Cap 20 – Sem Segredos.
Já estávamos em setembro, o aniversário de Thiers estava próximo, mas não fariam nenhuma comemoração especial, só combinamos de ficar em casa de bobeira, o que alias nós fazíamos muito freqüentemente. Eu mal me lembrava do ultimo fim de semana que eu não havia passado na casa deles. Eu conseguia me sentir em casa e bem vinda lá dentro, a única coisa que me deixava inquieta era que eu ainda não havia visto o quarto de Kevin. Thiers me contou que Kevin nunca deixava ninguém entrar lá, nem mesmo Thiers havia entrado muitas vezes, o que me fazia pensar no que Kevin escondia lá dentro, e me deixava morta de curiosidade para ver.
Thiers e eu estávamos cada vez mais próximos, nós conversávamos madrugadas inteiras sobre o nosso assunto preferido: Kevin.
Eu sei, parece estranho. Eu sempre havia achado estranha a maneira como Thiers venerava Kevin, mas era impossível não aderir. Eu adorava falar sobre Kevin a noite toda, saber do que eles haviam passado antes, o que ele fazia hoje em dia, o que ele falava, o que ele pensava, como ele vivia. Porém esse nosso assunto era um tanto secreto, sempre que Hosun, Dan ou o próprio Kevin chegavam perto, eu e Thiers mudávamos de assunto. Porém isso era um segredo só na teoria, nós sabíamos que eles sabiam sobre o que, ou no caso quem, nós estávamos falando. E não demorei a descobrir que naquela casa não havia como guardar segredos. A casa era extremamente silenciosa, e os vampiros tinham a audição digna de um morcego, mas principalmente porque todos se conheciam muito bem para saber o que cada um estava pensando. A não ser eu, eu imaginava que ao passar dos anos eu deixaria de ter essa vantagem.
Thiers e Hosun nunca acharam estranho nem suspeito o meu grande interesse sobre Kevin, mas para Dan era diferente. Sempre que eu falava sobre Kevin, olhasse para ele, ou sequer abraçasse Thiers inconscientemente quando Kevin passava, Dan me observava pensativo, como se percebesse algo em mim que os outros não percebiam. E eu tinha medo disso, pois naquela casa não havia segredos, e logo a suspeita de Dan seria notada pelos outros, que conseqüentemente passariam a suspeitar também. Eu sabia que era questão de tempo.
25 de Setembro, o aniversario (real) de Thiers finalmente havia chegado. Foi quando ele me anunciou:
- Tem uma surpresa pra você em casa.
- Pra mim? Mas o aniversário é seu! – eu disse.
- Eu não ligo para aniversários. – Thiers disse sinceramente. – Nem precisa me dar presente.
- Mas eu quero dar. – eu discordei. Eu havia pensado muito no que eu poderia dar a Thiers de aniversário, e não consegui pensar em nada para comprar para ele. Então eu me lembrei de uma conversa sobre o Kevin que havíamos tido logo depois da noite na Goth House. Thiers estava me explicando o quanto significava para Kevin ser notado. O narcisismo dele se manteve ao longo dos séculos apesar da outras pessoas não poderem notar a sua beleza. E como se não bastasse, ele não podia ser como o narciso da mitologia grega, porque vampiros não tem reflexo. O quanto frustrante isso deveria ser pra Kevin eu não conseguia imaginar. Então me veio a brilhante idéia de dar a Thiers um retrato de todos eles. Eu pintei um quadro bem grande com Thiers, Kevin, Dan e Hosun. Eu tentei ser fiel aos verdadeiros, por isso tive que caprichar um pouco mais em Kevin, eu esperava que Dan não notasse isso, pois eu também me preocupei em dar a Thiers seu sorriso assustador, a Hosun a meiguice, e a Dan a comédia.
Chegando a casa de Thiers eu esperava encontrar Hosun e Dan animados com um Kevin contrariado gritando "surpresa" ao abrir a porta, com uma pequena comemoração de aniversario para Thiers, mas ao contrario disso encontramos a casa vazia. Ou pelo menos parecia desse jeito, cada um devia estar em seu próprio quarto.
Thiers me guiou até o seu quarto, me fez fechar os olhos antes de abrir a porta, e quando eu voltei a abri-los me deparei com o quarto de Thiers sem mais o estranho espaço vazio, pois agora lá se espremia...
- Uma cama? – eu perguntei confusa.
- È. – Thiers respondeu com seu sorrisso habitual. – Eu acho que não há porque você não vir morar conosco agora mesmo, você já passa a maior parte do tempo por aqui mesmo, não precisamos esperar a sua transformação. E como eu sei que você não ia querer dormir num caixão. – ele disse sorrindo, esperando a minha reação.
E eu não disse nada. Eu não sabia o que dizer. Tudo bem, talvez obrigada fosse o mais apropriado, mas eu não consegui dizer. Abri a boca, mas o som não saiu. Eu achava que estava pronta para chamar aquela casa de minha, mas não estava. Para Thiers parecia fácil, pois toda a família dele estava bem ali, mas eu não poderia deixar a minha mãe, assim, sem nenhum motivo. Eu esperava ainda poder passar alguns meses junto a ela.
- Bem vinda, Sam! – Hosun apareceu de repente, me abraçando e falando descontroladamente como sempre. – Eu disse para o Thiers comprar um caixão em vez de uma cama, pois a cama podia ser mal interpretada como um convite a sexo, mas ele não quis me ouvir e comprou essa coisa branca aí. Eu tinha visto um caixão branco na funerária tão lindo, acho que você gostaria dele, acho que nós ainda podemos trocar se você quiser mudar de idéia.
- E aí?? Quando você se muda?? – Dan perguntou, como se completasse o que Hosun iria dizer.
- E-eu...- eu tentava dizer. Então virei pra Thiers e disse. – Será que eu podia falar com você sozinha um minuto?
- Vixe...Acho que vamos indo. – Dan disse, virando as costas e guiando Hosun para sair com ele.
- Eu disse que ele devia ter comprado o caixão. – Eu ouvi Hosun dizer antes da porta se fechar atrás deles.
Me sentei na cama, e Thiers sentou-se ao meu lado confuso.
- O que foi?? – ele perguntou. – Não gostou?
- Não é isso. – eu tentei explicar. – Eu acho que ainda não estou pronta pra largar a minha vida humana. Eu quero dizer, eu gosto de todos vocês, mas eu tenho a minha mãe, a minha casa. Acho que eu não posso sair de lá até quando não for necessário.
- Tudo bem. – Thiers disse sorrindo, nada afetava o humor de Thiers. – Eu só queria ficar mais tempo perto de você. – ele disse me abraçando.
- Francamente, a gente tem a eternidade toda pela frente, a gente vai até cansar de ficar perto um do outro. – eu disse sarcasticamente.
Eu era caso perdido, nunca seria uma pessoa romântica.
- Desculpe. – eu me apressei a dizer. – Acho que estou passando muito tempo com o Kevin e estou ficando sarcástica demais. Sou tão pouco romântica quanto ele.
Thiers riu. Talvez fosse exatamente por isso que Thiers gostasse de mim, eu era a versão feminina de Kevin.
- Kevin é romântico. – Thiers disse com um sorriso travesso. E então acrescentou. – Do jeito dele.
- Ele é??? – eu perguntei interessada. Já estávamos no nosso assunto preferido de novo. O desconforto anterior já esquecido.
- Sim. – Thiers afirmou. – Você sabe que ele até foi trabalhar só pra comprar essa casa para mim?
- Kevin??? Trabalhando??? – eu perguntei desacreditada.
- Pois é. Ele arrumou um emprego noturno, antes de nós virmos para cidade, porque sabia que eu não iria querer morar pelas ruas e pelos os cemitérios como ele.- Thiers contou sorrindo. – Ele comprou os nossos primeiros caixões, e me sustentou por algum tempo, até eu finalmente me tornar vampiro.
- Kevin que paga o cursinho?? – perguntei.
- Não. Isso sou eu. – Thiers disse esperando a próxima pergunta. - Meus pais deixaram o cafezal deles para mim quando morreram, e eu deixei para o meu suposto filho quando morri, o que alias aconteceu aos 73 anos segundo o obituário que falsificamos. – Ele sorriu travesso. - E eu recebo algum dinheiro de lá até hoje.
- Nossa! – eu exclamei, impressionada com a história, mas ainda só com uma coisa na cabeça. – Então Kevin é romântico. Quem diria?
Thiers então, pela primeira vez me olhou suspeito.
- Porque quer saber disso? – ele perguntou. E eu soube que a suspeita de Dan finalmente havia atingido toda a casa.
- Na-nada. – eu gaguejei. – é só que ele não parece ser do tipo que...
Eu olhei pra baixo, sem saber o que dizer direito. Sem saber ao menos qual era a resposta sincera. Então eu vi o pacote que eu havia colocado aos meus pés, e aproveitei o momento para entregá-lo.
- Eu fiz pra você. – eu disse, o entregando.
Thiers pareceu esquecer o que estávamos falando por um momento, começando a desembrulhar o quadro. O papel de presente foi finalmente retirado e Kevin, Dan, Hosun e ele próprio o encaravam.
- É lindo. – Thiers disse com o sorriso assustador de sempre e olhos brilhantes. – Obrigado. – disse ele se virando pra mim e me dando um beijo. – Vou pendurar na sala! Todos vão adorar. Kevin vai amar! Ele ficou tão bonito. Meu sorriso é tão estranho quanto está aqui? – ele perguntou divertido.
- Seu sorriso é a marca da sua personalidade. – eu respondi sorrindo também.
- Eu te amo. – disse Thiers de repente, olhando profundamente em meus olhos, esperando alguma coisa, alguma coisa que não veio.
- E-eu....- eu comecei a gaguejar e parei.
O sorriso de Thiers então finalmente se quebrou. Eu nunca havia visto o sorriso dele se desfazer por nada.
- Dan estava certo. – ele disse tentando ler através dos meus olhos. – Você... não me ama.
- Eu não disse que...- eu comecei a dizer, mas ele me interrompeu.
- Todo o seu interesse em Kevin. Você não gosta de mim, você gosta dele! – Thiers concluiu triste.
- Não...e-eu....- eu tentei dizer de novo, mas simplesmente não queria sair. – E-eu...não sei. – eu respondi confusa.
- Não sabe? – Thiers perguntou ainda sem o sorriso, mas sem estar bravo, nem sequer alterado. – Eu acho que você terá que descobrir antes de se mudar para o meu quarto, não é? – ele perguntou bondosamente, mas eu percebia o semblante triste dele por trás das palavras gentis.
- Eu....tenho que ir. – eu disse rapidamente me levantando.
Saí de seu quarto, atravessei a sala, onde Dan e Hosun estavam.
- Sam. E aí? Vai trocar pelo caixão? – perguntou Hosun.
Eu nem ao menos respondi a ela ou dei qualquer satisfação, eu não suportaria olhar pra Dan e ver em seus olhos todas as suspeitas dele confirmadas. Saí da casa correndo, sem rumo, andei sem saber para onde estava indo, sem estar indo para nenhum lugar, sem saber para onde eu queria ir. Quando em uma espécie de deja-vú dei de cara com o cemitério.
Eu ainda me lembrava de quando eu fui inconscientemente para lá quando estava fugindo do fato de ser uma vampira. Será que eu estava fugindo de uma verdade novamente??? Eu gostava de Kevin ao invés de gostar de Thiers?
Era exatamente como da outra vez, a pergunta havia uma resposta óbvia que eu não conseguia enxergar. Caminhei por entre os túmulos tentando me decidir, Thiers ou Kevin, eu sabia que os sentimentos eram diferentes, eu nunca amei ninguém na vida, eu não sabia dizer quem era só meu amigo, e por quem eu era apaixonada. Mas eu podia considerar Kevin um amigo?
- "Amor e ódio andam juntos." – eu me lembrei de Thiers dizendo. Será que ele sabia a resposta esse tempo todo, antes mesmo de mim? Por isso ele disse essa frase, me fez passar um fim de semana sozinha com o Kevin. Será que esse tempo todo que eu achava que gostava de Thiers eu na verdade gostasse de Kevin??? O ciúme dele gostar de Thiers, dispersar a gótica que queria conhecê-lo. Tudo se encaixava.
Eu caminhei para a casa deles sabendo o que deveria ser feito, eu tinha que me desculpar com Thiers e pedir um tempo a ele, até eu saber qual era o real sentimento que eu mantinha por ele. Essa não seria uma conversa legal, e eu não estava ansiosa para tê-la.
Andei até a casa vagarosamente, entrei encontrando a porta destrancada e a sala vazia. Eu era obrigada a passar na frente da porta do quarto do Kevin para ir ao quarto de Thiers.
Passei pela porta do Kevin vagarosamente, com passos leves, a fim de que ele não pudesse me ouvir passar por ali. Naquela casa não existiam segredos, Kevin sabia das minhas dúvidas tanto quanto Thiers a esse ponto, e a última coisa que eu queria, pior do que ter que encarar Thiers, seria ter que encarar Kevin!
Percebi que a porta estava entre aberta. Tive um estranho impulso de abrir a porta, ou pelo menos de espiar lá dentro, mas logo retomei a consciência e ia seguir em frente quando:
- Samantha? – a voz de Kevin vinha de dentro do quarto.
Eu engoli em seco, sem saber se eu saia correndo ou enfiava a minha cabeça na terra como uma avestruz.
- Eu sei que você está aí. – ele disse lá de dentro. – Entre. – ele ordenou, e depois de um perceptível esforço ele disse mais baixo. - ... Por favor.
Kevin disse "por favor"??? Eu ouvi direito??? Será que eu alucinei isso pelo tamanho da curiosidade que eu tinha de saber como era o quarto dele?
Não. Minha mente é realista demais para criar algo tão fora do comum.
As minhas duas opções eram: sair correndo ou entrar.
No fundo eu sabia que na verdade não havia escolha, eu tinha que entrar no quarto.
Empurrei a porta devagar, o que a fez ranger mais do que faria se a pessoa abrisse a porta normalmente, e entrei no aposento. A janela estava aberta e trouxe um vento que fez a porta se fechar atrás de mim.
O quarto de Kevin era surpreendentemente comum. As paredes eram brancas, tinha um armário claro ao lado bem grande, e atrás da porta tinha um cabide com uma bolsa e algumas roupas penduradas, um quadro claro com dizeres em japonês, que eu não sabia o significado, e um caixão, também branco em que ele provavelmente dormia, que era a única coisa que mostrava que aquele quarto não era de uma pessoa normal. Apesar disso um item do quarto me deixou mais intrigada do que todo o resto. Havia um grande espelho no centro de uma das paredes.
Kevin estava apoiado de costas pra mim na janela do quarto que tinha grossas cortinas pretas de veludo, olhando a paisagem. As luzes do quarto estavam apagadas, então a única luz vinha da janela, dos postes da rua lá fora. Eu não tinha certeza se eu deveria dizer alguma coisa, ou esperar ele dizer. Antes que eu conseguisse decidir isso, Kevin decidiu por mim. Como sempre fazia.
- Você gosta de mim? – ele perguntou rápido, e ao mesmo tempo calmo.
Fiquei em choque com o quanto direto ele foi. Claro que Kevin não era do tipo que dava voltas para fazer alguma coisa. Mas a pergunta, ainda assim, me pegou de surpresa. Eu comecei a suar frio.
- O-o que??? – eu perguntei gaguejando ridiculamente. Eu desejei não ter entrado no quarto, desejei que eu não estivesse tão longe da porta agora, e que ela não estivesse fechada. E principalmente, eu desejei que ele não se virasse para me encarar.
Mas ele o fez, lentamente. Ele primeiro se virou de lado, olhando para o chão, dando um longo e cansado suspiro. Eu podia ver o seu semblante com a iluminação que vinha de fora da janela. Então ele se virou por completo e finalmente olhou pra mim, com olhos expressivos, de que se importava.
- Você...- ele começou a dizer pausadamente, se aproximando cada vez mais de mim. – Gosta...- passo a passo. – De mim? – enquanto eu inconscientemente ia pra trás.
Então eu senti as minhas costas atingirem a porta fechada atrás de mim. Kevin continuava se aproximando. Meu coração batia disparado, e com o silencio que se seguia, eu podia jurar que ouvia as batidas altas ecoando por todo o quarto. Meu coração era o único que ainda batia. Ele estava perigosamente perto, sem nunca deixar de olhar pra mim, sua respiração já se misturava com a minha. Eu estava me desesperando.
- er....eu... – eu tentei dizer. Mas então ele apoiou uma mão na porta atrás de mim, me cercando. Eu me espremi o máximo o possível na porta, mas ele ainda estava muito perto, e cada vez mais perto. Então ele foi devagar fechando os olhos, e encontrou os lábios dele com os meus.
Eu nem sequer fechei os olhos. O choque foi tão grande. Por um momento eu acreditei que o meu coração tinha parado definitivamente de bater para sempre! Kevin era cerca de dois centímetros mais baixo que eu, e estava com os olhos fechados bem apertados, com os lábios colados nos meus, enquanto eu não tinha reação nenhuma.
Então, ele finalmente relaxou as pálpebras, ficando com os olhos fechados mais suavemente, afastou sua boca um milímetro da minha, e entreabriu os lábios. Eu entreabri os meus também, não sei se por choque, ou porque não estava mais conseguindo respirar. Mas então ele me beijou novamente, colando o corpo dele no meu, que não tinha para onde me mover mais. Eu finalmente fechei os olhos quando senti sua língua se confundir com a minha, correspondendo ao beijo sem ter muita certeza do que estava fazendo.
Quando nós paramos, eu abri os olhos rapidamente, atenta, e pude ver que Kevin abria os olhos também, só que vagarosamente, até me olhar enfim. Ele ainda estava com a mão encostada na porta, usando seu peso contra mim.
Ele então inesperadamente sorriu divertido, com seus dentes brancos e perfeitamente retos. Eu nunca tinha visto Kevin sorrir abertamente. Seus olhos se estreitaram um pouco por isso, e tinham um brilho diferente.
- Você não gosta de mim. Não é??? – ele perguntou sorrindo travessamente.
Tentei pensar em uma resposta conclusiva, quando finalmente eu entendi o que era o brilho no olhar de Kevin, e o que o seu sorriso significava. Ele sabia antes de eu mesma saber, antes de eu dizer a resposta.
- Não...– eu disse confusa, só percebendo isso agora, chocada, mas com absoluta certeza de que essa era a resposta certa.
Kevin deu então um sorriso sincero, sem dentes. Afastando-se um pouco de mim, me livrando de seu peso. Então colocou a mão que não estava encostada na porta nas minhas costas, e abriu a maçaneta da porta.
- Então você já sabe o que fazer agora. – Kevin disse ainda sorrindo, quase contente.
Eu saí do quarto dele por osmose, ele fechou a porta rapidamente, quase na minha cara, na verdade, chocada com tudo que havia acontecido, mas com uma certeza que eu nunca havia sentido do que eu deveria fazer a seguir.
Fui um tanto cambaleando e ofegante em direção ao quarto de Thiers. Abri a porta sem bater e sem pedir licença.
Thiers estava sentado na cama com a cabeça apoiada nas mãos. As cortinas grossas pretas estavam quase completamente fechadas, fazendo com que apenas um feixe de luz iluminasse sua figura triste.
- Thiers...- eu chamei. Ele levantou a cabeça, reconhecendo a voz, se levantando em seguida, inseguro. Minha voz saiu sufocada, vacilando, mas com uma veracidade indiscutível. – E-eu...amo você...
Visivelmente isso não era o que Thiers esperava ouvir. Ele arregalou os olhos, e não sorriu como geralmente fazia. Então eu me aproximei dele, e o beijei.
Coloquei os braços ao redor do seu pescoço, e ele então envolveu a minha cintura, me segurando puxando forte junto a ele, nos fazendo cair na cama que estava mais atrás.
[Love Song – The Cure]
" Sempre que eu estou sozinho com você,
Me faz sentir
Como se estivesse em casa novamente
Sempre que eu estou sozinho com você,
Me faz sentir como se estivesse completo novamente
Embora a distância,
Eu sempre amarei você
Por mais longe que eu esteja,
Eu sempre amarei você
O que quer que eu diga,
Eu sempre amarei você,
Eu sempre amarei você."
N/A: Okay... Não me matem x.x
Planejei q seria Thiesr e Sam desde o cameço, mas Kevin foi me consquistando, e acabei convencendo todo mundo do quanto ele é legal ^^'
Eu tb queria Kevin e Sam, costumo torcer pelos casais alternativos, aqueles q nao acontecem. Sou obsecada pela ideia de amor platônico!
Mas pelo menos pude colocar um beijo deles *-*
Espero que tenham gostado, ainda assim ^^ E aguardem para saber mais sobre kevin!
Bjos.
