Capítulo 15 on! Acho que esse foi o capítulo mais longo que eu já escrevi na vida, se não me falha a memória. Espero que gostem!

Agradecimento especial a Luna Stuart pela betagem desse cap!

Agradecimento às reviews: Bruna², lloo 161, sango7higurashi, Sabaku no AnaH, DarkAngel16694, Uzu Hiina, Tia Kirie, Anita-chan e n1ckydant3s! Espero que todos tenham recebido minhas replies!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XV – Flor congelada

- O que aconteceu?

Para a tristeza de Kakashi, não era seu pai quem chegava e sim seu tio e sua mãe. Queria contar logo para alguém o que havia descoberto, mas sabia que esse alguém tinha que ser Naruto e mais ninguém.

- Ela desmaiou, do nada.

- Como do nada? – Neji perguntou. – Se essa menina morrer aqui nós teremos muitos problemas!

E ele começou a discutir com a primeira enfermeira que apareceu para checar a paciente, quase fazendo-a chorar.

- Pare com isso, Neji. – Hinata repreendeu. – Deixe Kakashi terminar a história!

Era raro ver Hinata apreensiva, ou falando daquele jeito. A situação era realmente crítica.

- Estávamos numa clareira. E ela disse que odiava neve. Depois falou algo sobre panjis e desmaiou.

- Panjis? As flores? – Hinata perguntou.

Kakashi assentiu.

- Havia algumas na clareira. Não sabia que existiam flores que suportassem tanto frio.

- Panjis são flores especiais. – Hinata disse. – Elas florescem no inverno e agüentam temperaturas que poucas flores agüentam. De fato, uma flor congelada.

Flor congelada... Era o nome perfeito para Panji, Kakashi pensou.

- E foi só isso? – Neji perguntou.

- Foi. Ela falou nas flores, e desmaiou.

- Ótimo. – Neji praguejou. – Nenhum dos médicos sabe o que ela tem! O que faremos até essa menina acordar? E se ela não acordar?

- Não entre em pânico, Neji. – Hinata pediu.

- E Sasuke ainda não voltou. – o Hyuuga ainda praguejava. – Talvez ele saiba alguma coisa!

Kakashi suspirou.

- Preciso falar com meu pai. – ele declarou.

Hinata assentiu e ele partiu.


Naruto estava em casa, pensando no que tinha acontecido a Panji quando Kakashi irrompeu pela porta, ligeiramente transtornado.

- Otou-san, preciso falar com você.

Naruto ergueu uma sobrancelha. Não estava acostumado a ver seu filho naquele estado, ele sempre fora muito calmo, às vezes até frio demais, do jeito que Neji era quando tinha a mesma idade.

- Fale, Kakashi.

- A Panji... ela... ela...

- Desmaiou? Eu sei.

- Não é isso. Eu descobri quem ela é.

Naruto suspirou. Era a hora da confirmação que ele não queria ter. Ou, quem sabe, em uma remota esperança, da negação que ele tanto almejava.

- Ela é uma Uchiha.

Pronto. A confirmação.

- Como imaginávamos. Como descobriu?

- Eu a vi usando o Mangekyou com um ninja da Névoa que foi visitá-la.

- E ela sabe que você sabe?

- Sim. Eu saí correndo e ela correu atrás de mim. Foi aí que chegamos na clareira, e ela falou sobre a neve, e as flores de nome panji e desmaiou.

Naruto suspirou mais uma vez.

- Sasuke deve chegar hoje, acredito que ele possa ajudar. Ele já deve saber alguma coisa...

- Aonde ele foi, otou-san?

- Sinceramente, eu nem desconfio.

Kakashi ergueu uma sobrancelha.

- Ele pode não ter te dito, mas eu tenho certeza que você sabe. – Kakashi disse.

- Bom, eu acho que ele foi visitar Sakura-chan.

- Sakura? A Akatsuki no Hana?

- Sim, ela mesma.

- Por que ele faria isso? Ela é perigosa não é?

- Ela é tão perigosa para ele quanto Panji é para você.

Aquela afirmação confundiu Kakashi. Se era assim, Sasuke corria um risco de vida gigantesco.

- Otou-san, é provável que ele esteja morto então.

Naruto riu.

- Você realmente acha que a Panji te mataria?

- Claro que sim.

E Naruto ria, incontrolavelmente.

- E pensar que eu era setenta vezes menos observador que você quando tinha dezesseis anos. Eu era um pateta...

- Otou-san, é sério. Sasuke pode estar morto agora.

- Kakashi, se Panji pudesse te machucar ela já teria feito isso. Vocês lutaram outro dia, não foi? Você realmente acha que sairia vivo de uma luta contra a grande Kirigakure no Yuurei? Mesmo de olhos fechados ela o teria matado com um só golpe. Mas ela apenas se esquivou de seus ataques, deixando claro que ela era a mais forte, mas sem encostar um dedo em você.

Pensando por esse lado, Naruto estava certo. Kakashi não tinha parado para reparar isso, mas era a mais pura verdade. Ningém jamais saíra vivo de uma luta contra ela.

- Kirigakure no Yuurei... – Naruto murmurou. – Uchiha Panji.

A junção do sobrenome com o nome fez Kakashi tremer.

- Sasuke chegou. – Naruto afirmou, do nada.

E Kakashi sentiu também. O chakra do Uchiha entrando na vila.


- Otou-san! – o pequeno Fugaku gritou assim que viu seu pai entrando em casa.

- Algum problema, Gaku-kun? – Sasuke perguntou, preocupado com a súbita reação do filho.

- Panji nee-chan está no hospital!

Sasuke sentiu seu rosto empalidecer com a afirmação. Sakura sabia. Ela sabia que alguma coisa aconteceria com Panji e dera as instruções para ele. Como ela poderia saber?

Ele largou suas coisas no chão e correu para o hospital, lembrando-se das exatas palavras que a Haruno dissera antes de ele partir para Konoha. "Ei, Sasuke, se acontecer alguma coisa com ela, pegue um frasco vermelho dentro do kit de primeiros socorros dela, tudo bem?"

- Tsunade-sama! – ele exclamou ao ver que a Godaime estava ao lado de Panji, que ardia em febre. – O que ela tem?

- Ninguém sabe. Ela desmaiou, simplesmente.

Ele viu os pertences da menina todos em cima de uma mesa. Correu para eles e procurou pela bolsa de primeiros socorros. Dentro dela, não foi nada difícil achar o tal frasco vermelho que Sakura descrevera.

- Dê isso a ela. – ele disse.

Tsunade ergueu uma sobrancelha.

- Como sabe sobre esse frasco?

- Tsunade-sama, perdoe-me, mas isso aqui é uma emergência, certo? Apenas dê isso a ela. Eu sei que vai ajudar.

Tsunade continuava desconfiada, mas obedeceu. Despejou o conteúdo do frasco no lugar do soro, o líquido iria direto para o sistema circulatório da jovem kunoichi.

- Isso aqui tem a cara da Sakura, Sasuke. Como você sabia sobre ele? E por que ele estava com a menina?

Sasuke suspirou. Lidar com antigos mestres era algo que nunca dava certo. Claro que Tsunade reconheceria qualquer coisa que derivasse da Haruno, fora ela quem lhe ensinara tudo! O que diria? Como explicaria?

- Não me diga que essa menina é...

Não havia escapatória, ele teria que contar.

- Ela é filha de Sakura, Tsunade-sama.

Uma lágrima escapou dos olhos cor de mel da Godaime. Filha de Sakura. Filha de sua mais querida aluna.

- Ela é uma Uchiha? – a voz dela falhou em sua garganta. – Ela é filha de Itachi?

- Tente não pensar nessas coisas, Tsunade-sama. Onegai.

Tsunade virou os olhos para Panji e percebeu que os olhos da menina começavam a se abrir. A febre cedia lentamente.

- Droga... – ela praguejou, cerrando os dentes. – Por favor, digam-me que eu não desmaiei.

- Desculpe informá-la, Panji, mas você desmaiou sim. – Sasuke disse, sorrindo.

- Não acredito, não acredito, não acredito! Malditas flores! Isso é culpa sua, Uchiha-san! Se você não tivesse demorado tanto eu não teria... Kakashi não teria... Ahh!! – ela gritou, enfurecida.

Sasuke riu, divertindo-se com a súbita explosão de emoções da indiferente Yuurei.

- Obrigada, mesmo assim. – ela disse, a cabeça baixa. – Foi ela quem te disse do frasco, não foi?

Sasuke assentiu.

- Tudo bem por lá?

- Sim. Ela pediu que você voltasse para casa o mais rápido que pudesse.

Panji o encarou com um olhar indagador. Sakura nunca interrompera uma de suas missões. Ela às vezes ficava meses seguidos fora de casa sem ouvir uma notícia sequer sobre a Haruno.

- Alguma emergência?

- Pode-se dizer que sim. Nada ruim.

Panji suspirou. O que faria? Sua missão não estava nem de longe completa. Ainda havia muito a se fazer.

- Tudo bem, eu vou. – ela declarou. – Mas... Antes de eu ir, será que eu poderia falar com Kakashi?

Sasuke a mirou, espantado. Ouvira mesmo direito? Ela queria falar com o Hyuuga? O que ele perdera nos dias que ficara fora?

- Claro. Arrume suas coisas e eu te levo até o bairro Hyuuga.


Kakashi estava deitado em sua cama, admirando o teto quando notou que não estava sozinho em seu quarto. Surpreendeu-se ao ver quem estava parado à sua porta.

- Panji?

- Hai. Sasuke-san me deu meu remédio.

A última pessoa que ele esperava ver naquele momento era ela. Nunca imaginaria que ela entraria em seu quarto assim do nada.

- O que faz aqui?

Panji bufou.

- Pensei que quisesse saber por que eu desmaiei no meio da neve. Mas eu posso ir embora se você preferir.

Ela realmente explicaria a ele? Que mudança...

- Não, eu quero saber. Sente-se, por favor.

Ela se sentou na beirada da cama. Kakashi a observava atentamente. Estava ávido de curiosidade.

- É uma longa história. – ela suspirou.

- Não tenho nada para fazer. – ele argumentou.

Ela respirou fundo e começou.

A Akatsuki ainda existia, embora apenas minha mãe, Pain e Konan tivessem sobrevivido. Os três estavam no País da Neve, em busca de um ninja que tinha potencial para ajudá-los na captura da Kyuubi. Na Neve é sempre frio, e para piorar, era inverno.

Minha mãe já estava no nono mês de gravidez, mas Pain não podia se dar ao luxo de dispensar uma kunoichi tão forte quando ele estava com falta de pessoal.

No meio da missão, quando eles repararam que havia ninjas de outras nações atrás deles, a bolsa rompeu e minha mãe estava prestes a me dar a luz.

Como era de se esperar, Pain e Konan continuaram fugindo, enquanto minha mãe teve que parar e fazer tudo sozinha. Ela parou no primeiro lugar que pôde e esse lugar era um canteiro de panjis.

Panjis são flores que agüentam temperaturas muito baixas e não morrem. Não são nada delicadas, considerando esse fato. São muito fortes. E eu nasci ali, no meio da neve e das panjis.

Panji suspirou.

- Um ano depois eu e minha mãe descobrimos a conseqüência de tal acontecimento. Alergia crônica ao pólen daquelas coisinhas roxas e brancas. E, pro meu nariz, o cheiro fica mais forte quando neva, e eu sinto o cheiro por todos os cantos. Por isso, eu odeio neve.

Kakashi estava boquiaberto, encarando a kunoichi.

- Então, seu aniversário já passou.

- Dessa história toda, foi nisso que você prestou atenção? – ela perguntou com escárnio.

Kakashi riu.

- Então, agora você também tem dezesseis.

- Sim, eu tenho.

- Pain e Konan morreram naquele dia?

- Sim. Minha mãe nunca me contou, mas eu tenho certeza que ela se aproveitou do fato de que os outros ninjas já tinham enfraquecido os dois e deu o golpe final, sabe como é, por eles terem deixado-a sozinha.

Kakashi riu.

- Foi crueldade deles.

Foi a vez d Panji soltar uma gargalhada estrondosa.

- Se você acha isso cruel, você não agüentaria ouvir as outras histórias da Akatsuki.

- Tem razão. – ele admitiu. – Prefiro viver no meu mundinho de algodão-doce, como você mesma o descreveu.

- Você é uma negação.

Kakashi deu a língua para ela.

- E você é amarga.

E sorriram um para o outro. De um jeito terno e verdadeiro.

- Agora, me diga por que você veio tão solicita até a minha casa para me contar a história da sua alergia.

- Eu estou voltando para casa. – ela anunciou. – Não devo voltar. E se eu voltar vai ser por causa da guerra.

Kakashi abaixou a cabeça. Sabia que aquele dia chegaria logo, mesmo que quisesse atrasá-lo por pelo menos mais alguns meses.

- Então, eu vim te dizer adeus e te pedir para parar de gostar de mim, como você disse no outro dia.

- Por que eu deveria? – ele estreitou os olhos, irritado.

- Como eu já disse, você é fadado a ter uma grande decepção na vida. E se continuar gostando de mim, essa decepção será a minha pessoa.

Kakashi suspirou.

- Você já gostou de alguém na vida? Não se pode simplesmente parar um sentimento porque você acha que deve ser assim.

Panji deu de ombros.

- Desculpe. A única pessoa por quem eu tenho sentimentos é a minha mãe. E acho que nunca precisarei parar de gostar dela.

Kakashi bufou.

- Duvido que você só sinta alguma coisa por sua mãe. Você ficou semanas aqui em Konoha! Você cuidou de Fugaku como se ele fosse da sua família! Não pode me dizer que vai conseguir ir embora e esquecer de todos aqui. Voltar e matar todos nós.

- Não faça isso do jeito difícil. Aliás, não, continue assim. Aí você me odiará e não hesitará em me matar se for necessário.

- Não seja ridícula! – ele esbravejou. – Nunca poderei te matar e você sabe disso, não sou forte o suficiente. E também nunca vou conseguir te odiar.

Panji se levantou.

- Faça o que quiser, Kakashi. Apenas saiba, que de agora em diante, eu sou sua inimiga e não a visitante de Kirigakure.

Kakashi a pegou pelo pulso e a obrigou a se sentar de volta. A raiva transbordava de seus olhos, junto com uma leve tristeza.

- Por que não fica?

- Sou filha de traidores, esqueceu?

- E por que veio me dar adeus? Podia ter simplesmente ido embora.

- Sinceramente, eu não sei.

Ele ainda a segurava firmemente pelo pulso. Não queria deixá-la ir. Não podia deixá-la ir. Não agora que finalmente ela começava a se abrir mais, a ser uma pessoa normal.

- Panji, você não reparou?

- O que?

- Quando você chegou aqui, você era uma máquina fria e calculista. Agora você é uma pessoa normal.

É, ela tinha que admitir que ele tinha toda razão. Bem que sua mãe lhe avisara que Konoha amolecia as pessoas.

- Mais um motivo para eu ir embora logo.

E Kakashi a puxou para si, grudou seus lábios nos dela e implorou, mudamente, que ela o correspondesse. E, estranhamente, ela o correspondeu, abrindo os lábios de leve para dar passagem à língua ávida do Hyuuga.

Minutos inteiros foram gastos ali, um explorando a boca do outro, como se fosse a última chance que teriam na vida, o que não era, exatamente, uma mentira.

- Não pode ficar, nem mesmo um dia? – ele pediu.

- Não posso. Minha mãe me espera.

Ele a girou, fazendo-a deitar em sua cama, enquanto ele se apoiava com os dois braços, encarando-a.

- Não adianta me olhar assim. Estou indo assim que eu conseguir fazer você sair de cima de mim.

- Se você quisesse, já teria se libertado há muito tempo.

Ela não tinha resposta àquilo. Era verdade. A mais pura verdade.

E se beijaram de novo, dessa vez com muito mais intensidade, muito mais urgência. E, no fim, ela conseguiu se desvencilhar dos braços dele e chegar até a porta.

- Você vai se machucar. – ela avisou.

- Não me importa.

- Masoquista.

- Pode ser que eu seja mesmo.

- Eu posso te matar com um olhar.

- Você não vai fazer isso.

- Tem razão. – ela admitiu. – Adeus.

- Adeus.

E ela partiu.