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Vai!

Kevin (L) Hosun =X


Cap 25 – Emboscada.

- Aaahh! O que foi que me entregou?

Virei-me assustada no mesmo momento, dando de cara com uma Hosun parada meigamente perto da escada, usando uma blusa amarela cheia de sangue.

- Hosun!! – eu exclamei e corri até ela. – Você está bem? Você fugiu? Eles fizeram algo com você? – eu perguntei preocupada que eles a tivessem machucado.

Antes que ela conseguisse responder Thiers e Kevin exclamaram juntos:

- Hosun! – eles disseram em uníssono em tom de repreensão, zangados.

- Oi gente. – ela disse como se não tivesse feito nada. – E aí? Sentiram a minha falta?

- Como você pode fazer uma coisa dessas com a gente, hein? Ficou louca? Perdeu o juízo completamente? – Kevin tomou a palavra, falando sem nem parar para tomar fôlego. – Você sabe que estamos em uma situação delicada, que estamos desconfiados e com medo, sem saber onde você estava, e você ainda faz uma brincadeira sobre o próprio seqüestro?? Sabe o quanto nós ficamos preocupados???

- Então você ficou preocupado? – ela perguntou esperançosa.

Kevin ficou sem graça por um momento, mas logo disfarçou e se recompôs, lançando seu olhar de desprezo a Hosun, que pareceu contentíssima.

- Desculpa gente, mas é que eu não resisti. – ela disse sorrindo. – Quanto tempo faz que eu não prego uma boa peça em vocês?

- Porque você está coberta de sangue?? – eu perguntei preocupada que algo lhe tivesse acontecido.

- Ahhh... – ela disse examinando sua blusa. – É, isso foi quando eu ataquei a humana...

- Você não atacou qualquer humana, Hosun! – disse Thiers bravo. – Você atacou a Maria! Ela que cuida dessa casa. Agora como eu vou explicar a morte dela ao povo que vêm trabalhar amanhã? Hein?? Você ignorou totalmente as regras da caça!

- Desculpa Thiers, eu não sabia quem era ela. – disse ela fingindo se sentir mal, mas visivelmente não sentia. – Eu estava há dias sem me alimentar e você sabe como eu fico nessas situações. – então ela se virou pra mim e perguntou confusa. – E porque você está coberta de sangue?

- Eu ainda não aprendi direito, sabe? A me alimentar como vampira... – eu disse envergonhada.

- Não se preocupe. A maioria das pessoas demora um pouco a aprender...– disse Thiers bondosamente.

- E tem pessoas que nunca aprendem... – se manifestou Kevin do seu canto. Primeiro achei que ele estava me provocando, mas vi que seu olhar sarcástico estava pousado em Hosun, a provocação havia sido para ela.

Hosun sorriu travessamente para ele em reposta.

- E então. Como você escapou?? – perguntei, aparentemente eu era a única que não estava zangada com ela.

- Aaahh, foi muito fácil. Eles são bem burros na verdade. Eles me colocaram sozinha na traseira de uma van, sem ninguém vigiando! Tinha só dois vampiros, um dirigindo e outro no banco ao lado, mas tinha uma divisória entre o porta-malas e a cabine do motorista. Então quando estávamos há um tempo andando eles fecharam essa divisória. Eu peguei meu grampo de cabelo, abri o porta-malas e pulei! Eu sabia que vocês viriam pra cá, então peguei um ônibus e aqui estou eu! – ela terminou com um sorriso vitorioso.

- Você saltou de um carro em movimento? – eu perguntei.

- Sim. Isso é fácil quando se é vampira. Alias você já é vampira agora né??? Parabéns Sam! E feliz aniversário atrasado!

- Obrigada. – eu agradeci sinceramente, era a primeira vez na vida que eu apreciava ouvir parabenizações de aniversario.

A postura zangada de Thiers em relação a Hosun não durou muito tempo. Já Kevin continuou emburrado, mas isso não era muito diferente do que ele era normalmente, mas seu mau humor definitivamente melhorou agora que Hosun estava a salvo. Hosun ficou incumbida da tarefa de limpar a parede e o chão sujos de sangue e de enterrar o corpo de Maria nos fundos da casa, como punição da sua brincadeira. Eu troquei de roupa e sem nem ao menos perceber caí no sono, de tão cansada que eu estava.

Eu tive um sonho estranho. Sonhei que eu morava numa versão mais nova daquela casa, que eu trabalhava no cafezal todas as manhãs, e que durante a noite eu olhava entristecida pela janela, esperando que a vida tivesse algo mais.

Acordei brevemente e abri só um pouco os olhos, percebi que estava deitada em uma cama, Thiers estava dormindo na cama ao lado e Hosun em outra mais à frente. A última coisa que eu vi foi Kevin que ainda estava acordado, de pé perto da porta vigiando.

Dormi novamente e sonhei que passeava em meio ao cafezal durante a noite, vendo a lua cheia e muitas estrelas no céu, respirei fundo sentindo o cheiro diferente que a noite tinha. Senti como se eu já tivesse feito aquele passei noturno muitas vezes. Eu me sentia feliz, eu adorava a noite.

Ouvi um barulho de algo se movendo dentro do cafezal. O mato era alto então eu não podia ver o que estava lá. Ouvia passos se aproximando, folhas sendo afastadas por mãos. Sentia medo e ao mesmo tempo ansiedade para o que iria acontecer a seguir, meu coração batia disparado. Os passos estavam muito próximos agora, então eu conseguia ver a silhueta de alguém por entre as folhas, uma silhueta branca e masculina. Quando a pessoa finalmente saiu do meio da plantação e a luz da lua a iluminou, vi que era Kevin que me encarava.

- Quem é você e o que está fazendo aqui? – perguntei com uma voz que não era minha. Uma voz grossa masculina que eu conhecia muito bem. Foi quando eu percebi que eu era Thiers.

- Calma. – disse Kevin, levantando as mãos, mostrando que não faria nada. – Eu sempre te vejo passeando por aqui durante a noite, então pensei em vir até aqui hoje e me apresentar. Sou Kevin, e você? – Kevin disse com uma pose diferente da usual. Ele parecia seguro de si e elegante como sempre, mas sem a arrogância e mau humor, ao invés disso ele sorria gentilmente.

- Thiers. – este respondeu. Kevin lhe estendeu a mão, que foi apertada por Thiers. – Nossa. Você é gelado que nem os mortos! – Thiers disse brincalhão.

- É. Eu costumo ser um pouco frio. - Kevin sorriu brevemente e logo perguntou. – Então, porque você vem andar por aqui a essa hora da noite?

- Ah, eu adoro a noite! – disse Thiers. – Eu trabalho aqui durante o dia, e é bonito, mas não tanto quanto é à noite.

- Entendo o que quer dizer. – disse Kevin sorrindo. – Também gosto de fazer passeios noturnos.

- E você? Mora por aqui? – Thiers perguntou.

- Sim. – disse Kevin, sem especificar onde. – Nós poderíamos nos encontrar qualquer noite dessas. – ele disse casualmente.

- Isso seria legal. – concordou Thiers. Então luzes se acenderam na varanda da casa que estava mais à frente, Thiers olhou preocupado, sua mãe deveria ter percebido que ele não estava na cama. – Tenho que ir agora. Tchau!

E dizendo isso ele correu a toda a velocidade para a casa, esperava não levar uma bronca muito grande de sua mãe.

- Tchau...- ele ouviu Kevin responder. Sentiu-se feliz por tê-lo conhecido.

Acordei de novo quando houve uma mudança de turno. Kevin havia se deitado na cama que antes estava Thiers, enquanto este agora fazia a vigia.

Então eu era Thiers de novo, e estava olhando pela janela daquele mesmo quarto em que me encontrava. Olhava pela janela ansioso por algo. Então ele surgiu! Kevin saiu do meio do cafezal com toda sua pose elegante e olhou para cima, encontrando Thiers o olhando, lhe fez um sinal para que ele descesse. Thiers arrumou travesseiros em baixo das cobertas, e desceu pela janela animado ao encontro de Kevin.

Acordei definitivamente quando já era noite. Todos já estavam despertos e conversavam baixinho perto da mesma janela do meu sonho. Hosun me viu sentar e logo falou:

- Desculpa, Sam. Nós te acordamos?

- Não, não. Acho que dormi demais mesmo. Eu tive uns sonhos estranhos. – eu confessei.

- Ahh é?? O que você sonhou? – perguntou Hosun vindo até onde eu estava, sentando-se ao meu lado.

- Eu sonhei que eu era o Thiers. – eu contei. – E que eu estava no meio do cafezal, e então o Kevin apareceu.

Thiers me olhava sorridente, como se já soubesse que isso fosse acontecer, Hosun me olhava ansiosa, como se esperasse que eu revelasse a fofoca da vez, e Kevin parecia envergonhado.

- O que foi? – eu perguntei notando o estranho comportamento.

- Eu esqueci de te contar. – Thiers disse. – Quando nós mordemos outro vampiro nós ficamos com algumas lembranças deles.

Agora fazia sentido!

- Então, foi assim que vocês se conheceram? – eu perguntei curiosa.

- Sim. – disse Thiers sorrindo.

- Conta mais, Sam. O que mais você sonhou?? – Hosun perguntou interessada.

- Não, não. Vamos parar por aí. – disse Kevin desesperado, pondo fim ao assunto.

Ficamos preocupados com Dan que ainda não havia dado noticia, ele ainda não sabia que Hosun estava sã e salva. Tentamos ligar várias vezes para o celular dele, mas sempre dava caixa postal. Imaginávamos o que podia ter acontecido, e torcíamos para que ele estivesse bem, esperando ansiosamente que o telefone tocasse.

Quando ele finalmente tocou, todos fomos correndo até ele para atender. Hosun chegou primeiro e o pôs no viva voz:

- Alô? – a voz de Dan foi ouvida por todos da sala.

- Daaaan! Eu escapei! Estou aqui com eles, onde você ta?? – perguntou Hosun preocupada.

- Percebi que você tinha fugido há um tempo. – ele disse, mas sua voz tinha um tom apressado e urgente. – Era uma emboscada, Hosun! Eles queriam que você fugisse, um deles seguiu você para saber onde a Sam está! Os outros estão a caminho. Fujam! Eu encontro vocês...- mas antes de Dan terminar o que dizia a ligação caiu.

- DAN!!! DAAAN! – Hosun gritava com o telefone. Então se pôs a discar o número do celular de novo, mas deu caixa postal.

- Deve ter acabado a bateria. – disse Kevin tentando tranqüilizá-la.

- Você não pode ter certeza!!! – ela dizia começando a chorar, continuando a discar histericamente.

- O celular estava quase sem bateria quando ele saiu. Por isso eu disse para ele deixar desligado e que só ligasse quando tivesse noticia sua. – disse Kevin tentando ter paciência.

- Aaaah... É tudo culpa minha, agora?? – disse Hosun jogando o telefone longe. Ela chorava e gritava com Kevin ao mesmo tempo. – Porque você não foi atrás de mim, hein? Se você tivesse ido ele não estaria morto agora!

- ELE NÃO ESTÁ MORTO! – Kevin gritou para ela de volta, com raiva. Conforme eles gritavam, se aproximavam como se quisessem estrangular um ao outro.– Eu queria ter ido atrás de você, mas Thiers me pediu para...- Hosun não o deixou terminar.

- QUERIA NADA! – ela gritou com o rosto muito próximo ao dele. – Você não liga pra ninguém a não ser o Thiers. Você não liga pra segurança da Sam, pro meu irmão possivelmente morto e principalmente, você não liga pra MIM! – ela vociferou com mais raiva do que eu nunca havia visto antes. E ela estava pronta para continuar gritando se Kevin não a tivesse calado...a beijando!

Eu não tinha certeza se ele a havia beijado porque queria provar que se importava com ela, ou só para fazê-la calar a boca. Talvez fosse um pouco dos dois ou talvez ele apenas quisesse beijá-la.

Kevin mantinha uma mão na cintura dela e uma na nuca para impedir que ela se soltasse. Não que ela parecesse querer se soltar, muito pelo contrário, ela havia se agarrado ao pescoço dele e correspondia o beijo com entusiasmo, quase violentamente.

Thiers e eu nos entre olhamos com a boca aberta em choque e olhos arregalados. Então nos viramos para ir a cozinha, afinal precisávamos discutir sobre o que o Dan havia falado, e Kevin e Hosun precisavam de privacidade.

- Para onde vamos agora?? – eu perguntei preocupada. – Um deles já deve estar aí fora, e Dan não disse quanto tempo eles iam demorar pra chegar.

- Vamos ter que correr! – disse Thiers igualmente preocupado. – Pelo o que Dan disse por enquanto só tem um aqui, e nós somos em quatro, então ele não vai querer lutar com a gente.

- E o Dan?? Você acha que ele está bem?? – perguntei.

- Sim. Dan sabe se cuidar muito bem. – ele me tranqüilizou. – Você ouviu o som de ônibus?? Acho que ele está vindo pra cá. Provavelmente Kevin está certo e a bateria do celular acabou mesmo.

- Kevin geralmente está certo. – eu tive que admitir.

- Então vamos arrumar nossas coisas. Pegue pedaços afiados de madeira, nós os usaremos como estacas se tivermos a oportunidade.

- Mas para onde vamos??? – eu perguntei. Mas não foi Thiers que me deu a resposta.

- Para onde eu costumava morar. – disse Kevin as minhas costas. Me virei e o vi encostado no portal da cozinha de braços cruzados, tentando sem sucesso fingir que nada havia acontecido entre ele e Hosun. Esta estava um pouco atrás dele, ainda no corredor, visivelmente envergonhada.

- Er....Tudo bem. – eu disse me retirando, tentando segurar o riso ao passar por eles.

Arrumamos tudo muito rápido e nos preparamos para sair. Apagamos todas as luzes e esperamos no escuro a fim de ouvir algum barulho.

Silêncio.

Kevin abriu a porta dos fundos com um chute e saiu correndo na frente, com Hosun em sua cola, virando a esquerda da casa. Ao mesmo tempo saímos Thiers e eu, e viramos para a direita. Assim o vampiro que viera sozinho não poderia seguir aos quatro ao mesmo tempo.

Demos a volta na casa e entramos dentro do cafezal ao mesmo tempo, indo sempre em frente e a procura do centro. Logo nós quatro nos encontramos, seguindo respectivamente Kevin, Hosun, eu e Thiers.

Pulamos várias cercas, passamos por diversas plantações, entre cítricos, cana-de-açúcar e café, até atingirmos uma mata alta e fechada, cheia de arvores, até o ponto de não ser possível ver o céu estrelado. Paramos quando já estávamos bem infiltrados nela. Kevin parecia procurar alguma coisa.

- Onde estamos? – perguntei.

- Em uma parte da Mata Atlântica. – Kevin disse. – Mas estou procurando um lugar especifico.

- Na Mata Atlântica? Vai ser difícil achar alguma coisa! Seria difícil até achar a saída daqui a esse ponto. - eu disse cansada. – Sempre ouvi dizer que a mata atlântica é extremamente fechada.

- É por isso que é um ótimo esconderijo...- Kevin disse farejando o ar. – Por aqui.

Todos o seguimos. Andamos por mais alguns minutos até vi uma parede de rocha a minha frente. Era uma caverna.

- Lar, doce lar! – Kevin disse sarcástico.

Mais uma vez senti verdadeira admiração por Kevin. Ele realmente havia morado pelo mundo todo, e pensava rápido. Estaríamos abrigados do sol, e tão infiltrados na floresta que era impossível que alguém que não fosse Kevin soubesse que aquele lugar existia. Mas eu via uma grande falha nesse plano, sem comunicação alguma com o mundo lá fora, como Dan, se é que estava vivo, poderia nos encontrar?

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"Preparar, aprontar, vai!
É hora de correr
O céu está mudando, nós somos um
Juntos podemos fazer isso
Enquanto o mundo está desabando
Não dê as costas!Nós estamos olhando pra trás de novo
Nossa solidão e dor
Nunca estiveram tão acordadas"

[Ready, Set, Go! – Tokio Hotel]