Desculpem-me pela interminável demora, mas aqui está o capítulo! XD

Agradecimento às reviews: Miko Nina Chan, Tia Kirie, Sue Dii e AdyFany

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo VIII – Interrogatório

Para o deleite da jovem kunoichi da Névoa, o dia de seu interrogatório amanheceu chuvoso, exatamente do jeito que ela gostava. Seria um prelúdio de boa sorte? Não que ela precisasse de nenhuma ajuda da sorte...

- Ohayou, Uchiha-san, Gaku-chan.

Os dois Uchiha mostraram diferentes reações à chegada de sua hóspede. O mais novo abriu um sorriso de orelha a orelha e acenou, feliz. O mais velho, por outro lado, limitou-se a olhar uma vez para ela e virar a cara para seu café da manhã mais uma vez.

Panji riu, divertida. Ambos eram muito estranhos para ela. Sasuke, pelos motivos óbvios, e Fugaku por gostar dela. Que criança poderia gostar de uma máquina assassina? Era muito bizarro...

- Não vai comer nada antes do seu interrogatório? – Sasuke perguntou, com uma pincelada de malícia em sua voz.

- Não. Eu não como pela manhã. – ela respondeu, indiferente.

- É bom mesmo, ou pode ficar enjoada.

Panji riu abertamente.

- Vê-se bem que você não me conhece, Uchiha-san. Entretanto, pensei que fosse um pouco mais astuto que isso.

Sasuke grunhiu e voltou a se concentrar em sua comida. Fugaku olhava de seu pai para a kunoichi, sem entender o que se passava ali, mas ao mesmo tempo, receoso de perguntar alguma coisa.

- Desejem-me sorte. – Panji debochou antes de sair pela porta da frente da mansão.

- Otou-san, - Fugaku começou, assim que Panji saiu da casa. – por que você a trata desse jeito? Ela é inimiga da vila?

Sasuke suspirou.

- Sim, e não. Mas não é esse meu problema com ela.

Fugaku olhou, ainda mais confuso, para seu pai, fazendo-o suspirar.

- Ela me lembra demais uma certa pessoa. Aliás, duas certas pessoas...


- Panji, é seu nome, estou correto?

Panji encarou o homem a sua frente. Ele era muito parecido com o filho do hokage. Mesmos olhos perolados, mesma pele excessivamente pálida, mesmos cabelos negros. A única diferença era a idade.

- Sim, essa sou eu.

- Sou Hyuuga Neji, e serei seu interrogador.

Panji o mirou, entediada, e o seguiu até uma salinha pequena e simples. Duas cadeiras, nenhuma janela. A porta de entrada era a mesma da saída. Entretanto, não havia nenhum dos instrumentos de interrogatório que ela estava acostumada em sua divisão em Kirigakure.

Podia-se dizer que, na verdade, ela estava acostumada com instrumentos de tortura, e não exatamente de interrogatório.

- Será que podia começar me dizendo seu sobrenome, Panji-san?

- Não possuo um.

- Impossível.

- Nunca usei um sobrenome. Desde minha época de Academia.

- E posso saber por quê? – Neji insistiu, os olhos duros, presos aos dela.

- Os oinins da Névoa são escolhidos quando ainda são crianças, para que possam ser treinados desde pequenos. Por segurança, nossos sobrenomes desaparecem nesse estágio.

- Mas antes de entrar na Academia, você era uma criança normal. Tem um pai, uma mãe.

Panji suspirou. Essa era a única questão que ela esperava que não fosse levantada naquele interrogatório. Qualquer outra pergunta seria melhor de responder.

- Não tenho um sobrenome.

- Impossível. Vamos ser claros aqui, Kirigakure no Yuurei, eu não posso usar certos métodos com você, e ambos sabemos bem o porquê. Acontece que, se você não colaborar, terá alguns problemas conosco aqui.

- Sinceramente, Hyuuga-san, não vejo como meu sobrenome pode influenciar na segurança de sua vila. Não importa quem eu seja. Importa o objetivo que eu tenho aqui.

- Está certa. Acontece que sabendo quem você é, saberemos que tipo de ameaça pode estar dormindo na casa de um de nossos melhores ninjas.

- Vocês já sabem quem eu sou. Sou Kirigakure no Yuurei, a melhor ninja caçadora da vila da Névoa. Isso consta nos seus livros de bingo. Isso é suficiente.

- Não, não é. Ninguém sabe o suficiente sobre a perigosa Fantasma.

- Acorde alguns mortos e descubra o que eles tem a dizer.

- Sem gracinhas.

Panji conteve um risinho. Era engraçado ver como todos naquela vila esforçavam-se tanto para saber exatamente quem ela era. Mas, eles tinham razão. O plano do mizukage era mais do que claro, não havia o que duvidar. A grande incógnita era quem ela era.

Neji ativou seu byakugan e analisou os traços de chakra de Panji. Para seu espanto, ele viu algo que não deveria estar ali, pelo menos, teoricamente falando.

- Que tipo de Doujutsu você usa?

Panji amaldiçoou-o mentalmente. Malditos Hyuuga e seus byakugan!

- Nenhum.

Neji riu.

- Quantos anos você acha que eu tenho, criança? Seus olhos podem ter passado despercebidos pelos olhos de meu sobrinho, mas jamais passariam despercebidos pelos meus.

- Sinto muito, Hyuuga-san, mas você se confundiu. Eu não sou usuária de nenhum Doujutsu. Sou apenas uma shinobi comum que usa Katon, Suiton e um pouco de Raiton. Nada anormal.

- Você não pode jogar esse joguinho patético com nenhum ANBU, criança. Admiro-me que Sasuke não tenha reparado.

- Reparado o que?

- Que você tem o mesmo tipo de traços que ele. As linhas de chakra são similares. E não adianta você me dizer que é coincidência. Você tem um Sharingan, e eu sei que estou certo.

Panji quase revirou os olhos. Claro que esperava por algo assim. Mas não podia deixar um segredo que guardara por quinze anos simplesmente ser descoberto assim, como se não fosse algo importante.

- Está enganado, Hyuuga-san. Sharingans são para Uchiha. Eu não faço parte do clã, como você bem sabe. Eu sou da Névoa.

- Um Uchiha saiu de Konoha.

Panji riu, em sua melhor performance teatral.

- Eu? Filha de Uchiha Itachi? Você realmente acha que eu dormiria debaixo do teto de Uchiha Sasuke se fosse filha de Uchiha Itachi? Não acha que eu já teria matado o assassino de meu suposto pai?

- É uma opção. Para crianças normais. Você não se enquadra nessa classe.

- Está delirando. Seria a atitude de qualquer um. E pressinto que você sabe isso mais do que eu.

Neji grunhiu. Será que ela poderia saber da história dos gêmeos Hyuuga? Não, impossível...

- Pessoas que morrem no lugar de outras, querendo liberdade. Isso é muito triste, não concorda? Filhos que mal tiveram a oportunidade de conhecer bem seus pais? Não acha que qualquer um tentaria se livrar de quem matou seu próprio pai? Não acha que isso deixaria uma criança amargurada pelo resto de sua vida? – Panji sorria cruelmente, rasgando uma cicatriz que era muito superficial dentro do Hyuuga.

- Como você pode saber disso? – Neji perguntou, quase com raiva.

- Saber? Saber de que? Todos sabem da história dos Uchiha.

Neji lutava para controlar sua fúria. Seus punhos cerrados tremiam.

- Você não está falando só dos Uchiha. O que mais você sabe sobre Konoha?

- Eu sei o que todos sabem, Hyuuga-san. – Panji sorria, feliz por ter conseguido o que queria. Invertera a situação. Não era mais ele que estava fazendo pressão psicológica nela, e sim o contrário. – Não sei de nenhuma história particular, se é isso que está insinuando. Só o que eu disse é que é impossível que eu seja filha de Uchiha Itachi e não ter tentado matar seu assassino, Uchiha Sasuke. Apenas isso. Ninguém é tão frio.

Mas não era isso que seus olhos mostravam. Neji podia ver claramente a frieza, o deboche e a malícia nos orbes intensamente negros da suposta interrogada.

- Quem é você afinal?

- Já disse. Sou Kirigakure no Yuurei. Ou, se preferir minha outra alcunha: Panji, a flor congelada.

- Vamos descobrir seus segredos, Panji. Não importa o quanto você queira escondê-los.

- Não tenho segredo algum. – ela deu de ombros, mais uma vez usando seus dons de atriz. – Eu não passo disso que vocês já conhecem. A assassina silenciosa e perfeita. Uma ninja que nunca falhou em uma missão.

Neji fez uma careta.

- Saia daqui antes que eu decida mudar de idéia e de fato usar outros métodos com você.

Panji riu.

- Como queira, Hyuuga-san.

E saiu da sala, rindo descontroladamente.

Neji se largou em sua cadeira, o rosto entre as mãos, sentindo-se quase acabado. Podia ter certeza que ela mencionara claramente a tragédia de seu pai. Como aquela pirralha da Névoa poderia ter descoberto algo assim? Era simplesmente impossível. Apenas seus amigos mais próximos e os anciãos de seu clã sabiam daquilo.

E ela podia afirmar o que quisesse, mas tinha certeza que aqueles traços de chakra ocular eram típicos dos usuários do sharingan. Era quase idêntico ao de Sasuke! O que estava acontecendo ali?

- Algo de errado, Neji jii-san?

A voz de Kakashi invadiu seus ouvidos, inesperadamente.

- Sim, Kakashi-kun.

- Algo que eu possa fazer por você? – Kakashi perguntou, preocupado com as estranhas feições de seu tio.

De repente, a idéia surgiu na mente de Neji.

- Você tem quase a mesma idade que ela, certo?

- Ela...?

- A garota da Névoa.

- Sim. Acho que sou mais velho que ela alguns meses.

- Quero que você tente se aproximar dela. Não me importa como. – ele acrescentou antes que o mais novo protestasse. – Descubra o segredo dela. Não interessa como você vai fazer isso. Apenas descubra.

- Você tem noção que o que está me pedindo é quase impossível, não tem?

- Tenho. Mas ela tem um segredo importante, Kakashi-kun. E a segurança da vila depende disso.

Kakashi engoliu em seco. Se era assim, o que mais ele poderia fazer? Não tinha outra opção. Ele descobriria o segredo de Kirigakure no Yuurei, nem que fosse a última coisa que ele fizesse.