N/A: Kevin é definitivamente o centro do universo *-*
Anyway; obrigada a todos que estão lendo!! E agradeceria se seguissem o exemplo da Rachel e comentassem sobre a história ^^.
Cap 13 – O Centro do Universo.
O tempo era ainda mais imperceptível quando eu estava com eles. Eles não tinham pressa para fazer nada, não tinham preocupação com coisas comuns, não tinham preocupação nenhuma. Era como se o tempo não existe, fosse eterno, e ele realmente era.
E eu quase me costumei com a obsessão de Thiers por Kevin, era tangível, pois Kevin passava uma imagem de poder e de segurança tão forte, até eu começava a me encantar por ele, o modo como Kevin andava, elegantemente, seu olhar perfeito expressivo, o jeito como falava, apesar dele ser rude, ele era o rude mais cativante que poderia existir, se é que isso faz sentido. Eu até entendia porque todos eles eram tão obedientes a Kevin. Kevin inspirava liderança, eu não me atreveria a sentar no lugar que pertencia a ele de novo, não por medo de sua reação, mas porque ele era o líder, e merecia respeito. Eu francamente odiava isso, mas eu sentia isso, e tinha certeza que os outros dois, que foram mordidos por ele, sentiam isso ainda mais.
Eu realmente gostava de Thiers. Ele era doce e engraçado. Ele era praticamente o contrario de Kevin, Thiers esperava ser liderado, e não liderar. Eu brigava com ele por isso as vezes, dizendo que ele deveria sair da barra da saia do Kevin e fazer o que ele quisesse, mas ele simplesmente não queria fazer nada longe de Kevin.
Dan era um pouco diferente quanto a essa devoção a Kevin. Ele não era tão obcecado por ele. Como Thiers disse, Dan foi mais rebelde do que ele. Dan não se submeteu ao poder de Kevin sempre, ele não agüentou ficar longe de Hosun, quando o pai dele ainda era vivo, então ele voltou para o Vietnã, contra a vontade de Kevin, isso era algo que Thiers nunca faria. Quando o pai deles morreu, Dan e Hosun foram viajar pelo mundo, Kevin imaginou que Dan ficaria com a menina apenas até que ela morresse, como uma fraca mortal, mas Dan fez a coisa que Kevin menos queria, ele transformou Hosun em vampira assim que está fez 18 anos, e a trouxe para morar com eles.
Por algum motivo eu achava maldoso Kevin ter transformado Thiers e Dan em vampiros, mas não achava maldoso Dan ter transformado Hosun em vampira. As circunstancias eram diferentes, certo? Bem, no fundo eu sabia que eu só queria nutrir o meu ódio por Kevin, antes que eu virasse mais uma devota a ele. Eu não era devota a nenhuma religião, nem ao menos acreditava em Deus, quem diria se eu fosse devota a um vampiro??
Eu nunca havia falado com ninguém sobre o ódio que eu sentia que Kevin nutria por mim, bem antes de eu sentir isso por ele. Me sentia embaraçada por isso, haveria algo de tão errado comigo para ele me odiar tanto assim?? Era mais difícil viver com isso agora, com essa aceitação de que Kevin era o líder, o centro do universo, pelo menos pra Thiers, eu queria que Kevin gostasse de mim, assim eu seria digna de Thiers gostar de mim.
Já era Agosto, então o cursinho estava lotado pela proximidade com o vestibular, não havia como escolher muito o lugar, e muitas vezes sentávamos um pouco longe uns dos outros, mas Thiers e Kevin sempre se sentavam lado a lado. Neste dia Thiers e eu só achamos dois lugares no fundo da sala, quase na ponta. Quando Dan, Hosun e Kevin chegaram, eu entrei em pânico! Como eu faria para Kevin sentar-se ao lado de Thiers??? Expulsar o garoto estudioso ao lado estava fora de questão, então o jeito era eu me retirar. Quando eu fiz menção de me levantar, pegando as minhas coisas, Thiers me deteve.
- Aonde vai?? – ele perguntou.
- Vou sentar com a Hosun. – eu respondi.
- E porque?? – ele perguntou sorrindo, sabendo que eu escondia alguma coisa.
- Pro Kevin sentar com você. – eu disse derrotava, eu não precisava dar mais um motivo para o Kevin me odiar!
- Ele sentou lá com o Dan e a Hosun. Viu? – Thiers disse apontando, rindo. Realmente Kevin com a cara rabugenta de sempre estava sentado ao lado de Hosun, e os três conversavam normalmente. Me senti estúpida, e deixei escapar:
- O Kevin não gosta de mim.
- Como assim?? – perguntou Thiers fingindo mal que não tinha reparado.
- Nem vem. É obviu! Eu sei que você deve sentir a energia que vem dele quando eu estou por perto.
- Essa é a energia dele. Não é sua culpa. Já era assim antes de você. – explicou ele.
Eu o encarei, sabendo que ele escondia alguma coisa, pois ele tinha aquele sorriso contido, sem dentes. Então ele abriu o sorriso assustador de sempre se rendendo.
- Ta bom. Ta bom. É verdade, em partes. – disse ele.
- Como assim? – eu perguntei, sem entender o "em partes".
- Não é nada muito pessoal com você. Kevin não gosta de quase ninguém, principalmente de meninas. – Thiers falou divertido e culpado ao mesmo tempo. – Ele também não age muito bem com a Hosun, se você notar.
- Que machista idiota!!! – eu disse cruzando os braços na minha frente, e fuzilando as costas de Kevin mais a frente como se eu pudesse lhe causar dor física. – Mas porque...??
- Mas se analisarmos bem a situação não é só esse o problema dele com vocês duas. – dizia ele sorridente, apesar de estar falando sério.- Kevin é muito orgulhoso. Você e ela não são criações dele. Pra ele, talvez isso as faça seres inferiores a nós, ou que não deveríamos nós misturar por sermos de famílias diferentes, ou ele tenha medo que um dia descubra que alguém o supere!
- Orgulhoso idiota... – eu xinguei novamente.
- E você pode ser uma ameaça maior ainda, porque você é rara, talvez única. Você não foi criada como ele, eu, Dan ou Hosun. Ele diz que a aversão a sua raça é porque é algo que não é natural, a mistura de duas espécies, predador e presa, é insultante a nossa raça. Então ele gosta de agir como se você fosse um ser inferior, porque não teve que passar pelas provações que nós passamos, como se você não tivesse sofrido o bastante para merecer ser uma de nós. Mas acho que na verdade ele apenas não suporta que você seja mais especial do que ele.
- Que narcisista idio...- eu começava a reclamar, quando o sinal tocou me interrompendo, dando ínicio a aula.
Thiers e eu falamos sobre Kevin durante todas as aulas. Antes me irritava falar sobre o Kevin, mas agora era interessante, Kevin era uma criatura muito interessante, talvez por ele ser tão fechado causava a sede por saber quem ele é, como ele se sente, além do mais em relação a mim.
Quando o último sinal da noite tocou, me surpreendendo, Thiers e eu levantamos para sair, Dan, Hosun e Kevin haviam saído na frente. Andando Thiers pôs seu braço ao redor dos meus ombros, nos fazendo andar abraçados, nós andávamos assim já por algum tempo, se era como amigos, ou como outra coisa, eu não sabia dizer.
- E o principal motivo de ele não gostar de você, é porque você me roubou dele. – Thiers terminou o monológo sobre Kevin, com o sorriso fechado. E eu soube que ele ainda estava ocultando alguma coisa.
- Roubei você dele??? Ele vai ser sempre seu criador, seu líder, seu Deus! Parte da sua família, que a ele parece ser tão precioso. – eu disse com sarcasmo - Eu nunca vou poder roubar isso dele.
- Eu sei. Ainda pertenço a ele dessa forma. Mas ele me queria de outro jeito, que foi o que você conseguiu. – disse ele agora se esforçando muito pra não rir.
Olhei pra ele tentando ler sua expressão, tentando descobrir a peça que faltava para que ele finalmente lançasse o sorriso de que eu havia acertado. E foi quando eu notei, arregalando os olhos quando os deles encontraram os meus e perceberam que eu tinha entendido.
- O Kevin é gay??? – perguntei incrédula, não acreditando em como tudo parecia se encaixar. Mas então, o sorriso de confirmação apareceu em seu rosto.
- É! – disse ele com o enorme sorriso assustador.
- Mas....mas...- eu balbuciava sem conseguir digerir a informação. – Mas ele é... tão bonito! – eu deixei escapar.
- Bonito demais pra gostar de mim? – perguntou Thiers ainda com o sorriso imutável, apesar de eu notar uma pequena nota de tristeza em sua voz.
- Não...- eu comecei, ainda não conseguindo achar as palavras. – Não foi o que eu quis dizer.
- Eu sei que eu sou feio, mas...- ele começava a dizer, mas eu o interrompi, pronunciando em voz alta um profundo sentimento que eu nem sabia que eu possuía.
- Você é bonito pra mim. – eu disse. E logo me arrependi. Eu não estava acostumada a demonstrar sentimentos, muito menos dizê-los com tanta clareza, em voz alta!
Thiers não disse nada, apenas sorriu, ainda mais sinceramente, e me apertou mais forte me trazendo um pouco mais perto para beijar o topo da minha cabeça enquanto andávamos.
Nos soltamos para passar pelas catracas e andamos juntos pela noite fria, até enfim parar frente a frente onde minha mãe deveria estar me esperando. Mas ela me esqueceu. De novo! Minha mãe ficou muito satisfeita quando soube que eu tinha amigos, mas não dei muitos detalhes sobre eles, não queria contar que eles eram vampiros. Só a lembrei da garota Hosun, e disse o nome dos outros, citei até que Hosun e Dan eram irmãos, mas nada mais.
- O que você vai fazer hoje? – perguntei a Thiers como quem não quer nada, mas com várias coisas na minha cabeça me atormentando pela recente descoberta.
- Acho que eu e o Kevin vamos sair pra caçar, ou só ficar de bobeira. Porque?? – perguntou ele desconfiado com meu súbito interesse.
- Por nada. – eu disse vagamente. Com os braços cruzados forte a minha frente, como quando se sente frio, uma posição considerada defensiva. Thiers notou isso.
- O que foi? Quer vir junto?? – ele perguntou com sarcasmo, me lançando seu melhor sorriso zombeteiro.
- Não...- eu disse rapidamente. A idéia de caçar ainda me era estranha, ainda mais se eu estivesse entre Thiers e Kevin. – É só que... – eu comecei, mas não consegui continuar.
- Sim?? – encorajou Thiers com o mesmo sorriso.
- Você e Kevin parecem ter uma relação...impenetrável. – eu disse, achando a palavra que os descrevia. – Eu acho que talvez não exista espaço pra mais ninguém...- eu continuei, mas ele me interrompeu falando em seu tom mais sério.
- Kevin é o meu criador. Eu sempre vou estar ligado a ele, assim como o Dan. Mas o que eu e ele temos é muito diferente que os outros vampiros normalmente tem com suas criações. Nos consideramos, somos companheiros desde sempre, irmãos de sangue! – ele explicava, eu entendia o que ele queria dizer.
- Você às vezes não acha que possa... – eu comecei, tentando escolher as palavras. E dizê-las! - ...gostar dele?
Olhei em seus olhos para que o seu sorriso não me distraísse.
E seus olhos gargalharam assim como a sua boca.
- Quero dizer... – eu continuei, tímida, enquanto ele ainda ria. – Você realmente parece admirar ele, e não consegue tirar os olhos dele, e eu sei que ele é realmente bonito, mas...- então ele me interrompeu.
Com um beijo.
Ele segurou em meus braços ainda cruzados, me puxando para perto. Sentia seus lábios sobre os meus, ele ainda sorria, meus braços foram amolecendo, caindo para o lado, enquanto ele colocava uma de suas mãos no meu rosto.
Foi a primeira vez que ele me beijou.
Como se tudo que estivesse faltando fosse uma oportunidade para que isso fosse útil, ou como esperasse que surgisse naturalmente, sem ter a hesitação de ter que pedir permissão, ou avisar de alguma forma com os olhos ou as palavras.
E foi perfeito.
Quando nos distanciamos ele me olhou sorrindo, segurando minhas mãos, agora não mais cruzadas.
- E isso quer dizer...??? – eu perguntei ainda consciente apesar de tonta pelo beijo, pelo aroma.
Ele sorriu com os olhos e disse:
- O que você acha? – ele perguntou.
Eu não sabia o que achava, mas sentia que deveria ser extremamente óbvio.
Ele desviou seus olhos dos meus por um momento, olhando para frente, e então voltando a me encarar sorrindo disse:
- Sua mãe chegou.
Eu entrei no carro e parti, com a resposta da minha indagação ainda muito longe de chegar ao meu cérebro.
[The world is ugly – My Chemical Romance]
"O mundo é feio
Mas você é lindo para mim
Você está pensando em mim?
Você está pensando nele?
Você pode dizer que eu disse-lhe assim
Se você queria que eu fosse.
Eu apenas queria que você soubesse
Que o mundo é feio
Mas você é lindo para mim"
