Capítulo Nove
Sesshoumaru atirou os braços ao redor dos ombros de Rin, completamente satisfeito. Ela sorriu para ele através de suas pestanas. Depois de terem feito amor, eles depressa perceberam como estava frio no abrigo. Cobrindo-se da melhor forma que podiam, eles correram para a casa e foram diretamente para o chuveiro saindo fumaça. Sesshoumaru tinha sido insaciável, trazendo Rin para o clímax outras duas vezes no chuveiro até que ela protestou por uma pausa.
Eles se sentaram enrolados na frente do sofá de um fogo aconchegante. Rin pensou pesarosamente em seu trabalho abandonado, mas ela estava muito feliz para deixar a o abraço gentil de Sesshoumaru. Ela tinha o resto de sua vida para lutar contra os prazos finais e apenas pouco tempo para passar com Sesshoumaru. Aninhando para mais perto dele, ela deu uma ligeira risadinha.
"Hmm", ele murmurou contra seu cabelo. Ele deu um beijo suave em seus cachos que estavam secando.
"Eu estava apenas pensando sobre como tudo isso aconteceu", ela suspirou. "Quem teria achado que discar para um quarto de hotel errado pudesse ser tão agradável?".
Sesshoumaru franziu o cenho, "sim, mas eu preferiria ter te conhecido sob circunstâncias diferentes, sem ter que enfrentar as condições do testamento condenável do seu pai".
Rin ficou tensa. Seu sorriso enfraqueceu. Ela não podia responder. Além do suave crepitar do fogo Rin ouviu um barulho suave vindo de longe. Ela empurrou o tórax dele para se sentar. "Isto é um avião?".
"Onde?", Sesshoumaru se sentou. Ele foi até a janela e observou o céu da noite. Ele estava tão concentrado em Rin que não havia notado o som. Semicerrando os olhos, ele disse, "não, acho que é um helicóptero".
Rin se juntou a ele na janela. Sesshoumaru agarrou um casaco e jogou-o para ela antes de atirar um sobre os próprios ombros. Enquanto ele abria a porta da casa, um helicóptero apareceu na visão. Rin o seguiu para a varanda.
"O que será que ele está fazendo aqui? Você acha que ele vai aterrissar?", ela questionou.
"Parece que sim", ele respondeu sombriamente, confirmando os medos não pronunciados dos dois. "Rápido, cubra sua cabeça".
Rin afundou a cabeça e ergueu os braços para proteger o rosto. Sesshoumaru se moveu para protegê-la com seu próprio corpo. O helicóptero soprou a neve sobre a varanda enquanto se aproximava. Quando ele finalmente aterrissou e o motor foi desligado, Sesshoumaru andou para o lado. O casal depressa afastou seus braços.
"Ela é Sango, minha advogada", Rin gritou acima do motor agonizante quando viu o logotipo na aeronave. "O helicóptero pertence à firma dela".
Sesshoumaru assistiu enquanto uma mulher esbelta em um terninho e casaco de botão saía do helicóptero. Sango ergueu seus óculos de sol para cobrir os olhos. Seu cabelo negro estava domesticado em um coque executivo. Ela trazia uma pasta consigo.
"Sango!", Rin gritou enquanto corria para encontrar sua amiga. "O que você está fazendo aqui?".
"Eu estava preocupada com você. Você está bem?", Sango deu um abraço rápido nela enquanto elas corriam para a porta. Então, uma vez na varanda, ela olhou cheia de expectativa para Sesshoumaru.
"Sango esse é Sesshoumaru Taishou", Rin começou com um gesto rápido de introdução. "Sesshoumaru, Sango".
"Prazer em conhecê-la madame", Sesshoumaru saudou educadamente. O brilho de seus olhos permanecia tranquilo e sem emoção, mas seu interior estava agitado com raiva por essa mulher que havia ousado interromper o tempo deles juntos. Mas, sabendo que tinha sido melhor assim, ele não disse nada.
"Digo o mesmo", Sango balançou a cabeça apreciativamente para Sesshoumaru. Ela se debruçou para sussurrar na orelha de Rin enquanto o exuberante homem da montanha girava para abrir a porta para elas. "Talvez eu tenha vindo muito cedo".
Rin cutucou Sango de lado e tentou não dar uma risadinha. As bochechas dela ficavam rubras enquanto Sango piscava conscientemente.
"Por favor, entre". Ele girou firme para manter a porta aberta.
"Você se importa se o meu piloto se juntar a nós?", Sango perguntou enquanto acenava para o homem.
"Não por isso", ele assentiu.
O piloto agitou a cabeça com a oferta e acendeu um cigarro no helicóptero. Se esticando para trás, pegou um copo com café.
No lado de dentro, Sango tirou seu casaco de botão e luvas de couro combinando. Rin pendurou-as na prateleira de casacos junto com sua jaqueta emprestada.
"Eu deixarei vocês duas a sós", Sesshoumaru declarou. Ele abriu a porta para voltar para o lado de fora. "Rin, o café está na cozinha se você quiser".
"Obrigada", Rin murmurou enquanto ele partia. Ela se perguntou o porquê do mau humor dele. Ela já sabia que haveria café na cozinha. Havia todos os dias desde que ela tinha estado lá.
"Bem, bem". Sango riu assim que ele estava fora do raio de visão. "Não era exatamente o que nós esperávamos, não é?".
"Nada como esperávamos". Rin soltou um suspiro de garotinha. O calor coloriu suas bochechas com o conhecimento do que ela passava o dia inteiro fazendo. Ela levou Sango para a cozinha e fez um gesto para que ela tomasse uma cadeira. Uma carranca preocupada arruinava as feições de Rin, enquanto inquiria, "o que você está fazendo aqui?".
"Eu vim para te advertir sobre Narak", Sango respondeu cuidadosamente. Ela se sentou à mesa de madeira enquanto Rin despejava para si mesma uma xícara de café. O olhar dela ficou em guarda, enquanto articulava, "ele está a caminho daqui para te salvar. Nós fomos para aquela pequena cidade, Miner's Cove. Ainda bem que ninguém disse a ele qualquer coisa. Mas ele descobriu onde fica esta casa através de uma garçonete. De qualquer maneira, ele saiu ontem para alugar um helicóptero".
"Como ele sabe onde eu estou?", Rin perguntou perplexa. Ela procurou no armário por um pouco de creme. Achando, despejou-o na caneca de Sango.
"Ele está tentado dar uma forçada de barra", Sango retornou abruptamente. "Ele não é o homem que nós pensávamos que era. Sinto muito, Rin. Usei todos os recursos que tinha para verificá-lo. Ele tem ficha limpa, mas acho que isso não conta quando o assunto é personalidade".
"É muito ruim?", Rin ficou alarmada. Seu rosto empalideceu.
"Ele está obcecado em se casar com você", Sango admitiu com um gesto triste. "Acho que ele pode estar necessitado do dinheiro".
"Ele pode ficar com ele", Rin inseriu. "Não me importo".
"Você já tem os documentos do divórcio assinados?", Sango questionou nitidamente enquanto ignorava a interrupção.
Rin tinha se esquecido dos documentos que havia trazido consigo. Nem um deles havia sentido a necessidade de mencioná-los. Eles ainda estavam em sua pasta. "Não, mas eu posso".
"Hmm. Por que você não me conta sobre este Sesshoumaru?", Sango deu um meio sorriso reservado. Rin colocou o café em frente de si antes de abaixá-lo. "O quanto ele suspeita?".
"Eu contei tudo a ele", Rin admitiu. Ela viu quando Sango deu uma golada na caneca. Sua amiga não parecia surpresa. Cuidadosamente, acrescentou, "eu tive que fazer".
"Oh, meu Deus, Rin! Você está completamente caída por ele". Sango se sentou de volta em sua cadeira em surpresa. "Ele sabe?".
"Não", Rin declarou com um sussurro. "E ele não vai querer ouvir também".
"Ele quer o dinheiro?", Sango perguntou esperançosa. "Ele vai ficar casado com você?".
"Não. Ele acha que o que nós estamos fazendo é deplorável", Rin murmurou. "Ele disse que não quer ser uma parte disto. E eu não o culpo. Eu não queria fazer parte também. Mas não tenho escolha".
"Mais uma razão para gostar dele". Sango suspirou, desapontada. "Bem, escute. Tenho uma ideia. Narak faria um marido decente o suficiente, desde que vocês vivessem em costas separadas. Mas não acho que teremos que chegar a esse ponto".
"O que você está planejando?".
"Nós precisamos manter a opção de Narak em aberto", Sango respondeu. "Então quando ele chegar aqui volte com ele. Mas diga a ele que você tem que ir diretamente para Nova Iorque para se certificar de que o testamento de seu pai é legal. Você é uma escritora, invente algo".
"E como eu explicarei isso a Sesshoumaru?" Rin questionou.
"Eu já disse a ele que Everest era o seu editor. Você foi chamada para uma reunião de emergência e antes que você pudesse partir, você ficou presa na neve". Sango riu com culpa. "Eu também disse a ele que Sesshoumaru era gay para que ele não ficasse com ciúmes".
"Como ele poderia ficar com ciúmes de mim? Ele nem me conhece". Rin se levantou. "Quer um pouco mais de café?".
"Adoraria". Sango a seguiu com sua caneca. "Oh, sabe, é aquela coisa toda de ego masculino, um tipo de orgulho".
Rin gemeu.
"Sabe, este lugar não é nada mau. Eu ficaria louca aqui em uma semana, mas posso ver que você está gostando. Você gosta dessa coisa de solidão".
"O que você quer dizer?", Rin devolveu a ela a xícara.
"Você sempre gostou, Rin". Sango tomou a bebida. "Tem bebido uísque?".
"Não", Rin respondeu com uma risada distraída. "Acho que Sesshoumaru e eu aprendemos a nossa lição sobre bebida".
"Que pena". Sango abaixou a xícara, antes de continuar de onde parou, "você sempre escreveu melhor quando não estava transtornada, mesmo na faculdade".
Rin riu com a lembrança. "Eu sei. Você e Kagome costumavam me deixar louca com seu falatório".
"Eu me lembro".
Elas ficaram em silêncio por um momento.
"Rin?", Sango perguntou.
"O quê?".
"Você está apaixonada por ele? Apaixonada de verdade?".
Rin anuiu com a cabeça. "Sim, mas não posso fazer nada sobre isso agora. Ele não parece se sentir do mesmo modo que eu. E mesmo que ele sentisse… mas, ele apenas não sente".
"Você disse a ele?", Sango persistiu. Ela era uma juíza afiada de caráter e podia dizer que Sesshoumaru não havia gostado de ter seu encontro no inverno interrompido pela visita dela. Ela podia ver a óbvia possessividade dele sobre sua amiga.
"Não há por que", Rin estalou. Então, amenizando o tom, ela disse, "desculpe, estou sob muita tensão. Você apenas pode me dizer o que é que planejou?".
"Certo. Faça Sesshoumaru dizer a Narak que ele é seu editor. Parta com Narak e diga a ele sobre Nova Iorque. Então nós protelaremos. Eu ainda tenho toda a papelada dos outros candidatos. Se nós não pudermos conseguir para você outro marido em oito dias, você terá que se casar com Narak. Você fará trinta em nove dias".
"Não me lembre. Por que todo que faz trinta não fica tão estressado assim? Deveria ser suficiente eu estar ficando mais velha". Rin deixou sua caneca de lado, intata.
"Eu sei disto". Sango anuiu com a cabeça de acordo. "Isso é o melhor que eu posso apresentar. A menos que você possa resolver isto com Sesshoumaru ".
"Não", Rin suspirou em uma negação severa. "Não há nenhuma esperança".
"Rin", Sango começou.
"Não". Rin ergueu a mão para bloquear qualquer argumento que sua amiga pudesse tentar. "Não quero ouvir. Não há nenhum futuro para mim aqui".
Sango concordou com a cabeça, "então você voltará para Nova Iorque com Narak?".
"Por que eu não posso vir com você? Entre em contrato com ele e diga a ele para nos encontrar lá".
"Nós não queremos que Narak saiba que eu estive aqui", Sango devolveu sinceramente. "Devo ir. Ele provavelmente virá em alguma hora amanhã. Meu pessoal descobriu que ele alugou um helicóptero para o meio-dia".
"Certo, eu te verei em um dia ou dois". Rin deu a amiga um abraço enquanto a seguia para a sala de estar.
Sango agarrou seu casaco. "Certo. Estarei te esperando em Nova Iorque. Ligue para o meu escritório imediatamente".
Rin acenou enquanto Sango corria para o helicóptero. Sua amiga acenou brevemente. Enquanto eles decolavam, Rin tristemente fechou a porta para bloquear o vendaval de neve. De repente, seu nariz enrugou com força violenta pelas lágrimas não choradas. Uma respiração rota escapou de seus pulmões sufocantes em um soluço instável. Essa era a sua última noite com Sesshoumaru.
