Capítulo Onze
"Narak está com você?", Sango olhou vagamente para fora de seu apartamento chique. O cheiro forte de seu perfume francês era uma mudança agradável para os últimos quarenta minutos no táxi fedorento que Rin tinha suportado.
"Não. Ainda bem". Rin passou por Sango. Ela deixou sua bolsa no chão e se sentou no sofá caro e altamente confortável. "De onde raios você o desencavou?".
"Sim", Sango demorou. "Não foi uma das minhas melhores realizações".
Rin riu ironicamente de acordo, incapaz de fazer muito mais.
Sango suspirou enquanto tomava uma cadeira em frente à amiga. Ela cruzou as pernas e apertou o cinto de sua bata de seda. Alcançando um pente, ela o passou em seu cabelo molhado e enrolado. "Foi tão terrível assim?".
"Você quer dizer a fala excessiva dele sobre seu tópico favorito? Ou o fato de que seu tópico favorito era ele mesmo?", Rin respirou fundo e fechou os olhos. Ela se debruçou para trás no sofá. Ela estava apenas contente por ter se libertado de ambos os homens agora mesmo.
"A maioria dos homens são assim Rin. Você apenas não tinha saído o suficiente com eles para descobrir isto". Sango suspirou. "Café?".
"Não". Rin manteve os olhos fechados. "Posso dormir aqui hoje à noite? Acho que Narak sabe onde eu moro e eu não o quero lá esperando por mim. Ele poderia tentar redecorar o local".
"Sim, certo", Sango permitiu. "Mas eu não dei a ele o seu endereço".
"Eu sei. Eu fiz. Foi o único modo que eu pude conseguir que ele concordasse em me deixar vir para cá sozinha. Sem dúvida ele estará lá quando eu chegar em casa. Talvez eu nunca irei para casa". Rin riu de forma infantil com o pensamento. "Você acha que ele notaria?".
"Honestamente, não pode ter sido tão ruim assim". Sango agitou a cabeça. Rin, sendo uma escritora, era sempre um pouco dramática.
"Ei, eu não fui uma párea social. Apenas porque eu não saí por algum tempo não significa que eu não saiba como os homens são. Eu escrevo sobre eles todos os dias". Rin abriu um olho e deu a amiga uma expressão tardiamente sarcástica.
"Não, você escreve sobre homens imaginários. Há uma grande diferença. Você escreve sobre o perdedor que não paga o sustento da criança. Ou o cafetão que abusa de suas vagabas". Sango riu quando Rin enrugou o rosto com desgosto.
"Eu nunca escrevi uma palavra sobre um cafetão. Mas acho que isso acontecerá no meu próximo livro". Rin abriu os olhos por um tempo, mas apenas para revirá-los para a amiga. Sarcasticamente, murmurou, "obrigada".
"Por favor", Sango atirou de volta, com o mesmo tom. "Os homens nos seus livros são do jeito como você quer que sejam. As pessoas não são assim. Elas são impossíveis de se predizer e nem sempre recebem o que merecem. Além disso, eu não sairia com qualquer um dos homens que você escreve. Se eu quisesse umas boas pancadas, entraria em uma academia de kickboxing".
"Talvez você devesse dizer a Narak que eu tenho o histórico de bater nos meus homens. Isso deve fazê-lo mudar de ideia". Rin deu um sorriso cínico. "Acho que posso usá-lo".
Sango fez uma careta. Rin não viu.
"Sango, Narak apenas não é", Rin pausou tentando achar a frase certa. Então, carente de qualquer coisa melhor, murmurou desanimadamente, "o cara certo".
"O cara certo?", Sango atirou de volta com autoridade. "Deixe-me te dizer algo sobre isso. O cara certo nem sempre diz a coisa certa ou ri quando deveria, ou te dá suporte quando deveria. Ele não é bonito. Não está em nenhum lugar próximo de ser o Príncipe Encantado. O cara certo é apenas um homem - um homem com o qual você se entende um pouco melhor do que o resto. E às vezes, ele é o homem disposto a se casar com você para cumprir as cláusulas do testamento de seu pai".
"Eu sei de tudo isso", Rin respondeu, mas não concordava. A perspectiva de sua amiga era muito depressiva para se aceitar. "Mas eu não acho que esse homem seja Narak. Deve haver outra pessoa. Deve haver um jeito de fazer Narak ir embora".
"Você está certa de que quer que ele mude de ideia? Algo mais aconteceu entre você e Sesshoumaru?", os olhos de Sango ficaram cheios de esperança. "Caso sim, você pode acabar com Narak. Ele pode ficar louco, mas se ele tentar ir ao júri, nós apenas mostraremos ao mundo o quão feliz você e Sesshoumaru são. Será apenas um pequeno pesadelo de relações públicas por este lado. E talvez impulsionará as vendas do livro, controvérsias sempre fazem isso".
"Como você pode falar de relações pessoais com tal cinismo e então ser tão otimista sobre esta?", Rin riu sem entusiasmo. A dor em seu peito não havia diminuído desde sua partida de Montana. O rosto dele estava permanentemente pintado na sua mente. Ele achava que ela era uma prostituta. Ela queria vomitar. Rin deu as costas para a amiga e se enrolou como uma bola.
"Dificilmente", Sango suspirou. "Isso significa que você não resolveu as coisas com ele?".
"Não. Acredito que as palavras dele na minha partida foram algo com o efeito de me fazer sair da casa dele – na hora". Rin deu uma respiração funda, rota. Seu nariz estava queimado com a necessidade de chorar. Ela sentiu as lagrimas se formando enquanto se lembrava de suas palavras. Ele tinha estado tão bravo e não apenas isto, ele tinha estado tão desapontado.
"Certo. Esqueça-o. Nós acharemos outra pessoa - se não Narak, outro qualquer". O tom de Sango se tornou profissional. "Quantos sabem realmente sobre o homem que vão se casar? Nós podemos achar um marido para você. Do modo que eu vejo, há cinquenta por dento de chance. E eu escreverei um acordo pré-nupcial tão selado, tão firme… bem, você pegou a ideia".
Rin não queria pensar sobre isto, mas ela realmente não tinha nenhuma escolha. O tempo estava correndo.
"Vamos do começo. Onde estão os documentos de divórcio?", Sango esticou a mão. "Eu o farei em primeiro lugar. Tenho um juiz que me deve um favor".
"Oh, não, eu me esqueci. Eu esqueci o meu laptop, e todas as minhas anotações. Não posso acreditar nisto!", Rin deu um salto. "Eu não o fiz assinar. Ele estava tão bravo comigo. Narak disse a ele que nós éramos casados e Sesshoumaru deve ter pensado que eu estava enganando o meu marido com ele".
"O quê?", Sango devolveu com descrença. Ela acreditava muito em 'primeiro o trabalho, depois a diversão'. "Você estava na casa dele por tanto tempo e os papéis não foram assinados?".
"Eu sei", Rin suspirou com abatimento. O tempo passou tão rápido, na maior parte dele, foi a época mais querida da minha vida.
"Como eu pude ser tão tola? Você realmente está apaixonada por ele. E não apenas amor mas amor e sexo. O amor mesmo, a coisa real". Sango agitou seus cabelos úmidos em confusão.
"Eu não quero falar sobre isto. Ele não se importa comigo. De fato, acho que abominar pode ser um termo mais apropriado – ou melhor ainda, desgosto". Rin respirou fundo. Ela apertou a têmpora para parar a pulsação. "Há algum modo de me divorciar dele sem voltar para pegar os documentos?".
"Não, não com o tempo que temos sobrando".
"Então você terá que fazer isto por mim. Você terá que voltar lá para mim. Por favor, como minha amiga", Rin implorou.
"Não, como sua amiga eu acho que você deveria ir lá fazer isto. Vá até ele. Tente consertar as coisas. Eu ainda acho que se você ficasse com ele seria a solução mais fácil para esta bagunça. Você teria um marido que seria ótimo para os propósitos de procriação. E nós podemos controlar Narak.
"Então vá como minha advogada paga. Eu não quero vê-lo. Nunca mais", Rin mentiu.
"Algo mais está te aborrecendo?", Sango perguntou. "Você não parece nada bem. Está doente?".
"Sim, acho que estou com gripe. Eu não levei as melhores roupas comigo para o clima da montanha". Rin balançou a mão dispensando a pergunta, pensando sobre a pequena guerra deles na neve. "Eu não posso me dar ao luxo de pensar sobre isto agora. Eu posso passar os próximos dez anos da minha vida de casada doente".
Sango anuiu com a cabeça. Ela tinha que concordar que elas tinham pouco tempo. "Certo, eu pegarei os documentos para você. Terá que esperar por dois dias. Nesse meio tempo você terá que decidir se casará com Narak ou se com alguém de fora".
"Narak me disse que eu terei que largar a minha carreira depois que nós nos casarmos. Ele disse que a esposa dele não tem que trabalhar". Rin riu zombeteiramente. "E ele precisou da ajuda do piloto para entrar no helicóptero. Ele não pôde abrir nem a própria porta".
Sango agitou a cabeça. "Eu sei, e já te disse que sinto muito. É isso que você consegue quando escolhe um marido através de uma pilha de relatórios financeiros".
"Como minha advogada, acha que eu deveria casar com Narak?", Rin suspirou. "Isto é o melhor que tenho?".
"Como sua advogada, mantenha-o na reserva". Sango levantou-se e se moveu para colocar uma mão sobre o ombro de Rin. Ela se debruçou para apertar a mão na parte de trás da cabeça de Rin. Ela estava bastante quente. "Como sua amiga, não sei o que dizer a você".
"Eu sei, Sango, deixei de compreender a situação toda há meses". Rin fechou os olhos enquanto agitava a cabeça. "Não entendo por que o meu pai seria tão inflexível assim. Ele foi a pessoa que me fazia trabalhar duro - e viajar o tempo todo, indo de sessão de autógrafo a excursão. Por essa razão que eu nunca tive uma relação significativa. Nenhum homem acreditava que eu seria fiel quando partia. E que homem esperaria três meses por uma mulher que mal conhecia? Era impossível e assim eu parei de tentar".
"Rin", Sango começou com um suspiro frustrado. E franziu os lábios firmemente juntos. Não havia nada mais que ela pudesse dizer.
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"O quê?", a voz do vovô se expandiu e falhou através do locutor velho. Sesshoumaru tentou ouvir as palavras cortadas, "como… raios… ela… sua… esposa… você diz que ela se foi".
"Vovô, a voz está falhando", Sesshoumaru devolveu apertando um botão, "não consigo te ouvir".
Por um momento houve um silêncio com chiados. Sesshoumaru fez careta enquanto a voz vibrava através da caixa.
"Eu disse, o que você quer dizer com ela se foi?".
Sesshoumaru franziu com a irritação na voz do homem idoso. Ele sabia que sua avó estaria de pé logo atrás do avô escutando cada palavra. Com um suspiro, ele respondeu, "vovô, ela tem dois maridos. Seu verdadeiro marido veio e a levou".
"Verdadeiro marido?", a voz chocada da avó revelou sua presença. Sesshoumaru riu sem achar graça.
"Sim, vovó", ele respondeu. "Nosso casamento era um engano".
"Eu nunca", a voz da avó começou a erguer em afronta antes de o som parar. Sesshoumaru franziu o cenho. Ele sabia que o avô havia colocado o dedo no botão para que assim ele não os ouvisse discutindo.
Quando o som voltou, Vovô disse, "Kaede, quieta. Você não está falando daquele cara rico que estava aqui procurando por ela não é, filho?".
"Narak", Kaede disse cooperando.
"Sim, sim, Narak". Vovô afirmou para aquietar sua esposa.
"Sim, Vovô, ele mesmo", Sesshoumaru disse com um firme aperto no botão. "Ele é o marido da Rin. Ele veio num helicóptero para salvá-la. Ela tinha dito a ele que eu era seu editor".
Sesshoumaru recusou a dizer aos avós o que mais ela havia dito sobre ele. Com uma carranca profunda embutido em sua sobrancelha, ele rosnou, "namorado uma ova".
"O quê?", Vovô gritou.
"Nada", Sesshoumaru disse de volta com um sorriso juvenil maldoso.
"Oh", Vovô começou.
"Aqui, dê isso aqui para mim".
Sesshoumaru escutava. Havia uma luta pelo comunicador no outro lado. Ele agitou a cabeça com um sorriso. Seus avós finalmente tinham respondido ao seu chamado, apesar de ele ter tentado todos os dias desde a avalanche.
"Ei, filho, é a vovó", Kaede disse desnecessariamente. "Narak não pode ser marido dela".
Sesshoumaru congelou. O sorriso de diversão em seus lábios começou a virar uma linha ao ouvir que a disputa de seus avós havia enfraquecido. Seu coração parou.
"Sesshoumaru", Kaede inquiriu quando o neto não respondeu.
"Sim, estou aqui", ele declarou. "O que você quer dizer com ele não é marido dela?".
"Esse Narak esteve aqui em Miner's Cove há alguns dias. Ele estava aqui com a advogada de Nova Iorque".
"Essa advogada é amiga de Rin", Sesshoumaru clarificou.
"Bem, este Narak, ele ficou perguntando, fazendo muitas perguntas que um homem casado não deveria fazer sobre a própria esposa". Kaede silenciou o marido quando ele a tentou interromper. "Ninguém exceto Kagura disse a ele qualquer coisa".
Sesshoumaru forçou uma risada por causa da vovó, antes de dizer, "O quê? Que ela queria ir com ele?".
"Ele a levou, filho", Vovô disse. Kaede o silenciou novamente.
"Sim, Sesshoumaru, Kagura foi para Nova Iorque com ele. Ele comprou para ela uma passagem de primeira classe. Ela disse que eles iriam se casar e viver em Los Angeles". Kaede pausou. "Então ele não pode ser casado com Rin e se casar com Kagura".
Sesshoumaru franziu o cenho. Algo não estava certo. Que tipo de casamento era esse que Rin tinha afinal? Não era nenhuma maravilha que ela tivesse ficado mais do que feliz ao ficar presa na neve com ele. O marido dela era tão infiel quanto ela. Ele engoliu seu remorso, antes de dizer, "vovó, já pensou que talvez ele estivesse mentindo para Kagura para dormir com ela? Ou que talvez Kagura não quisesse dizer a verdade a você? Porque ela estava finalmente deixando a cantina sozinha".
"Eu o vi dar a passagem", Kaede afirmou. "Além disso, Kagura não teria nenhuma razão para mentir para mim. Eu tenho dito a ela que vá por anos".
Sesshoumaru suspirou sabendo que com a menina partindo a avó havia perdido sua única ajuda no restaurante. "Certo, mas não há nada que eu possa fazer sobre isto agora. Eu ainda estou preso na neve. Eu fui até o caminho esta manhã, parece que ainda vai demorar várias semanas até que eu possa sair daqui".
"Sim, estimo que seja isso mesmo", Vovô disse.
"Você quer que eu a contate?", Kaede ofereceu. "Posso enviar uma mensagem sua para ela".
"Não". Sesshoumaru pensou sobre os documentos de divórcio que ele tinha achado em seu quarto próximo ao laptop dela. Ele finalmente tinha se sentado e os lido. Tinham condições bastante generosas que incluíam um cheque de cinquenta mil dólares. Ela tinha se esquecido de pegá-los quando partiu. Com uma confiança que não sentia, reivindicou, "eu a verei logo".
"Certo, filho". O vovô tomou o pedaço da torta da mão da esposa. Ela não discutiu, enquanto ele perguntava, "como você está de suprimentos?".
"Sim, estou bem", Sesshoumaru respondeu, se levantando da cadeira. Inclinando sobre a mesa, ele disse, "eu te contatarei em alguns dias, aí fora".
"Certo, filho", Vovô repetido. "Aqui fora".
Sesshoumaru desligou o walkie-talkie. De pé, ele franziu o cenho. Não fazia sentido. Rin tinha dito a verdade a ele desde o início? Ou Narak era realmente o marido do qual ela estava tentando manter a verdade de suas indiscrições? Sesshoumaru queria acreditar nela. Ele tinha ficado tão bravo no dia em que ela partira. Mas e se ela não tivesse mentido? E então, novamente, e se ela tivesse?
Sacudindo a cabeça, ele cruzou a casa para a guarida. A casa parecia tão vazia sem ela. O isolamento nunca o havia aborrecido antes. Sesshoumaru franziu o cenho. Indo até a estante, ele puxou um livro de seu lugar ordenado. Olhando para a capa, e leu as palavras finamente gravadas, "As Cinzas de Littleton por Rin Masters".
Virando a capa dura, ele endureceu quando viu o rosto dela sorrindo amplamente. Era um retrato antigo, seu cabelo estava mais curto e ela estava sentada em uma cadeira de escritório com um gato branco peludo no colo. Sesshoumaru sorriu quando notou os olhos azuis claro do gato que eram ligeiramente estrábicos. Passando o dedo acima da linha lisa da bochecha, ele suspirou para a fotografia. Antes ele tinha se importado pouco com o retrato, escolhendo em vez de olhá-lo, ler o romance. Agora ele se perguntou como poderia ter resistido a olhar a mulher bonita na capa brilhante.
Carregando o livro, ele voltou para seu sofá e se sentou na frente do fogo. Ele olhou fixamente para o rosto brilhante dela por um longo momento antes de se inclinar para trás e abrir o livro.
