Capítulo focado na Sakura, como muitos pediram! Espero que gostem! XD

Agradecimento às reviews: Uchiha Madazitah, Pequena Pérola, sango7higurashi, Tia Kirie, Uzu Hiina, Miko Nina Chan, AyFany e Insana!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo VII – Sakura

Como quase sempre acontecia na vila da Névoa, o dia amanhecera chuvoso, muito chuvoso.

Mas isso não era um problema para Haruno Sakura, na verdade, para ela era até mesmo uma solução. Desde que treinara com Kisame, a chuva se tornara para ela um elemento essencial e adorado.

Kisame... Pensar nele doía também. Doía porque a lembrava de um tempo que ela gostaria tanto que voltasse, tempo que seu Itachi estava vivo.

Mesmo depois de quinze anos, ela não aceitava o fato de que ele havia realmente sido morto pelas mãos de Sasuke. Claro que ela sempre soube da verdade por trás das ações que levaram Itachi a dizimar seu clã, mas não imaginava que ele seria capaz de se deixar ser morto por seu irmão mais novo. Pelo menos não depois de tê-la pedido em casamento.

Entretanto, já não mais valia a pena pensar naquilo. Nada que ela fizesse traria Itachi de volta. Ela nem ao menos sabia o que fora feito de seu corpo. Nem de Kisame ou Deidara.

- Sou deplorável. – ela resmungou para si mesma, irritada.

- Algum problema, Hana-san?

A voz d um dos jounins da vila não era desconhecida para seus ouvidos, o que não significava que era bem-vinda, de forma alguma.

- Não, nenhum. Posso te ajudar, Motosuwa-kun?

O rapaz aparentava ter seus vinte e poucos anos, seus cabelos eram intensamente loiros e seus olhos eram negros como a noite. Mesmo sendo de Kirigakure, ele parecia ser uma pessoa muito boa e feliz, o que era muito estranho para os padrões da vila.

- Mizukage-sama pediu que a senhora compareça a uma reunião com ele, o mais rápido possível.

Ela gemeu de desgosto. Odiava quando o mizukage resolvia envolvê-la nos assuntos da vila. Quantas vezes ela teria que dizer que não se interessava pelos problemas da vila?

- Obrigada, Motosuwa-kun.

O menino assentiu, sorrindo e desapareceu, tão rápido quanto surgiu.

Sakura se levantou e começou a andar para a torre dos kages. O que quer que o velho quisesse dessa vez, ela simplesmente queria acabar rápido, para voltar rápido a seus afazeres nem um pouco interessantes, que se resumiam a treinar no jardim e ler livros.

Qualquer coisa que tirasse o Uchiha de seus pensamentos era válida.


- Que bom que veio, Sakura-san. – a voz irritante do mizukage feriu os ouvidos da Flor da Akatsuki.

- Como se eu tivesse opção. – ela resmungou, tão baixo que ele não foi capaz de ouvir.

- Tenho algumas notícias sobre Panji.

Ao ouvir o nome de sua filha, o humor da Haruno melhorou ligeiramente. Essa era a missão mais longa que Panji já tinha pegado, e Sakura não podia deixar de ficar preocupada com o andamento, e imaginar como sua filha estaria se saindo. Não que tivesse alguma dúvida de que Panji seria perfeita em qualquer missão.

- Algum problema em Konoha?

- Não, nenhum. – ele respondeu, prontamente. – Apenas algumas informações interessantes que você deve ficar ciente. Já que envolve seus assuntos particulares.

Sakura ergueu uma sobrancelha.

Como uma missão de espionagem envolvendo duas potências ninjas podia envolver sua vida pessoal? Não fazia muito sentido...

- Panji está hospedada na casa de Uchiha Sasuke.

Ah... Agora sim, fazia todo o sentido.

- Uchiha Sasuke? De todos os lugares daquela vila, Naruto tinha que pô-la na casa do Uchiha? Qual o problema dele?

O mizukage suprimiu uma risada. A situação podia ser engraçada para ele, mas não era para Sakura, e ele estava ciente de que rir seria assinar seu próprio obituário.

- O Uchiha é o homem de confiança do hokage. Era meio óbvio que ela seria mandada para o bairro Uchiha. Só não esperava que ela fosse ficar na mansão principal.

- Isso não é bom. – ela disse, ligeiramente nervosa.

- Depende do ponto de vista, Sakura-san. Se seu coleginha de infância notar que Panji é sua filha, ele vai saber quem é o pai. Você sabe que se os Conselheiros descobrirem que a filha dos dois maiores nukenins de Konoha está dentro da vila eles vão enlouquecer, não sabe? Eles vão expulsá-la.

Sakura suspirou. Ela sabia exatamente aonde o mizukage queria chegar com aquilo.

- E aí a guerra começa?

- Exato.

Mais um suspiro.

- E se Sasuke não contar para Naruto.

Foi a vez do mizukage erguer uma sobrancelha.

- O que te faz pensar que ele não falaria?

Sakura não sabia exatamente como explicar, mas quase tinha certeza que Sasuke não contaria nada. Primeiro, porque ele não iria querer ser o responsável pelo início da guerra. Segundo... Bom, o segundo motivo podia ser meio idiota, mas ela sentia que ele não espalharia o segredo dela.

- Ele não iria querer que a guerra começasse. – ela respondeu simplesmente.

- Mas ele também não ia querer ter a cria de seu odiado irmão dentro de sua própria casa.

Sakura deu de ombros.

- A casa é dela também. Ela é uma Uchiha, e tem meios para provar isso.

O mizukage fez um muxoxo. Ela tinha razão, de certo modo.

- Bom, você os conhece melhor, por isso te chamei aqui. O que você acha que aconteceria se ele contasse ao hokage?

Sakura ponderou a pergunta por um minuto, levando em consideração tudo que sabia sobre seus dois antigos companheiros de time.

- Naruto manteria o segredo. Ele não contaria aos Conselheiros. E Sasuke apoiaria a decisão, para proteger a vila daqueles Conselheiros estúpidos.

O mizukage suspirou.

- Quais são as chances da informação chegar aos ouvidos do Conselho?

- Poucas, mas existem. Quando estive em Konoha com Panji, havia um Hyuuga com Sasuke. Ele pode ser filho de Hinata ou de Neji, e parecia bem próximo de Sasuke. Se ele for filho de Hinata e Naruto, ele pode acabar descobrindo. Não sei se ele passaria a informação ao Conselho.

O mizukage suspirou, pensativo.

- Sakura-san, eu realmente não pretendo demorar muito para começar essa guerra, mas eu realmente preciso de um motivo.

- E o que eu tenho a ver com isso? Sinto muito, mizukage, mas eu não posso ir até Konoha e dizer para os Conselheiros pessoalmente que Panji é minha filha com Itachi.

Sim, ela estava irritada. Toda vez que conversava com o mizukage ela se irritava. Ele era, simplesmente, estúpido demais para ocupar aquele cargo.

- Eu sei que não. Mas preciso de sua ajuda para entender a mente dos grandes ninjas de Konoha.

Sakura revirou os olhos. Maldita hora que ela deixara sua filha entrar na Academia da Névoa. Se ela não tivesse entrado, elas estariam vivendo em paz em sua casa, sem ser envolvida em problemas de kages imbecis.

- Mesmo que o Conselho descubra, talvez não seja o suficiente para você ter seu motivo de guerra.

- Por que não?

- Tsunade faz parte do Conselho. Talvez ela não deixe os outros Conselheiros expulsarem Panji.

- Você realmente acredita que seus antigos amigos respeitam você dessa forma? – ele perguntou, incrédulo.

Sakura sorriu tristemente. Não havia como um ninja da Névoa entender o que se passava com os ninjas da Folha. O sentimento de companheirismo. A Chama de Konoha.

- Não só acredito como tenho certeza absoluta.

- Isso é ridículo. Você os traiu, matou um dos ninjas mais respeitados da vila e ainda espera que eles amem você? – o último verbo foi dito quase que com nojo.

Sakura riu.

- Você não entende Konoha. Nós somos criados assim. Desde a Academia.

Ele balançou a cabeça, desdenhoso.

- É por isso que eu prefiro o nosso sistema de ensino. Que espécie de vila é essa que ensina seus alunos a amar incondicionalmente?! Isso só gera fraqueza.

- Você conhece algum ninja de Konoha que seja fraco?

Não, ele não tinha resposta para essa pergunta.

- Como eu imaginava. – ela riu. – Todos os ninjas de Konoha são extremamente fortes, e você sabe disso. Tiramos nossa força de outras coisas que não o ódio que você cultiva.

- Então você ainda se considera uma ninja de Konoha? – ele debochou.

Sakura sentiu suas bochechas corarem. Mal reparara que conjugara o verbo na primeira pessoa do plural, o que, de fato, fora um erro imperdoável.

- Não. Eu não sou uma ninja de Konoha. Eu não passo de uma simples Akatsuki.

- Simples Akatsuki? Você me confunde, Haruno Sakura, ou melhor, Uchiha Hana.

Sakura riu.

- Eu não honrei os princípios de Konoha, eu só mereço minha bandana de renegada e estou feliz com ela.

O mizukage deu de ombros.

- Que seja. Chega disso. Agora vamos a detalhes mais práticos. Quem são os ninjas que estarão na linha de frente durante uma possível batalha?

Sakura revirou os olhos. Sabia que o assunto uma hora voltaria para as estratégias da guerra, e ela não estava realmente com muita vontade de ajudar a Névoa em uma possível batalha.

Tudo o que ela queria era se manter muda, sem opinar sobre nada. Completamente imparcial.

- Não sei. Os novos ninjas de Konoha também são muito bons, pelo que ouvi. A ANBU já renovou quase todo o seu pessoal. Hyuugas, Yamanakas, Akimichis, Inuzukas e Aburames recém-saídos da Academias já estão se dando muito bem em missões mais elevadas. Talvez Panji possa te dar um relatório melhor.

Ele concordou, mas não estava nem longe de terminar seu interrogatório...