Capítulo Treze
Rin franziu o cenho enquanto fechava a última de suas malas. Dando uma última olhada ao redor de seu quarto em Nova Iorque, ela suspirou pensando. Pela janela ela viu um gato vira-lata andar na escada de incêndio do prédio. Ela o viu pular para uma estrada de ferro antes de sair correndo apressado.
Rin respirou fundo e deixou o ar sair lentamente. Vendo uma meia no chão limpo, ela se curvou para pega-la e jogou-a em uma cesta de roupa para lavar. Depois que voltasse, ela limparia seu apartamento inteiro até que brilhasse. Ela tristemente pensou em Sesshoumaru e seu chalé. Então, de acordo com sua vaidade, ela ergueu a tampa de seu estojo de maquilagem e às pressas a associou com várias garrafas pequenas de perfume, um batom extra e sua lixa de unha.
Pegando o estojo em uma mão, ela ergueu a mala de sua cama com a outra mão. Ela as levou para a sala de estar e as deixou perto da porta. Por dentro, se sentia morta. A viagem a Vegas tinha saído exatamente como ela tinha planejado. Narak tinha sido previsível. Agitando a cabeça, ela se recusou a pensar sobre isto. Estava terminado.
Vagando pela cozinha, ela parou na caixa que havia deixado sobre o balcão. Ela abriu a tampa e olhou seu conteúdo. Indecisamente, retirou suas notas de pesquisas. Sango a tinha pegado em Montana. Colocando as notas na pasta, ela as levou para colocá-las junto com o resto de sua bagagem. Voltando à caixa, jogou fora o recipiente vazio.
Rin olhou fixamente para o pacote descartado, tentando não chorar. Era duro. Ela sentiu um soluço se reunir em seu peito enquanto pensava em Sesshoumaru. Kagura poderia ter desejado sair de Miner's Cove, mas Rin queria passar o resto de sua vida lá.
Ela sentia falta do abrigo da montanha. A cidade apenas parecia ruidosa e irritante agora que ela havia voltado. Antes, o cheiro das ruas nunca a havia aborrecido. Agora ela tinha desejo de ar fresco e limpo, de um monte de neve e o odor forte da lenha em chamas em uma lareira. Seu corpo ansiava por todas as vezes e lugares que ela nunca tinha feito amor com Sesshoumaru na montanha. O abraço dele ainda queimava sua pele, marcando-a como uma brasa e para sempre a arruinaria para o toque de outro homem.
Sacudindo a cabeça para sair do transe compassivo, ela olhou para as passagens de avião. Abrindo-as, olhou o carimbo forte.
"Suíça", ela murmurou, "primeira classe, sem escalas".
Vendo a bolsa, ela a puxou e colocou a passagem do lado de dentro. Então, pausando, retirou um pedaço amassado de papel. Suas mãos tremiam enquanto ela o desdobrava. Era sua certidão de casamento com Sesshoumaru. Ela sabia que deveria jogá-la no lixo ou colocá-la em um arquivo ou algum lugar em que ninguém a visse. Vendo os traços firmes de sua caligrafia precisa, ela sorriu com a memória. Era limpa e ordena como todo o resto dele.
Indo à pasta, ela a revolveu até que achou os documentos do divórcio. A assinatura dele se distinguia corajosamente, combinando com o certificado de casamento perfeitamente. Dobrando-os juntos, ela os colocou no lugar.
"Já vou", ela gritou quando a campainha tocou. Dando alguns passos para a porta, ela a abriu. Vendo Sango, ela sorriu e acenou.
Sango olhou para as malas cansadamente enquanto as circundava. "Você já empacotou tudo?".
"Sim, vou hoje à noite". Rin voltou para a cozinha para pegar sua bolsa. Deixando-a ao lado da bagagem, ela fez um gesto indicando a Sango a sala de estar.
"Uau, você contratou uma empregada?", Sango perguntou com assombro na medida em que olhava.
Rin riu estranhamente, "não, eu finalmente arrumei".
"Arrumou?", Sango atirou com ceticismo. "Eu diria que você gastou quase dez horas neste lugar. Eu nunca o vi tão limpo".
"Uh, obrigada", Rin murmurou, enquanto revirava os olhos. "Eu peguei o hábito quando estive em Mont…"
De repente, Rin parou. Sango girou para ela e franziu o cenho. Os olhos azuis de Rin estavam cheios com dor e ela os fechou com força. Por detrás das pálpebras ela viu a forma potente do corpo nu de Sesshoumaru enquanto ele vinha em sua direção. Estremecendo, ela se virou.
"Você já tentou conversar com ele?", Sango perguntou, o tempo todo sabendo que Rin não tinha. Não havia nenhum modo de conseguir falar com ele nas montanhas.
"Não", Rin declarou. Seu tom não deixou nenhum espaço para argumentação. "E não irei. Ele foi muito claro. Ele não quer nada comigo. Se ele quisesse, teria enviado uma nota ou algo com você".
"Rin", Sango interrompeu, "ele não me conhece. Um homem assim não enviaria uma nota pessoal através de uma completa estranha. Talvez ele queira conversar com você".
"Não", Rin negou com uma sacudida firme de cabeça. "Está terminado".
"Eu não acho que tem que ser desse modo".
"Ele disse algo a você?", Rin perguntou, um pouco ávida demais. Seus olhos faiscaram com esperança por um momento antes de morrerem.
"Rin, eu sou uma das melhores advogadas no estado. Eu consigo ler jurados, juízes e testemunhas. Mas, Sesshoumaru Taishou? Eu não consegui ler porcaria nenhuma". Sango soltou um gemido frustrado. "Rin, se ele sentir por você metade do que você sente por ele, então valerá a pena tentar. Talvez você possa pensar em algo. Talvez depois-"
"Não. Não diga que talvez depois nós possamos ficar juntos. Eu não tenho condições de pensar sobre isto. Não era para ser. Eu não posso… É muito tarde para isto".
De repente, Rin começou a chorar. Ela escondeu o rosto nas mãos. Agitando a cabeça contra a dor, ela enterrou o rosto na almofada do sofá. Batendo no material suave com frustração, ela disse furiosamente, "eu não posso pensar sobre isto. Você não sabe como me dói pensar nisto. Droga, Sango. Eu o amo. Eu amo seu sorriso, sua tranquilidade. Amo o fato de ele fazer seus próprios relógios e não os ter vendido para uma grande empresa. Amo o fato de ele comer ovos e não se importar de quantas vezes eu os tenha cozinhado para ele. E eu amo a aparência dele, seu meio sorriso sensual que ele mostra quando me quer".
Sango escutou tranquilamente. Lentamente ficou de pé. "Certo, não vou forçar nada. Apenas quero te ver feliz".
"Eu sei", a voz de Rin era rouca em sua miséria. Sentando, engoliu um soluço e girou seus olhos brilhantes para Sango. "Eu ficarei bem. Preciso apenas de um pouco de tempo para me ajustar".
"Vim para dizer adeus e boa sorte. Eu deixarei o endereço do hotel na Suíça quando você chegar lá".
"Obrigada".
"Oh, eu quase me esqueci de te dizer sobre Narak", Sango disse quando um sorriso de repente se formou em seu rosto divertido.
"O quê?", Rin inquiriu, confusa. Um sentimento de temor embrulhando seu estômago.
"Na noite que você o deixou em Vegas ele se casou com outra mulher. Acho que ele se embriagou e ela apareceu na porta dele usando um véu de casamento. Ele pensou que fosse você". Sango começou a rir tanto que teve que parar para respirar. "No dia seguinte ele me ligou no escritório me culpando por eu ter armado uma para ele. Mas eu juro que não sabia nada sobre isto. Que pena. Eu gostaria de dizer a ele que eu tinha planejado tudo".
"Quem?", Rin perguntou assombrada.
"Aquela garçonete de Miner's Cove. De alguma maneira ela o seguiu até Vegas". Sango agitou a cabeça com ironia. "Acho que a família dele o ameaçou a rejeitá-lo e sem um acordo pré-nupcial, ele está ferrado".
"Você quer dizer Kagura?", Rin agitou a cabeça, confusa. Incapaz de impedir, ela deu uma risadinha. "Acho que ela conseguiu seu marido rico afinal".
"O que você disse a ele que o fez mudar de ideia assim?", Sango perguntou quando elas tinham parado de rir por tempo o suficiente para falar.
"Eu disse a ele as outras estipulações do testamento", Rin murmurou. Suas bochechas ficaram vermelhas com embaraço. "Aquelas que você se esqueceu de mencionar na última alteração".
"Quais outras estipulações? Eu disse a ele tudo o que era exigido". Sango voltou para sua cadeira e se sentou. Ela estreitou o olhar em confusão.
"Oh, que ele tinha que trabalhar das nove às cinco no escritório da Cidade do Kansas durante seis dos dez anos. Você sabe que meu pai era realmente muito firme com relação ao trabalho e ele queria ter certeza de que meu marido também fosse". Rin riu antes de tentar forçar uma expressão inocente no rosto. Falhou miseravelmente. "Eu também disse que no total nós deveríamos ter pelo menos seis crianças e eles teriam que viver conosco até que fizessem dezoito anos".
Sango agitou a cabeça em surpresa. "Você é uma boa escritora Rin. Eu nunca teria pensado nisto, mas não posso acreditar que isso foi o suficiente para fazê-lo pular fora. Ele parecia querer muito o dinheiro. O que mais você disse a ele? E o que você não está me contando?".
Rin tragou. Seu rosto empalideceu um pouco antes de ela olhar para Sango nos olhos. Lambendo os lábios que de repente haviam ficado secos, ela sussurrou, "estou grávida".
"O quê?", Sango se sentou reta em sua cadeira.
"Sim, descobri antes de embarcar no voo para me casar com Narak. Eu não podia me casar. Quando eu disse a ele que estava grávida com uma criança de Sesshoumaru, ele ficou louco. Eu disse a ele que se ele quisesse o dinheiro, teria que reivindicar a criança como sua e que a criança seria seu herdeiro. Acho que a vaidade masculina ganhou da cobiça e Narak e recusou a continuar. Quando eu o vi pela última vez, ele estava bebendo para se esquecer de tudo".
"Você está grávida?", Sango disse atordoada. Ela mal tinha ouvido o resto da confissão. "Um filho do Sesshoumaru?".
"Sim". Rin encolheu os ombros de modo inseguro enquanto Sango atravessava a sala para lhe dar um abraço. Murmurando através das lágrimas incertas, ela disse, "então, entenda. Eu não posso vê-lo agora mesmo. Tenho que tentar entender o que é melhor".
"Mas, e o bebê?".
"Ele é muito honrado. Com a criança, ele ficará comigo pelo bebê. Eu nunca saberei se ele gostaria de ficar comigo por mim. Então primeiro, eu vou para a Suíça falar com o advogado de papai. Eu verei se há um jeito para conseguir uma extensão do prazo, e se não houver, contestarei o testamento. Estou certa de que ele vai querer algumas condições cumpridas para que toda a sua comissão não fique presa em detalhes técnicos. Então, depois que a bagunça for endireitada, eu pensarei sobre o que fazer com Sesshoumaru. Até lá a neve deverá ter acabado o suficiente para ele sair de sua casa".
"Se não, eu mesma voarei para lá", Sango afirmou. "Não posso acreditar que você vai ter um bebê!".
"Eu também". Rin disse de modo inseguro quando Sango a puxou para outro abraço. Enquanto sua amiga a segurava, ela começou a chorar. Mas desta vez eram lágrimas cheias de esperança.
