Olá a todos! Vocês bateram o recorde de reviews dessa história no último cap! 17! Muito obrigada, de verdade. Espero continuar agradando vocês com os caps dessa história.

Agradecimento às reviews: Luna Stuart, Insana, Tia Kirie, Pequena Perola, Loredana Cullen, lloo 161, Uchiha Madazitah, Bruna, Sabaku no AnaH, sango7higurashi, n1ckdant3s, Anita-chan, Nana, A'Cardosa, Thais Vasconcellos, Lolitah e Uzu Hiina!!

Diclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XVI – Bolo de chocolate

Panji andava lentamente. Fazia horas que chegara em Kirigakure, mas diminuíra o passo da caminhada para demorar o máximo possível para chegar em casa. Sabia que seu tédio voltaria no segundo que pisasse na bela casa oriental.

Lembrava-se, principalmente, da carinha que Fugaku fizera quando ela disse que iria embora.

- Mas, você volta logo, né? – ele perguntou, segurando lágrimas que obviamente queriam cair.

- Acho que não, Gaku-chan. Acredito que eu não voltarei mais.

E ele a abraçou apertado.

- Por quê?

- É complicado demais para você entender.

Era fácil explicar para Kakashi, afinal ele não era criança nenhuma. Mas, Fugaku? Ele não tinha nem noção das podridões do mundo, e não precisava saber agora. Que as decepções fossem adiadas o máximo possível. Que as crianças fossem inocentes, e os adultos carregassem os pecados.

Até a despedida de Sasuke fora diferente do que ela imaginara. Mais... triste do que ela pensara.

- Foi bom poder hospedá-la. – Sasuke disse, sorrindo de leve.

- Obrigada, Sasuke-san. Pelo quarto e tudo mais.

- Ele estará sempre aberto para você. Não importa a situação. Lembre-se sempre disso, tudo bem?

Panji assentiu. Sasuke a abraçou brevemente.

- Cheguei. – ela anunciou, desanimada.

A sala estava escura e vazia. Estranhou que sua mãe não estivesse ali, já que a chamara com tanta urgência, mas não se importou realmente. Apenas deitou no chão forrado com esteiras de bambu e fechou os olhos. Concentrando-se para esquecer tudo que vivera em Konoha. Cada um dos detalhes, sem exceção.

E, de repente, sentiu sua mãe bem perto dela. Ela abriu os olhos e a encarou. Levou um susto. Sakura parecia outra pessoa. Exalava uma felicidade que ofuscava.

- Você está diferente. – as duas disseram ao mesmo tempo.

- O meu motivo você logo saberá. – Sakura disse. – Mas você... Está muito diferente.

Sakura tomou o rosto de Panji em suas mãos e olhou bem fundo nos olhos negros de sua filha.

- O que aconteceu com você?

- Nada. – Panji mentiu.

- Não adianta. Eu sei que aconteceu, só quero que você me conte tudo, antes que eu te bombardeie com minhas novidades.

Panji suspirou. O que adiantaria mentir para sua mãe? Ela nunca conseguira fazer isso. E ela descobriria sozinha, mais cedo ou mais tarde.

- Vai me contar? – Sakura insistiu.

- Muitas coisas, okaa-san. Muitas coisas.

- Comece me dizendo por que você parece mais... sentimental.

O sorriso no rosto de Sakura irritou Panji, mas não do jeito que a irritaria quando ela saiu de casa.

- Não sei como contar. É estranho. Primeiro tem o Fugaku, depois o Kakashi, e até mesmo o Sasuke.

- Ele, de fato, me contou que você ficou de babá do filhinho dele.

- Sim, eu fiquei. Gaku-chan. Ele realmente gosta de mim, okaa-san, dá para acreditar nisso? Aquela criança gosta de mim!

Sakura riu.

- Não é difícil gostar de você, Panji-chan. Acredite.

- Okaa-san, eu massacrei uns invasores que mataram ANBUs, e fiz com um único golpe. E ele viu. Viu e passou a gostar de mim. Ele estava chorando quando eu parti.

- Ele sabe que você é prima dele?

- Não.

- Mas... Continue. Kakashi. Quem é ele?

- Aquele Hyuuga que encontramos com Sasuke naquele dia, lembra?

Sakura fez que sim com a cabeça. Finalmente saciaria sua curiosidade sobre aquele menino.

- Ele é filho do Hokage com a chefe da família principal Hyuuga, Hinata.

Exatamente como ela imaginava. Filho de Hinata e Naruto.

- E o que aconteceu ente vocês? – Sakura perguntou, intrigada.

Panji abaixou a cabeça e sentiu seu rosto corar, como jamais acontecera antes.

Sakura mirou sua filha, abismada. Pensara que nunca presenciaria aquela cena. Kakashi era um garoto especial, sem dúvidas.

- Não me diga que você...

- Ele me beijou, está bem? Só isso. Quando eu fui me despedir dele.

Sakura não resistiu à tentação de abraçar sua filha. Sua flor congelada desabrochara finalmente. Descobriria um inteiro novo mundo que se abria a seus pés.

- Não faça isso, okaa-san. Não vai mesmo acontecer de novo.

Sakura deu de ombros.

- Não importa se acontecerá de novo ou não, Panji. O que importa é que aconteceu. Importa que você quis que acontecesse, importa que você queria que acontecesse de novo.

- Eu não disse isso.

- Claro, claro. – a Haruno debochou. – Porque ele te agarrou à força, você não correspondeu e depois ele te obrigou a beijá-lo de novo.

- Pára com isso! – Panji protestou.

Sakura sorriu.

- Panji, você é outra pessoa. Sua essência pode continuar a mesma, afinal você ainda é uma Uchiha e não mostrará sentimento nenhum com facilidade, mas, você agora descobriu que possui esses sentimentos. E nada é mais importante que isso.

Panji sabia que Sakura estava certa. Ela podia sentir as mudanças correndo em suas veias, como se fosse um novo componente em seu sangue. E, para sua surpresa, ela gostava da nova sensação.

- Mãe, Konoha não era entediante.

Aquela pequena frase marcou a mudança de Panji, bem a frente dos olhos de sua mãe.

- Que bom, filha. – e a apertou em um abraço.

- Acho que devo ir até o Mizukage, falar que estou de volta e que não vou voltar para Konoha.

- Sim, você deve. Você não quer lutar nessa guerra, estou certa?

- É, eu não quero. Mas eu vou ter que lutar. E matar todos eles.

Panji sentiu uma mão de ferro apertar seu coração quando pronunciou a última parte de sua frase.

- Você não precisa fazer isso, se não quiser.

- Preciso. Eu disse para eles se prepararem para me matar, quando chegasse a hora. Kakashi sabe de todos os meus pontos fracos. Se eu não matá-lo, ele me mata primeiro.

Sakura riu.

- Você acha mesmo que ele seria capaz de te matar? Ele não vai nem te machucar, Panji, que dirá tirar sua vida. Você não precisa ir nessa guerra, você sabe disso. Você só está com medo de se tornar uma pessoa que se deixa guiar pelos sentimentos.

- Fracos. Eu não preciso ficar fraca.

- Não é fraqueza. E você realmente acha que seria capaz de viver depois de matá-los? Pessoas que você ama? Você ia querer parar de viver junto com eles.

- Okaa-san, foi isso que você sentiu quando matou seu sensei?

- Bem próximo disso. Mas eu o fiz para proteger alguém que eu amava, era o único jeito de nós dois sairmos dali com vida. Mas você não. Você irá matá-los só para provar que é fria e insensível? Isso não faz o menor sentido, Panji.

Panji suspirou e se levantou.

- Preciso ir agora. Faz bolo de chocolate para mim?

Sakura riu e estalou um beijo na bochecha de sua filha. No fundo, ela não passava de uma menina carente.


- Já de volta? – o Mizukage perguntou, desdenhando.

Panji revirou os olhos, mas o Kage não pôde ver esse simples sinal de irritação, pois o rosto da kunoichi estava coberto por sua máscara de oinin.

- Já disse, minha mãe pediu que eu voltasse. Mas eles já sabem da verdade, todos da vila.

- Eles te expulsaram?

- Não.

- Então não adiantou nada! Você vai ter que voltar para lá.

- Você acha que está falando com quem? – Panji perguntou em um tom ameaçador. – Não vou voltar para lá. Se quer mesmo atacar, invente um motivo qualquer. O resultado da batalha independe dos motivos que a começaram.

- Você é uma menina insolente!

- E você é um velho que não sabe medir suas palavras. Ou será que ficou com uma súbita vontade de morrer antes de atacar Konoha?

O Mizukage se encolheu, tremendo de leve. As palavras de Panji soaram cortantes como a lâmina de uma katana.

- Eu podia te renegar, sabia disso? – ele ameaçou, com palavras frouxas e gaguejadas.

Panji riu. A gargalhada fria que não usava há algum tempo.

- Me renegar? Claro, só se você quiser que essa vila pare de funcionar. Eu ainda sou sua melhor ninja, e ninguém nunca vai chegar ao meu nível, e você sabe disso melhor do que ninguém.

- Você só me traz problemas.

- Fico feliz em saber. Qualquer nova missão, pode me passar. Desde que eu esteja bem longe de Konoha. Está bem assim?

Seu tom era falsamente amigável e escondia milhares de avisos do tipo "Se me mandar para lá de novo, você morre.".

- Está bem.

- Ótimo.

Panji saiu da torre do Mizukage sentindo-se um pouco mais tranqüila. Todo aquele terror psicológico deveria ter sido o suficiente para manter o velho bem assustado e, por conseqüência, mantê-la fora daquela guerra, longe da Folha.

Era tudo que ela precisava, certo? Ficar longe de Sasuke, Fugaku e Kakashi, principalmente Kakashi. Se nunca mais os visse seria tudo mais fácil, tanto para ela, quanto para eles. A distância e o tempo iriam gradativamente tirar as memórias da mente de todos eles, até que não restasse mais nada. Certo?

Ela sabia que estava mentindo para si mesma, mas não importava. Estaria tudo bem desde que eles se esquecessem dela. Já era o suficiente.

E tão absorta estava em seus pensamentos, que mal notou que chegara ao jardim de sua casa. E mal notou a presença estranha que ali se encontrava.


Itachi estava sentado em baixo de uma árvore, jogando kunais em um tronco caído. Sakura estava entretida na cozinha, e ele não queria ficar dentro de casa. Ansiava por começar a testar suas habilidades, já que não sabia o quão limitado estava, graças a seus quinze anos de sono.

Sakura dizia que ainda era cedo demais para ele recomeçar a treinar, mas ele discordava. Nunca era cedo demais para treinar, ele aprendera isso antes mesmo de se tornar gennin.

Foi quando notou que não estava sozinho no belo jardim. Uma figura esguia estava parada a poucos metros dele, a máscara felina de oinin impedindo-o de saber o que se passava na mente dela.

Claro que ele sabia quem era. Era Panji, a filha que ele nunca tivera oportunidade de conhecer. O que ele deveria fazer? Não conseguia pensar em nada para dizer, estava apenas estático, olhando para ela, suas mãos ainda jogando as kunais, sem que ele percebesse.

Ele observou atentamente enquanto ela sacava uma shuriken do bolso e impediu uma kunai de acertar o tronco.

- Lute comigo. – a voz dela soou, o tom indecifrável.

Ele se levantou e largou as kunais e shurikens que carregava consigo no chão. Ela o imitou, mas em momento nenhum tirou sua máscara.

Avançaram um para o outro instintivamente, lutando apenas com taijutsu, sem o uso de chakra. Passaram-se minutos que pareceram horas, enquanto eles pareciam dançar, perfeitamente sincronizados. Era uma luta equilibrada, que poderia durar uma eternidade se alguém não a definisse.

Num segundo de distração de Panji, Itachi a derrubou no chão e segurou firmemente as mãos e os pés da kunoichi, impedindo-a de se mover.

- Sinto muito, mas acho que você perdeu aqui. – ele disse calmamente, sorrindo de leve.

- É mesmo você. – a voz saiu rouca, pois ela lutava para não deixar aquelas lágrimas caírem. – Como é possível?

- É uma longa história. Acho que você vai querer ouvi-la de barriga cheia. Sua mãe está fazendo o almoço.

Ele tirou a máscara dela e ficou encarando o rosto que acabava de descobrir. Ela tinha os traços delicados de Sakura e os olhos profundos de um Uchiha. Ela era a mistura perfeita dos dois, Sakura e Itachi.

Ele a soltou, deixando-a sentar-se na grama,ainda meio coberta pela neve.

- Ouvi dizer que você não gosta de neve. – ele disse, o tom preocupado. – Quer entrar?

Ela assentiu e ele a ajudou a se levantar. Ficaram olhando um nos olhos do outro, como que enfeitiçados. Nenhum dos dois estava preparado para aquilo, nenhum dos dois sabia o que dizer ou o que fazer. Mas isso não os deixava desconfortáveis, pelo contrário, parecia simplesmente perfeito.

E Itachi a puxou em um abraço que ela adorou corresponder. E enquanto se perdia nos braços de seu pai, pela primeira vez na vida, ela sentiu as lágrimas contra as quais lutara tanto, rolarem por seu rosto livremente.

- Espero ser digno de ser pai da grande Kirigakure no Yuurei. – ele disse, o sorriso se espalhando por seu rosto frio.

Panji segurou a camisa de Itachi com força, segurando os soluços das lágrimas que se intensificavam.

- Sou eu quem espera ser digna de ser filha de Uchiha Itachi.

Itachi afagou os cabelos de Panji.

- Quanto isso, você não precisa se preocupar. Você é muito mais do que eu jamais sonhei ser.


Foi com lágrimas nos olhos que Sakura viu as duas pessoas que ela mais amava na vida entrando pela porta da cozinha, abraçadas. Panji estava com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar e Itachi apenas sorria, seu raro e maravilhoso sorriso.

Os três sentaram-se à mesa, prontos para o primeiro almoço daquela recém-descoberta família.

Sakura e Itachi explicaram tudo o que aconteceu, tudo que Sasuke havia escondido e carregado sozinho durante todo aquele tempo.

Panji revirou os olhos.

- É a cara dele. Incrível. Eu deveria ter reparado, quando ele pediu para saber onde era nossa casa. Por que vocês são todos assim?

- Que quer dizer? – Sakura perguntou erguendo uma sobrancelha.

- Comprometidos com as pessoas. Todos vocês, de Konoha são assim. Sem exceção.

E lançou um olhar significativo para seu pai.

- E isso é ruim? – Sakura perguntou, rindo.

- Não sei. Ainda estou decidindo isso.

- É bom se decidir rápido. – Sakura avisou. – A guerra se aproxima, você sabe.

- Não estarei por perto quando a guerra começar. Pretendo pegar uma missão para bem longe.

- E como pretende fazer isso? – Sakura desconfiou.

- Pode-se tudo quando se é mais forte que o Kage de sua vila.

Itachi sorriu. Definitivamente, aquela menina era sua filha.

- Não acha que está fugindo do inevitável, Panji? Uma hora ou outra você... – Sakura começou, mas foi interrompida.

- Não. Eles não vão me ver de novo e ponto final. É melhor assim. Prefiro que eles me odeiem pelo resto da vida deles.

E Itachi podia entender aquele motivo melhor do que ninguém. Era melhor ser odiado para sempre do que ter de matá-los, ou contar uma verdade dolorosa. Isso ele sabia compreender.

- Mas, filh-

E mais uma vez Sakura foi interrompida, dessa vez pela mão de Itachi em seu ombro. Ela suspirou e desistiu. Com dois Uchiha unidos contra ela, o que poderia ser dito?

- Ainda quer seu bolo de chocolate?