Capítulo O2.

Querido diário,

Só agora que eu percebo como fui estúpida, imatura e egoísta noite passada. Como não pude pensar nas consequências? Nem sequer me importei com elas.

Estou escrevendo no horário do recreio, e Stefan está na sentado na minha frente, preocupado comigo. Eu não consigo nem mesmo olhar pra ele direito, fico com nojo de mim mesma. Egoísta, egoísta, egoísta. Stefan é tudo para mim, por que eu fui fazer uma coisa daquelas? Ele nunca me magoaria.

O que eu faço? Eu sei que Stefan me perdoaria, não pensaria nem duas vezes, mas não posso contar para ele. Eu não quero gerar buracos em nossa relação, eu não quero ser Katherine. O problema é que eu sinto que eu mesma estou gerando buracos não contando a verdade, escondendo tamanho segredo dele.

E Damon? O que fazer com Damon? Ele não vai parar. Ele é como um trem desgovernado, incapaz de deter. E agora eu quebrei os freios.

Argh! Egoísta! Como apenas um ato pode gerar tantos danos? Como explicar para Stefan o que aconteceu noite passada sem magoá-lo? E como explicar a Damon? Eu não consigo nem explicar a mim mesma!

O amor é uma droga.

- Elena, você vai ficar escrevendo nesse diário o recreio inteiro? – Meredith perguntou.

Elena fechou o diário e sorriu para sua amiga.

- Acabei – disse – Então, sobre o que vocês estavam falando?

- Sobre o baile de máscaras que vai ter nesse final de semana – ela respondeu – O que vocês vão usar?

Bonnie começou uma descrição minuciosa de seu lindo vestido azul gelo com brilhantes que ela usaria naquela noite, o que faria com seus cachos e o formato de sua máscara. Na metade da explicação Elena começou a se desligar, a se perder em seus devaneios.

A verdade era que, mesmo convencida que noite passada não significara nada para ela - apenas mais caos para sua relação -, Elena não conseguia parar de pensar no que acontecera. Foi tudo muito irreal, muito impossível. Quem poderia imaginar que Damon não queria apenas aproveitar de seu sangue - ou de sua boca?

Ela lembrava-se de tudo tão claramente. Ela sentara-se em sua cama e o convidou, mas ele só ficara de pé, olhando fixa e misteriosamente para ela.

Um longo minuto se passou em silêncio, e Elena sentiu-se obrigada a falar.

- Não quer sentar? – insistiu novamente, gesticulando o lugar vago ao lado dela na cama.

Mais uma pequena pausa.

- Qual é a sua música favorita? – Damon perguntou.

Elena levantou uma sobrancelha, confusa com a pergunta inesperada.

- Hm... Não sei, tenho várias. Por quê?

Ele deu de ombros e foi até a escrivaninha dela, onde abriu seu aparelho de som.

- Hmmm... – ele murmurou.

- O quê?

Ele deu um ligeiro sorriso.

- Nada. É só que você não parece o tipo de garota que escuta Paramore... – ele olhou a capa que estava no lado do aparelho e riu – ou Linkin Park.

- Eu posso escutar desde Paramore até Britney Spears – ela respondeu, um pouco impaciente – Por que você não senta aqui, Damon?

Ele sorriu novamente, mas agora com uma pitada de malicia e um pouco de divertimento. Sentou-se ao lado dela como ela pedira, mas não a beijou, nem mesmo a tocou.

- Razão ou emoção? – ele perguntou.

Elena suspirou.

- Depende da situação. O que você está fazendo?

Ele arregalou os olhos inocentemente.

- Conversando. O que você deseja fazer?

Ela semicerrou os olhos, irritada.

- Eu não quero fazer parte desses seus joguinhos, Damon.

Damon chegou mais perto, sem nunca tirar os seus olhos dos dela, tão perto que Elena podia sentir seu doce hálito na sua pele delicada. Para a insatisfação dela, ele não a beijou, como assim ela esperava. Lentamente, ele colocou uma mexa de seu cabelo louro atrás de sua orelha, ainda olhando fixamente nos seus olhos. Elena sentiu seu coração bater mais rápido e ela teve que se concentrar para respirar. Ele sabia o efeito que causava nela.

- Eu não estou jogando nada, Elena – ele falou baixo, sedutor, e ainda muito perto dela – Qual seria a graça de jogar se eu já conquistei o prêmio?

As palavras dele atingiram-na com irritação; ela se afastou dele bruscamente.

- Você não conquistou nada, Damon – sibilou – Você acha que sabe muito sobre mim, mas você não sabe nada.

- Oh, eu não sei? Bem, eu acho que você está completa e terrivelmente enganada. Eu sei muito sobre você, Elena, mais do que você pode imaginar.

Ele continuava a olhar para ela daquele jeito que a deixava nervosa, gerando pensamentos incoerentes. Ela balançou a cabeça, aborrecida.

- Prove – exigiu.

Damon suspirou.

- Sua cor favorita é azul, mas não aquele típico azul bebê enjoativo, ou o inocente azul-céu. Você gosta de azul marinho, o que, devo acrescentar, fica muito bem na sua pele – Damon sorriu.

Elena cruzou os braços e jogou o cabelo para trás, arrogante.

- É só isso? – provocou.

- Eu não acho que depende da situação na hora de você escolher entre razão ou emoção, eu acho que você respondeu errado. Eu acho que você prefere resolver seus problemas com calma e responsabilidade, ou melhor, com a razão. Mas às vezes você dá um deslize, como hoje, e segue seu coração.

- O que mais? – incentivou, fingindo desinteresse.

- Você ama clássicos, e provavelmente já deve ter lido todos os livros da Jane Austen. Contudo você não gosta muito de ler, e sim de vivenciar suas próprias experiências – ele sorriu e acrescentou: - É por isso que você escreve um diário.

"O que mais? – ele pareceu pensar - Ah, sim. Eu acho que você tem um lado que você não mostra para ninguém, nem mesmo para Stefan. Quem a vê acha que você é delicada e serena, mas eu consigo ver que é inteiramente o contrário. Você não é delicada, você é forte, e você toma suas próprias escolhas, é dona de seu próprio destino. Muitas pessoas talvez não gostariam desse seu outro lado, apenas porque elas não entendem. Eu entendo, Elena, e eu admiro."

Elena estava paralisada. Era provável que ele a conhecesse melhor do que qualquer um, talvez mais do que ela mesma. Não apenas seus gostos, mas seus pensamentos também.

- O que você acha? – ele perguntou, convencido.

- Eu acho que você tem me espionado bastante ultimamente – ela disse com um meio sorriso. Para a sua imensa surpresa, isso não a aborrecia. Se ela fosse franca consigo mesma, ela veria que isso a agradava.

Ele sorriu torto.

- Só um pouco.

Novamente, os dois se observavam em silêncio. Elena, como de costume, estava perdida nos intensos olhos negros; ela podia estar no inferno e não perceberia. Como estranho isso era, como se as palavras já não fossem mais necessárias. Como se o mundo que eles conhecessem fosse pequeno e insuficiente, e o mundo que eles estavam naquele momento era completamente diferente, incompreensível para qualquer outra pessoa.

Mas o dia muda, e a realidade a chama de volta.

- E você, Elena, o que vai usar? – Bonnie perguntou.

- Hm... – ela tentou clarear os pensamentos – Eu não sei, não decidi ainda.

Bonnie arregalou os olhos.

- Não escolheu ainda? Quem é você e o que fez com Elena Gilbert? É segunda! O baile é na sexta, como você pode não estar nem um pouco preocupada com isso?

Acredite, Bonnie, eu tenho mais coisas com o que me preocupar.

Meredith riu, mas Stefan observava Elena apreensivo.

- Calma, Bonnie. Elena está um pouco diferente, mas ainda é Elena. Com certeza ela vai estar mais deslumbrante do que qualquer garota, mesmo escolhendo o vestido no dia – disse Meredith.

Bonnie fungou.

- Eu tenho tanta inveja de você, Elena. Tem beleza e tem Stefan – ela balançava a cabeça com frustração.

Elena riu.

- É verdade, você só tem uns poderes incríveis herdados da sua avó, que horrível para você – Elena brincou.

- Concordo plenamente, é horrível!

O sinal tocou, convidando a todos a voltarem para suas aulas. Meredith e Bonnie foram na frente para dar privacidade a Stefan e Elena.

Stefan a abraçou.

- O que aconteceu? Você está tão quieta hoje...

- Eu não dormi direito, só isso – ela lhe lançou seu melhor – e mais falso – sorriso. Isso pareceu convencer.

- Tudo bem – ele falou, então beijou sua testa – Mas estou com saudades. Hoje o dia está lindo, e eu sei que muitos casais aproveitam para fazer um piquenique no parque, então eu estava pensando se você não gostaria de ir comigo.

- Soa ótimo para mim – concordou.