Novo cap, o mais rápido que eu consegui. Espero que vocês tenham achado que foi rápido o suficiente. Prometo não demorar muito, mas Eclipse vai ocupar todo meu espaço de tempo até eu terminar, me perdoem!! Amo vocês, okay?
Agradecimento às reviews: Pequena Perola, Loredana Cullen, Bruna, Darknee-chan, DarkAngel 16694, sango7higurashi, Tia Kirie, Uzu Hiina, lloo 161, Daianelm e Kaemily!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama.
Kirigakure no Yuurei
Capítulo XIV – Mudanças
Dias bons são raros. Principalmente quando você é uma garota de quinze anos, há dias de distância de casa, extremamente poderosa e entediada. E, principalmente, um dia pode ser muito ruim quando o pior tempo resolve aparecer.
A neve visitava Konoha pela primeira vez na estação.
Panji estava parada na janela da sala, observando os flocos pálidos caindo na grama verde. O ar estava gélido e ligeiramente úmido, e seu semblante expressava uma dureza fora de seu normal.
- Quer brincar de guerra na neve, nee-chan? – a voz de Fugaku chegou a seus ouvidos, animada como sempre.
- Não. – ela respondeu secamente.
Fugaku deu de ombros e correu para a porta, mas antes de sair ele parou e olhou para a kunoichi.
- Kakashi nii-chan disse que queria falar com você.
- Problema dele.
O pequeno Uchiha suspirou.
- Posso falar para ele vir aqui?
Panji deu de ombros e se sentou no chão, lendo um imenso pergaminho de aparência envelhecida. O cheiro de mofo chegava ao nariz de Fugaku.
- Você não parece bem hoje, nee-chan.
- Que quer dizer?
- Parece que você está doente, não sei. Quer que eu chame alguém?
Panji bufou. Que pirralho mais presunçoso!
- Apenas vá brincar com seus amiguinhos, Gaku-chan. Já tenho problemas demais sozinha aqui com você sem que eu tenha que ouvir suas tagarelices incessantes.
Fugaku fez um muxoxo e fez o que ela mandou. Ela estava muito irritada, não queria piorar ainda mais sua situação.
Panji suspirou aliviada quando viu o menino fora da mansão Uchiha. Começava a pensar que Sasuke tinha fugido e mentira para ela. Por que ele estava demorando tanto? O que poderia ser tão importante a ponto de fazê-lo largar seu único herdeiro nas mãos da melhor assassina do mundo ninja?
Ela esperava que fosse algo realmente importante, porque ser babá não era algo que ela gostava de fazer. Ainda mais quando a criança em questão parecia gostar realmente dela.
Foi nesse momento que ela sentiu uma presença que não deveria estar ali. E no segundo seguinte, uma figura de máscara apareceu dentro da sala.
- Motosuwa, acertei? – ela perguntou, mirando os trajes de caçador do ninja.
- Isso mesmo, Kirigakure no Yuurei.
Panji conhecia-o bem. Era o tipo de ninja que vivia debaixo das asas do Kage de sua vila e fazia qualquer coisa que ele mandasse. Motosuwa costumava ser muito útil como pombo correio do Mizukage, mesmo sendo um oinin relativamente poderoso.
- Por que ele te mandou aqui?
- Ele quer detalhes.
- Fale para ele que a próxima vez que isso acontecer eu saio de Konoha e vou pessoalmente fazer uma visita.
- Não entendo, Yuurei. Isso o que?
- Visitinhas de mensageiros.
Motosuwa assentiu.
- Ele também me pediu para perguntar como anda o plano principal.
Panji se levantou e segurou o ninja pela gola. Arrancou sua máscara e encarou seus olhos castanho-amarelados.
- Você não deu sorte hoje, Motosuwa. Me pegou no pior dia possível.
O Mangekyou Sharingan brincou nos olhos dela, girando a uma velocidade incrível. Motosuwa soltou um gemido de dor e apagou por um momento, acordando no segundo seguinte.
- Passarei sua mensagem a ele, Kirigakure no Yuurei.
- Que bom. – e o soltou, deixando-o cair no chão de madeira com um baque surdo.
Ele se levantou e cambaleou, esforçando-se ao máximo para sair da mansão Uchiha e, principalmente, para sair da vila.
E foi só quando ele saiu que Panji reparou que alguém estava parado na porta da mansão, olhando para ela com uma expressão assustada. Não podia ser ninguém pior.
Era Hyuuga Kakashi.
Itachi observava Sakura dormir, na mesma cama em que ficaram tanto tempo juntos, na época que seus olhos falharam.
A notícia que ela lhe dera ainda girava em sua mente, confundindo-o. Já não era natural para ele sentir aqueles quinze anos a mais em suas costas, sem ter vivenciado nenhum deles, saber que tinha uma filha com esse mesmo número de anos o deixara atordoado.
Simplesmente, não tivera uma reação às palavras de Sakura. Quando ela disse que tinha uma filha, sentiu uma amargura intensa se apoderar dele, depois, quando ela corrigiu sua fala, ele simplesmente não sentiu. Ter um filho era algo que ele jamais imaginara, mesmo depois de pedir Sakura em casamento, ele imaginara que teria uns cinco ou seis anos com ela antes de ter um bebê.
Mas, pensando bem, ele não tinha um bebê. O que soava meio triste. Ele perdera uma vida inteira de uma menina que tinha seu sangue correndo nas veias.
Queria conhecê-la, queria saber como ela era. Queria saber o que ela acharia dele. E, por mais incrível que tal afirmação pareça, estava inseguro se ela conseguiria aceitá-lo como pai. Ele, Uchiha Itachi, um dos ninjas mais poderosos de todos os tempos, preocupado com a reação de uma garotinha de quinze anos.
E o pior, ele não sabia nada sobre ela.
Ele suspirou pesadamente e levantou, deixando Sakura dormindo sozinha.
Sasuke estava na cozinha, tomando seu café, e preparando-se para partir.
- Já vai? – Itachi perguntou.
Sasuke se virou para seu irmão, sem jeito. Há anos não tinham um momento como aquele. Aliás, nunca tiveram um momento como aquele, Itachi costumava estar sempre ocupado demais.
- Sim. Panji deve estar querendo me matar por tê-la deixado tanto tempo como babá.
Itachi suspirou.
- Panji... Sasuke, como ela é?
Sasuke olhou admirado para Itachi. Era estranho que eles estivessem passando por aquele tipo de situação, de fato não era algo que ele tivesse imaginado.
- Uma versão feminina de você.
E Itachi sorriu.
- Ela abriu seu quarto.
E Itachi se sentiu orgulhoso. Sua filha tinha seu chakra. Ela era como ele, devia ser tão poderosa como ele costumava ser.
- Se quer saber sobre ela, disfarce-se e sonde as pessoas sobre Kirigakure no Yuurei.
- Kirigakure no Yuurei?
- Esse é o nome que ela ganhou do povo da Vila da Névoa. Ela é a oinin mais poderosa da vila. Aliás, ela é ninja mais poderosa da vila, até mais do que o próprio Mizukage. – Sasuke fez uma pausa e olhou para seu irmão. – Você realmente precisa conhecê-la, Itachi.
E Itachi o encarou. Seus olhos estavam inexpressivos, mas ele borbulhava por dentro. Era maravilhoso sentir tudo aquilo dentro dele.
- Como foi para você, Sasuke? Ser pai?
Sasuke sorriu.
- Ele é minha vida. A única coisa que eu tenho em meu mundo arruinado.
- Sinto muito, por tudo.
Sasuke balançou a cabeça negativamente.
- Não sinta. Eu sei como foi para você, ter que fazer tudo aquilo.
- Que quer dizer? – Itachi perguntou, confuso.
- Quando Sakura me mandou usar meu chakra para te acordar, assim que eu pus minha mão em sua testa, uma torrente de pensamentos seus encheu minha mente. E eu via aquele dia, usando seus olhos. Senti toda sua dor, todo o seu sofrimento.
Itachi abaixou a cabeça. Anos e anos mantendo aquilo em segredo, só para seu irmão pôr uma mão em sua testa e descobrir tudo. Que inútil...
Sasuke suspirou. Podia entender porque Itachi perdera o brilho de seus olhos, podia entender porque ele ficara tão frio, podia entender porque se fechara dentro de si mesmo e se isolara de tudo.
- Fico feliz que você tenha encontrado a Sakura. – Sasuke disse, do nada.
Itachi ergueu uma sobrancelha. Essa era uma afirmação que ele jamais esperava ouvir em sua vida.
- Você sabe que o que você acabou de dizer não faz sentido, não sabe? Você pode não lembrar, Sasuke, mas você gostava muito de uma menininha de cabelos róseos quando tinha cinco anos.
Sasuke abaixou a cabeça e forçou um sorriso.
- Ela é a única pessoa no mundo que conseguiria atingir seu coração depois de tudo aquilo. Ela faz isso com as pessoas, ela é como o Naruto. Um sorriso e você demolirá todas as suas barreiras e deixar que ela entre em sua vida como se sempre tivese sido parte dela.
Itachi não pôde responder. Ele estava certo. Absolutamente certo. Não conseguia mais imaginar sua vida sem aquela kunoichi de cabelos róseos que sabia como ser irritante, adorável, ridícula e amorosa, tudo ao mesmo tempo.
- Você ainda a ama. – não era uma pergunta.
- Sim. – Sasuke deu de ombros. – Você precisa dela muito mais do que eu. Ela precisa de você, não de mim. E o mais importante de tudo, eu nunca mais quero ver minha sobrinha chorar daquele jeito. Ela não foi feita para isso.
- Chorar?
- Quando ela abriu seu quarto, viu tudo ali, tudo que você era, bem em frente a seus olhos, tudo que ela jamais poderia ter. Ela chorou Itachi, o choro mais sincero e doloroso que eu já vi em toda a minha vida. E acredite, eu já vi a mãe dela chorar muitas vezes.
Pior do que o choro da Sakura. Era algo simplesmente inimaginável. Sakura chorando podia partir o coração do mais cruel dos assassinos, como Panji poderia ter sido ainda mais emotiva do que a Haruno? Era desesperador só pensar em algo assim.
- Eu sei que pode parecer loucura, - Sasuke continuou. – mas você será um ótimo pai, Itachi. Eu tenho certeza disso.
Itachi sorriu e eles ficaram se encarando. Muitas coisas foram ditas naquele silêncio, muitas desculpas foram pedidas e aceitas, muitos problemas foram resolvidos. Tudo sem uma única palavra dita.
E se abraçaram, do jeito que irmãos deveriam fazer.
- Obrigado por ter me deixado vivo. – Sasuke disse.
- Não, Sasuke, sou eu quem tem que te agradecer por me deixar vivo.
E riram. Nada seria como antes, tudo mudaria radicalmente a partir daquele minuto tão diferente.
- Perdi algum acontecimento extraordinário? – a voz suave e sonolenta de Sakura invadiu os ouvidos de ambos.
- Ah sim, você perdeu. – Sasuke disse. – Mas não se importe com isso.
E Itachi sorria de um jeito que ela nunca tinha visto na vida. Sorria de verdade, havia felicidade naquele gesto singelo, e ela não pôde deixar de sorrir também. E ele abriu os braços para ela, convidando-a a se aninhar nele mais uma vez.
E ela foi, abraçar-se a ele, como se fosse a primeira vez que fazia isso na vida. E se sentiu tão bem ali, tão confortável, tão quente. Podia ser assim para o resto de sua vida. Para todo o sempre.
- Eu realmente preciso ir. – Sasuke anunciou, sentindo-se um pouco triste com a cena que via.
Sakura saiu do abraço de Itachi e o abraçou. Um de seus melhores amigos. Que ela sentira tanta falta.
- Obrigada. Por tudo.
Sasuke afagou os cabelos róseos.
- Não precisa agradecer, de verdade. Mas eu realmente preciso ir. Tenho a leve impressão de que serei vítima de uma tentativa bem sucedida de assassinato se não voltar a Konoha dentro dos próximos dias.
Sakura riu.
- Pode apostar que sim. Já deve ter começado a nevar. Ela realmente odeia neve. – e então a expressão da Haruno ficou mais séria. – Ei, Sasuke, se acontecer alguma coisa com ela, pegue um frasco vermelho dentro do kit de primeiros socorros dela, tudo bem?
Sasuke ergueu uma sobrancelha.
- Que quer dizer?
- Apenas me prometa que você vai fazer isso.
- Claro. Só não entendo.
- Obrigada. Peça para ela voltar para casa assim que puder.
- Considere o recado dado.
E Sakura sorriu mais uma vez.
Itachi e Sasuke se abraçaram mais uma vez e o Uchiha mais novo partiu, de volta à sua Konoha.
Kakashi saiu da mansão Uchiha antes mesmo de entrar nela, com uma cara assustada, como se acabasse de ver um fantasma. Bom, tecnicamente, ele havia visto uma.
- Ah, droga. – Panji resmungou, mal-humorada. Sua sorte do dia continuava simplesmente maravilhosa.
Ela pegou uma capa em seu quarto e saiu da mansão, odiando cada segundo daquele passeio ao ar livre. Não se importava com o frio, mais odiava neve.
Logo, conseguiu avistá-lo na imensidão alva de uma clareira da floresta. Algumas flores ainda resistiam ao frio, e Panji tremeu ao olhar aquelas belezas congeladas.
- Kakashi! – ela chamou.
Ele a mirou, transtornado. Seus olhos, mesmo que sempre parecessem inexpressivos, devido à sua cor, mostravam toda sua confusão e seu medo. Sim, ele estava apavorado.
- O que você é? Seu doujutsu... – ele tremia de leve.
- Sou uma Uchiha, Kakashi.
Ele empalideceu. Então era mesmo verdade. Neji estava certo, Naruto estava errado. O que ele faria agora? Tinha que contar para os outros, certo? Era sua obrigação...
- Kakashi, escute. Se alguém souber quem eu realmente sou, vão me expulsar, e você sabe o que isso implicaria, não sabe?
Sim, ele sabia.
- O que isso importa para você? – ele perguntou desconfiado. – Achei que o desejo de seu Mizukage fosse que a guerra começasse. E o mais rápido possível.
Panji não falou nada. Ele tinha razão. Esse era um pedaço de sua missão, a qual ela só aceitara por puro tédio. E nos últimos tempos em Konoha, ela andara tão ocupada que o tédio simplesmente desaparecera. Pensando nisso agora, era realmente estranha.
- Você tem razão. – ela respondeu, olhando para o nada.
- Então, o que me impede de contar?
- Não sei.
Kakashi ergueu uma sobrancelha. O que estava acontecendo com ela? Estava diferente, parecia mergulhada em um mundo diferente de seu mundo habitual. E o que era ainda mais estranho, ela não parecia nem um pouco à vontade com a neve.
- O que está havendo com você?
Ela cambaleou e se sentou na neve.
- É essa maldita neve. E essas malditas flores.
Flores? Na neve? Do que ela estava falando? Mas então ele olhou em volta e viu flores arroxeadas, quase completamente congeladas. Era incrível que elas conseguissem sobreviver àquela temperatura.
- Que flores são essas? – ele perguntou, correndo para se juntar a ela.
- Panjis.
Os olhos perolados do Hyuuga se arregalaram de surpresa.
- Eu nunca saio em missão no inverno. E você é o primeiro a saber disso, então acha melhor ficar de boca fechada. – ela ameaçou.
- Ou o quê? – ele desafiou, cansado das ameaças dela.
- Ou eu te mostro o que o ninja que estava comigo quando você chegou estava sentido.
Kakashi engoliu em seco. Sabia que ela não estava brincando, e não estava muito a fim de descobrir os poderes do Sharingan usando sua própria pele.
Panji soltou um gemido e segurou a cabeça, que parecia querer explodir em mil pequenos pedacinhos.
- O que está acontecendo com você? – Kakashi perguntou, cada vez mais apavorado com o que estava acontecendo com ela.
Mas ela não teve tempo de responder. Perdeu a consciência antes de sequer ouvir a pergunta.
