Devour (by Mistress Alice)
A trégua parecia ter reinado entre Aiacos e Valentine. Fazia algumas semanas que ambos não brigavam. Só se olhavam por que realmente eram obrigados em meio às aulas, pois evitavam se encontrar em meio ao corredor ou cozinha.
Minos acabou por ficar tranqüilo, mesmo não subestimando nem o namorado nem o aluno, acreditou ter certeza que a insegurança de Aiacos era coisa de sua cabeça.
Assim, Garuda também se convenceu. Mas algo iria fazer ambos mudarem de idéia.
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Sexta ao anoitecer.
-Mestre... – Disse, carregado de ironia.
-Sim, aluno. – Respondeu da mesma forma.
Ambos estavam próximos à porta de entrada do Castelo. Aiacos saindo... E Valentine entrando.
-Eu fui estudar hoje à tarde e continuei tendo dificuldade na matéria que lecionou de manhã. O senhor pode me ajudar? – Perguntou, fingindo-se sincero.
-Claro. – O olhou, procurando na expressão dele alguma falsidade, mas não encontrou. – Pode ser mais tarde? No meu escritório?
-Perfeito. – Sorriu contente, mas não mais fingindo. - Até depois então. – Saiu dali, subindo as escadarias.
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"Minos. Minos. Minos. Cadê você, meu Minos?" – Pensou enquanto sorria. Procurou o cosmo do ariano por ali e o encontrou, assim, sorriu de canto.
Em seguida, Grifo saiu de seu escritório com algumas pastas na mão e viu o ruivo ali. Valentine parou de sorrir de imediato, desviou o olhar, e saiu correndo para dentro do escritório de Aiacos. O louro estranhou a atitude e foi atrás dele.
-Valentine? – Entrou e o viu sentado em uma das cadeiras à frente da mesa do superior. O que aconteceu? – Perguntou, preocupando-se, ainda mais depois de se aproximar e vê-lo em lágrimas.
-Ai... Mi... – Falou, curvando-se na cadeira e escondendo o rosto entre as mãos.
-Valentine, por Hades, o que aconteceu? – Ajoelhou-se na frente dele e segurou o rosto do ruivo entre as mãos.
-Mi... Eu sinto tanta falta do Syl... Eu...
-Ah... – Sentiu-se triste por vê-lo assim. E para tentar ajudá-lo, o envolveu em um abraço forte e caloroso.
O ruivo aceitou o abraço e correspondeu carinhoso. Nisso, sorriu malicioso, sem deixar o outro ver.
Minutos depois, ambos se separaram. Ou chegaram perto, pois o aquariano roçou o rosto no do outro, e fez do toque dos lábios de ambos, algo acidental e firme. O louro, estranhou, hesitou, porém decidiu manter por segundos, em carinho à dor do outro.
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Ao invés de sair, acabou voltando para dentro e fechando a porta de entrada. Precisava rever um documento para voltar a procurar por Pandora. E por isso, tomou caminho para as escadas, em direção a seu escritório novamente e subiu, chegando ao corredor.
Caminhava tranqüilo, até que estranhou ao ver sua sala aberta. Apertou os passos até que adentrou, pois não sentiu cosmo algum vindo de lá de dentro. E depois de entrar, congelou poucos passos depois de ter passado pela porta.
O louro ali ouviu alguns e abriu os olhos, sentindo o sangue fugir do rosto ao ver o namorado.
-Aia...
O ruivo se afastou também fingindo tristeza e ao mesmo tempo, surpresa.
-Mestre. – Falou em tom inocente.
O moreno, muito bravo, lançou-lhes um olhar sério e quase irado de ciúme, e saiu dali sem dizer uma palavra.
-Aiacos! – Disse o ariano, indo atrás dele, muito preocupado.
O ruivo ficou ali sozinho, gargalhando com muita maldade.
-Valentine, você é esplêndido.
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Permaneceu em silêncio só ouvindo as desculpas do ariano, enquanto voltava para o seu quarto.
-Aia, me perdoe... Ele estava chorando... E...
-E você o consolou da sua maneira, não é?
-Aiacos! – Disse, elevando um pouco o tom de voz. – Eu só dei um abraço nele. Reconfortando-o.
-Não ouse levantar a voz comigo! E aquele beijo foi o que, Minos?
-Foi um carinho que ele fez! – Respondeu sério.
-E você correspondeu! Que doçura. – Sorriu ainda irônico.
-Pare de usar este tom, e pare de distorcer a realidade. Você já deu muitos beijos no Sylphid! E o que você viu entre Valentine e eu, foi algo raro e o mais importante: não foi porque eu quis!
-Se não quisesse, teria parado! E eu vi você correspondendo. E não meta Sylphid no meio, ele sequer pode se defender. Além do mais, você sabe que isso partia e eu não dava corda!
-Aiacos, foi só um beijo! De mim você sabe que não rola nada.
-O problema não é rolar de você ou não. O problema é o Valentine!
-Mas o que tem ele, Aiacos?
-Oras, não seja inocente, apesar do Syl, ele ama você e com certeza está fazendo de propósito.
-Ele estava chorando! Como ele pode fingir?? Ele me encontrou no corredor já lamentando a morte do Sylphid.
-Minos, Valentine não é inocente.
-Eu não o vejo inocente. Você quem não gosta dele e fica imaginando as coisas. – Respirou fundo, se acalmando aos poucos. Ou tentando. – Olha os absurdos que estamos falando.
-Então o beijo foi imaginário? – O olhou ofendido, magoado e praticamente ignorando o que ele dissera.
-Não foi, Aiacos, mas você age e fala como se eu estivesse tendo um caso. E não tenho.
-Imaginei tudo isso então. – Disse mais para si.
-Pára com isso. – Fitou o moreno com a expressão branda.
O moreno demorou com os olhos no rosto dele e saiu de seu próprio quarto.
O louro se sentou na cama do namorado, passando as mãos no rosto.
-Valentine não pode ter feito isso de propósito.
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Notas da autora:
Devour: Dentre os sentidos, "destruir" em Inglês.
