, as duas precisam se afastar no lançamento do novo filme e se elas estiverem em L.A vai ser um inferno. – O quê? Elas iam manda-las para longe? Eu deveria intervir? – Sim mãe, seria uma grande ajuda. Eu realmente vou precisar de alguém… e a propósito eu e Bernard acabamos. – Dei um leve sorriso com isso – Eu não quero falar disso ok? Ele vai continuar a frequentar a minha casa como antes, mas como amigos, sempre vamos ser amigos, bem eu tenho de ir, mande beijos a todos. Amo-te mãe.

Vi ela desligando o telemóvel e ficando ali olhando para o nada, eu respirei fundo e decidir aparecer.

- Olá. – Eu disse saindo do meu esconderijo

- O que fazes aqui? – Ela perguntou incrédula limpado as lágrimas

- Eu vim ver se estavas bem, eu não queria ter dito aquilo que eu disse no quarto. Tens razão a tua vida é muito diferente da que eu tinha em Forks.

- A nossa. – Ela corrigiu

- Estás certa, a nossa. – Eu dei um suspiro e vi ela bebendo novamente, olhei atentamente – Isso é whisky?

Ela deu um suspiro irritada, ela realmente ficava linda irritada… ok concentra-se Edward.

- Yep, há algum problema?

- Eu não sabia que bebias…

- As vezes, tu também fazias. – Ela bebeu um pouco – Todo mundo faz.

- Certo…

- O que queres Edward? – Ela perguntou ao finalmente encarar-me

- Nada eu apenas estava tentando lhe compreender, num segundo passaste de doce para uma mulher totalmente diferente – Eu dei um suspiro passando a mão rapidamente para o cabelo – Eu apenas queria lhe conhecer melhor.

- Estás aborrecido?

- Não…

- Sim estás, eu conheço-te. Quando passas a mão demasiado pelo cabelo é quando estas aborrecido ou é porque estás atrás de uma melhor forma de falar.

- Bem conheces-me bem, hum?

- Muito… comidas preferidas, cidades preferidas, a tua infância, seus medos, seus desejos, suas ambições. – Ela encarou o céu – Tu confiaste tudo.

- Aposto que também confiaste em mim.

- Eu ainda confio. – Disse ainda se olhar para mim, eu dei um leve sorriso – E tu? Confias em mim?

- Claro. Só que eu não compreendo porque se mantém as vezes tão distantes das pessoas.

- Eu não faço isso… - Disse ainda evitando o meu olhar

- Sim tu fazes. – Eu disse ao tirar o seu copo e puxa-la para perto de mim – Porque as vezes age de uma maneira e depois de outra?

Ela respirou fundo

- Tu não sabes nada sobre mim, nada sobre… - Ela fechou os olhos e afastou-se de mim

- Conte-me, conte-me o que passa-se na tua cabeça.

Ela encarou-me um pouco, passou a mão rapidamente pelo cabelo

- Sou eu que provoco a vida Edward. Não fico à espera do contrário para me queixar que nada me sucede. E luto, luto sempre, mesmo quando eu nada ganho, e aparentemente, nada mudo e nada muda. Mas mudo, mudamos sempre. – Eu tentei lhe dizer algo mas ela fez um sinal para eu permanecer calado – Duvidamos desse poder, por inferioridade, por insegurança, mas mudamos sempre. A pedra não sabe que é pedra, nem sabe que eu existo. A pedra não pode saber mas mudou a minha vida porque a reconheci e lhe dei nome e aprendi a ama-la ou atira-la no lago… não mudei a vida da pedra, mas a pedra transformou-me.

Encarei atentamente, porque eu sentia que a analogia da pedra era outra coisa… ou melhor outra pessoa.

Aproximei-me dela e encostei minha testa na sua, a nossa respiração estava ofegante, seu olhar estava tão misterioso que eu não resistir, puxei-a mais para os meus braços e a beijei.