N/A: Para essa fase Kevin e Sam existe uma nova capa (.)

Kevin e sam na frenet, e Thiers e Dan ao fundo ^^

Já viram as outras capas?


Cap 18 – Segundo Round.

- Você está sugerindo que eu me mate?? – eu perguntei, ridicularizando a sugestão.

- Em parte. – ele respondeu pensativo. – Ainda é considerada uma sugestão quando se sabe que a pessoa não vai segui-la?

- Porque você acha que eu não vou segui-la? – eu perguntei, desconfiada.

- Você se acha demais para isso! – ele disse quase rindo, mas ainda sério.

- Eu me acho? Olha quem fala! – eu comecei a dizer, mas Kevin me interrompeu.

- ...E porque você realmente quer ser vampira. – ele continuou olhando para mim, eu esperei pra ver até onde ele estenderia esse pensamento. – Mesmo quando você estava negando que era vampira, você já acreditava nisso! Se não nunca teria visto o Thiers.

Fiquei constrangida por um instante com esse pensamento, a minha negação de aceitar que eu era vampira no inicio ainda era vergonhosa. Ainda mais quando dita abertamente por Kevin.

- Você deve ter pensado bastante em mim para chegar a essa conclusão.- eu disse só para encher ele, que fechou a cara.

- Eu simplesmente sei como você pensa. – Kevin explicou, levemente desconcertado com a minha insinuação.

- Porque você e eu pensamos igual? – perguntei.

Kevin demorou um pouco para responder, com a expressão facial contorcida, como se tivesse lhe ocorrido um pensamento que lhe causou nojo. E então finalmente disse, recuperando sua pose de sempre:

- Eu conheço o seu tipo. – ele disse, e eu achei que ele estava me menosprezando de novo por eu ainda não ser uma vampira completa.

- Eu sou a primeira meio-vampira que você conhece. – eu rebati.

- Mas não é a primeira a negar a si mesma o que realmente é. – Kevin disse.

- Tá então! Eu sou uma fraca. – eu admiti, querendo parar com esse jogo.

- Uma fraca não. Uma idiota. – Kevin corrigiu.

- Que seja, mas e você?? Como reagiu quando virou vampiro??- eu perguntei sabendo que havia atingido em seu ponto fraco.

Ele contorceu os lábios, em uma expressão brava, mas não chegou a me xingar nem nada do tipo. Eu sabia que a transformação de Kevin não havia sido fácil, mas nunca soube a história completa, nunca me importei verdadeiramente do quanto ele pode ter sofrido para aceitar o que ele foi pelos últimos 200 anos.

- Nós não íamos ter uma lição de caça?? – ele perguntou bravo, fugindo do assunto.

- Eu já matei um cara! O que mais você acha que eu posso aprender?? – perguntei irônica.

- Mas eu ainda não me alimentei. – ele disse com uma voz estranha, fraca. Talvez ele estivesse com mais fome do que eu pensava, ou então que eu o tivesse realmente atormentado com a lembrança de quando ele se tornou vampiro. – Alias, você ainda é meio humana, não tem que se alimentar com mais freqüência? – perguntou fingindo que se importava.

- Deixe-me adivinhar. Thiers o pediu para não esquecer de me alimentar, não é? – eu previ.

- Não. – ele disse cansado. – Mas eu também já fui humano.

Encontramos uma lanchonete aberta, embora já passasse da meia-noite. Nos sentamos em uma mesa ao canto, e eu pedi um hambúrguer e um refrigerante, apesar de não sentir fome. O local estava quase completamente deserto, a não ser por um homem estranho de cabelos compridos vestido de terno que nos encarava do outro lado da lanchonete.

O silencio estava começando a me incomodar. E a expressão de Kevin mais ainda. Não era a expressão dura e rabugenta de sempre, ele parecia triste, mas eu não tinha coragem de perguntar. Ele olhava para suas mãos em cima da mesa, parecendo estar pensativo.

- Como as coisas eram... – eu comecei a perguntar, insegura. Mas então ele levantou os olhos, encorajando minha pergunta. - ...quando você era humano?

- Muito diferente do que são hoje em dia. – ele disse curtamente.

- Hum. – eu murmurei. E então forcei um pouco mais uma resposta. – Como era a sua família?

- Eu não me lembro. – ele disse duramente.

- Não se lembra? Como ...?? – eu perguntei sem conseguir formular meu pensamento.

- São 300 anos! – ele disse, desconfortável. – Ninguém tem tanto espaço na memória assim. Nem um vampiro.- ele continuou, ficando exaltado, como se eu o estivesse acusando de desmiolado ou irresponsável, embora eu não tivesse feito nenhum comentário. – Você também vai se esquecer da sua mãe. – ele atirou contra mim.

- Eu espero que não. – eu disse baixo, mostrando que eu não iria discutir. – Minha mãe é minha melhor amiga.

- Pensei que fosse o Thiers. – ele disse com a pose de sempre, mas o tom de voz estava menos arrogante, acredito que arrependido de ter colocado a minha mãe no meio da história.

- Não. Thiers é meu melhor amigo, mas não mais que a minha mãe. – eu disse pensativa. Quanto tempo levaria para eu me esquecer dela?

- Eu queria me lembrar da minha. – Kevin disse olhando pela janela distraído, e eu soube que ele havia pensado alto, não pretendendo dizer. Afinal ele não costumava partilhar seus sentimentos com ninguém. Assim como eu nunca o fazia.

Lembrei-me então de uma cena da noite anterior. Quando eu e minha mãe chegamos de carro, e Kevin me olhava fixamente através da janela do carro. Entendi que não era pra mim que ele olhava. Ele estava olhando para Rossana.

Passamos o resto da noite conversando, ou discutindo, que era o que mais fazíamos. Mas eu tentei ser mais delicada com as minhas perguntas, para não ofendê-lo, e tive a impressão de que Kevin estava fazendo o mesmo.

Fomos para a tumba dos pais de Thiers antes de amanhecer, sabendo que era o meu último dia com ele, e me senti um pouco nostálgica por isso. Na noite seguinte fomos para o cursinho juntos. Era tão estranho voltar ao mundo real agora, por um dia e uma noite eu havia me esquecido que existia um mundo normal lá fora, em que reinava o antropocentrismo, e não o vampirismo.

Chegamos antes das escadas serem liberadas. Kevin estava impaciente, e olhava feio e bufava para todos que passavam por ele, mesmo aos que não esbarravam. Quando finalmente liberaram a passagem, ele se apressou por elas, empurrando várias pessoas que estavam na frente, descendo as escadas ao invés de subi-las para o segundo andar, que era onde nossa classe se encontrava. Eu o segui pressentindo que algo ruim estava para acontecer. Ele estaria passando mal por algum motivo? Deprimido? Vampiros ficam doentes??

- Kevin!!! – eu chamei correndo atrás dele. Ele parou no final da escada, num corredor escuro, que dava para a sala de estudo que havia mais em frente. – O que ..?? – eu comecei a perguntar.

- Eu – estou – faminto. – ele disse zangado.

Antes que eu conseguisse pensar em uma nova pergunta, como o que ele estava fazendo naquele corredor, uma figura solitária vinha pelo corredor, se aproximando lentamente, mas no escuro eu não conseguia ver quem era.

- Vai ser essa mesmo. – Kevin sussurrou, encarando a figura com olhos de águia, e deixando a mostra os caninos pontudos, como uma onça que vai dar o bote.

- O quê??? – eu sussurrei petrificada. – Não! Aqui não. Você não pode!

- Posso sim! Você não matou aquele cara na rua?? Qual a diferença?? – Kevin perguntou nervoso. – E você não me deixou caçar depois.

Então a pessoa entrou em foco quando chegou perto das escadas. Era uma menina. Uma menina que não me era estranha. Eu demorei um tempo para me lembrar dela, parecia ter sido a séculos atrás. Luisa, a amiga de Mikey. E Kevin iria matá-la na minha frente!

- Kevin...- eu chamava baixo, mas ele continuava atento a cada movimento de Luisa. – Kevin, não. Eu conheço ela.

- Quem se importa? – ele perguntou sussurrando sem tirar os olhos dela. Ele certamente não se importava.

Ela deixou o fichário cair no chão, e pegava distraidamente os papeis, sem nos notar. Quando eu ouvi passos descendo a escada, alguém iria nos ver!

- Kevin NÃO! – eu gritei apavorada segurando o braço de Kevin com todas as minhas forças.

Foi quando a segunda pessoa apareceu, olhando diretamente para mim e Kevin, mostrando que ouviu meu grito, fazendo com que Luisa nos notasse também. A segunda pessoa era Mikey.

- Sam?? – Mikey perguntou, estranhando eu ainda estar no cursinho, já que fazia muito tempo que não me via.

- O-oi... Mikey. – eu disse gaguejando pelo susto.

Kevin olhou para mim interrogativo, como se não acreditasse que eu me atrevesse a ter qualquer tipo de relação com seres humanos.

- Nossa. Como você tá?? Achei que você tinha saído. – Mikey disse se aproximando, contente de me ver de novo. Luisa o seguiu com a cara amarrada, ela e eu nunca nos gostamos.

- E-eu fiquei fora por algum tempo. – eu disse sem graça.

- Aaah. – ele exclamou, voltando seus olhos para a pessoa ao meu lado. – É seu namorado? – Mikey perguntou.

- Que?? – eu perguntei por um momento me esquecendo que eu ainda segurava o braço de Kevin, que agora não estava mais com a pose de caça, e sim com uma expressão muito rabugenta voltada para mim, que eu bem conhecia. – aahh, não. – eu disse soltando o braço dele finalmente, que logo os cruzou, ranzinza. – Esse é o Kevin. – eu apresentei sem especificar o que ele era.

- Ahh..Oi. – Mikey cumprimentou simpático. Percebi que Luisa examinava Kevin com os olhos, e parecia ao mesmo tempo se derreter pela sua aparência e ter medo dele, pela energia que ele certamente passava. – Bom, então te vejo por aí. – Mikey disse se despedindo, subindo as escadas com Luisa.

Kevin então deu uma risada desdenhosa, ainda com os braços cruzados e disse.

- Porque você quis poupar a vida dela? Ela nem gosta de você. – ele disse quase rindo.

Eu não respondi essa, lhe lançando um olhar zangado, que nem ele costumava fazer, mas apenas porque eu não sabia o que responder.

Subimos as escadas e entramos na sala de aula. Thiers, Hosun e Dan já estavam lá nos esperando.

- Ei!! – Thiers cumprimentou com seu sorriso assustador. – Como foi o segundo round?? – ele perguntou com olhos brilhantes.

- Foi...legal. – eu disse redundante.

- Que bom! Eu disse que vocês iam se dar bem. – Thiers disse me abraçando, contente.

Kevin com uma cara rabugenta informou.

- Vou caçar.

- De novo? – perguntou Hosun confusa.

- Por culpa de alguém eu não pude comer nada. – ele disse com a cara amarrada, se virando.

- Espera Kevin. Eu vou com você. – Hosun disse se apressando para ir com ele. – Tchau Sam!

Thiers me soltou um pouco do abraço para me olhar e disse.

- Senti sua falta. – ele disse, me dando um rápido beijo nos lábios.

Thiers voltou a me abraçar, enquanto eu ainda assistia a Hosun e Kevin saírem da sala.


"Por um momento o mundo vira as costas
E você deixa eu me aproximar
Através dos corações preenchidos de medo
Por esse amor negro secreto

Oh, deixe o mundo dar a volta
E por favor deixe-me aproximar
Através dos corações preenchidos de medo
Por esse obscuro amor secreto(...)"

[Dark Secret Love - Him]

(trilha sonora alternativa : Thinking of You - Katy Perry)