Autor: Dark K.
Título: Soul Meets Body
Capa: no profile
Rating: M
Gênero: Angst\Romance
Esta fic é um crossover, meaning ela trata de personagens de duas obras distintas, que nada tem a ver uma com a outra. Mas não se preocupem, ninguém de Queer As Folk vai virar bruxo. XD
Os personagens de Harry Potter pertencem a J. K. Rowling, os de Queer as Folk a alguém que eu não faço idéia de quem seja, mas certamente não sou eu.
Esta obra de ficção visa apenas a diversão, nenhum lucro financeiro está sendo obtido através dela.
O nome da fic vem de uma música homônima da banda Death Cab for Cutie.
Soul Meets Body
7. I cannot guess what we'll discover, we turn the dirt with our palms cupped like shovels, but I know our filthy hand can wash one another's and not one speck will remain
Harry acordou sabendo exatamente onde estava e com quem estava e o que havia feito e isso não fez com que se sentisse nem um pouco melhor. O fato que estava sozinho na cama de lençóis de seda – lençóis de seda! – não fez nada para melhorar sua sensação de que a qualquer minuto, Brian iria aparecer, desejar bom dia, e mandar que tomasse seu rumo, e então ele nunca mais veria o homem com quem havia perdido a virgindade.
Pensamento nada reconfortante para um sábado de manhã.
Ouvindo o barulho do chuveiro sendo fechado, Harry não conseguiu não ficar olhando fixamente para a porta à sua direita, até ver Brian sair por ela, uma toalha escura enrolada na sua cintura, outra em suas mãos enquanto secava o cabelo. Parecendo ter notado que Harry estava o olhando fixamente, Brian largou a toalha no pé da cama e sentou-se ao seu lado, baixando o rosto até o de Harry, dando-lhe um beijo leve.
"Bom dia.", disse, sorrindo, e Harry piscou em resposta.
Ok, essa não era a reação que ele estivera esperando. Brian riu baixo da confusão estampada no rosto do rapaz.
"Não é uma pessoa matutina, ahn? Levante e pode tomar um banho, se quiser, eu vou deixar uma roupa minha na cama para você, e então vamos tomar café, o que acha?"
Harry, ainda tentando processar exatamente o que estava acontecendo, se viu concordando com a cabeça e saindo dos lençóis escorregadios para o chuveiro.
O que estava acontecendo?
~x~
A terra de surrealidade não se resumia ao apartamento de Brian, Harry notou algum tempo mais tarde quando entrava no restaurante de sempre, com Brian não apenas ao seu lado, mas de mãos dadas com ele.
Harry quase esperava que, a qualquer momento, o fantasma de Snape iria passar por ali, distribuindo balinhas para crianças da rua e então ele saberia que estava sonhando.
Mas os olhares incrédulos de cada uma das pessoas que estavam dentro do restaurante fixos nele, em Brian e nas mãos juntas o fizeram acreditar que aquela era, de fato, a realidade. Engolindo em seco e tentando esconder o rosto no casaco, Harry andou restaurante a dentro, em direção às mesas ocupadas por todos os amigos de Brian – e agora os seus amigos também. Mike, Ben, Ted, Emmett, até mesmo Drew – todos eles ali, olhando entre fascinados e horrorizados Brian Kinney – o indomável Brian Kinney – de mãos dadas com o homem-que-parecia-um-rapazinho inglês.
Pelos olhares deles, Harry concluiu que não era somente ele quem se sentia na terra do surreal.
Talvez Pittsburg tivesse sido atingida por uma onda de alucinógenos que se espalhavam pelo ar, e o efeito estava ali: café da manhã de sábado.
"Bom dia!", disse Brian animadamente, com um sorriso malicioso no rosto. Não era porque decidira não ser um canalha com Harry que ele não iria se divertir com a cara que os outros estavam fazendo, "Como estão vocês nesta linda manhã de sábado?"
Emmett foi o primeiro a se recuperar, respondendo o cumprimento com animação e iniciando uma conversa qualquer com Harry, que estava tão vermelho que parecia que iria explodir a qualquer instante.
Mike e Ben trocaram um olhar, enquanto Drew simplesmente não percebia nada de errado. Debbie, que observara a chegada dos dois de longe, suspirara pesadamente e fora até a mesa dos meninos pegar seus pedidos. Harry poderia não estar ali desde o começo, mas ele preenchia um vazio que Justin havia deixado e ela quase conseguia ver Brian tendo exatamente a mesma reação a Harry que ela tinha.
Ela só esperava que isso não fosse prejudicar o garoto tão tímido que já fazia parte dos seus meninos.
Na mesa do café da manhã, a conversa seguia amena e calma, perguntas sobre o tempo e o fim de semana, trabalhos e novidades, tudo muito leve, tudo muito ameno, e a tensão era quase um outro convidado ali.
Depois de alguns minutos, o celular de Brian tocou, e ele, depois de dar um beijo em Harry, levantou-se para atender.
Todos os olhares se fixaram em Harry, que levantou o olhar e suspirou fundo antes de responder.
"Honestamente, eu só achei que se nós... sabe... juntos, ele ia desistir e me deixar em paz. E quando eu acordei hoje de manhã, ele estava... assim! Eu estou vestindo uma camisa dele, por Godric!", ele terminou, seu tom de voz assumindo um nível quase desesperado.
Emmett estendeu a mão por sobre a mesa e, dando tapinhas na mão do outro, sorriu.
"Bom, Harry, o que você pode fazer é aproveitar! Eu tenho certeza que Brian tem seus motivos para estar agindo assim, e, bem, nem sempre ele tem más intenções."
Os outros fixaram em silêncio quando Emmett terminou de falar e Harry encarou o café à sua frente, em silêncio.
"Você sempre pode simplesmente se afastar dele, Harry.", Mike disse, olhando para o canto onde Brian falava rápido no celular, com um ar pensativo.
Harry continuou em silêncio. Não sabia bem o que fazer. No fundo, estava sem reação exatamente por isso ser o que ele queria. Quando decidira mandar a cautela pelos ares na noite passada, uma parte dele que ele tentara manter calada esperava com todas as suas forças que isso fosse o resultado: que Brian o quisesse depois de sua noite juntos, que Brian estivesse ali. Só estivesse ali.
E ele estava.
E Harry não sabia como lidar com seus desejos se tornando realidade, porque isso simplesmente não acontecia na sua vida. Se as coisas pudessem dar errado, elas dariam. Essa era a sua história.
E ele tinha medo de coisas que davam certo.
Mas não queria se afastar de Brian. Não agora. Não quando tudo dava certo.
E decidiu, naquele exato instante, que queria isso. Até aquele momento, estava agindo em choque, acompanhando Brian e só isso, mas percebeu que queria estar com ele. E conhecê-lo, e talvez conseguir realmente se aproximar dele, e levar uma vida calma e normal, e só... ser feliz.
Ali.
Sorrindo, Harry balançou a cabeça para Mike, que sorriu de volta.
"Eu imagine que você não fosse se afastar. Mas tome cuidado. E cuide dele. Brian também se machuca."
Mas Mike não precisava ter dito isso, porque esse fato ficou claro quando Brian voltou para a mesa, pálido e com o rosto sério. Sentando ao lado de Harry, que tomou a mão dele na sua, olhando-o preocupado.
"O que houve?", Mike perguntou.
"Justin está voltando pra cá.", ele disse. E sua voz tinha toda a dor do mundo.
~*~
Justin Taylor era um tabu. Ele também era um fantasma, um ser odiado e adorado, um 'deles' que havia ido embora – não uma, mas duas vezes – e a única pessoa que já havia conseguido domar Brian Kinney. Justin também era um independente, alguém que lutava suas batalhas e gostava de vencer, que não baixava a cabeça para ninguém, que fora expulso de casa pelo pai, e que demorara a aceitar o novo namorado da mãe por ser mais novo que ela.
Justin era um artista. Talentoso e fabuloso, e que havia ido para Nova York para ter mais destaque, mas que, agora, por algum motivo que a mãe dele não sabia explicar, decidira voltar.
E a mãe de Justin decidira avisar Brian do retorno do filho porque, apesar de ter mantido uma fachada de indiferença, algumas pessoas próximas sabiam o quanto a partida de Justin havia afetado Brian.
E agora ele estaria de volta.
Harry não conseguia deixar de pensar que era simplesmente a sua sorte.
Assim que avisara que Justin estaria de volta, Brian havia caído em um silêncio seco, irritado, que deixou seus amigos preocupados não somente com ele, mas também com Harry que, no fim das contas, havia declarado há nem um minuto que gostaria de ter uma chance com Brian.
Depois de algumas tentativas de conversação frustradas, a mesa se calara, e todos terminaram seu café da manhã em silêncio, não que alguém comesse muito. Harry, particularmente, apenas remexeu em seus ovos e torrada.
Brian, sem nenhum motivo particular além dos óbvios, levantara subitamente e declarara que tinha alguns papéis para pegar no escritório. Saiu sem dar adeus para ninguém e sem nem mesmo olhar uma segunda vez para Harry que, contra todas as expectativas dos presentes, apenas respirara fundo, terminara seu café e olhara em volta para os rostos cheios de apreensão e uma certa dose de pena.
Rindo baixo, Harry deu de ombros.
"Ele me falou sobre Justin ontem. Nada muito profundo ou revelador, mas eu imagino que vá ser difícil para ele agora.", disse ele calmamente, e conseguiu ler nos olhares que se seguiram que eles não acreditavam na sua pose conformista e relaxada. Ainda sorrindo, ele deu de ombros mais uma vez, "Eu já fui deixado por muito menos por pessoas que importavam muito mais. E eu entendi e perdoei. Não há muito que eu possa cobrar de Brian, sendo que até hoje pela manhã, eu achava que nós não íamos passar de ontem à noite. Acabou superando todas as expectativas, mesmo que tenha sido apenas meio café da manhã."
Michael apenas balançou a cabeça.
Não importa o que ele havia dito a Harry há poucos minutos, ele sabia, simplesmente sabia que Harry seria melhor para Brian do que Justin jamais fora. E ele não gostava da idéia de ver seu mais novo amigo ser descartado como jornal de ontem.
Mas era de Brian Kinney que eles estavam falando, então quem sabia o que ia acontecer?
~*~
Harry saiu do restaurante com um grito de Debbie para que ele voltasse para o jantar, ou então ele sofreria as conseqüências. Sem rumo, em uma manhã fria de sábado, decidiu vagar pela cidade sem objetivo certo, até que se cansasse o suficiente para que quando chegasse em casa, estivesse sem forças para remoer o que havia acabado de acontecer.
Pelo menos não fora culpa dele que seu pseudo-relacionamento não dera certo.
Quando ainda estava na Inglaterra e, por conseqüência, no Mundo Mágico e tudo que ele trazia, tentara ter um relacionamento sério por duas vezes. Durara exatamente duas semanas com Oliver Wood, antes que seu antigo capitão se cansasse da pressão da imprensa e se distanciasse pedindo desculpas. Sua segunda tentativa foi certamente mais frustrada quando, às seis semanas de "namoro", Harry encontrara toda a história dos dois na primeira página do Profeta, detalhando em muitas palavras como era ser "O Escolhido do Escolhido".
Um feitiço de espantar bichos papões que havia aprendido com Ginny fora a última vez que Cormac McLagen havia ouvido a voz de Harry.
E fim dos relacionamentos de Harry Potter, o Eleito. Logo depois dessa traição, Harry largara o curso de aurores, largara sua vida lá, e começara suas viagens.
E agora, tantos anos depois, voltava a sentir a leve dor que ser desprezado trazia. Era quase como se sentir jogado de volta no armário embaixo das escadas.
Decidido a não pensar, andou por Pittsburg, passando em algumas lojas, comprando alguns livros, CDs, roupas e o que mais achasse interessante, encolhendo as sacolas em banheiros públicos e colocando-as nos bolsos. Almoçou em uma cafeteria qualquer, foi ao cinema, e decidiu caminhar mais um pouco, parando em uma loja de aparelhos telefônicos.
Alguns anos antes, não muitos, dois ou três no máximo, Hermione conseguira convencer Draco e Ron a comprarem aparelhos de celular. Muito mais práticos e rápidos do que uma lareira. Por incrível que pareça, Draco fora seduzido pela idéia infinitamente mais rápido do que Ron, que continuamente reclamava dos tais felitones, mas por fim, todos tinham o seu.
Harry se negara a comprar um, alegando que todo o propósito de suas viagens era ficar sozinho e refletir (Hermione dizia que, na verdade, o objetivo real era preocupar todos os amigos que ele tinha, mas Harry estoicamente fingia não ouvir essa declaração), mas sentia que agora era a hora de ter um.
Ele precisava pelo menos ouvir a voz de um único amigo que fosse.
Quando saiu da loja com seu aparelho novo, caminhou até o parque mais próximo e pressionou os números de Hermione, que fizera questão de ver Harry recitá-lo em voz alta até que ele os soubesse perfeitamente.
A sua amiga respondeu ao segundo toque e Harry sorriu só de ouvir o som da sua voz. E mesmo sem saber o que havia acontecido, Hermione parecia saber que ele só precisava jogar conversa fora e foi isso que os amigos fizeram, por quase duas horas. Por fim, com uma promessa de Hermione que ele daria seu número apenas a Draco e Ron, e a promessa de Harry de que efetivamente atenderia seu telefone quando eles ligassem, desligou e decidiu garantir a continuidade de sua existência, indo até o restaurante de Debbie para jantar.
A mulher o recebeu com um sorriso gigantesco, e um abraço que Harry só conseguia definir como 'de mãe'. Depois de ter comido mais do que ele sabia que deveria, Harry despediu-se e seguiu para casa.
E sentado nos degraus da porta da frente, estava Brian Kinney, em seu sobretudo preto, parecendo irritado.
"Eu pensei que tivesse começado a fugir de mim outra vez, e tivesse saído da cidade."
E tudo que Harry pôde fazer foi encará-lo.
~*~
Brian deixou que as palavras de Jennifer escorressem por ele como a chuva que caía mais cedo.
Justin estava de volta.
Justin
Estava
De
Volta.
Ele não conseguiu prestar muita atenção ao que vira ou ouvira depois de saber disso. Era como ter todo o último ano passado na frente dos olhos dele: os não-telefonemas, as não-notícias, a negação absoluta de que sentisse falta dele, a mentira maior ainda de que deixá-lo ir era o que queria, de que ter Babylon era mais do que suficiente para preencher o vazio que ele tinha.
A mentira gigantesca de que ele não tinha medo de envelhecer sozinho, de que não invejava Michel e Ben, de que ser livre e jovem para sempre era seu maior objetivo.
Justin voltar era ilegal.
Era ilegal quando decidira naquela manhã que iria tentar dar certo, pelo menos uma vez, com Harry.
Porque Harry não o conhecia, nem sabia da sua longa reputação, e ele era inocente de uma maneira que Justin, ou mesmo ele, jamais haviam sido. E não era apenas sua inexperiência, ou a falta de conhecimento geral sobre a vida de Harry que mostrava isso. Era como não julgava ninguém, como mesmo quando ele estava sendo irritante e insistente, ele tentava ser educado. Como se rendera na noite anterior sem medo, sem culpa, não colocando nos ombros de Brian o peso da responsabilidade, mas dividindo-o.
Só quando já estava na terceira volta ao redor de Pittsburg, sem rumo algum, que percebeu que simplesmente saíra e deixara Harry lá, pensando que como Justin estava de volta, nada mais aconteceria entre eles.
E com os amigos que tinha – principalmente Michael – Harry estaria avisado para nunca mais chegar perto dele.
E isso fez com que ele sentisse uma raiva imensa de Justin, que decidira acabar com sua vida, mesmo que nem soubesse o que estava fazendo.
Voltando para a cidade, procurou a primeira joalheria que consegui encontrar, saindo de lá com uma pequena caixa no bolso e um rumo certo: o apartamento de Harry.
Mas Harry não estava lá, ou na casa de Michael. Não estava no restaurante, não estava com Debbie, não estava com Emmett, nem Ted, nem Drew, nem ninguém.
Harry havia sumido da face da terra, exatamente como tinha aparecido: sem aviso.
E uma certa dose de pânico instalou-se em Brian, quando percebeu que Harry podia, sim, simplesmente sumir sem aviso, porque nada o prendia ali.
E simplesmente para não se conformar com essa idéia, sentou-se nos degraus da pequena escadaria no canto da entrada da loja de Mikey, esperando. Apenas esperando.
Já estava escuro quando, finalmente, o som de passos fez com que levantasse o olhar e encarasse um par de olhos verdes surpresos.
"Eu pensei que tivesse começado a fugir de mim outra vez, e tivesse saído da cidade."
Harry o encarou por longos minutos, até Brian ir até ele e o puxar para perto, um beijo rápido e forte em seus lábios frios fazendo o garoto se afastar, um tanto aturdido.
"E você acha que é importante o suficiente para fazer com que eu largue tudo aqui?"
Brian riu baixo.
"Não. Sem importância o suficiente para que você não pensasse duas vezes em ir. Idiota o suficiente para te dar motivos para agir daquele jeito."
"Brian, você não me deve nada.", Harry disse, em uma voz cansada, colocando as mãos nos bolsos e olhando para o chão, "Eu não esperava que nós fôssemos a algum lugar, e com Justin de volta..."
"Nada muda. Foi ele quem foi embora, Harry, mas eu não fiquei aqui, sentado, esperando por ele. Eu poderia ter qualquer um nessa cidade, mas eu escolhi você. Justin estar aqui, na Nova Zelândia, em Nova York ou no inferno não muda isso."
Harry o encarava, seu olhar deixava transparecer que ele queria muito acreditar em Brian, mas estava achando difícil.
"Aqui.", Brian disse, tirando uma caixinha do bolso, "Pra ficar mais fácil você acreditar em mim."
Dentro da caixa havia dois anéis de prata. Simples e sem nada de especial neles, eram apenas uma tira fina de metal, mas iguais ao último detalhe. Brian tirou um deles e colocou na mão direita de Harry, enquanto o outro seguiu para a sua mão direita.
E Harry não precisava de mais nenhuma palavra, ou reafirmações do que iria ser, ou do que fora.
Ele só sabia que confiava em Brian.
E que os dois poderiam dar certo, porque Brian não seria o problema.
Harry só torcia para que ele também não fosse.
Taram!! Mais um, ê ê ê ê ê ê!!
Agora, sejam docinhos de xuxu da tia Dark e
R E V I E W !
