N/A: Esse capitulo é um pouquinhooo confuso, principalmente pelo flashback logo no começo, mas acho q dá pra entender ^^

Espero que sejam esclarecidas todas as dúvidas e que gostem ^^

PS: Tem outro N/A no fim do capitulo, nao deixe de lê-lo.


Cap 27 – (In)dependência.

[Flash back]

Corríamos a toda a velocidade através das plantações. Durante o longo percurso tudo o que eu conseguia pensar era como alguém poderia ser mais forte do que Kevin, quando me dei conta de que eu mesma o havia enfraquecido tomando o seu sangue, e a culpa seria minha se ele morresse. Hosun, Dan e principalmente Thiers nunca me perdoariam por isso. Eu nunca me perdoaria por isso.

Já estávamos no cafezal da família de Thiers quando encontramos um corpo de um vampiro carbonizado pelo sol jogado lá no meio. Era difícil reconhecê-lo pelo grau da queimadura, achei por um momento que era o corpo de Kevin. Alívio, não era ele.

- Esse é o vampiro que seguiu a Hosun! – Dan disse o reconhecendo.

- Então agora eles estão só em quatro!!! – Hangye disse.

Continuamos correndo até a casa. Hangye e Dan entraram pela porta da frente e Hosun, Thiers e eu pela dos fundos silenciosamente. Hosun e Hangye se puseram a lutar contra Andrey, enquanto Thiers e Dan lutavam com os outros dois. Eu os deixei, subindo as escadas para o andar de cima, eu sabia o que eu devia fazer e exatamente com quem eu deveria lutar. Entrei na primeira porta que vi a minha frente, a porta se fechando atrás de mim, era um quarto, mas não havia ninguém lá, teria que tentar o seguinte, ela deveria estar em algum deles! Talvez eu encontrasse Kevin! Eu esperava encontrar Kevin com vida! Não conseguia ouvir nada o que acontecia lá em baixo.

Mas antes de eu conseguir concluir o pensamento ou dar se quer um passo a mais, a maçaneta do quarto se mexeu. Uma vampira alta e esguia de cabelos pretos entrava no quarto, distraída. Eu simplesmente soube que ela era Elizabeth em menos de um segundo.

Pulei contra ela com a mesma ferocidade que Kevin costumava usar, a imprensando contra a porta, agora fechada.

[Fim do Flash back]

- Olá vovó. Sentiu saudades? – perguntei usando o meu melhor tom sarcástico.

Os olhos dela encontraram os meus. Olhos arregalados, surpresos, curiosos...raivosos. Eu conhecia aqueles olhos, eu os havia visto naquela mesma noite. Eu os havia visto na lembrança de Kevin.

- O que pensa que está fazendo? – ela disse se livrando do aperto. Ficamos nos rondando pelo o quarto, uma esperando a outra atacar. Apesar de eu ser recém transformada e sem ter bebido muito sangue, eu tinha um estimulante poderoso: Ódio!

O ódio que eu sentia se transformou em uma força sobre-humana. E eu tinha ódio e uma causa, agora ainda maior.

- Sabe vovó? Eu aprendi hoje que se você morde um humano e não toma o sangue até a última gota, ele se torna um vampiro. – eu disse com ironia. Vi pela expressão de Elizabeth que ela entendia perfeitamente que eu me referia a Kevin.

- Vai me matar, Samantha? – ela disse com o mesmo tom de ironia. – Ele não é nada seu, e eu sou sua vó, sua família! Ainda que você não goste...– ela tentou apelar para o sentimentalismo. Ela não me conhecia, sentimentalismo não me afetava, sempre fui uma pessoa fria. E eu nunca havia sentido tanto ódio. O ódio dela não era maior que o meu.

- Não me venha com essa história de vovozinha. Eu sei muito bem que nessa história você é o lobo mau. – eu disse por fim. E a ataquei novamente, dessa vez mantendo ela imobilizada na parede.

- ANDREY! – Elizabeth finalmente gritou por socorro, percebendo que eu realmente estava disposta àquilo, que se ela não saísse daquele quarto naquele momento, eu é quem iria matar ela, e não o contrario como ela havia planejado há tanto tempo: pelos últimos vinte anos.

- Ninguém virá te socorrer. Meus amigos estão cuidando deles. – eu disse demonstrando uma confiança que eu não sentia. Eu não sabia quem havia levado a melhor lá embaixo. Ouvi passos subindo as escadas, se fosse Andrey ou um dos outros seguidores dela eu estaria morta. Eu tinha que agir logo, pelo menos se eu morresse, ela também morreria.

Segurei os seus dois braços com uma só mão e em um movimento rápido peguei o pedaço de madeira afiado em forma de estaca que levava dentro do meu casaco e com toda a força que possuía o enfiei no coração da vampira a minha frente.

Um grito agudo fora ouvido por toda a casa e o sangue dela pintou a parede e começava a escorrer por todo o chão. Eu estava com tanta sede que não sobraria uma gota para contar a história. Pensando bem, o sangue dela me contaria a história: Que lembranças horríveis eu teria dela?

A porta foi aberta com um estrondo.

- Sam?? Você está bem?? – perguntou Thiers entrando pela a porta, me encontrando debruçada sobre o corpo sem vida.

- Sim. – eu respondi, completamente banhada pelo sangue de Elizabeth. Sangue eu nunca consideraria meu sangue. Sangue que agora corria pelas minhas veias.

Ainda tinha que aprender a me alimentar sem fazer sujeira.

.

Quando estávamos na rodoviária de Avaré prontos para comprar a passagem de volta para casa, Dan nos surpreendeu.

- Eu não vou voltar.– ele disse.

- COMO ASSIM? – perguntou Hosun histericamente.

- Está na hora de mudar. Eu estive tanto tempo parado que eu nem me lembrava de que existia mais no mundo! Esses últimos dias me fez perceber que eu estava infeliz, que eu ainda estou vivo e que tenho muitas coisas para conhecer. – antes que alguém pudesse dizer algo ele acrescentou. - Hangye já concordou em ir comigo. – Dan disse, então se virou apenas pra Hosun. – Agora você está crescida, Hosun. Não precisa mais de mim, então eu posso pensar em mim mesmo.

- Não Dan! Eu não vou deixar você ir!! – ela disse abraçando ele, como se pudesse impedi-lo a força de partir.

- Não Hosun....Sou eu que estou deixando você ir. – Dan disse. Hosun o soltou surpresa. Ela estava livre da proteção do irmão, livre para seguir o caminho que quisesse.

- M-Mas pra onde você vai?? – Hosun perguntou em tom de choro.

- Pra qualquer lugar! Não importa muito.– ele respondeu com olhos brilhantes de excitação. - Vou descobrir o mundo!

.

Thiers e eu estávamos sentados lado a lado em poltronas do ônibus da 00:45. Hosun e Kevin estavam no banco de trás, Hosun chorava baixinho enquanto Kevin já recuperado tentava consolá-la sem o mínimo jeito.

- Ainda não acredito que Dan foi embora. – eu disse para Thiers num sussurro.

- Dan sempre teve um espírito aventureiro, mas tinha que cuidar de Hosun. Agora ele percebeu que precisa mais. – disse Thiers pensativo. – Agora só falta Hosun perceber que não precisa mais dele também.

- Eu bem que queria conhecer o mundo! – eu disse-lhe em tom sonhador, como uma indireta.

- Você quer?? – ele perguntou. – Porque não disse antes? Poderia ter ido com Dan e Hangye! Tenho certeza que eles gostariam de ter companhia.

- Não quero ir com eles. – eu respondi. – Quero ir com você! – eu disse deixando as indiretas de lado.

Thiers ficou sem graça por um momento e então disse.

- Eu te disse uma vez...Dan sempre foi mais rebelde do que eu... – ele disse sem graça. – Eu não teria coragem de abandonar Kevin...Principalmente agora que Dan acaba de deixá-lo...

- Dan percebeu que Hosun não precisava mais dele, está na hora de você perceber que Kevin não precisa mais de você. – eu disse indicando Kevin e Hosun sentados atrás de nós. – E que você não precisa mais dele. – eu acrescentei sabendo que essa era a pura verdade.

.

.

.

Haviam se passado alguns dias desde que havíamos derrotado Elizabeth e seus seguidores. Minha mãe, Rossana, finalmente podia respirar aliviada, como não fazia há 20 anos, e finalmente podia seguir com sua vida, ou ainda melhor: recomeçar sua vida. Dan ainda estava viajando e não sabíamos o seu paradeiro, mas tínhamos absoluta certeza de que aonde quer que estivessem, ele e Hangye estavam bem... e felizes.

Eu estava com as malas prontas, havia chamado um táxi que me levaria ao aeroporto e de lá eu decidiria para que lugar do mundo iria a seguir. Mas antes eu precisava fazer algo.

Eu estava na porta do quarto de Kevin, tomando coragem para bater. Dei três toques e esperei.

- Entre. – a voz de Kevin falou através da porta.

Abri e entrei no aposento, ele estava sentado em uma poltrona preta perto da janela, lendo um livro. O mesmo livro que eu costumava ler no cursinho quando os conheci.

- Esse livro é muito bom. – eu disse para chamar-lhe atenção, que até então não havia tirado os olhos do livro.

- Aaah. – ele exclamou, olhando finalmente pra mim. - È você.

- Eu vim me despedir. – eu disse. – E agradecer...- eu acrescentei sem graça. - ....por tudo!

- Foi você que derrotou Elizabeth. - Kevin disse dando de ombros. – Não tem pelo o que agradecer a mim.

- Tenho sim. – eu discordei. – Agora eu entendo que você tinha motivos gigantescos para não gostar de mim, mesmo que não soubesse que eu era de certa forma parente da vampira que te transformou. E mesmo assim você me ajudou tanto! Me defendeu, me deu um teto, até me ajudou a ficar com Thiers, embora você gostasse dele...

- Eu quero que ele seja feliz. – Kevin disse com simplicidade, me interrompendo.

- Eu sei... Eu também. – eu disse, tentando retomar o pensamento. – Mas também quero que você seja feliz. Sei que não é fácil pra você se separar dele, principalmente por ser por minha causa, que tecnicamente não sou da família e...

- Você é da família. – Kevin me interrompeu novamente. – Isso é inegável agora!

- Pior que é verdade. – eu disse rindo nervosamente. – Isso é tão irônico! Elizabeth sendo a minha vó e a sua criadora... É como se você fosse meu tio!

- Não estava me referindo a esse tipo de parentesco. – Kevin disse sem olhar pra mim, olhava para a capa do livro fechada. – Não gosto de pensar desse jeito, se fosse assim Thiers seria meu filho. E seu primo.

- E Hosun seria sua neta! – eu disse seguindo o raciocínio. – Tem razão, é melhor não pensar assim.

Kevin então voltou sua atenção ao livro, o abrindo na página que estava marcada, como se fosse um sinal para eu sair, mas eu continuei firme.

- Você acha que existe alguma relação as nossas personalidades tão parecidas entre si, com Elizabeth e tudo mais?– eu perguntei. - Ela também era bem egocêntrica.

- Prefiro pensar que não levo nada dela. Nós temos controle total sobre as nossas personalidades. Eu não sou como ela. – ele disse, então tirou a atenção do livro e finalmente olhou para mim. – E nem você.

- Obrigada. – eu disse sabendo que esse era o maior elogio que Kevin poderia me fazer no momento. Ele finalmente me aceitava, eu era oficialmente parte da família agora. Eu não havia ficado com nenhuma lembrança de Elizabeth, pois quando bebi seu sangue ela já estava morta, achei melhor que fosse assim, a lembrança que eu tinha dela e Kevin já me perturbava o bastante.

Ouvimos então um carro parando em frente a casa seguido por uma buzina.

- O táxi chegou. – eu anunciei. – Nós vamos sentir sua falta. – eu confessei sinceramente, então me virei para a porta saindo.

- Eu também. – Kevin respondeu em um sussurro, como se não tivesse pretendido dizê-lo em voz alta.

Kevin e Hosun me acompanharam até a porta. O taxista colocou a bagagem no porta-malas enquanto eu entrava no táxi. Thiers já estava lá dentro.

Espiei Kevin e Hosun pela a janela do carro, e vi que Kevin segurava a mão dela discretamente, a deixando extremamente encabulada. Quando o carro deu a partida eu disse a Thiers, enquanto acenava para Kevin e Hosun:

- Acho que às vezes amor e ódio realmente andam juntos.

Thiers sorriu entendendo o que eu queria dizer. Ele olhou pela janela Kevin e Hosun se afastando, e então se voltou para mim de novo.

- Particularmente agora gosto mais do ditado "Os opostos se atraem". – ele disse divertido.

- Verdade. Esse se aplica aos dois casos! – eu disse sorrindo.

- Pra onde vamos agora? – Thiers perguntou com meu sorriso assustador preferido.

- Pra qualquer lugar! - eu respondi imitando a fala de Dan, abraçando Thiers em seguida. – Realmente não importa muito...

.

Paradoxalmente Thiers teve que aprender a ser mais independente, enquanto eu tive que aceitar não ser tão auto-suficiente, que eu podia confiar nas pessoas, que não precisava ser tão sozinha. Thiers finalmente entendeu que não precisava ser tão dependente a Kevin, da mesma forma que Dan percebeu que Hosun não era mais dependente a ele, da mesma forma que Kevin percebeu que era hora de deixá-los ir. Cada um finalmente havia encontrado a onde pertencia e seguido seu próprio caminho. Eu e Thiers seguíamos o nosso agora, e talvez, se tivéssemos sorte, poderíamos encontrar Dan e Hangye nesse caminho.

Todos voltaríamos eventualmente, é claro, afinal a nossa família pertencia a ali.

Eu sempre senti como se estivesse à procura de algo, mas não tinha certeza do que, afinal todo mundo está procurando alguma coisa...

E agora eu finalmente havia encontrado.


FIM


[Twilight – Vanessa Carlton]

"Eu fui manchada, como um papel, em um dia que não era dos meus

Mas assim que entrou em minha vida você me mostrou tudo o que precisava ser mostrado

E eu sempre soube o que era certo só não sabia que poderia

Ir embora e escolher uma visão diferente

E eu nunca verei o céu do mesmo jeito

Eu aprenderei dizer adeus ao dia de ontem e

Eu nunca desistirei de voar se for puxado para baixo

Eu sempre vou voar alto demais porque eu vi, porque eu vi o crepúsculo

Nunca importante, nunca querida

Nunca procurou ver o que eu queria

Tão em evidência, estava na minha cara, não pude ver através de meu próprio lugar

E era tão fácil não deter o que eu podia

Mas você ensinou-me que eu poderia mudar o que quer que venha nesses dias difíceis

E eu nunca verei o céu do mesmo jeito

Eu aprenderei dizer adeus ao dia de ontem e

Eu nunca desistirei de voar se for puxado para baixo

Eu sempre vou voar alto demais porque eu vi, porque eu vi o crepúsculo

Como os raios do sol que atravessam e nos movem e nos empurram para frente

Preenche com o calor do azul e deixa um calafrio no lugar

Eu não sabia que eu podia ser tão ignorante a tudo que era real

Mas assim que as ilusões vão morrendo eu vejo que há muito para ser descoberto

E eu nunca verei o céu do mesmo jeito

Eu aprenderei dizer adeus ao dia de ontem e

Eu nunca desistirei de voar se for puxado para baixo

Eu sempre vou voar alto demais porque eu vi, porque eu vi o crepúsculo

Eu fui manchada, como um papel, em um dia que não era dos meus

Mas assim que entrou em minha vida você me mostrou tudo o que precisava ser mostrado

E eu sempre soube o que era certo só não sabia que poderia

Ir embora e escolher uma visão diferente

E eu nunca verei o céu do mesmo jeito

Eu aprenderei dizer adeus ao dia de ontem e

Eu nunca desistirei de voar se for puxado para baixo

Eu sempre vou voar alto demais porque eu vi, porque eu vi o crepúsculo"


N/A: ATENÇAO!!!

Não, vc não leu errado. Realmente está escrito FIM ali em cima.

E sim, essa história acabou aqui.

Porém, eu escrevi um capitulo extra, que na verdade não é uma continuação da fic, é mais uma explicação da fic, mais um Behind Scenes.

Provavelmente esse proximo capitulo não é nada do que vcs estejam esperando que seja, pq eu nunca vi ninguem fazer isso antes. Mas é sem dúvida o meu capitulo preferido da fic ^^ Então espero que gostem dele tanto quanto gostaram da minah fic.

Agradeço a todos que leram isso até agora imensamente (L)

E aguardem o prox capitulo: - Por Trás da Fic. - A Verdadeira História.

Bjos ^^