Sinceramente, espero que vocês gostem desse capítulo. Porque foi simplesmente muito bom escrever esse. E meio triste também. Bom, espero pelos comentários de vocês, com muita ansiedade!
Não deixem de conferir as capas que Luna Stuart fez para essa fic e Akatsuki no Hana! os links estão no meu profile!
Agradecimento às reviews: Uchiha Madazitah, Luna Stuart, Uzu Hiina, lloo 161, Tia Kirie, Pequena Perola, sango7higurashi e Daianelm!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Kirigakure no Yuurei
Capítulo XI – Surpresas
Não era um dia comum na Vila da Névoa. O sol brilhava com toda a força, dando um tom brilhante ao lugar melancólico.
Para Sakura, dias de sol eram um suplício. Estava tão acostumada com a fina garoa ou com as grandes tempestades! Desde que aprendera jutsus de Suiton com Kisame, tantos anos atrás.
Itachi gostava de dias ensolarados, sim, o frio Uchiha Itachi adorava aquels raios cálidos e brilhantes. E lembrar disso a deixava triste, conseqüentemente, dias de sol a entresteciam, ou melhor, enfureciam. Porque ela não era mais o tipo de mulher que chorava pelos cantos.
Era provável que ela matasse qualquer um que tentasse perturbar sua paz num dia como aquele. E como se seu estado de espírito atraísse visitantes indesejados, alguém bateu à sua porta.
- Vá embora antes que eu fique realmente irritada. – ela gritou de dentro da bela casa.
Ouviu a porta de correr sendo aberta e amaldiçoou a ousadia daquele visitante incauto. Aonde ele pensava que estava entrando? Aquilo ali era uma propriedade privada!
- O que pens-
Mas a frase morreu antes de deixar sua garganta. Não podia acreditar no que via. Só podia ser o sol abaixando sua pressão e a fazendo delirar. Não havia outra explicação.
- O que está fazendo aqui, Sasuke?
- Panji me deu o endereço de vocês.
- Não perguntei como você descobriu minha casa, perguntei o que você está fazendo aqui. – ela disse rispidamente.
Sasuke suspirou.
- Sabe, você podia ser mais gentil com suas visitas.
- Eu não te convidei, automaticamente você não é uma visita, é um invasor. E eu podia muito bem matá-lo por isso.
- Pare com isso. – ele murmurou, quase triste.
- Saia da minha casa.
- será que você poderia me escutar pelo menos? Não quer saber por que sua filha me deu seu endereço e deixou que eu viesse aqui?
Bom, ele tinha razão. E ele sabia que Panji era sua filha. Isso era de se esperar, mas de fato, não era previsível que Panji daria o endereço da casa delas para Sasuke, não para ele.
- Muito bem. Você tem dez minutos.
Sasuke revirou os olhos. Ela se tornara uma mulher muito difícil. Custava ser um pouco educada com um amigo de infância?
- Panji descobriu o quarto de Itachi. Não contei a ela, mas aquela porta só se abriria com o chakra dele. Ele mesmo selou aquela porta. E ela entrou, sem nenhuma dificuldade, como se a porta estivesse aberta durante todos esses anos.
Sakura sorriu. Sempre soubera que o chakra deles era igual. Ela pôde sentir isso nos seus primeiros meses de gravidez.
- E ela estava chorando quando eu entrei, Sakura. – ele disse, com uma dor que a Haruno não esperava ouvir. – Ela chorava como eu chorei quando vi meus pais mortos. E aquilo acabou comigo. Ela tem as expressões vazias e frias, como Itachi costumava ter e mesmo assim ela chorava, chorava como uma criancinha.
Sakura abaixou a cabeça. Raras foram as ocasiões que vira sua pequena chorar, e todas elas foram por causa de Itachi. Ela sentia a falta dele, mesmo nunca tendo o visto ou abraçado.
- O que você esperava, Sasuke? Ela nasceu órfã de pai. É natural que sinta a dor disso. – ela disse em um tom friamente cortante.
- Eu sei, Sakura, eu sei.
- Presumo que você não viajou do País do Fogo até aqui só para me contar uma história triste sobre minha filha. Vá direto ao ponto.
- Por que você ficou tão amarga? – ele perguntou, atônito. Será que ela não sentia mais nada por ele? Nem um sentimento de amizade?
Sakura riu. Do jeito cruel que ele vira Panji rir algumas vezes.
- Primeiro, porque um idiota me largou no meio da noite em um banco de concreto para se juntar ao Sannin decadente e traidor. Segundo, porque o mesmo idiota me tirou o que eu mais amava na vida.
Sasuke a encarou, triste. O antigo brilho que aqueles orbes esmeralda tinham não existia mais. Como uma chama que lentamente se apaga, até se extinguir.
- Sabe, Sakura, eu me arrependi de ter te deixado naquele dia. Meses depois eu reparei isso. Mas eu precisava resolver alguns assuntos. Tsunade me aceitou de volta e eu fiquei anos como espião para Konoha. Ela deveria ter contado isso.
- Isso não importa mais, sinceramente. Nunca tive raiva de você por ter ido para Orochimaru. Mas eu quis sair da vila. E na Akatsuki eu descobri que poderia ter tudo que eu sempre sonhei. Respeito, consideração, amor. – anos com aquilo entalado, e agora ela contava com sinceridade sua história para um de seus antigos companheiros, como jamais imaginou que faria. – Não queria que tivessem sido vocês os responsáveis por caçar Akatsuki no Hana. Meu plano era fazer com que vocês acreditassem que eu tivesse morrido. Mas você foi o mais insistente. Sinceramente, eu não queria ter matado Kakashi, nem visto vocês.
- Como esperava que pudéssemos desistir de você? Sabíamos que não morreria assim tão facilmente. Naruto, principalmente, sabia disso.
- Por que estamos discutindo isso? Nada vai mudar. E se eu pudesse voltar no tempo, não faria nada diferente.
- Mas eu faria, é por isso que estou aqui.
Sakura o mirou com estranheza.
- Sasuke, acabou. Nossos laços foram rompidos. Eu não sou mais aquela Sakura doce e meiga que você conheceu com doze anos. E nem a empenhada médica que você viu aos quinze. Eu sou aquilo que vocês caçaram tão ferozmente quinze anos atrás. Sou Uchiha Hana. Akatsuki no Hana. Nada de Haruno Sakura.
- Você sabe que isso não é verdade. Mas não é por isso que eu vim. Eu quero reparar um erro. Bom, um erro na sua visão. Mas só você pode fazer com que ele seja reparado. Pode me acompanhar?
Um clã tão poderoso como o clã Uchiha tem uma base em qualquer lugar imaginável. O que Sakura não imaginava é que eles pudessem ter uma base secreta até mesmo na Vila da Névoa.
O lugar era pequeno por fora, mas luxuoso por dentro, ninguém jamais imaginaria, vendo de fora, o que aquela casinha abandonada guardava.
Sasuke parou em frente a uma porta fechada e virou para Sakura.
- O que você me falou, naquela luta há quinze anos, ficou guardado em mim durante todo esse tempo. Mas eu guardei uma culpa a mais Sakura. Algo que ninguém nunca soube, até hoje.
Sakura sentia seu coração pulsar pesadamente contra seu peito. Não se sentia assim há anos. Por que ele fazia tanto suspense? O que a aguardava atrás daquela porta?
- Sempre tive medo de revelar isso. Mas depois que vi Panji daquele jeito, eu tomei minha decisão.
- Sasuke, do que você está falando? – ela tremia e suava frio.
Ele abaixou a cabeça, derrotado e envergonhado. Sua garganta ardia, como no prelúdio das lágrimas. Mas não as deixaria escapar.
- Depois que você fugiu dos caçadores, eu fingi que segui Neji e Naruto. Mandei um bunshin em meu lugar e fiquei naquela clareira.
- E daí? – ela gaguejou.
O Uchiha respirou fundo e abriu a porta.
A sala era bem iluminada e possuía uma infinidade de aparelhos médicos. Parecia uma espécie de enfermaria, e estava em ótimo estado, como se alguém estivesse cuidando dela esmeradamente.
Mas não foi a sala em si que Sakura viu quando ele abriu a porta. Não, isso seria a última coisa que ela repararia. O que a chamou atenção foi uma das macas, onde a maquinaria médica funcionava a todo vapor.
Uma maca onde havia um paciente.
As lágrimas rolaram por seu rosto como nunca haviam rolado antes. Chorava mais forte do que quando vira Itachi morrer.
- C-como? – ela gaguejou.
- O coração dele não parou Sakura. Eu pude sentir quando terminei o jutsu. Estava mais fraco, mas não havia parado. E ele desmaiou. Ou melhor, entrou em coma. Eu o teria matado de verdade, se não tivesse te visto daquele jeito, chorando exatamente como Panji chorou no quarto dele. Não queria ser o culpado pelo seu sofrimento, mas mesmo assim, não tive coragem de te contar. Porque queria que você voltasse para Konoha.
E ela o abraçou, com toda a intensidade que lhe era permitida.
- Obrigada, obrigada, obrigada. – ela repetia, incessantemente.
Seu Itachi não havia morrido! Seu Itachi estava vivo! Ela podia curá-lo, podia tirá-lo daquele coma! Sabia que podia. E, em breve, ele estaria a seu lado mais uma vez, como se nunca tivesse saído. Como se todos aqueles quinze anos de dor tivessem sido apenas um pesadelo que parecia interminável.
E Sasuke sorriu. Era a primeira coisa certa que ele fazia em anos. Era a primeira coisa certa que ele fazia em sua vida. Ela era mais importante para ele do que qualquer vingança. Panji estava certa, a vingança era uma preocupação dos fracassados, e ele não era um.
Não, ele era um Uchiha. Ele era forte, tinha amigos maravilhosos, tinha um irmão – Naruto – e mais que tudo, ele tinha um filho para criar. Sua família estava se reconstruindo. Tinha uma sobrinha, seu irmão voltaria em breve. E estava na hora de eles voltarem a ser como eram antes.
Seria difícil. Mas era o certo a se fazer.
- Sasuke. – ele ouviu Sakura o chamar. – Alguém já te contou porque ele fez tudo aquilo?
Claro que ele sabia do que ela estava falando.
- Sim. Tsunade me contou.
Sakura sorriu.
- Não tenho palavras para te agradecer. – ela chorou. – Eu sei que foi, e ainda é, um sacrifício muito grande para você.
- Sinceramente, não precisa. Mas... – ele hesitou. – Posso te pedir uma coisa?
- Claro que pode.
- Me perdoa? Por tudo?
Ela pôs as mãos no rosto dele, afastando as mechas de cabelos negros, obrigando-o a encarar seus olhos. Que brilhavam mais uma vez.
- Eu não preciso te perdoar, Sasuke. A única coisa que você fez para me magoar foi matar Itachi. Mas você não o matou.
Ele beijou sua testa e puxou-a num abraço apertado.
- Eu nunca quis te magoar.
Ela retribuiu o abraço, e se sentiu feliz por estar ali, abraçando um de seus melhores amigos, depois de tanto tempo longe.
- Naruto sente sua falta.
- Eu também sinto falta dele. Muita.
- Não pode fazer uma visita, pelo menos?
Sakura riu. Não sarcasticamente, ou cruelmente. Simplesmente uma risada. Uma risada de divertimento.
- Não acho que posso fazer isso, Sasuke-kun. Uma guerra pode começar só se souberem que Panji é minha filha. Se eu aparecer lá não acha que seria meio suspeito? Logo quando todos suspeitam disso?
Sasuke suspirou.
- Sim, seria. Mas ele ficará feliz de saber que você está bem.
Sakura sorriu.
- Aquele Hyuuga, que estava com você quando eu fui a Konoha, é filho dele, não é?
Sasuke assentiu.
- E você? Também tem filhos?
- Sim. Fugaku.
Sakura deu uma risadinha. Era bem típico dele mesmo, dar o nome de seu pai a seu primogênito.
- E quem é sua esposa?
- Sou viúvo, Sakura. Mas a mãe do Fugaku é a Ino.
A Haruno não conseguiu conter uma crise de risos.
- Ino? Ela deve ter ficado muito feliz!
- Nem tanto. – ele suspirou. – Ela queria o Sai, eu queria você, nos casamos para não ficarmos sozinhos.
E tão rápida quanto veio, a crise se foi.
- Tinha me esquecido que o Deidara matou o Sai. Aliás, tinha me esquecido de muitas coisas...
- Bom... Acho que é melhor eu ir, então. – Sasuke declarou, olhando para o corpo adormecido de seu irmão.
Sakura cruzou os braços e o encarou.
- Acha mesmo que eu vou deixar você me dar um trabalhão desses e depois fugir? Você fica. Preciso de um enfermeiro.
E como ele poderia dizer não a ela? Por mais estranha que aquela situação toda fosse, – e sabia que ainda ia piorar – ele mesmo sabia que não queria largá-la sozinha ali. Era bom ter sua companhia depois de tudo.
Ela também fazia parte de sua família. E ele estava disposto a não perder a chance de continuar a ter uma família.
Não dessa vez.
