Capítulo Seis

Rin estava fazendo seu melhor para ignorar Sesshoumaru e ele não estava certo de que poderia culpá-la. Na última semana ele apenas a havia visto poucas vezes quando ela saia do escritório, uma vez para lavar a roupa e algumas outras vezes para pegar algo para comer na cozinha. Ela dizia menos ainda a ele. Era como se ela nem estivesse lá. Sesshoumaru tinha que admitir que sentia falta dela à noite. Ele se sentia mal por ela ter levado sua recusa pelo beijo tão seriamente, mas o que ele poderia fazer? Ela pertencia a outro homem, pelo menos tecnicamente.

Sesshoumaru se perguntou se ela estava realmente comprometida. Ela não parecia sentir falta do sujeito, nunca falava sobre ele. E ele sabia que isso não era nada da sua conta.

Fazia sete dias desde a sua última refeição juntos e ele tinha cada uma delas marcada em sua cabeça com cada detalhe agonizante. Sesshoumaru estava começando a ansiar muito pela companhia dela, o que era estranho já que ele estava acostumado a ser só. Sua masculinidade ficava em estado constante de meia excitação e ele se achava querendo se masturbar nos momentos mais estranhos. Ocasionalmente, ele o fazia. Estava começando a afetar seu trabalho. Ele já estava atrasado. Não que ele se importasse. Seus clientes esperariam pelo melhor.

Colocando de lado a lixa que ele já estava olhado a pelo menos uma hora, ele se decidiu a ir conversar com ela. Ele decidiu que o único modo de conseguir qualquer paz era se fizesse as pazes com ela.

Ele a achou trabalhando duro em seu laptop. Ela nem o tinha visto na entrada observando-a. Ela estava focada no que estava fazendo, diferentemente dele. Seu estômago se apertou em um nó lamentável. Ela estava indo muito bem sem sua companhia.

"Rin?", ele perguntou suavemente. "Você está com fome?".

Rin saltou com as palavras, mas não olhou para ele. Tentando esconder seu absoluto embaraço, fingiu manter sua digitação. Brevemente, ela disse, "Não agora. Estou muito ocupada. Atrasada".

Sesshoumaru anuiu com a cabeça, desapontado por ela o estar ignorando. "Alguma coisa que eu possa te ajudar?".

Rin olhou para ele. Ele estava debruçando contra o umbral da porta, sua camisa de flanela azul coberta com serragem. A luz cobria como um manto seu cabelo normalmente limpo. Ele estava incrivelmente lindo em seu estado desordenado. Ela respirou fundo, tentando manter as imagens de seu beijo fora de sua mente. Já tinha ficado tempo demais pensando nele à tarde.

"Há uma coisa", ela disse.

"Diga". Sesshoumaru sorriu, aliviado por ela não parecer brava, e triste por ela não parecer tão sexualmente frustrada quanto ele.

"Quero emprestadas camisas e calças de moletom, se tiver sobrando. Ou talvez do Vovô, as roupas que ele deixou no quarto disponível. Eu não penso que ele se importaria já que é culpa dele eu estar encalhada aqui com nada além de roupas de sair". Ela sorriu para o olhar de surpresa dele. "Você honestamente não acha que eu gosto de andar arrumada em todos os dias da minha vida, não é?".

"Não. Bem, acho que pensei", ele riu jovialmente.

"Na verdade, sou uma pessoa desajeitada", ela disse como um fato. Sorrindo distraidamente enquanto voltava para a tela, digitou algumas palavras. "Eu odeio limpar. Odeio usar vestido e especialmente odeio lavar pratos. Você possui calças, sobrando não é?".

Ele observou a habilidade dela de manter uma conversa e se focar no trabalho ao mesmo tempo com admiração. "Sim, mas elas podem ser muito grandes".

"O que seria perfeito". Ela deu uma olhada para cima e então continuou a trabalhar. "Mais uma coisa".

"Sim?".

"Eu quero sua permissão para fazer bagunça neste escritório. Eu preciso me espalhar. Trabalho melhor desse modo". Ela sorriu amplamente para o olhar aflito dele. Por um momento os olhos dela suavizaram e faiscaram. "Prometo que tudo retornará para o normal quando eu tiver terminado".

Sesshoumaru notou que ela não disse 'quando eu partir'. Com um movimento de cabeça, ele disse, "certo".

"Obrigada". Rin movimentou a cabeça, recusando-se a olhar para ele.

Assim que ele girou para partir, Rin soltou um fôlego torturado e profundo, deixando-o sair lentamente. A proximidade dele era muito difícil para ela. Ele parecia tão incrivelmente atraente de pé lá, que ela quis tentar seduzi-lo novamente. Mas ela não era tola. Ele estava apenas sendo bom para ela.

Encostando-se em sua cadeira, ela olhou para a porta. Ela se certificou de que ele já tinha ido antes de mover seu dedo indicador para o teclado para apagar as páginas digitadas com tolices.

****

Rapidamente se secando, Rin colocou uma toalha enorme ao redor do corpo. As manhãs em Montana eram extremamente frias. Embora o resto do chalé fosse morno, o banheiro sempre ficava frio, especialmente depois de uma chuveirada.

Pegando suas roupas sujas do chão, ela as abraçou contra o peito. Ela uma vez mais se esqueceu de trazer uma muda de roupas para o banheiro com ela. Em casa, estava acostumada a poder caminhar por sua casa como quisesse. Suspirando, ela soube que teria que correr. Não que ela esperasse que Sesshoumaru estivesse ao redor. Ele estava provavelmente dando duro no trabalho.

As coisas estavam boas entre eles desde que ele oferecera a paz na véspera. Ela estava no chalé há quase duas semanas e não podia acreditar em como ela tinha se ajustado bem ao novo estilo de vida. Sesshoumaru estava certo. Ela podia ter muito mais trabalho feito, assim que ficava acostumada ao silêncio.

O aniversário iminente pesava em sua mente. Ela sabia que o devia a muitas pessoas. Ela tinha feito seu melhor em não pensar sobre isto. Não havia nada que ela pudesse fazer presa em uma montanha de neve. Ela apenas esperava que Sango pudesse achar uma cláusula para estender seu período de tempo. O pai dela havia sido tão cuidadoso com os detalhes, haveria seguramente alguma cláusula para protegê-la se ela sofresse um acidente. E ficar presa na neve certamente era um acidente.

Rin colocou a cabeça para fora do banheiro e em torno dos cantos. Vendo que estava sozinha, fez uma corrida até a porta do quarto. Enquanto segurava a roupa para lavar suja e a toalha, estava difícil de mover a maçaneta.

"Oh, desculpe".

Rin congelou quando ouviu Sesshoumaru atrás dela. Lambendo os lábios secos, ela tragou nervosamente. Ela se recusou a virar para enfrentá-lo.

"Você precisa de ajuda?", ele inquiriu rudemente. Sesshoumaru limpou a garganta. Ela o ouviu dar um passo incerto na direção dela. Seu corpo doía ferozmente. Seus membros se agitaram e ela se sentiu como se quisesse gritar pela dor agonizante de sua necessidade.

Rin girou e deu a ele um olhar culpado. Ela se sentia muito exposta sob o olhar intenso dele. "Não. Eu me esqueci de levar as minhas roupas para o banheiro".

"Deixa-me abrir a porta para você". Sesshoumaru veio na direção dela. Seus olhos desviaram para o colo molhado e seus seios expostos. Eles tinham a cor da nata sedosa.

Rin puxou a toalha para mais perto, desavisada de que apertava os seios e deixava à mostra uma grande parte da divisão entre eles. Ela deu um passo para o lado. Podia sentir o odor fresco dele quando seu pescoço espesso se aproximou dela. Ela estremeceu, cheia de desejo de soltar a toalha e tocá-lo.

Sesshoumaru se debruçado e abriu a porta. Havia pequenas gotas d'água sobre a pele dela, acenando a ele para que as lambesse. Ele recusou dar tentação. O cabelo molhado dela tocava seu ombro e o odor de flores chegou até ele. Era o mesmo cheiro do xampu dela. Ela o havia deixado no chuveiro e ele não conseguia parar de cheirá-lo. Parecia que ela estava deixando pequenos pedaços de si em todos os lugares da casa. E ele estava começando até a não se importar com suas poucas bagunças.

"Você estava me procurando?", ela perguntou, sem querer deixá-lo se afastar. A porta do quarto rangeu devagar ao ser aberta e suas mentes foram imediatamente para a cama morna dentro. Rin ficou surpresa quando ele não foi para trás imediatamente.

"Sim". Sesshoumaru sorriu para ela abaixo, sem se lembrar de por que a havia buscado.

Rin olhou profundamente para seus olhos âmbar penetrantes, hipnotizada pela força da emoção que viu neles. Sob a superfície áspera Sesshoumaru era um homem profundamente passional.

"Por quê?" Rin sussurrou em temor ofegante. Sua garganta ficou seca e ela tragou nervosamente. Ela se recusou a ir até ele novamente. Ela se perguntou se ele havia percebido como sua proximidade era desconcertante e atraente.

Sesshoumaru olhava fixamente para os lábios dela, incapaz de responder por um momento. Ele podia quase ver as faíscas que brilhavam entre seus corpos aquecidos. Ele cerrou os punhos para se impedir de tocá-la.

"Oh", ele murmurou, andando para trás. Ele agitou a cabeça como se precisasse limpá-la. "Eu queria uma opinião de algo, opinião de um Nova Iorquino".

"Oh", Rin ecoou com decepção. Pendendo a cabeça para o lado, ela inquiriu, "você me dá um minuto?".

"Leve o tempo que precisar. Estarei na minha oficina". Sesshoumaru evitou o olhar dela e depressa deixou o quarto. Ele não estava certo de que poderia tranquilizar seus desejos e tinha a sensação de que eles estavam ficando perigosamente fora de controle. Respirando fundo, ele tentou diminuir a velocidade de sua pulsação. Ele não sabia quanto tempo iria durar durante a estadia dela em sua casa. Se ele a visse em uma toalha novamente, sua suposição era de que não duraria muito.

****

Rin jogou a blusa de flanela grande dele acima de sua camiseta regata camuflada e a amarrou em sua cintura. As calças eram muito grandes, mas a sensação era maravilhosa. Sentindo-se muito relaxada, ela deixou o quarto. Seu cabelo ainda estava molhado do banho e ela o escovou para trás. Ela estava começando a se sentir mais como seu estado normal.

Ela estava extremamente confortável no chalé dele. A solidão quieta de Sesshoumaru a acalmava de um modo estranho. Ela se sentia segura lá, contanto que ele estivesse próximo. Ele deixou o chalé apenas uma vez para verificar o caminho da montanha. Eles ainda estavam presos na neve. Nenhum deles havia pensado no contrário.

Tinha sido algo inquietante ser pega em uma toalha, e ela não pôde não notar a reação violenta de Sesshoumaru com ela nua bem próxima. Rin brigou consigo mesma por ter sido tão ridiculamente esperançosa. Ela normalmente dava pouca atenção as suas necessidades mais básicas, descobrindo em uma idade jovem que sexo em teoria era normalmente melhor do que a coisa real. Mas, com Sesshoumaru, ela começava a duvidar da lógica. Cada fibra de seu corpo puxava-a para ficar com ele. Sem dúvida era por isso que ela tinha entrado em sua situação atual. Bêbada ela não seria páreo para a atração animalesca dele.

Diabos, Rin pensou enquanto erguia a cabeça de forma enviesada, nem sóbria eu sou páreo para ele.

Ela se sentiu honrada por Sesshoumaru ter buscado a opinião dela sobre seu trabalho. Era um dos maiores elogios que ele poderia fazer a ela. Sem querer mantê-lo esperando e mais na realidade querendo vê-lo novamente, ela fez seu caminho até a oficina. Ela bateu na porta embora estivesse um pouco aberta.

"Entre, Rin".

Rin abriu a porta. A voz dele era como uma carícia suave e gentil, mas baixa como um ronco de tempestade na montanha. Seus olhos imediatamente o acharam no cômodo, olhando para a forma de gladiador dele antes que ele desse uma olhada para ela. Ela sorriu ingenuamente para ele, um rubor apenas visível sob a pele branca.

Sesshoumaru se debruçou sobre um relógio, lixando as ranhuras com um papel bom. Ela assistiu os movimentos poderosamente precisos de sua mão forte e os movimentos de seu braço musculoso. Seu sorriso se alargou quando terminou e olhou completamente para ela.

"Vejo que você conseguiu ajustá-lo", ele disse olhando para a roupa dela. Ela parecia incrivelmente sensual na roupa dele, muito mais do que quando estava bem vestida. As calças pertenciam ao Vovô mas ele nunca as usava, mas a blusa era dele. Por um momento o olhar dele ficou preso em sua cintura estreita onde parte da blusa entrava na calça de moletom. Um nó estava pendurado em um laço pequeno, atraindo os dedos dele para que o soltassem com um único movimento.

"Sim. No que você está trabalhando?", ela perguntou enquanto se movia na direção dele, apenas querendo se aproximar. Uma pequena quantidade de pó pairava no ar. Caiu sobre ele como uma névoa vinda da luz de sua luminária de trabalho.

"Este aqui está quase feito", ele admitiu. "Eu apenas tenho que polir e pôr o cronômetro".

"Você vai me mostrar como faz?", ela perguntou intrigada.

Sesshoumaru olhou para ela com surpresa. Com descrença, questionou, "você realmente quer aprender?".

"Sim", Rin riu da expressão duvidosa dele. "Seria divertido dizer que eu ajudei um Beaumont. Seria uma história para eu contar naquelas festas chatas de Nova Iorque que as editoras arranjam".

"Certo. Venha aqui". Sesshoumaru a levou para a mesa de trabalho. "Aqui é onde eu junto o interior do relógio. Nesse eu já fiz isto".

Rin anuiu com a cabeça. Ela estava estudando o rosto dele em vez das mãos.

"E então você apenas insere isto aqui", ele instruiu, sem se preocupar em tirar os olhos dela. Rin concordou com a cabeça novamente.

"Então o quê?", ela suspirou, as palavras sussurradas passando pelo pescoço dele e acariciando sob sua orelha.

"Rin". Sesshoumaru deixou as partes do relógio e girou completamente na direção dela. "Você sabe que nós não devemos fazer isto. É errado".

"O que nós estamos fazendo?", ela questionou com ingenuidade. Seus olhos se endureceram ligeiramente, mas seu sorriso ficou persistentemente intato. "Você está me ensinando a construir um relógio. O que posso fazer se sou uma aluna desatenta?".

Sesshoumaru ignorou o humor vago dela com uma sacudida séria de sua cabeça.

"Você tem que se sentir como eu sinto". Sesshoumaru deu um passo para longe dela. "Não está certo, você está comprometida".

"Oh, você quer dizer Narak". Rin deu um passo atrás dele, seguindo-o corajosamente. Ela não podia parar. Ele tinha admitido que a queria, isso era mais do que o corpo dela poderia suportar. Se ele não a desejasse, isso seria diferente. Mas ela não podia ver nenhuma razão para eles se torturarem se queriam a mesma coisa.

"Eu não entendo você. Você diz como se não fosse grande coisa. Você está comprometida, Rin. É um grande negócio". Sesshoumaru não foi para trás novamente. Ele se viu quase não se importando.

Rin deu outro passo na direção dele. "Deixe-me te dizer algo sobre Narak. Eu nunca o encontrei. Não devo nenhuma lealdade a ele até que estejamos casados. E então, de acordo com os advogados dele, lealdade é opcional desde que eu seja discreta".

"Você está me dizendo que nunca encontrou seu futuro marido?", Sesshoumaru agitou a cabeça com descrença. Fazia sentido. Pelo modo como ela mal o mencionava, o modo como ela tinha casado com o homem errado e sem saber até que fosse muito tarde. "Então, por quê?".

"Por que eu jogaria minha vida fora, você quer dizer?", Rin deu um suspiro frustrado. Ela não queria discutir sobre isto, mas ela não queria mentir para ele também. "Meu pai meio que organizou o casamento. Eu não tive nenhuma escolha".

"Todo mundo tem uma escolha. Não estamos na Idade Média. Além disso, eu pensei que você tivesse dito que seu pai estava morto". Sesshoumaru deu em passo para trás e se encontrou com a mesa.

Rin não foi atrás dele. "Como que eu posso começar a me explicar? Eu não tenho escolha. Tenho que me casar com Narak. Se não casar, não conseguirei a minha herança".

"Assim você está casando com ele pelo dinheiro", Sesshoumaru concluiu em desgosto. Ele pensava que ela era melhor do que isto. O que provava que ele realmente não a conhecia.

"Não, eu não estou casando pela minha herança", Rin disse defensivamente de volta para ele. Ela estava brava por ele duvidar do caráter dela tão facilmente. Silvando sob a respiração em exasperação, ela disse, "eu não disse que iria herdar o dinheiro".

"Então o quê?", Sesshoumaru questionou. "Que herança é essa tão importante que te fará desistir da própria felicidade?".

"Eu terei algum dinheiro, mas não me importo com isto. Parte do testamento diz que eu não devo falar sobre isto", Rin franziu o cenho antes de acrescentar miseravelmente, "com ninguém além da minha advogada".

"Então não me diga". Ele girou para deixá-la.

"Espere", Rin estalou um pouco severamente. Baixando a voz, mas não em seu tom duro, ela declarou, "deixe-me terminar".

"O quê?", ele se voltou para ela. Ele colocou a mão desafiadoramente em seus quadris.

"Eu vou te dizer se você prometer que nunca irá mencionará isto. Vou confiar na sua palavra". Rin sentiu seu interior tremer. Ela tinha problema em confiar nos homens e estava fazendo o maior risco de sua vida ao dizer isso a ele.

"Dou a minha palavra". Sesshoumaru sabia que deveria dizer a ela que não se importava. Ele deveria dizer a ela que não se arriscasse se era tão importante. Mas ele não podia fazer isto. Ele achava que precisava saber.

"O testamento de meu pai diz que eu tenho que estar casada no meu trigésimo aniversário e ter um bebê no meu aniversário de trinta e dois, a menos que seja provado por médicos que eu não posso ter crianças ou que estou tendo dificuldades para conceber. Em tal caso, eu teria que fornecer documentos provando que estou tentando há pelo menos um ano e que continuarei a tentar". Rin fechou os olhos e deu as costas a ele. "Meu futuro marido tem que fazer um teste de fertilidade antes que a união seja feita".

"E a herança?", ele perguntou tranquilamente. A idéia de um testamento tão forte o deixou fisicamente mal. Que tipo de pai faria tal coisa?

"A editora de meu pai, seus armazéns de impressão, e uma dúzia de outros negócios que ele possui, enfim, sua propriedade inteira, está avaliada em cem milhões de dólares". Rin respondeu. "Tudo será distribuído ao longo do casamento, ou no nascimento das crianças, ou sob necessidades comprovadas, etc., etc. Há um grupo de cláusulas legais sobre os desembolsos. Mas depois de dez anos de casamento nós teremos a permissão para o divórcio e a herança restante será minha. Meu marido receberá uma pensão ampla, se você permitir, pelo tempo que serviu e nós teremos a permissão para seguir caminhos separados".

"Assim você se casará por dinheiro", Sesshoumaru concluiu. Firmemente, acrescentou, "estou contente por não ser uma parte desse acordo".

Rin agitou a cabeça. De alguma maneira ela sabia que ele a trataria com desprezo à medida que ela dissesse. Ela estava aliviada pelo caráter dele impedi-lo de querer entrar no negócio. "Não, não apenas pelo dinheiro. Eu tenho bastante meu. Mas, se eu não fizer isto, muitas pessoas perderão seus trabalhos. Muitas pessoas com as quais me importo e com as quais cresci. Se eu não fizer isto, os negócios irão despedaçar, serão vendidos para o licitante que pagar mais alto e uns oitenta mil trabalhadores ou mais irão para as ruas. Não posso permitir que isso aconteça".

"Entendo". Sesshoumaru viu sua opinião sobre ela mudando, mas ele não podia dizer isso a ela. O destino dela estava selado. Ela se casaria com Narak. E ao fazer isso, ela estaria fazendo um último sacrifício de sua felicidade.

Rin girou para ele, desesperada para que ele não a odiasse. As lágrimas estavam até as bordas de seus olhos. "Você pensa mal de mim? Eu não te culparia se o fizesse. Isto tudo é uma bagunça asquerosa".

"Não, Rin". Sesshoumaru agitou a cabeça e deu um passo na direção dela. Ela parecia tão sozinha no mundo. Ele desejava poder ter um momento com o pai dela, então ele poderia ensinar ao bastardo algumas lições sobre amor, compaixão e família. Ele colocou os braços ao redor dos ombros estreitos dela para confortá-la. "Eu admiro o sacrifício que você está fazendo".

"Você está bravo?", Rin estremeceu no abraço leve dele. Ele tinha uma sensação tão segura e morna. Ela estava contente por ele ter entendido que para ela era um sacrifício, não uma bênção. Sim, ela nunca desejaria o dinheiro. Mas o que ela poderia fazer? Ela tinha tudo o que poderia necessitar uma casa e uma carreira sólida. Bem, ela tinha quase tudo. Ela não tinha uma família verdadeira. O pai dela tinha deixado isso certo em vida e continuava a garantir isto depois de sua morte.

"Não, não estou bravo", ele mentiu. "Estou apenas contente por não ter que ser parte disto. Como ele pôde fazer isso a você? Sua própria filha?".

Rin anuiu com a cabeça tensamente em compreensão. As mechas molhadas de seu cabelo solto emolduravam seu rosto oval. "Você não pode culpar o meu pai. Eu não o culpo. Você tem que entender que ele pensava que estaria me fazendo um favor. Eu sou sua única filha. Eu quase nunca saia e trabalhava o tempo todo. Esse foi o único modo que ele viu para me forçar a casar. Ele sabia que eu não deixaria oitenta mil pessoas serem mandadas para a rua. As fábricas dele empregam cidades inteiras no Meio Oeste. Ele estava tentando me dar um empurrão. Ele achava que se eu não estivesse casada aos trinta anos por vontade própria, então era a vez de fazer isto por mim. Em seu modo de pensar, ele estava me fazendo um favor".

Com um aperto na mandíbula Sesshoumaru reconheceu a avaliação dela, mas não concordava. Ele estava mortificado por um pai tratar sua criança de maneira tão fria e controladora. "Você sabia sobre o legado antes de ele morrer?".

"Não. E eu deseja saber pois tudo teria sido diferente entre mim e meu pai", ela admitiu tristemente. Sesshoumaru disse que nunca seria parte de tal atrocidade. Ela não podia culpá-lo. Ele era um homem honrado, muito respeitável.

Sesshoumaru sabia que o pai dela estava-a fazendo se casar com Narak. Ele se perguntou quem Narak era para o pai dela - era um companheiro de negócios ou o filho de um amigo rico? Ele abraçou Rin mais apertado contra o comprimento duro de sua forma inflexível. Ele não queria saber.

De repente, ela ficou ciente dos músculos sólidos de seu tórax enquanto relaxava seu corpo com mais suave. Os músculos dele se curvaram contra a carne gentil, moldando com a vontade dele. A batida firme e certa de seu coração contra ela enquanto ela se debruçava nele. Ela se sentia bem em seu abraço. Sesshoumaru era diferente de qualquer homem que ela já tivesse encontrado. Para falar a verdade, com exceção do cinema, ela não pensava que tais homens fossem possíveis. Ele era incrivelmente sensual, áspero, forte, esperto e até encantador quando queria ser. Ele tinha um sorriso que podia derreter uma geleira e olhos cor do sol.

Rin tinha aprendido a amar as montanhas, com este homem mudo. Ela não sabia quando isso havia acontecido, mas ela tinha começado a se apaixonar por seu marido. Dadas as circunstâncias, isso não era uma boa coisa. Instintivamente ela sabia que ele era teimoso e orgulhoso. Ele não seria uma parte do enredo de seu pai. Ele poderia nunca saber que ela se importava com ele. Era melhor no final das contas para os dois. O coração dela batia lentamente com a realização. Ela o abraçou mais perto, ignorando a dor súbita em seu peito. Eles não poderiam ficar juntos. Ele nunca saberia se ela tinha feito isto por causa do testamento, e ela nunca saberia verdadeiramente se ele tinha feito pelo dinheiro.