Olá! Devo começar dizendo que vocês me fizeram muito feliz com as reviews do último cap! #olhinhos brilhando# Deu até uma vontade a mais de continuar escrevendo! Muito obrigada!

Esse cap é mais como um filler, mas acho que vocês vão gostar. Cap 13 terá mais sobre nosso querido Itachi!

Agradecimento às reviews: Uchiha Madazitah, Cy-chan, sango7higurashi, Daianelm, DarkAngel16694, Luna Stuart, Pequena Perola, Loredana Cullen, Kaemily, n1ckydant3s e Tia Kirie!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama.


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XII – As crianças da Folha

Fugaku saltou da sua cama e correu para o quarto de seu pai. Vazio. Com uma pequena nota na cabeceira: Tive que viajar. Se precisar de alguma coisa, fale com Panji. O pequeno fez uma careta. Custava ter dado um aviso de verdade?

Mas não tinha tempo para desperdiçar. Saiu do quarto de seu pai e correu para o quarto de hóspedes, ao lado do que o patriarca Uchiha ocupava. Também estava vazio.

- Ótimo. – ele suspirou. – Estou sozinho.

- Por que está acordado? Ainda é cedo. – a voz de Panji soou atrás do menino, com uma leve irritação.

- Panji nee-chan! – ele exclamou, meio confuso. – Mas seu quarto está vazio!

- Me mudei para o andar de baixo.

- Por quê?

- Porque eu quis.

Fugaku bufou. Odiava quando ela dava essas respostas vazias e idiotas.

- Você vai ter que sair comigo! – ele disse.

- Não vou não.

- Vai sim!!!

- Não sou sua mãe, nem sua babá. Não preciso sair com você.

- Mas o papai disse que se eu precisasse de alguma coisa era para falar com você.

- Coisas que incluam suas necessidades de vida. Não vou sair com você, tenho mais o que fazer. – e desceu as escadas.

Fugaku correu atrás dela, tagarelando incansavelmente.

- Hoje é o dia que meus amigos, filhos dos amigos do meu pai se encontrão! A gente faz isso duas vezes por ano!

Panji ignorou e começou a preparar seu café da manhã.

- O papai sempre ia comigo! Mas ele não está aqui.

- Vá sozinho. Não é um bebê.

- Mas eu não posso andar sozinho pela Vila.

- Você vai para a Academia sozinho todo dia. E você conhece todo mundo, não é perigoso.

- Onegai!

- Não. – ela disse, indiferente, mordendo uma maçã. – Já disse, tenho mais o que fazer.

- Mas eu tenho que ir!

- Vá sozinho!

- Mas meu pai nunca me deixou ir sozinho.

- Há uma primeira vez para tudo. E você sempre anda sozinho, por que toda essa crise agora? Não estou entendendo.

- É que ninguém chega lá sozinho. Não quero ir sozinho. Minha mãe me levava quando ela estava...

Mas ele não quis terminar sua frase. Doía lembrar daquilo. Seus olhos encheram-se de lágrimas.

Panji suspirou. Ela conhecia aquela sensação.

- Tudo bem, eu vou com você. – ela revirou os olhos.

- Arigatou, Panji nee-chan! – e pulou, dando um abraço na menina.

- Não me toque. – ela reclamou. – Já disse, não sou sua babá, nem sua parente ou nada disso.

Bom, aquela não era bem uma afirmação que ela poderia ter feito. Mas aquela criança nem desconfiava de nada, e era bom que as coisas continuassem daquele jeito. Já era suficiente que Sasuke soubesse daquelas coisas.


Era pior, muito pior do que ela imaginara. Aquilo era uma reunião de velhos amigos e seus filhos. O que ela estava fazendo ali mesmo? Ela não fazia parte daquela vila! Maldita criança!

- Panji, que faz aqui? – a voz de Kakashi invadiu seus ouvidos.

- Essa criança insuportável não quis vir sozinha. – ela resmungou.

Kakashi riu.

- A grande Fantasma da Névoa em uma reunião de crianças. Meigo.

- Cala a boca. Você também está aqui.

- Sim, minha prima me arrastou.

Mas que coincidência! Ela também estava ali por causa de um primo. Mesmo que ninguém soubesse disso.

- Aquela menina sentada, afiando uma kunai, é Hyuuga Ayaka, filha de Hyuuga Neji, meu tio.

Panji olhou para a menina. Seus cabelos negros estavam presos em dois coques laterais, ela era muito branca e tinha os olhos perolados do Byakugan. Aparentava ter uns dez anos.

- Agora, será que alguém pode me explicar porque eu fui puxada para esse lugar? – ela perguntou ao Hyuuga, completamente entediada.

- É tradição que os mais velhos tragam as crianças para essa reunião. Fugaku é muito ligado a tradições. Todo Uchiha é.

Panji revirou os olhos.

- Quer que eu lhe apresente às crianças? – Kakashi perguntou, sorrindo.

- Não.

Ele deu de ombros.

- Farei de qualquer forma. – e começou: - Os dois ali no balanço são os Nara, Miaka e Hideki.

Hideki tinha cabelos loiros e olhos verde-musgo e parecia o tipo de criança insuportável que não fica quieta nem um único momento, aparentava seus cinco anos. Miaka tinha os cabelos castanhos e os olhos da mesma cor e, ao contrário do irmão, parecia ser muito preguiçosa. Aparentava a mesma idade de Hyuuga Ayaka.

- Os gêmeos que estão brincando com filhotes de cachorro são os Inuzuka, Kotarô e Kyosuke.

Ambos tinham os cabelos e os olhos castanhos, uns seis anos, provavelmente. Um brincava com um filhote de labrador e outro com um filhote de huscky siberiano.

- A menina em cima da árvore, olhando a colméia de abelhas é Aburame Matsuri.

Ela aparentava ter nove anos e se vestia de um jeito peculiar. Um enorme casaco de gola alta, que ia até seu nariz. Também usava óculos escuros. Seus cabelos eram de um castanho quase negro.

- Por que vocês se dão ao trabalho de se reunir para essas coisas? – Panji perguntou, incrédula. – Eles não estão nem brincando juntos! Cada um está perdido em seu mundo pessoal!

Kakashi sorriu.

- Você não entende. Eles são a futura elite de Konoha.

Ela revirou os olhos.

- Nem sabem se eles darão bons ninjas.

- Seus pais foram, então eles serão também.

- Isso é ridículo. São apenas crianças. Duvido que os menores ao menos saibam o que é um jutsu de verdade.

- Claro que não sabem. São pequenos demais.

- Eu aprendi meu primeiro com cinco.

- Você não teve infância.

Ela lançou um olhar mortal para ele. Com quem ele achava que estava falando?

- Não precisei disso que você chama de infância. Aposto que você não dura três segundos em uma luta contra mim.

- Quer comprovar sua tese? – Kakashi perguntou, um sorriso desafiador brincando em seus lábios.

- Vou te machucar, e acho que não devo machucar o filho do hokage.

- Esqueça isso. Pense que eu sou mais um dos que você caça.

- Nesse caso você morre.

Ele riu e ela cruzou os braços. Era uma proposta interessante. Seria uma luta de quinze segundos, mas era mais interessante do que ficar observando um bando de crianças autistas.

- Está com medo? – ele perguntou.

Ela riu.

- Você vai se arrepender de ter proposto isso.

- Sem chakra, sem jutsus, certo?

- Só taijutsu. Você morre mesmo assim.

E começaram. Kakashi saltou para uma árvore e antes que pudesse pensar em seu próximo movimento, Panji estava atrás dele e o derrubou da árvore com um chute, fazendo-o cair de cara na grama.

- Eu disse que você ia se machucar. – ela zombou.

Ele rapidamente se levantou e limpou a lama que se grudara em seu rosto. Pulou de volta para a árvore, mas ela sumira. E apareceu por suas costas mais uma vez. Mas ele conseguiu se virar e apertar um dos pontos de chakra.

- Técnica de taijutsu dos Hyuuga. Você está usando seu Byakugan, é contra as regras.

- Você me jogou de uma árvore. – ele argumentou, enquanto continuavam a lutar, perto um do outro.

- Coitadinho do bebê. – ela zombou.

- Você é insuportável.

- Muito obrigada.

E com um chute, imprensou-o contra o chão.

- Fim do jogo, Hyuuga.

Ele suspirou.

- Ou não. – e se soltou, derrubando-a no processo e caindo mais uma vez, em cima dela.

Ela podia sentir o coração dele batendo forte, e os olhos perolados fixos nos dela. E Kakashi simplesmente não se mexeu, apenas ficou encarando-a, como se enfeitiçado.

- Vai mesmo ficar em cima de mim? – ela perguntou, aborrecida.

Ele corou e se levantou, oferecendo sua mão para ajudá-la a levantar. Ela recusou a oferta e se levantou sozinha.

- Desculpe-me.

- Tudo bem. – ela disse, indiferente. – Apenas não faça de novo.

- E se eu fizer? – ele desafiou.

- Você passará por uma experiência dolorosa que jamais esquecerá.

- Você não terá coragem.

- Você que pensa.

E Kakashi viu os olhos dela brilharem de um jeito diferente, mais perigosos do que já eram normalmente. Uma sombra avermelhada passou por eles.

- Você tem algum dojutsu? – ele perguntou, curioso.

- Não.

- Estranho. Seus olhos são diferentes. Quem possui dojutsus tem olhos diferentes. Só agora eu reparei, você tem os olhos parecidos com o de Sasuke-senpai.

- Você anda conversando demais com seu tio.

- Você fia agressiva quando te fazem perguntas assim. Está escondendo alguma coisa, não está?

- O que você tem com isso? – ela grunhiu.

Kakashi deu de ombros.

- Nada. Apenas... Não, nada. Quer lutar de novo?

- Você quer mesmo se machucar?

- É. Eu quero.

Mas o que ele queria mesmo era ficar mais um pouco perto dela, e descobrir os segredos que aqueles orbes negros não revelavam, de maneira nenhuma.


- Por que ele está lutando com ela? – Ayaka perguntou. – É tão óbvio que ele vai perder.

- Por que diz isso? – Fugaku disse.

- Ela é Kirigakure no Yuurei. – Ayaka disse, censurando o Uchiha por não saber alo tão óbvio. – Ninguém, nunca a derrotou.

- Isso é ridículo. – Nara Miaka se manifestou. – Todo mundo já perdeu uma luta. Ela não pode ser tão diferente.

- Ela é diferente. – Ayaka voltou a dizer. – Não conseguem ver? Tem algo especial que gira ao redor dela.

- Ayaka-chan, você é a única aqui que tem um Byakugan. – Miaka reclamou.

- Vocês são muito complicados. – Aburame Matsuri decretou. – Eles estão lutando porque ele gosta dela.

- Isso não faz o menor sentido, Matsuri-chan. – Ayaka disse, revirando os olhos.

- Preste bem atenção na luta, Ayaka-chan. – Matsuri continuou. – Ela está lutando sem fazer muito esforço, porque é obviamente mais forte. Mas ele está fazendo um grande esforço para acompanhar o ritmo dele, e quando tem chance de chegar perto o suficiente, ele cai em cima dela, como se tivesse feito alguma coisa errada e tivesse caído por acidente.

- Isso é ridículo. – Miaka disse, incrédula.

- Mas ela tem razão. – Fugaku disse.

- Ouvi meu pai dizer que essa garota, a Fantasma, não disse nada no interrogatório. Seu passado é completamente desconhecido. Assim como sua origem. Acho que ele mandou o Kakashi nii-chan investigá-la. – Ayaka disse.

- Então sua pergunta está respondida, Ayaka-chan. – Miaka disse. – Ele está lutando contra ela para pegar as informações. Se você já sabia por que perguntou? Parem de ser tão problemáticos!

- Você que é preguiçosa, Miaka-chan! – a Hyuuga se defendeu.

- Um dia vocês entenderão, minhas crinaças. – a voz de Hinata foi uma grande surpresa para as crianças.

- Por que diz isso, tia Hinata? – Ayaka perguntou.

Hinata sorriu.

- São muito novos. Apenas isso. Agora voltem a brincar.

E eles obedeceram, de cara amarrada. Por que adultos sempre tinham a mesma desculpa? "Vocês são novos demais, é complicado demais para vocês"? Quem sabe, quando eles próprios fossem adultos, descobririam a resposta...


- Por que você fica perguntando coisas? – Panji se estressou. – Isso é uma luta não um jogo de respostas!

- Eu pergunto porque você não me responde.

- E nem vou!

- Por que não?

- Não é da sua conta! Você é pior que Hyuuga Neji!

- Não vou contar nada para ele. Prometo! Por que não me fala alguma coisa? Qualquer coisa serve!

- Pra que você quer saber da minha vida? Não sou nada sua!

- Mas eu gosto de você. Poderíamos ser amigos.

Aquela frase a pegou desprevenida. Só podia ser piada. Nenhuma pessoa normal diria que gosta dela, ou queria ser sua amiga. Qual era o problema das pessoas daquela vila? Fugaku parecia realmente gostar dela como um membro da família, e agora ouvia essa frase absurda do Hyuuga.

- Você não quer ser meu amigo. Já te disse o que eu fiz com as últimas pessoas que chamei de amigos.

- Por que você é assim? Por que se priva de contato com outras pessoas?

- Porque as pessoas me aborrecem. Como você está fazendo agora.

- Ninguém é sozinho. Você não pode ser tão diferente.

- Tenho uma pessoa, e isso me basta.

- Por que matou seus amigos?

- Já disse que não é da sua conta!

- Vai, por favor! Ao menos me conte isso!

- Não posso.

Não podia contar, mas sua mente a levou para aquele dia, quando tinha nove anos.

- Incrível. – um menino disse, irado. – Por que você pode e nós não? Começamos a Academia juntos! Ainda não conseguimos nos formar e você agora é jounin! Por que essa diferença?

- Porque eu sou diferente de vocês. – Panji respondeu.

- A gente sabe disso. – uma menina disse. – Você é uma aberração.

- Como disse, Misora-chan? – Panji perguntou, com um olhar ameaçador.

- É isso mesmo. Nós descobrimos tudo. Você é filha de Uchiha Itachi e Uchiha Hana, dois traidores da Vila Oculta da Folha e integrantes da Akatsuki. Por isso é assim. – a menina de nome Misora disse, debochada.

- E pretendemos contar para todos da vila. – o menino disse. – Para que todos saibam que você é perigosa e filha de traidores.

Pobres crianças. Brincaram com o que não deveriam. O que queriam revelar era um segredo que ela mesma jurara que protegeria, para benefício não só dela, mas também de sua mãe.

Antes que pudessem reagir, Panji sacou uma kunai e ativou seu sharingan. Rapidamente cortou as gargantas dos dois.

Uma dor imensurável a tomou, e seus olhos arderam. Fechou-os, desesperada de estar sentindo aquilo. Quando os abriu novamente, via tudo de um jeito diferente.

Seu Mangekyou despertara.

- Eles brincaram com o que não deviam. E pagaram por isso. – Panji disse friamente. – Agora chega dessa brincadeira. Você já me chateou o suficiente por um dia.

E dito isso, desapareceu em penas, como fizera da última vez.