N/A: Parabens ao Kevin \o// ....ou não.
Cap 19 – Casa Gótica.
Os dias passaram depressa. E a noite, estranhamente, sempre me pareceu mais curta que o dia. Sábado seria o aniversário de Kevin, e estavam todos ansiosos para o evento, exceto o próprio Kevin.
- Vocês não podem me culpar por não ficar feliz de ficar ainda mais velho. – Kevin protestou, em uma discussão com Dan e Hosun do porque da sua falta de animação.
- Mas é uma celebração da vida! Mais uma vez que a Terra deu a volta em torno do sol durante a sua existência! – Hosun tentava animá-lo.
- Vida?? Que vida? Nós somos vampiros. – Kevin contrapôs rabugento. – Tecnicamente não estamos vivos.
- Mas é como se estivéssemos!! – Hosun insistiu.
- Nem discute Hosun, se não daqui a pouco o Kevin convence você a cometer suicídio. – eu disse
- Suicídio??? – perguntou Thiers sem entender nada. Kevin me lançou um olhar maligno. Obviamente eu não havia contado a Thiers que Kevin tentou me convencer a me matar. Thiers poderia ficar zangado com Kevin, e eu não queria isso, embora a pouco tempo atrás eu desejasse. Outra possibilidade era que Thiers não fizesse nada, o que me deixaria com raiva dele.
- Humor negro. Não ligue. – eu respondi. Thiers continuou sem entender, mas logo Hosun nos fez esquecer com mais uma dose de animação digna de uma líder de torcida.
Eu tinha que admitir que eu estava ansiosa para o aniversário de Kevin. Thiers me disse que todos iríamos sair, mas não disse para onde, e a curiosidade era grande. A única informação que Thiers me deu foi:
- É um lugar onde quase todos poderão nos ver.
Será que iríamos a alguma contenção de vampiros ou algo do tipo? Era difícil imaginar.
Mas ainda mais que isso, eu estava ansiosa porque antes de ir para o tal lugar misterioso, nós iríamos passar na casa deles. Eu nunca havia visto a casa, e aquela casa logo seria também o meu lar. A idéia talvez parecesse mais real quando eu finalmente estivesse na lá.
Por causa da tal festa Thiers, Dan e Hosun viviam aos cochichos. Eu me sentiria excluída se Kevin também não estivesse de fora, o tornando mais irritadiço do que o normal, e ainda era divertido irritar o Kevin.
Kevin e eu estávamos nos dando muito melhor agora, depois que passamos aquele tempo juntos na cidade. Thiers sabia o que estava fazendo, nos deixando sozinhos, nós nunca teríamos nos aproximado se Thiers tivesse ficado o tempo todo conosco, e eu começava a ver a criatura fascinante que Thiers via em Kevin.
Era noite de sexta feira, na noite seguinte seria o tão esperado aniversário do Kevin. Eu entendia porque ele não estava ansioso, imaginando o quanto eu me sentiria velha ao completar três séculos.
- Eu devo comprar um presente ou algo assim? – perguntei para Thiers de repente, enquanto nós saiamos do cursinho juntos, para esperar Rossana que viria me buscar.
- Presente pra quê?? – Thiers perguntou sem entender
- Pro Kevin! – eu disse. – Não é o aniversario dele?
- Bem...é o aniversário de vampiro dele, na verdade. Não sei se é apropriado um presente...- Thiers começou a dizer.
- Aniversario de vampiro? Como assim???
- È. Aniversario de quando ele foi mordido. – Thiers disse sem graça. – Kevin não se lembra de quando é o aniversario real.
- Ah, verdade, ele não se lembra da vida humana. – eu concluí.
- Como você sabe disso?? – Thiers me perguntou surpreso.
- Kevin me contou. – eu disse. Thiers continuou boquiaberto.
- Ele nunca fala disso pra ninguém.
- Eu posso ser muito convincente. – eu disse tentando imitar o seu sorriso assustador característico.
- Aposto que sim. - Thiers riu, e me puxou para um beijo.
A noite de sábado finalmente chegou. Minha mãe estava extremamente animada que eu iria a uma festa, nunca fui o tipo de pessoa que ia a festas, pois não gostava de pessoas. Mas como qualquer mãe, sendo de uma meia vampira ou humana, ela me alertou para tomar cuidado.
Combinamos na frente do cemitério, que segundo Thiers era mais perto da casa do que o cursinho.
Cheguei lá 10 horas em ponto, levemente consciente de que um cara estranho de cabelos compridos andava logo atrás de mim, mas logo avistei Thiers e tudo o resto pareceu sumir quando ele me lançou seu sorriso assustador.
Andamos pouco tempo até pararmos em frente de uma casa velha, com muro de pedra cinza. A casa era bem normal por fora, e passava imperceptível pelo longo quarteirão com casas mais novas. Thiers abriu a porta antiga marrom, que se moveu ruidosamente. Reparei ao entrar na sala que as janelas eram cobertas por tábuas.
- Oi Sam! – Hosun me cumprimentou simpática. Dan me lançou um aceno do sofá velho em que estava sentado.
A sala era iluminada por velas, ao invés de eletricidade. Eles não tinham televisão, nem sequer rádio, mas sim muitos livros.
A casa era maior por dentro do que parecia ser do lado de fora. Cada um tinha o seu quarto. Demos uma espiada no quarto de Dan, que tinha um caixão simples marrom e muito gel para cabelo. Hosun fez questão de mostrar cada roupa de seu armário, e até quis tentar me convencer de experimentar o caixão dela, marrom claro com interior vermelho, o que eu recusei. Ao chegar a porta do próximo quarto, num corredor apertado, Thiers passou reto, e disse baixo apenas:
- É o quarto de Kevin.
Chegamos ao quarto de Thiers finalmente. Não era diferente dos outros. Havia um caixão preto no centro, um armário ao canto, uma escrivaninha, uma janela com cortinas bem grossas de veludo preto e um estranho espaço vazio.
Fiquei estranhamente curiosa sobre o quarto de Kevin, talvez apenas por ser proibido vê-lo.
Quando chegamos a sala Kevin havia se juntado aos outros com sua cara amarrada, e quando eu comecei a dizer:
- Parab...
Kevin me interrompeu.
- Podemos ir logo? – ele disse a Thiers, que rapidamente concordou, com um sorriso.
Fomos para o metro mais próximo a pé, descemos em uma estação e andamos um bom tempo por uma longa rua cheia de casas noturnas, até chegarmos em uma mais estreita com um publico extremamente particular.
Todos estavam completamente de preto, da cabeça aos pés, os meninos e as meninas tinha na maioria cabelos bem longos. Sobretudos, coturnos, saias longas, espartilhos e muita maquiagem preta. Eu estava me sentindo estranhamente observada, quando notei que as pessoas em volta estavam nos notando. A casa noturna se chamava Goth House (Casa Gótica).
- Esse é o lugar??? – Kevin exclamou indignado, antes que eu pudesse fazê-lo.
- È. – Hosun disse abrindo um sorriso. – Não é legal Kevin? Finalmente você vai poder ser notado para ser o centro das atenções! – ela disse meiga e sarcasticamente.
Enquanto Kevin revirava os olhos quanto a essa provocação e os outros se adiantavam para entrar, eu puxei Thiers em um canto e perguntei.
- Eles são vam...? – eu comecei a perguntar, mas Thiers terminou a frase diferente do que eu esperava.
- Góticos. – ele sorriu. – Foi oportuno você vir toda de preto.
- Mas como eles..?? – comecei a perguntar e fui interrompida por ele novamente.
- Eles acreditam em vampiros. Querem ser vampiros! – disse Thiers com animação. – Nunca saberíamos das pessoas que nos notam se você não tivesse aparecido! Esse é o melhor presente que podemos dar a Kevin, que ele seja notado!
E realmente, Kevin era notado. A sua arrogância elegante era cativante. Todos olhavam para ele quando passávamos, garotos e garotas. A beleza dele, passada despercebida pelos corredores do cursinho, ali era reconhecida.
Era um lugar bem escuro, me lembrava estar dentro do mausoléu do cemitério. Os bancos me lembravam caixões. Só a música alta e a pista com luzes que piscavam que não eram atribuídas ao cemitério.
Fomos para a pista, onde uma banda tocava ao vivo. Algumas pessoas dançavam, outras batiam umas nas outras, e havia os que ficavam apenas balança a cabeça no lugar.
Thiers, Hosun e Dan logo se envolveram com a música e se inturmaram no meio da dança que agora era confundida com o bate cabeça. E sobramos Kevin e eu, parados mais atrás de braços cruzados.
Eu tinha uma impressão estranha naquele lugar. Apesar de ser o lugar onde possivelmente as pessoas eram mais parecidas comigo, eu me sentia mais destacada do que no meio das pessoas comuns. Me sentia observada, perseguida. Talvez fosse só egocentrismo. Quando eu vi dois garotos me olhando e conversando mais em frente, um de cabelos compridos e sobretudo preto que parecia familiar, e um outro de cabelo curto. Quando desviei o olhar desses dei de cara com um outro grupo de meninos que me olhavam. Quando vi um deles dar um passo para onde eu estava entrei em pânico, procurando Thiers na multidão com o olhar, mas eu não o via. O garoto sem camisa, com suspensórios e moicano extremamente alto se aproximava, cada vez mais, quando ele repentinamente parou e duas pessoas se puseram em frente dele. Senti alivio e vergonha. Quanto egocentrismo achar que ele estava se dirigindo a mim. Foi quando as duas pessoas saíram de sua frente e ele chegou bem próximo ao meu ouvido.
- Está acompanhada?? – ele me perguntou.
Eu ia pra trás, arisca como um gato, enquanto Kevin acabava ficando mais em frente, ainda de braços cruzados.
- Estou. – eu respondi vacilante. Quando vi um outro garoto ao lado dele. Senti medo repentinamente de que eles me acusassem de falsa gótica, ou de vampira de araque, como Kevin fazia, e usassem a força para me tirar de lá.
- Desculpa chegar em você assim, mas você é linda. – ele disse, e só então eu tive certeza do motivo dele estar lá.
- Obrigada. – eu disse sem graça, querendo me livrar dele logo eu disse. – Mas eu estou com ele. – e eu apontei para Kevin que estranhou os dois garotos olharem repentinamente para ele.
Os dois garotos se aproximaram de Kevin e falaram por algum tempo com ele. Torci para que Kevin não me desmentisse, quando eu finalmente vi Thiers mais à frente, olhando para nós confuso.
Quando o cara de moicano finalmente se afastou eu me aproximei de Kevin.
- O que ele te disse? – perguntei com medo que ele tivesse entendido errado.
- Pediu desculpas e disse que sou um cara de sorte. – ele disse com a cara amarrada. Ele não havia desmentido minha história.
- Ah. É que eu disse que estava com você para... – comecei a explicar, quando Thiers chegou.
- Ta tudo bem??? – ele perguntou preocupado.
- Sim, sim. – disse rápido para ele não se preocupar.
A noite foi mais tranqüila ao do show. Fomos todos nos sentar quando a banda deu uma pausa, exceto Dan que fez amigos e ficou por lá mesmo.
Hosun e Kevin conversavam pouco quando Thiers se levantou para buscar uma bebida no bar, e uma menina magra com espartilho apertado se aproximou, e sentou-se onde antes estivera Thiers, e disse um tanto envergonhada:
- Er... aquela garota está com ele?? – a garota perguntou sem jeito, se referindo a Hosun e Kevin que estavam sentados mais no canto conversando.
- Sim. – eu me ouvi dizendo. – São namorados.
- Ahh. Eles são meio distantes, né? – a garota perguntou retoricamente. – Bem, ele parece alguém interessante pra se conversar. – ela deu de ombros e saiu.
Sim, Kevin realmente era interessante de se conversar, mas eu tinha certeza que ela não se interessaria em conversar com ele se este não tivesse a bela aparência que tinha. E por algum motivo isso me irritou.
Thiers voltou e sentou-se no lugar que antes estava a menina.
- O que ela queria?? – perguntou Thiers, me entregando um refrigerante.
- "Conversar" com o Kevin. – eu disse fazendo aspas com as mãos.
- E o que você disse?? – perguntou Thiers, rindo.
- Disse que ele e Hosun estavam juntos. – eu disse. Eu estava ficando boa em dispensar as pessoas, esperando que o garoto de moicano e essa garota nunca conversassem.
- Por que?? – Thiers perguntou surpreso.
Parei para pensar um momento. Realmente, por que eu disse isso a menina??? Okay, a probabilidade de que Kevin quisesse sequer conversar com ela era mínima, mas eu podia ter passado a escolha a ele, só para ver a expressão irritada dele, ou quem sabe, ele poderia querer algo com ela. Foi quando me lembrei, Kevin não gostava de meninas, eu havia esquecido.
- Não sei...- eu confessei, incerta, para Thiers.
Ele pareceu apenas levemente confuso, mas logo abriu o meu sorriso preferido e me beijou fazendo com que me esquecesse completamente do ocorrido.
Passamos o resto da noite juntos. Já era cerca de 4 AM quando ouvíamos a ultima banda. Hosun dançava sozinha belamente no meio da pista, ao som de The Cure, enquanto eu, Thiers, Kevin e Dan apenas assistíamos parados o show cover. Me assustei quando o cara de cabelos preto, estranhamente familiar, se aproximou dizendo educadamente:
- Boa noite. Meu amigo Andrei gostaria de conhecer você. Você poderia vir comigo? – ele perguntou.
Fiquei por alguns segundos calada, hipnotizada examinando o rosto dele. Era estranhamente conhecido e ao mesmo tempo, muito incomum. A pele dele parecia frágil e velha, apesar de não ter rugas e de ser visivelmente jovem, extremamente branco, com olhos e cabelos bem pretos, ele tinha também uma cicatriz na bochecha esquerda que se confundia com o cabelo.
- Er...eu tenho namorado. – eu disse, verificando se Thiers estava ali, e dando de cara com ele, Kevin e Dan me encarando confusos.
- Ah. Tudo bem. – o cara estranho disse com um tom estranho e se afastou um pouco dançante, como Hosun.
Não havia como eu ter visto aquele cara antes. Havia?
[Jack the Ripper – Morrissey]
" Durma em meus braços
Eu quero você
Você não concorda
Mas não recusa
Eu conheço você
E eu sei de um lugar
Onde é provável que ninguém passe
Você não se importa se estiver tarde
E você não se importa se estiver perdido"
N/A: Resposta de Review:
C. : Heyyy \o// vc voltou ^^
Oh meu Zeus!!! Tah todo mundo torcendo pra Kevin e Sam O.O hahahah xD
Fico muitooooo feliz q esteja gostando ^^
Muitooo obrigada pelo review.
Bjos =*
