Quando um pouco da lucidez retornou à mente conturbada da Haruno e ela se viu naquela escuridão, beijando o homem que um dia ela odiara e agora desconfiava sentir algum amor, quase caiu para trás. Meu deus!, pensou Sakura, enquanto continuava a beijar o Akatsuki. Estou beijando Uchiha Itachi! Uchiha Itachi!
Ela sentiu a mão dele subir pelas costas dela, e vagarosamente baixar a alça da blusa vermelha da garota. Ela corou e se separou daquele beijo, ao mesmo tempo tão violento e tão delicado.
E mesmo na escuridão, conseguiu ver o rosto do Uchiha, pois parecia que pequenas estrelinhas estouravam diante do seu campo de visão. Os olhos do Uchiha refletiam o mesmo que tinha nos olhos da Haruno: aquela paixão intensa, um amor fora dos limites, um brilho descomunal e apaixonado.
Lutando contra os próprios desejos, ela tentou se esquivar dos braços dele, tentou fugir daqueles lábios, mas era o mesmo que tentar sair de um mar em ressaca: por mais que fugisse, sempre era arrastada de volta, por si mesma, por sua única e intensa vontade. Ela tentou se desvencilhar dos braços dele, mas ao mesmo tempo, os rostos deles ficaram próximos demais, e Sakura não resistiu à aqueles lábios esculturais e beijou Itachi vorazmente, ele retribuindo-a com carinho.
Sentiu a mão dele passear pela alça de sua blusa de novo e se desvencilhou. Mas no último instante, no instante perfeito para fugir, a mão dele fechou-se no braço dela com um leve puxão, e ele falou, numa voz mansa, a última frase que Haruno Sakura esperava ouvir de Uchiha Itachi:
-Fique comigo. Fique aqui, apenas comigo. Não lhe farei mal.
Sakura não resistiu à aquelas palavras doces e enterrou-se num abraço com o Uchiha mais velho, e quando o fez, a garganta pareceu iluminar-se calidamente pelo amor deles; ela continuou abraçada com ele, o rosto enfiado no peito de Itachi, enquanto ele acariciava levemente aqueles cabelos róseos que tanto amava, assim como aquela mulher por inteiro. Assim, Sakura acabou adormecendo no colo do homem que roubara-lhe o amor e todos os outros sentimentos que a possuíam.
Quando Itachi olhou para aquela garota dormindo, leve como um raio de luar e bela como... bela como apenas ela era aos olhos dele, não se conteve e beijou de leve a testa e os lábios quentes dela. Depois, afastou levemente alguns fios de cabelo que caíam pelo rosto dela carinhosamente.
O que diabos está acontecendo comigo?, perguntou-se ele, olhando para o recorte que era o topo da garganta, alguns metros acima.Sakura... eu nunca senti isso. Você me faz... me faz amar você. É impossível não amat você, pensou ele carinhosamente. Alguns minutos depois, adormeceu também, a mão entrelaçada nos dedos dela.
A primeira coisa que Sakura fez quando acordou na garganta fortemente iluminada pela luz do sol foi levantar-se de um salto e olhar para cada parte de si mesma, como se estivesse esperando ter perdido algum membro durante a noite. Na verdade, o que ela queria saber ao fazer isso era se Itachi tinha feito algo com ela, aproveitado-se que ela dormira e fazer algo. Mas ele não fizera nada, ele a respeitara, o que só fez triplicar o amor dela por ele. Ah! Ele é tão gentil..., suspirou a Haruno, em pensamentos. Olhou para o lado e viu que o Uchiha mais velho ainda dormia; decidiu fazer uma pequena brincadeira com ele, tamanha era sua alegria e satisfação.
-Itachi-kun-cantarolou ela baixinho no ouvido dele-Itachi-kun, deixe de ser preguiçoso e acorde.
Abrindo os olhos pesados de sono que já ostentavam um belo mau-humor matinal, ele assustou-se ao vê-la ao seu lado, debruçada e rindo, olhando com carinho para aquele homem que tanto amava.
-Sakura, era você?-perguntou ele surpreso. Quando ela assentiu, ele fez uma carranca.-pensei que fosse um sonho.
-Eu também.-sussurrou ela em tom enigmático, e ele soube exatamente do que ela estava falando. Um sorriso curvou os cantos da sua boca, e ela corou, sorrindo também.
-Bem, da próxima vez que você fizer isso, terá troco- brincou ele, fazendo-a rir.
-Que espécie de troco?-perguntou ela maldosamente, o rosto corando.
-Quer descobrir agora?
Ela arregalou os olhos para ele e ficaram naquele jogo de olhares, até que inesperadamente ele a pegou no colo e saiu andando com ela.
-I-Itachi-kun!-gaguejou ela, corando ao sentir as mãos dele sustentando seu peso macio.-O que está fazendo?
-Dando o seu troco, oras-respondeu ele calmamente.- Mas não pode ser aqui. Tem que ser lá em cima.
Dito isso, continuou a carregar Sakura, escalou habilmente de volta pela garganta e ao chegar no solo cheio de folhas secas, ele depositou-a no chão, fazendo as folhas estalarem.
-Agora fique calada e feche os olhos.-pediu ele.
-Itachi-kun...
-Por favor, Sakura.
Ela não resistiu à aquele por favor cheio de carinho, e fechou os olhos. Dois segundos depois sentiu os lábios úmidos dele tocarem os dela, e ela riu, apaixonada, retribuindo o beijo dele com entusiasmo, tanto que ambos estavam agora no chão cheio de folhas.
-Chega, Itachi-kun-pediu ela, em tom risonho.-Não, Itachi-kun...-os protestos dela foram inúteis; ele beijou-a outra vez e fez com que ela se levantasse.
-Então...-disse o Uchiha mais velho, de pé.-O que vamos fazer hoje?
-Como assim?-perguntou ela, assustada.-Você não me seqüestrou para escolher o que fazer, não foi?
-Talvez.-brincou ele, com um sorriso.- As coisas mudam.
-Mudam mesmo.-sussurrou ela, e ele entendeu imediatamente ao que ela estava se referindo. Ambos coraram.
Sakura sentiu o amor que nutria por ele explodir em seu peito; não podia continuar assim. Mesmo depois de todos aqueles beijos, a Haruno não chegara a dizer o que Itachi lhe fizera sentir, e esse era o momento para isso.
-Itachi-kun...-sussurrou ela.- eu... eu...
Mas não pôde continuar; dois vultos saltaram para o chão folhoso, e na mesma velocidade, Itachi agarrou Sakura pela cintura e a botou no colo, desatando a fugir em seguida. Num misto de confusão e surpresa, Sakura descobriu porque: eram dois ANBU.
Os ninjas perseguiram habilmente o Akatsuki, que não deixou-se intimidar pelos rivais. Corria com precisão, Sakura sacudindo-se em seu colo, enquanto os ninjas iam em seu encalço.
Um deles acertou o Uchiha bem na perna; ele sentiu o sangue escorrer quente, e cerrou os dentes para não emitir um barulho que fosse de dor, mas quem gritou foi Sakura. E ele logou notou porque.
Agulhas - os ninjas da Folha atiravam milhares de agulhas de cristal, que penetravam fundo no corpo do Uchiha e derramavam incessantemente seu sangue. Ele cambaleou, tonto pela perda de sangue excessiva, e ouviu Sakura murmurar angustiada:
-Pare, Itachi-kun! Eles estão machucando demais o senhor!
-Estou bem.-foi tudo o que ele disse.
Mas estava claro que ele não estava bem. Sua perna estava lanhada em sangue; sua roupa, esgarçada e ensangüentada; suas pernas trêmulas, e as mãos que seguravam sakura começavam a fraquejar, ela pôde sentir.
-Itachi-kun... se renda a eles... não há chance... por favor...
-Nunca- falou ele persistentemente.-Não vou perder você, Sakura. Nunca!
Lágrimas banharam o rosto da Haruno ao ouvir isso. Mas ela estava desesperada; não suportava ver seu Itachi ferido daquele modo. Ela soluçou angustiada, murmurando para ele parar, para largá-la, até que...
Uma flecha grossa e afiada atingiu o desprevinido Itachi. Sakura gritou, o grito mais desesperado que já dera em sua vida, ao ver o objeto de madeira atravessar o corpo do Uchihamais velho. Ele soltou um gemido de dor, mas não se rendeu; pelo contrário, apertou o passo.
-Não, Itachi-kun, não me deixe ver você machucado assim! Não suporto! -gritou a Haruno, pulsando de medo.
-Vai ficar tudo bem, minha querida-garantiu ele carinhosamente.-Tudo bem...
Sakura sentiu-se tentada a beijá-lo ao ouvir ele chamando-a de "minha querida", mas sabia que não podia desviar a atenção dele de modo algum.
Ele ganhou uma bela dianteira, com seus últimos esforços, deixando os ANBU como dois pontinhos lá atrás.
O Uchiha parou de correr. Botou Sakura no chão delicadamente, e segurou as mãos geladas dela.
-Vá, por favor, Itachi-kun-pediu ela, a contragosto de abandonar o homem da sua vida, as lágrimas escorrendo como duas cachoeiras.-Não quero que eles lhe machuquem mais.
Itachi olhou para trás, e vendo os ANBU cada vez mais próximos, tomou Sakura nos braços e beijou-a. Foi um beijo rápido, desajeitado e cheio de lágrimas. Ele se separou dela e falou, falou tudo aquilo que não precisava ser dito, pois era real e inexpressável, falou tudo aquilo que não se podia falar, e que Sakura tentara pronunciar as três palavras que ele enunciou naquele momento:
-Eu te amo.
Dito isto, beijou-a rapidamente, transformando-se em seguida em milhares de pássaros negros, num jutsu perfeito, voando em círculos acima da cabeça de sua amada, que buscava Itachi nos céus, ao ver aqueles pássaros.
-Ele fugiu-falou um dos ANBU por um rádio, quando chegaram perto de Sakura.-mas achamos a garota.
Sakura sequer ouviu o que eles disseram. Seus olhos continuavam a vasculhar os céus, as últimas palavras de Itachi ecoando em sua mente.
-Venha conosco-chamou o outro ANBU.-vamos levá-la de volta.
A Haruno continuava a olhar pro céu, as lágrimas escorrendo silenciosamente pelo seu rosto. E, quando os pássaros negros se reduziram a pontinhos no céu e desapareceram, ela seguiu os ANBU, as unhas enterradas na palma da mão, sentindo que Itachi tinha levado consigo o coração dela.
