Autor: Dark K.

Título: Soul Meets Body

Capa: no profile

Rating: M

Gênero: Angst\Romance

Esta fic é um crossover, meaning ela trata de personagens de duas obras distintas, que nada tem a ver uma com a outra. Mas não se preocupem, ninguém de Queer As Folk vai virar bruxo. XD

Os personagens de Harry Potter pertencem a J., os de Queer as Folk a alguém que eu não faço idéia de quem seja, mas certamente não sou eu.

Esta obra de ficção visa apenas a diversão, nenhum lucro financeiro está sendo obtido através dela.

O nome da fic vem de uma música homônima da banda Death Cab for Cutie.

Alguns avisos para este capítulo, com respeito à linha temporal. Se não me engano, a última temporada de QAF terminou em 2005. Bem, eu matei o canon, e Justin foi embora em 2003, sendo agora, o inverno de 2004. He.


Soul Meets Body

3. And bathe my skin in water cool and cleansing

Brian entrou na lanchonete aquela manhã com muito mais calma do que andava sentindo nos últimos dois dias. Sentando-se na sua mesa costumeira, olhou em volta e se preparou para o choque que certamente viria, pela cara de enterro dos outros.

"Quem morreu?", perguntou calmamente e viu Ben apenas balançar a cabeça na mesa ao lado, mas ninguém respondeu, "Bom, vão me dizer o que está acontecendo, ou posso seguir com a minha vida como se nada tivesse acontecido?"

Michael suspirou pesadamente e Brian esperou pelas más notícias.

"Harry fez compras ontem."

Quando o homem não disse mais nada, Brian fez um gesto indicando para que ele continuasse.

Silêncio.

"O que tem de errado nisso?"

Mike suspirou novamente.

"Compras, Brian, muitas coisas. Um fogão e geladeira e uma cama e um colchão. E deu gorjetas e tinha roupas e... almofadas!", o moreno completou, como se comprar almofadas fosse uma ofensa. Grave.

"Eu ainda não entendo o problema, Mikey."

Michael suspirou exageradamente e inclinou-se na direção de Brian, falando baixo.

"Ele não tem dinheiro para comprar tudo aquilo. Talvez aquele loiro de ontem tenha dado dinheiro pra ele e nós precisamos ajudar. Não podemos deixar ele continuar tendo... amigos."

Brian encarou seu amigo de tanto tempo, antes de se reclinar no seu assento e falar pausadamente.

"Ele disse para vocês que não tinha dinheiro? Demonstrou de alguma maneira que não poderia comprar o que ele comprou?"

"Não, mas, Brian, por que ele iria andar por aí do jeito que ele andava se ele pudesse não fazê-lo?"

Brian deu de ombros.

"E o que você vai fazer?"

"Ben e eu vamos conversar com ele hoje à noite."

Brian riu alto.

"Eu vou junto."

"Para ajudar?", perguntou Michael, esperançoso.

"Nããooo. Para ver a cara de vocês dois quando verem que estão errados.", ele concluiu, com um sorriso doce.

~x~

Harry estava muito alegremente arrumando os toques finais no seu apartamento. Nem mesmo Draco ia poder reclamar da sua pequena casa agora.

Muito agradecido por já ser maior de idade e poder fazer magia quando bem quisesse - contanto que trouxas não o vissem, é claro -, ele havia armado sua cama em tons de branco e metal exatamente embaixo da janela, onde agora estavam penduradas cortinas verde claras, escondendo o céu cinza de inverno.

Na pequena cozinha, agora havia um balcão preso à parede (que ele trazia encolhido no bolso no dia anterior, exatamente como a grande maioria das suas compras, porque Michael poderia não ser muito observador, mas certamente ia achar estranho que Harry comprasse tanto em um único dia), sua nova geladeira e fogão estavam alegremente combinando com a pequena cortina imaculadamente branca da microscópica janela da cozinha.

Um tapete verde claro e cinza cobria o chão de todo o quarto, dando um ar hospitaleiro ao que ontem parecia um armário abandonado, e suas roupas novas estavam todas dobradas sobre a cama, enquanto ele tentava decidir onde colocá-las no espaço quase nulo dentro do mínimo guarda roupas que estava embutido na sua parede. Uma poltrona verde esmeralda preenchia o último canto vazio do pequeno aposento, três banquinhos espalhados em volta do balcão da cozinha e uma colcha vermelha e dourada (presente de Molly no último Natal) que cobria a sua cama completavam o ambiente agora alegre.

Vestido em uma calça de moletom preta e uma camiseta de mesma cor de mangas compridas que – finalmente – lhe serviam perfeitamente (talvez no lado apertado da força, mas o vendedor da loja havia dito que roupas tendem a ficarem mais largas depois de usadas), Harry sorvia uma xícara de chá, enquanto ouvia música saída de seu aparelho novo de som e arrumava suas roupas.

Surpreso, ouviu uma batida leve à sua porta e franziu o cenho. Oh, bem, Michael ia ter que ver o apartamento uma hora ou outra. Harry só esperava que ele não ficasse aborrecido com as novas cores e móveis.

Abrindo a porta, espantou-se ao ver Kinney junto com Ben e Michael e, sorrindo um tanto desconfiado, deu um passo para o lado, convidando os três para entrar.

Michael não sabia se ficava mais surpreso por ver o quão bem o lugar parecia, ou se preocupado pela quantia que Harry deveria ter gastado para deixar o lugar daquele jeito. Ben, sentindo seu nervosismo passou um braço pelos seus ombros e apertou levemente, deixando-o saber que ele estaria ali para apoiar ele e Harry.

Eles haviam ajudado Hunter, poderiam ajudar Harry também.

Brian, por outro lado, estava tentando esconder o riso. Exceto pela atrocidade que era a colcha do garoto, ele tinha bom gosto.

E preto definitivamente era uma cor que pequeno Harry deveria usar com mais freqüência.

Com um ar polido, Harry esperou que os três se acomodassem – Ben e Michael na cama, Kinney escorado ao balcão da cozinha – e então se sentou na sua poltrona e respirou fundo.

"Eu sei que deveria ter perguntado antes, Michael, e se você quiser eu posso deixar o apartamento como estava antes, foi só que ontem Draco chamou a atenção para o estado que ele estava e... bom, fazia anos que eu não comprava roupas decentes e, bem.", ele parou quando viu o olhar aflito que Ben e Michael trocaram ao ouvirem o nome 'Draco'.

O que era que estava acontecendo ali?

Olhando para o lado, viu Kinney contendo-se para não rir e levantou uma sobrancelha para o casal sentado na sua cama.

"Tem alguma coisa que vocês queiram me dizer?"

"Harry, nós... Se você tiver... Quero dizer, ninguém vai pensar mal de você pelo seu passado. Todos nós passamos por problemas, alguns mais graves do que os outros, mas nós não podemos deixar que os problemas continuem, temos que lutar contra e nós vamos te ajudar, você não precisa mais... Quer dizer, aquele homem loiro certamente pareceu um pouco possessivo, e se você estiver com medo ou algo assim..."

"Eu?", ele interrompeu, incrédulo, "Com medo de Draco Malfoy?", ele continuo ainda mais incrédulo e com uma vontade súbita de rir, "Por que eu teria medo de Malfoy?", ele perguntou, falando o sobrenome do homem como se isso explicasse tudo.

Bom, para boa parte do mundo que conhecia Harry explicaria, mas esse não era o caso, era?

Ben e Michael trocaram mais um olhar aflito e Brian decidiu se divertir um pouco.

"Eles acham que seu amigo loiro é seu cafetão.", declarou calmamente e viu Harry arregalar os olhos verdes quase impossivelmente e então fazer exatamente o que Brian estava apostando que ele faria.

Ele riu.

Muito.

Quando Michael falara do seu 'passado', Harry pensou seriamente que eles soubessem do seu passado. E dali várias coisas poderiam acontecer. Eles poderiam ser partidários americanos de Voldemort que então iriam matá-lo por vingança (era uma idéia, quem ia ser tão legal com um desconhecido sem ter motivo algum?), ou então, eram trouxas que sabiam de magia, mas a encaravam como algo do demo ou algo assim, e então tentariam expurgar a mágica dele.

Nunca se sabe o que vai acontecer quando a pessoa em questão é Harry Potter.

Mas Draco Malfoy, aristocrata puro-sangue... cafetão?

Era hilário demais para que ele não risse.

Com lágrimas escorrendo pelo rosto do riso, Harry sorriu para os dois homens encarando-o preocupados.

"Draco é meu amigo. Nós nos conhecemos desde os onze anos de idade. Nós fomos para o mesmo internato. Certamente ele não é meu cafetão. E certamente eu não... quer dizer, eu nunca nem... com um... enfim. Isso não vem ao caso. Mas, não, Draco não é meu cafetão, nem eu sou... isso.", ele terminou, corando muito, o que fez Brian pensar que aquele garoto precisava conhecer mais da vida. Definitivamente.

"Bom, Harry, então você vai pelo menos ter que nos acalmar quanto a isso tudo.", Ben disse em uma voz calma, indicando o quarto e roupas novas com um gesto.

Harry assentiu com um aceno de cabeça, sorrindo ainda.

"Alguém quer alguma coisa para beber? Chá?", ele perguntou ao que Ben e Michael aceitaram e Brian negou.

Indo até a cozinha, Harry começou a falar enquanto se movia entre as prateleiras e o fogão, aquecendo a água e preparando o chá em folhas que Luna lhe trouxera em sua última visita.

Ele não sabia exatamente o que era, mas sabia que era bom.

"O que vocês querem saber?", perguntou com certa calma, porque todos os três homens eram trouxas e nada do que eles pudessem perguntar iria tocar em áreas de sua vida que ele não queria falar.

"Onde você conseguiu dinheiro para comprar tudo isso?", perguntou Michael num fio de voz, ao que Harry respondeu franzindo o cenho de maneira confusa, enquanto colocava a chaleira para ferver.

"Eu nunca disse que não tinha dinheiro.", ele replicou, ao que Brian olhou para Michael, sorrindo maliciosamente.

"Mas... suas roupas e...", Michael não parecia capaz de formar frases coerentes e Harry sorriu de novo, enquanto entregava os chás aos homens e voltava a sentar na sua poltrona.

"Eu posso contar um pouco sobre minha vida e então vocês perguntam se ainda continuarem preocupados, ok?", era muito mais seguro divulgar informação voluntariamente do que responder perguntas.

Havia aprendido isso a duras penas no pós-guerra.

Recebeu dois acenos de concordância e um olhar levemente interessado de Kinney e respirou fundo.

"Meu pais morreram quando eu tinha um ano de idade, e eu fui morar com a irmã da minha mãe. Eles não ficaram exatamente felizes com ter que me criar. As atrocidades que eu chamava de 'roupas' eram do meu primo, que é pelo menos quatro vezes maior do que eu.", ele parou ali e respirou fundo, antes de continuar, "Quando eu fiz onze anos eu fui aceito no mesmo internato que meus pais haviam ido, e como lá se usavam uniformes o tempo todo, eu nunca me preocupei com roupas. Eu me formei nessa escola há alguns anos, que foi onde eu conheci Draco e alguns outros e poucos amigos. Eu comecei faculdade lá, mas acabei não terminando, porque eu não... sabia o que eu queria. Eu não tinha motivos pra ficar lá, então eu não fiquei. Meus pais e meu padrinho me deixaram uma herança mais do que suficiente para me sustentar, à qual eu ganhei acesso completo quando me formei na escola, então eu decidi viajar, saí da Inglaterra, andei um pouco pelo resto do seu país, e agora cheguei aqui, e daí para frente vocês sabem o que aconteceu. Eu realmente sinto muito se mesmo sem querer eu enganei vocês, essa não foi minha intenção."

Michael pareceu repassar toda a história na sua cabeça antes de dizer alguma coisa, e Harry esperou pacientemente até que ele estivesse pronto para falar.

"Mas a sua família... Eles sabem onde você está?"

Harry sorriu de lado, com uma expressão que nem parecia dele de tão sarcástica.

"Eles não sabem onde eu estou desde o dia em que eu fiz dezessete anos."

"E isso foi...", insinuou Ben que parecia considerar Harry sob uma outra luz. Antes, pensara que o garoto teria no máximo vinte anos, um adolescente ainda, mas agora...

"Há sete anos. Eu fiz 24 em Julho."

"Oh.", foi o comentário eloqüente de Michael, e Harry começou a se sentir desconfortável.

Era exatamente por isso que ele não conseguia ficar em lugar nenhum. Ele decepcionava pessoas até mesmo quando não queria.

"Michael, você e Ben me ajudaram mais do que eu jamais poderia contar só por terem me salvado naquela primeira noite. Eu sinto muito se eu não fui claro antes, mas eu suponho que eu tenha me acostumado a nunca dizer muito sobre mim. A morte dos meus pais foi muito noticiada e como único sobrevivente, as pessoas passaram muito tempo especulando e falando sobre mim, quando eu não queria. Foi minha principal razão para sair da Inglaterra.", ele respirou fundo, "Se vocês quiserem, eu posso ir embora amanhã mesmo. Eu entendo."

Não foi exatamente o que Harry havia dito que fez Ben perceber que eles ainda podiam, sim, ajudar o garoto. Foi como ele disse. Como se ele já estivesse tão acostumado a ser colocado para fora da vida das pessoas que já nem se importasse mais em tentar ficar.

"Você tem um emprego, rapazinho. Não pode simplesmente sumir. Michael ainda precisa de ajuda na loja, o apartamento ainda estaria vago se não fosse por você. Nós queremos que você fique. E, na verdade, nós é que deveríamos pedir desculpas por assumirmos algo sobre você sem perguntarmos antes.", disse Bem com um sorriso ao que Harry respondeu com um sorriso ainda mais alegre e aberto, parecendo mais uma vez quase uma criança.

"Eu já ouvi coisas piores a meu respeito. E Draco vai amar saber o que vocês pensaram dele.", concluiu com um sorriso malicioso dessa vez.


Aí está mais um! Muito obrigada ao pessoal que está reviewzando!!! Sejam amores e cliquem no botãozinho cinza ali embaixo, com as letrinhas verdes, ok?

R E V I E W !