Capítulo Dez

Sesshoumaru assistiu o helicóptero partir de seu lugar de dentro do bosque. Ele se sentou em uma pedra que sobressaía acima de um precipício. Diante dele estavam os cumes nevados e os vales estreitos da cordilheira de Montana. As árvores escondiam os vales, mas ele sabia que eles estavam lá. Antes de seu cavalo morrer, ele havia montado por toda a zona rural.

Sesshoumaru tinha pensado em mostrar o lugar a Rin. Era um de seus lugares favoritos. Ele vinha aqui frequentemente. De fato, era onde ele estava quando Rin o havia chamado mais cedo.

Ele queria trazê-la para este lugar com ele, para que pudesse dizer como ele verdadeiramente se sentia sobre ela. Ele queria que ela soubesse que ele esperaria dez anos por ela. Ele queria dizer a ela que entendia a questão com Nara. Que ele entendia a obrigação que ela tinha com as várias pessoas cujo sustento estava tentando proteger. Ele queria dizer a ela que a amava e que sempre iria.

Ele assistiu o helicóptero desaparecer com o coração pesado. Rin nem havia pensado em dizer adeus a ele. Ele a teria ouvido se ela tivesse tentado chamá-lo. Sesshoumaru chutou o chão com raiva. Era muito tarde. Ela tinha ido embora.

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Rin se perguntou aonde Sesshoumaru havia se enfiado. Ela o procurou no abrigo e no celeiro velho. Ela o chamou para dentro das árvores e não recebeu nenhuma resposta. A pick-up velha ainda estava estacionada em seu lugar habitual.

Incapaz de achá-lo, ela foi para dentro esperar. Ao longe ela ouvia o som alto de animais que ela podia apenas imaginar que fosse o som solitário dos lobos. Estremecendo com medo, ela desviou a vista da janela da cozinha. Pelos sons violentos da noite, ela desejava que ele voltasse para casa. Seu coração doía enquanto olhava para o céu que escurecia. O sol estava se pondo em uma miríade de púrpura e lindos azuis, mas sua beleza não tinha nenhum efeito sobre a tristeza dela.

Suspirando, ela se moveu para diante do fogo ardente. Ela sabia que seria inútil procurar por ele. Ele era o homem da montanha, não ela. Enquanto o fogo começava a queimar lentamente, ela lançou outra lenha na lareira. Ela esperou por horas que ele retornasse. Esperou até que seus olhos mal pudessem ficar abertos. Finalmente, ela foi para seu quarto para deitar no conforto de sua cama. Enrolando-se como uma bola, ela lutou para ficar acordada. Sesshoumaru nunca voltou para casa e ela foi incapaz de resistir a doce inconsciência do descanso enquanto o sono vinha para reivindicá-la.

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Sesshoumaru ouviu o segundo helicóptero muito antes de ele aterrissar. Olhando para a janela da cozinha, ele endureceu. A princípio seu coração saltou, pensando que Rin tivesse mudado de ideia e voltado para ele. Então, com uma sacudida séria de cabeça, ele se lembrou de que os documentos do divórcio ainda não estavam assinados.

Já era bem tarde da manhã. Ele não havia dormido. Já era bem depois da meia-noite quando ele retornou para casa para cair exausto no chão diante do fogo.

Decidindo que era melhor superar a situação, ele colocou uma máscara glacial sobre suas feições. Fez seu caminho lentamente até a porta da frente e a abriu. Para sua surpresa um helicóptero diferente aterrissou. Rin estava certa. Havia muitas pessoas importantes obviamente procurando por ela. Fazia muito tempo desde que sua montanha havia visto tantas visitas.

"Sesshoumaru?".

Ele congelou quando a voz veio diretamente por detrás dele. Girando devagar para a entrada aberta, ele viu Rin vindo de seu quarto. Por um momento seu coração saltou. Ela havia ficado. Ela tinha mandado a advogada para Nova Iorque e ficado com ele. Mas mesmo através do quarto ele podia dizer ao ver o rosto dela que ela não ficaria para sempre.

"Que horas são?", ela bocejou com sono.

"Mais ou menos onze", ele respondeu.

O rosto de Rin empalideceu. Ela olhou além do ombro dele com uma arfada. Girando depressa, ela foi para o quarto depressa para colocar uma calça comprida. Sesshoumaru a assistiu por um momento antes de partir para a tempestade fora da casa.

Seu passo diminuiu a velocidade quando ele pisou no chão coberto de neve. Um homem jovem usando roupas finamente sob medida saltou do helicóptero enquanto um piloto mantinha a porta aberta para ele. Para Sesshoumaru, o homem parecia com todos os outros homens obstinados que usavam ternos caros. Ele já tinha visto tanto meninos quanto homens velhos os usarem, pessoas que tinham dinheiro demais mas não tinha bom senso o suficiente. Ele podia apenas presumir que este era Narak.

"Bem, não adianta me intrometer", Sesshoumaru fumegou para si mesmo enquanto andava a passos largos e rudemente sobre o campo coberto de neve em direção ao seu celeiro. Ele ignorou o olhar questionador no rosto de Narak quando ele passou por ele. Parando quando estava escondido dentro de uma moita de sempre-vivas, ele respirou fundo. Então, deu uma olhada por sobre o ombro, e viu Rin na varanda. Ela usava uma de suas roupas de classe. Seu rosto estava congelado com um sorriso. Ele imaginava que os olhos faiscassem como safiras sob suas pestanas longas. Sesshoumaru se sentiu como se tivesse levado um chute no estômago. E, enquanto Narak caminhava confiantemente adiante para saudá-la, ele rosnou, "eu não queria me impor sobre o casal feliz".

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Rin forçou um sorriso agradável quando o homem jovem tocou sua mão com a dele. Seus olhos se moveram para tentar achar Sesshoumaru. Ela não podia vê-lo. Ela acreditava que ele a estivesse esperando, mas ele já tinha ido quando ela emergiu do quarto. Mordendo os lábios, ela se amaldiçoou por ter dormido demais. Ela precisava conversar com Sesshoumaru, explicar.

Hesitante, ela alisou as mangas do suéter. Narak era tudo o que ela tinha pedido no marido a Sango. Isso apenas provava que ela deveria parar de pensar nas pessoas reais como personagens em um romance. Porque, se ela escrevesse sobre Narak, ela o teria aniquilado na primeira cena com algum acidente estúpido.

Ela podia ver pela curva detestável de sua cabeça e o jeito divertido e brincalhão que ele inspecionava a casa na montanha, que ele não era o tipo dela - nem como amigo e definitivamente não como marido ou amante. A carne dela se encolheu quando ele se aproximou dela.

Rin se repreendeu por não ser justa com ele. Verdade, ele não era nenhum Sesshoumaru, mas isso não significava que ela tinha que julgá-lo tão severamente. Ele poderia, afinal, acabar como sendo o rosto que ela teria que acordar e ver todas as manhãs. Ela estremeceu com o pensamento de ter filhos. Eles caminhariam como ele? Agiriam como se se achasse muito importantes? A ideia imediatamente a repulsou.

"Posso te ajudar?", Rin inquiriu lentamente, lembrando-se de que ela não deveria saber quem ele era ou por que tinha vindo. "Temo que o Sr. Taishou fique longe de casa por um tempo".

"Rin?", a voz de Narak riu com familiaridade. "Sango não me disse que você era tão adorável quanto os seus retratos. Eu sou seu noivo, Narak".

"Oh, claro!", Rin esguichou com cortesia forçada. "Como você me achou?".

"Quando se é tão diligente quanto eu, achasse um modo", ele disse suavemente.

"Certo", Rin se permitiu falar lentamente. Ela tentou não deixar sua repugnância aparecer. O charme dele escoava de seu corpo como uma serpente. Não, ela pensou, isso não era justo com as serpentes.

"Eu não estava ciente de que você havia recebido um retrato meu".

"Oh, eu peguei um de seus pequenos tolos romances femininos. Ou melhor, eu fiz a minha secretária fazer isto". Narak sorriu enquanto colocava o braço no dela.

Tolos, o quê! Rin fumegou enquanto ele começou a levá-la para a casa. A boca ficou aberta, muda.

"Vamos pegar seus pertences para que possamos ir", ele declarou com firmeza. "Não posso acreditar que você realmente goste de ficar aqui. Que horrível deve ter sido ficar presa!".

Rin ficou pensando na presunção dele. Ela não o havia convidado para entrar na casa nem tinha se oferecido para partir com ele. "Devemos ver se o seu piloto gostaria de café?".

"Não", Narak começou perplexo antes de sorrir, como se estivesse descobrindo uma excentricidade deliciosa em sua noiva. "Não ficaremos aqui por muito tempo. Afinal, estou aqui para te salvar desta terrível, ah, devemos dizer… retirada agradável. Sem dúvida você vai querer ir a algum lugar e relaxar depois de ter ficado presa na neve deste solo improdutivo. Devo dizer que fiquei bastante enervado quando descobri que você estava presa. Como deve ter sido terrível para você".

"Eu gosto daqui. Estava pensando em comprar um lugar nas montanhas", Rin respondeu com os lábios apertados.

"Oh, fui advertido de como os escritores podem ser sentimentais. Sem dúvida a extravagância passará assim que você estiver ao redor da sociedade novamente. Acho que depois da formalidade iminente, devíamos comprar uma casa na zona rural da Suíça - se você insistir em ficar nas montanhas". Narak sorriu e tocou em sua bochecha brevemente antes de entrar na casa de Sesshoumaru. Por sobre o ombro, ele disse, "mas não vamos discutir sobre isto até que eu te leve a minha estância termal. Sem dúvida uma boa massagem e imersão com algas marinhas vão aliviar a sua mente".

Rin tentou não recuar. Ela se perguntou o que teria achado deste homem se ela não tivesse encontrado Sesshoumaru antes. Ela o julgaria tão mal? Seu tom condescendente a incomodaria tão drasticamente? Todos os homens no círculo social dela agiam desse modo? As respostas ressoavam em seu cérebro com um sonoro, sim!

"Bem, eu não posso partir daqui agora mesmo". Rin se apressou a dizer enquanto Narak a seguia. Ela ficou apavorada enquanto se lembrava do plano dele. "Tenho muito trabalho que ainda precisa ser feito. Talvez você devesse ir na frente".

"Rin, querida, depois que nós estivermos casados, não haverá nenhuma razão para você trabalhar. Se você está preocupada com o adiantamento que eles te deram, nós simplesmente o devolveremos". Narak acenou pelo ar, desconsiderando o protesto dela.

"Mas eu gosto de trabalhar". Rin tentou não agir tão afrontada quanto se sentia. "E não tenho nenhuma intenção de parar".

"Sim, bem". O nariz longo de Narak rapidamente cresceu com irritação. Era óbvio que ele tinha dúvidas quanto a sua esposa estando empregada. Ele estremeceu com a absoluta humilhação antes de ondular a mão como faria para dispensar um empregado.

Rin fechou os olhos enquanto Narak dava um passo em direção a ela. Ela se forçou a pensar sobre todas as pessoas cujas vidas seriam afetadas pelas vontades de seu pai. Ela se lembrou dos conselhos de Sango de manter Narak na reserva no caso de ela não conseguir achar um substituto a tempo.

"Não vamos brigar". Rin deu a ele um pequeno sorriso. Ela o viu olhando para seus lábios e tragando com a boca seca. Ele iria beijá-la. Rin congelou, forçando-se a ficar quieta. Fechando os olhos, ela tragou, fazendo seu melhor para não vacilar.

****

Sesshoumaru viu quando Rin deu um de seus sorrisos mais encantadores para seu noivo. Ele tinha ido rapidamente ao celeiro apenas para voltar e seguir o casal até a casa. Ele não iria desistir sem brigar de alguma forma. Mas, quando ele estava de pé no umbral da porta da cozinha, ele soube que não tinha escolha além de deixá-la ir. Narak se debruçou adiante para apertar seus lábios contra os dela.

As entranhas de Sesshoumaru se apertaram e se reviraram. Seus punhos cerraram em massas duras. Rin não se afastou do homem. Ele não conseguiria aguentar ser a testemunha do momento terno entre o casal e achou que não tinha muita escolha a fazer qualquer outra coisa. Talvez o caso deles tivesse ocorrido apenas com o corpo de Rin. Ele deixou o rosto uma máscara enquanto limpava a garganta com desgosto.

Rin saltou e girou depressa para ele. Seus lábios franzidos firmemente juntos, tentando se libertar do gosto de Narak.

"Sesshoumaru, você está de volta", ela gaguejou. Ela mal podia olhar para o rosto dele.

"Sim, voltei". Sesshoumaru observou a mulher enganosa diante dele. Ele procurou qualquer rastro da mulher que ele imaginava gostar. Abruptamente, declarou, "está de partida?".

Essa não era uma pergunta mas uma ordem. Ela viu nas profundidades frias de seu olhar glacial.

"Você deve ser o editor da Rin. Ouvi muito sobre você".

Sesshoumaru girou seu olhar observador para o homem magro que permanecia possessivamente próximo a Rin. Ele anuiu com a cabeça em confusão leve, incapaz de se mover para alcançar sua mão.

Editor? Sesshoumaru fumegou.

Rin ignorou Narak, seu coração queria agarrar Sesshoumaru e nunca deixá-lo ir. E ela poderia, se ele a desse uma sugestão mínima de afeto.

"Eu sou Narak, o marido de Rin".

"Marido?", Sesshoumaru silvou sob a respiração. Ergueu uma sobrancelha e girou para Rin.

Narak se moveu para frente dela antes que ela pudesse responder. "Sim. Marido. Sou obrigado portanto a cuidar dela. Se há um meio de podermos reembolsá-los, você e seu namorado, dos problemas, por favor, não hesite em mencionar".

Namorado?!! Sesshoumaru encarou Rin. O que ela havia dito ao seu amado marido antes de ele entrar? Que tipo de jogada ela estava armando? O corpo dele ficou tenso com a afronta.

Rin se sentiu adoecer com as palavras de Narak. Mas ela não tinha nenhuma razão para negá-las. Elas seriam verdade logo. Lágrimas ameaçavam seu olhar e ela piscou para que elas não caíssem. Jogando a Sesshoumaru um olhar impotente de desculpa, ela começou a abrir a boca. Mas suas palavras foram cortadas pela voz gelada dele.

"Realmente, ela tem sido um pouco inconveniente para nós. Nós realmente gostaríamos do nosso isolamento de volta. É parte da razão pela qual nós vivemos até agora aqui nestas montanhas". Sesshoumaru respirou fundo, apenas começando a se sentir correto. "Posso ajudá-los até o helicóptero?".

"Ah, esplêndido". Narak girou e sorriu para Rin. Ele ergueu uma mão possessiva até sua bochecha congelada. Ela não encontrou o olhar dele. Ele nem notou. "Então seu trabalho aqui acabou, preciosa. Sem dúvida seu editor pode perceber que seja lá o que a estava preocupando você precisar terminar".

Sesshoumaru se encolheu com o nome carinhoso que saiu tão facilmente dos lábios do homem. Não era possível que Rin tivesse encontrado o homem diante dela apenas agora. Sem dúvida ela já estava casada com ele antes do acidente e não queria contar ao seu marido real sobre isto.

"Sr. Taishou". Narak não ofereceu a mão ao anfitrião descortês novamente. "Foi um prazer. Rin, pegue suas coisas. Nós devemos voltar para Vegas amanhã".

"Mas eu tenho que ir para Nova Iorque primeiro", Rin disse distraída. Seus olhos suplicavam silenciosamente para Sesshoumaru. Ele olhava fixa e friamente de volta. Fraca, ela disse, "eu deveria ter uma reunião com Sango".

"Nós discutiremos sobre isso no helicóptero". Narak pôs uma mão nas costas dela e começou a levá-la até a porta.

"Narak", Rin deu uma olhada para seu noivo. Tentando não chorar, ela tragou, "vá em frente. Eu apenas tenho que pegar uma bolsa".

Narak concordou com a cabeça e fez seu caminho para aguardá-la no helicóptero. Rin assistiu enquanto ele aguardava na porta e esperava que o piloto a abrisse para ele. O piloto teve que sair de sua cadeira e dar a volto em torno do helicóptero para que Narak entrasse.

Sacudindo a cabeça com a exibição ostentosa, Rin lentamente girou seu sorriso triste para Sesshoumaru. "Você acredita-"

"O quê?", Sesshoumaru interrompeu sombriamente. Suas sobrancelhas estavam enrugadas em uma linha severa. "Acreditar que você teve a audácia de mentir para mim? Mas, por que eu deveria estar tão ofendido por isto? Você obviamente mente para o seu marido com bastante regularidade. Mas, o que a minha opinião importa? Eu fui apenas uma companhia para as noites".

O sorriso dela enfraqueceu. Sua boca se abriu com surpresa e afronta. Ela esperava que talvezSesshoumaruachasse a atitude de Narak tão divertida quanto ela tinha. Não havia nenhum modo de ela se casar com o homem agora que o havia conhecido. Ela apenas teria que contestar o testamento. Sango havia dito a ela que era uma possibilidade vaga. Porém, era uma chance que ela teria que arriscar. Ela se perguntou se as pessoas cujos trabalhos estavam em perigo se sentiam do mesmo modo.

"Acho que estava certo da minha primeira impressão sobre você", ele silvou. "Você pode não ser paga, mas ainda assim é uma prostituta".

Rin sentiu seu coração cair do peito e se partir no chão. Seu rosto empalideceu. Uma grande confusão enchia seus olhos com lágrimas.

"Vejo que você não tem nada a dizer para se defender". Sesshoumaru se afastou dela com desgosto. Furiosamente, atirou, "pegue suas bolsas e parta".

"Mas", Rin começou. Ela viu pelo rosto dele que ele havia terminado. A dor era insuportável, queimava seu nariz, enchendo seus olhos. Sua barriga se remexeu até que ela achou que estava morrendo. Ela queria gritar de dor, mas não podia fazer som. Não havia nada que ela pudesse dizer para ajeitar as coisas. Mesmo que tivesse sido Sango quem havia mentido para Narak, Rin sabia que ela ainda tinha culpa por tê-lo deixado acreditar nas mentiras. Com um buraco se formando em seu estômago, ela apertou os olhos com força e disse fracamente, "sim, Sesshoumaru. Eu irei".

Ela ouviu as palavras humilhadas saírem de sua garganta e soube que era o único adeus que ele permitiria que ela dissesse. Olhando para seu rosto bonito, ela estremeceu. Suas feições estavam endurecidas em uma máscara insensível, seus olhos a encaravam até que ela podia sentir seu ódio em cada poro. A dor sufocou as palavras, fazendo seus membros se debilitarem com a necessidade de gritar contra as injustiças de seu mundo. Rin escondeu as lágrimas enquanto corria depressa para seu quarto. Ela agarrou sua bolsa, sem querer dar importância a dor que sentia no peito. Ofegando, seu coração se recusou a bater.

Quando ela saiu do quarto, ele havia ido embora. Sem adeus, nem mesmo um último olhar. Ele se foi. Rin não se preocupou em chamá-lo. Ela sabia que seria inútil. Ele era um homem muito orgulhoso para se misturar com os negócios dela. Ela tinha sido uma boba em sonhar que poderia ser diferente.

Vendo o rosto impaciente de Narak através da janela do helicóptero, ela soube que nunca iria querer se casar com ele. Mas se ela não podia ter Sesshoumaru, isso importava? O que era a sua infelicidade comparada com a vida de tantas pessoas? A cada passo que dava, ouvia o ranger da neve sob suas botas. O calçado estava começando a amaciar.

"Obrigada, papai", ela disse sarcasticamente para a brisa leve desejando que ele ouvisse de tão próximo do céu. Rin tentou sorrir enquanto abordava o helicóptero, mas seu coração não se sentia com vontade. Seus olhos estavam entorpecidos e ela sabia que nunca mais poderia ser feliz novamente.