Autor: Dark K.

Título: Soul Meets Body

Capa: no profile

Rating: M

Gênero: Angst\Romance

Esta fic é um crossover, meaning ela trata de personagens de duas obras distintas, que nada tem a ver uma com a outra. Mas não se preocupem, ninguém de Queer As Folk vai virar bruxo. XD

Os personagens de Harry Potter pertencem a J. K. Rowling, os de Queer as Folk a alguém que eu não faço idéia de quem seja, mas certamente não sou eu.

Esta obra de ficção visa apenas à diversão, nenhum lucro financeiro está sendo obtido através dela.

O nome da fic vem de uma música homônima da banda Death Cab for Cutie.


Soul Meets Body

10. So brown eyes I hold you near, 'cause you're the only song I want to hear, a melody softly soaring through my atmosphere

O carro ficou mergulhado em silêncio durante longos minutos, a única voz que se ouvira havia sido as direções que Justin dera a Brian, sobre o local onde o agora 'professor' residia.

Vinte minutos mais tarde, Brian parava seu carro verde escuro na porta de um prédio despretensioso de um bairro de classe média-baixa de Pittsburg. Freando o carro junto ao meio-fio, mas sem estacioná-lo propriamente, Brian virou o rosto para Justin e deu um sorriso falso e rápido.

"Está entregue."

"Não quer subir?", perguntou Justin, sem fazer nenhum sinal de que sairia do carro.

"Não.", respondeu Brian com simplicidade, olhando fixamente para frente.

"Brian...", o loiro começou, estendendo a mão para tocar o rosto do homem mais velho, que afastou o rosto, impedindo o toque.

"O que foi, Justin? Alguma coisa para dizer? Eu estou com um pouco de pressa.", disse ele, uma doçura falsa na sua voz e em seu sorriso.

"Eu não imaginei que nosso reencontro fosse ser assim.", disse o rapaz em um tom baixo.

Brian não respondeu, apenas dando de ombros e encarando a rua.

"Então, você e Harry são sérios?"

Brian apenas sorriu aquele sorriso irritantemente breve, doce e falso mais uma vez, levantando a mão direita e mostrando o anel que ali estava. Justin olhou o anel incredulamente por alguns instantes e então balançou a cabeça.

"E eu que sempre imaginei que eu fosse o único a conseguir uma certa exclusividade.", disse Justin, tentando brincar, mas Brian não sorriu dessa vez e o encarou com um ar irritado.

"Fui eu quem tive que correr atrás de Harry. Talvez isso é que tenha feito a diferença."

"Então nada mais de Babylon para você? Noites fora, todos os homens que quiser? Agora é só o inglesinho de óculos?", Justin perguntou em tom zombeteiro, mas Brian estava visivelmente perdendo a calma e balançava a cabeça, irritado, de cabeça baixa, as mãos apertando o volante à sua frente com força, sem dizer nenhuma palavra.

"Brian... eu... Eu pensei que quando eu voltasse, nós... Você nunca quis de verdade estar com uma única pessoa. Eu imaginei que quando eu chegasse aqui... Você ainda fosse o Brian Kinney que eu conheci.", ainda assim, Brian não disse nada, apenas encarando a rua, onde agora começava a cair uma leve garoa, "Brian... Se isso tudo é porque eu não mantive contato, eu tive meus motivos.", a única resposta que Justin obteve foi um leve arquear de sobrancelhas silencioso do homem que ainda não o encarava, "Brian! Eu estou falando com você! Eu tenho certeza que se você terminasse com aquele..."

"ESCUTE BEM, Justin, porque eu só vou falar isso uma vez.", começou Brian, em um tom de voz progressivamente mais agressivo, encarando o loiro agora, "Você não tem o DIREITO de ter feito com que eu mudasse como eu mudei, ter me feito fazer as coisas que eu fiz, prometer o que você prometeu, e então mudar de idéia, ir embora, ficar longe por um ano e achar que tudo estaria exatamente o mesmo quando você voltasse. As coisas não funcionam assim."

"E o que mudou, Brian?", Justin perguntou, a voz absolutamente séria.

Brian deu de ombros e estendeu o braço por cima do loiro, abrindo a porta do carro para ele.

"Eu cresci. Talvez você devesse tentar, Justin. É muito interessante.", e mal esperando que o loiro saísse do carro, Brian arrancou, em direção ao seu apartamento.

Ele precisava de tempo livre para pensar.

~*~

Quando Brian saiu pela porta do restaurante, não havia um único olhar que não estivesse fixo nele. E quando as silhuetas de Brian e Justin, o lendário casal da Liberty Avenue, sumiram dentro do Corvette verde de Brian, todos aqueles olhares voltaram-se para Harry, que mantinha a cabeça de certa forma erguida, enquanto tentava fingir que não percebia a comoção à sua volta.

"Bem, Mike, parece que você não vai ter um inquilino por muito mais tempo.", ele comentou calmamente, sua voz traindo apenas um pouco do seu nervosismo.

Mike tossiu em seco, disfarçando sua surpresa e choque, e então sorriu hesitante.

"Bem, foi bom o que você fez pelo lugar. Se você concordar eu posso pagar pelos reparos e a mobília, e então alugar por um preço razoável."

"Não é necessário pagar.", disse Harry, dando de ombros, "Fica como um pagamento pela ajuda que vocês me deram no começo. Se não fosse por você e Ben, não sei o que poderia ter acontecido."

"E o que exatamente você estava fazendo, Potter, que teve que ser resgatado?", perguntou uma voz seca e fria, vinda do lado da mesa onde eles estavam.

Parado ali, com seu clássico sobretudo preto, cabelo impecável, expressão séria e olhar gelado, estava Draco Malfoy que, por algum motivo desconhecido – muito provavelmente um feitiço para não ser notado, talvez ajudado pela cena causada alguns segundos antes da sua chegada – só era percebido naquele momento.

"Draco!", exclamou Harry alegremente, levantando-se de um salto e abraçando o loiro contra si, puxando-o para sentar do seu lado em seguida, "Já sabe das notícias?", ele perguntou, olhos verdes brilhando de excitação, enquanto Draco girava os olhos, com um ar exasperado.

"Sim, Potter, por que acha que eu estou aqui? Granger não confia em você e no noivo dela para arrumarem um lugar decente para viver.", ele disse, a voz arrastada, olhando significativamente para Harry, que olhou feio para o homem mais alto.

"Eu consertei o apartamento, Draco, está um lugar muito confortável.", e então, como se só naquele instante tivesse lembrado, voltou-se para as outras pessoas da mesa, "Este é Draco Malfoy, inimigo de escola, tornado amigo depois da formatura. Draco, estes são Mike, Ben, Emmett, Drew e Ted."

"Encantado.", Draco respondeu, sem nem olhar direito para os outros, inspecionando a comida sobre a mesa, "O que é que você estava comendo, Potter?"

"Café da manhã.", o moreno respondeu calmamente, um sorriso exasperado em seu rosto, os demais tentando fingir que estavam absortos em outras conversas quando estavam, na verdade, prestando atenção no recém-chegado.

"Tentando ter um ataque cardíaco antes dos trinta, Potter? Deixe só a Sra. Weasley descobrir o que você anda comendo."

"Draco!", exclamou o moreno, com um ar horrorizado, "Você não faria uma coisa dessas.

A única resposta de Draco foi um sorriso maldoso que Harry decidiu ignorar, em prol da sua paz de espírito.

"Então, até quando você fica?"

Draco deu de ombros, cheirando uma xícara de café com um ar de desdém e largando-a novamente na mesa, como se ela não tivesse passado em algum teste, e então pegando a xícara de Harry e tomando um gole do seu conteúdo quase frio.

"Há muitas oportunidades de investimento aqui, meu pai está convencido de que nossas empresas poderiam usar um pouco de capital... estrangeiro.", ele concluiu, com um ar calmo e parecia estar contando mentalmente os segundos até Harry ligar todos os pontinhos e entender o que ele havia dito.

"Você vai ficar?! Ficar, FICAR??? Aqui??", ele perguntou, surpreso.

Draco apenas sorriu de lado novamente.

"Dez pontos para a Gryffindor."

"Quer ficar comigo?", Harry perguntou ansioso, sorrindo o tempo todo e quase tendo uma crise de riso quando um ar horrorizado surgiu no rosto de Draco.

"Naquele armário?! Não, obrigado, Potter. Já estou hospedado em um hotel... razoável. Parece não haver nada melhor aqui, de qualquer forma.", ele concluiu, "Nossa primeira missão amanhã é começar a procurar um lugar decente para Granger, Weasley e você e então algum lugar para mim."

"Você sempre poderia morar conosco.", Harry disse, em tom de brincadeira, ao que Draco apenas fez um som de descrença.

"Eu amo demais a minha sanidade para fazer isso. Mas tenho certeza que o mercado imobiliário de Pittsburg deve ter algo à minha altura.", o loiro concluiu, levantando da mesa e estendendo a mão para Harry, "Vamos até o hotel comigo? Granger tem algumas coisas que ela já mandou e Weasley parece ter achado que minha missão era trazer tudo que ele achava que não iria caber na mala dele, e tudo aquilo vai ficar com você."

Harry apenas riu e balançou a cabeça em exasperação silenciosa. Dando adeus para seus novos amigos, ele saiu com Draco do restaurante, deixando cinco homens silenciosos para trás.

"Bem...", disse Emmett, dando palminhas animadas, "Agora nós vamos poder ver nossa própria novela ao vivo."

"Como assim, Emmett?", perguntou Mike, ingenuamente.

"Bom, Mike, querido,", ele começou, com um risinho condescendente, "se esse tal de Draco não é competição para nosso querido Brian, então eu não sei quem é.", terminou ele com um sorriso, fazendo os outros quatro olharem para a porta de saída, contemplando silenciosamente os últimos acontecimentos.

~*~

Brian abriu uma garrafa de whisky, enquanto Justin escorava-se à porta de seu apartamento vazio, exceto pelas caixas. A bebida forte desceu queimando em sua garganta e o homem fechou os olhos, tentando não pensar, ou talvez tentando se convencer que deveria pensar sobre o que havia acontecido. As caixas não iam se abrir sozinhas, e, uma a uma, ele começou a abri-las, lentamente, olhando os conteúdos e imaginando onde colocaria tudo, naquele apartamento semi-mobiliado e pequeno, mas ainda assim infinitamente melhor do que o que tinha em Nova Iorque e pelo qual pagava muito mais.

Harry se deixou apoiar em Draco, enquanto o loiro os aparatava para seu quarto de hotel, olhando em volta calmamente, e vendo as dúzias de pequenos malões encolhidos magicamente espalhados aqui e ali. Draco respirou fundo, absorvendo o cheiro amadeirado de Harry discretamente, e começou a desencolher algumas caixas, puxando coisas que Granger mandara e lembranças de vários Weasleys. Abrindo a lata com biscoitos feitos por Molly, comeu tudo que não comera no café da manhã, sorrindo enquanto ouvia as reclamações do outro sobre hospedagens trouxas. Procurando entre as diversas malas, encontrou o que procurava e começou a mostrar os planos que tinha para os negócios que agora administraria e, em pouco tempo, estavam discutindo o que ele faria dali para frente e também quais cursos interessantes o outro pretendia fazer.

A garrafa se foi com uma rapidez muito maior do que deveria, e o sofá parecia lhe chamar. Tirando a capa de plástico que estava sobre o sofá usado, começou a colocar suas roupas ali, pensando no quanto queria beber algo forte, mas sabendo que não era uma opção. O sono não demorou a chegar, levando-o para a terra onde pensar não era nem mesmo possível, mesmo que ele quisesse. As pilhas aumentavam, e o caos parecia ser tudo que havia ali; até ouvir a campainha tocar e sua mãe, sua irmã e Daphne aparecerem sorridentes e começarem a ajudar a organizar o apartamento. Acordou mais cansado do que quando deitara, seus olhos pesados e uma dor de cabeça que não estava ali quando acordara naquela manhã com Harry... Harry... precisava ligar para ele e deixá-lo saber que estava tudo bem. Depois de quase tudo organizado, apenas um banho. Um banho muito quente para ajudar a acordar e então uma busca quase desesperada pelo celular.

A conversa que se estendera por toda a manhã, um almoço leve pedido ao serviço de quarto e muitas memórias postas aqui e ali, como suas primeiras conversas quando haviam deixado de se ver como ameaças e inimigos, ou mesmo soldados, e passaram a entender que poderiam ser amigos. O sorriso aberto de Harry que fazia seu coração bater mais forte. A presença confortante de Draco que sempre fazia com que se sentisse melhor. A noite caindo em meio a uma conversa sobre qual era a melhor vassoura de corrida do mercado hoje em dia e onde, exatamente, eles iriam encontrar um lugar grande o suficiente para jogar. E a lembrança que Brian havia saído de manhã e não voltara ainda, a despedida rápida, a busca pelo seu celular no bolso da calça, que começara a tocar enquanto ainda estava no elevador.

Um jantar combinado em alguns minutos, um táxi até seu apartamento, um banho, um beijo forte, o carro, a música baixa, a mão encontrando a sua, sorriso.

A noite caindo por um quarto cheio de malas, a solidão, o silêncio e o sono leve de quem dorme por não ter outra opção.

O fim de mais um dia.

O começo de algo mais.


PRONTO!

Agora está todo mundo bem onde eu queria, vamos começar a brincadeira .

Obrigada ao pessoal que deixou reviews!!!! Mais... dez para o próximo? XD

Sejam amores e

R E V I E W !