Cap 17 on! Enjoy!
Agradecimento às reviews: Bruna, Darknee-chan, DarkAngel 16694, sango7higurashi, Uchiha Madazitah, Lolitah, Sabaku no AnaH, Cellinha Uchiha, Anita-chan e Kaemilly!!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Kirigakure no Yuurei
Capítulo XVI – Mau-humor e irritação
- Cansou de treinar com seu pai? – Sakura perguntou ao ver Panji entrando em casa mais uma vez.
- Sim. Ele sempre ganha mesmo. Nada que eu faça adianta. Ele é pior do que você. Cansei. – ela reclamou, ligeiramente irritada.
Sakura riu.
- É bom perder de vez em quando, Panji.
- Perder tudo bem, ser massacrada é outra história. E pensar que eu achava que já tinha chegado ao nível dele.
- Panji, a verdade é que você chegou. O problema é que você anda dispersa e desmotivada ultimamente.
- Okaa-san, não comece, está bem? Eu não preciso de você falando sobre isso toda hora. Eu não vou voltar lá e ponto final. Não vou hoje, não vou amanhã, mês que vem ou em um milhão de anos!
- Faz duas semanas e você está assim. Acha que vamos conseguir agüentar seu mau-humor nos próximos meses?
Panji fez uma careta e bufou.
- Eu me mudo, não tem problema.
Sakura revirou os olhos e observou Panji se trancar em seu quarto.
- Qual o problema dela? – Itachi perguntou, juntando-se a Sakura na sala de estar.
- Saudade, esse é o problema dela.
Itachi suspirou e foi até a porta do quarto de Panji, batendo de leve.
- Entra. – Panji resmungou, queria distância de seus pais.
- Qual o problema, Panji-san?
- Tédio, otou-san. Estou entediada, é só isso.
- Você está distraída. É por isso que sempre perde. Não me venha com essa de tédio.
- Você também? Vocês dois estão se amotinando contra mim ou o quê?
- Não fuja do assunto principal, Panji-chan.
- E qual é o assunto principal, otou-san? Eu não posso voltar para Konoha, mesmo que quisesse. Se eu voltar lá a guerra vai começar de fato. E também não quero lutar contra eles.
- Eu sei. Você prefere deixá-los vivos e te odiando pela falta de notícias, e disse na partida que ele deveria te odiar. Conheço bem isso, Panji. Eu mesmo já agi assim.
- E como você resolveu sua situação?
Itachi suspirou.
- Infelizmente, eu não resolvi. Mas minha situação era diferente. Eu tinha matado um clã inteiro, você não cometeu crime algum.
- Cometi sim! Eu entrei em Konoha mesmo sabendo que por ser filha de quem sou não seria bem-vinda ali. Eu não deveria ter aceitado a missão.
- E você preferiria ter ficado aqui, entediada, e não ter vivido nada do que viveu lá?
- Sim, eu preferiria. Eu teria meu velho tédio de volta e não essa horrível sensação que tenho agora.
- Descreva-a.
- Nada me interessa, falta alguma coisa em todos os lugares. A grama de Konoha parecia mais verde, o céu – mesmo com chuva – parecia mais azul. É ridículo, eu sei.
Itachi riu e bagunçou o cabelo de sua filha. Sabia muito bem qual era o problema dela, mas jamais diria a ela. Ou ela poderia de fato vencê-lo em uma daquelas lutas...
- Já faz duas semanas que a garota foi embora e o Mizukage não se pronunciou. – Neji disse, abrindo a reunião.
- Acho que deveríamos atacar, ao invés de esperar sermos atacados. – Shikamaru continuou. – Temos motivo o suficiente para fazê-lo. Afinal, o Mizukage mandou uma filha de traidores da nossa vila, ele próprio traiu nossa confiança.
- Acha mesmo que essa é a melhor maneira de se lidar com isso? – Naruto perguntou, suspirando. O que ele queria de verdade é que não houvesse guerra alguma.
- Claro, Naruto! É nossa chance de sairmos por cima nessa história toda. Talvez se mandássemos alguém até lá, poderíamos até impedir essa guerra!
- E quem nós mandaríamos? – Naruto perguntou, incrédulo. – Teria que ser alguém com um poder de persuasão incrível.
O silêncio se estabeleceu por poucos segundos, até que Sasuke falou:
- Que tal Hyuuga Kakashi?
Todos encararam o Uchiha com expressões sérias, mas lentamente sorrisos foram se abrindo na face de cada um deles.
- É uma ótima sugestão, Uchiha. – Neji comentou.
- Na verdade, é perfeito. – Shikamaru disse, sorrindo. – Ele é jovem, filho do Hokage e altamente talentoso.
- Mas ele não passa de um chuunin. – Tsunade disse, discordando.
- Mas ele já está fazendo a prova jounin, não é? – Neji perguntou. – As primeiras eliminatórias não foram na semana passada? Ele será um jounin amanhã, se passar.
Tsunade suspirou.
- Façam o que quiser.
- Ótimo. – Shikamaru sorriu. – Chegamos a um acordo?
Todos fizeram que sim com a cabeça e a reunião foi encerrada.
Quando Kakashi saiu do prédio ANBU, onde a última fase do exame jounin fora aplicada, ele estava mais do que exausto, tanto física quanto psicologicamente. Passara as últimas duas semanas treinando exaustivamente, pelo menos seus esforços não foram em vão. Ele foi o melhor chuunin do exame jounin. E o único a subir de classe. Mesmo que tivesse feito a metade do esforço, nada disso teria mudado.
Mas ele não quis fazer metade do esforço. Queria ocupar sua mente, e a melhor maneira que encontrou de fazer isso foi treinando até que seu corpo o fizesse parar de exaustão.
Não, ele não estava feliz e saltitante. Estava mal-humorado, irritado e intolerante. Completamente diferente do que costumava ser antes, e não havia um único ninja em toda Konoha que não tivesse reparado isso, é claro.
- Kakashi-san!
A voz lhe era bem conhecida, mas ele não se virou para atender ao chamado, pelo contrário, ele continuou andando, não queria falar com ninguém. Só queria ir para casa e se jogar em sua cama.
- Kakashi-san! – para seu desgosto, o dono da voz o alcançou. – Pare de andar, não me ouviu gritar?
Kakashi suspirou e olhou para o pequeno Fugaku.
- Que houve, Fugaku-chan?
- Meu pai pediu para você ir lá em casa. Ele disse que precisa falar com você.
Kakashi revirou os olhos e mudou de caminho. Não queria voltar para o bairro Uchiha, não ainda.
- Algum problema, Kakashi-san?
- Não, Fugaku. Só estou cansado. Vamos logo?
Fugaku assentiu e saiu andando na frente dele.
- Ei, você passou no exame? – Fugaku perguntou, os olhos brilhando de curiosidade e fascínio.
- Sim, eu passei. Fui o único na verdade.
Fugaku abriu um enorme sorriso.
- Espero ser como vocês um dia.
- Vocês? – Kakashi estranhou o plural.
- Sim. Você e a Panji nee-chan.
Kakashi sentiu como se uma katana tivesse atravessado seu estômago ao ouvir o nome da Uchiha.
- É, você chegará lá rápido, Fugaku.
Fugaku reparou, pelo tom de voz ríspido do Hyuuga, que ele não deveria dizer mais nada até chegaram à mansão Uchiha, ou o irritaria mais ainda.
- Foi rápido, Gaku-kun. – Sasuke sorriu ao vê-los chegar. – Arigatou.
Fugaku sorriu e subiu as escadas para seu quarto.
- Qual o assunto, senpai? – Kakashi foi direto ao assunto.
- Seu pai provavelmente te falou que haveria uma reunião hoje, estou certo? – ao ver que o Hyuuga assentiu, Sasuke continuou: – Bom, você sabe que Konoha nunca quis a guerra que Kirigakure quer, certo?
Kakashi limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente.
- Pois bem, resolvemos hoje que é melhor mandarmos alguém até Kirigakure para convencer o Mizukage a não ousar começar a guerra, já que ele nos traiu nos mandando uma filha de traidores.
- E onde eu entro nessa história? – Kakashi perguntou secamente.
- Queremos que você seja essa pessoa.
- Eu? Por que eu?
- Por vários motivos, Kakashi. Está disposto a aceitar a missão?
- Não sei. Não sei se quero ir até a Névoa.
- Serei sincero com você, Kakashi. Eu indiquei seu nome. Você acha que ninguém reparou o quão amargurado você ficou depois que Panji foi embora? Não somos idiotas. Achei que você gostaria de ir até lá, completar sua missão e aproveitar a chance para vê-la de novo.
- Ela me mataria se eu aparecesse lá.
- Duvido, Kakashi. Ela está do mesmo jeito que você. Mal-humorada e irritada.
- Como sabe disso?
- Recebi uma carta de Sakura uns dias atrás.
- Você mantém contato com Haruno Sakura?
- Não. Ela apenas me mandou essa carta. E eu a visitei uma vez.
- Você só está dizendo isso para me convencer a ir. Panji não é do tipo que ficaria do jeito que eu estou. Afinal, ela me disse que eu deveria me preparar para matá-la.
Sasuke revirou os olhos.
- Você é tão teimoso e orgulhoso quanto ela. Mesmo sendo tão diferentes, são bem parecidos em certos aspectos. Eu digo que você deveria ir.
Kakashi suspirou.
- Não vai fazer a menor diferença, mas tudo bem, eu vou. Já que os melhores ninjas de Konoha acham que eu devo ser o intermediário nesse assunto, seria ridículo eu recusar. É uma honra para alguém que acabou de se tornar jounin.
E se levantou, pronto para ir embora. Mas quando o fez seus olhos se fixaram no corredor escuro e abandonado da mansão e ele sentiu um chakra que lhe era familiar e estranho ao mesmo tempo.
- Pode entrar lá, se quiser. A porta no final do corredor está aberta, fique à vontade. – Sasuke ofereceu, sorrindo.
Kakashi agradeceu silenciosamente e adentrou o corredor, indo direto para a tal porta que Sasuke comentara. O que haveria atrás dela?
Não foi exatamente uma surpresa ver que atrás da porta havia um quarto. Um quarto que ele diria que tinha a cara de uma kunoichi que ele conheceu. Sabia que nada ali era dela, mas mesmo assim, era exatamente algo que ela teria feito para si.
De repente, um objeto chamou sua atenção. Havia uma bandana em cima da colcha negra da cama. E não era uma bandana de Konoha. Era uma bandana da Névoa. Kakashi apertou a bandana em sua mão e, sem querer, sorriu. Ao menos agora ele tinha um motivo para aparecer na casa de Panji.
Panji estava sentada no chão, olhando-se no espelho enquanto prendia seus longos cabelos negros em um coque.
- Pensei que você só prendesse seus cabelos assim quando saía em missão. – Sakura disse, surpresa.
- Eu vou sair em missão. O Mizukage me passou uma hoje de manhã.
- Para onde vai?
- Para a Pedra, a Cachoeira e depois o país da Neve.
- Mas isso pode durar meses, até mesmo anos, dependendo de qual seja sua missão.
- Eu sei, e é por isso que eu vou.
- Panji, pare com isso. Mande uma carta e peça para ele te encontrar em algum lugar fora da Folha.
- Nem adianta. Já tomei minha decisão.
Sakura suspirou.
- Okaa-san, você viu minha bandana?
- Não.
- Droga! – Panji praguejou. – Acho que devo tê-la deixado em Konoha.
Sakura sorriu maliciosamente.
- Por que não vai lá buscar?
- Mãe, chega está bem? Você pôde viver seu amor, e eu sou feliz por você, tá? Agora pare de ficar falando essas coisas ridículas para mim!
- Ah, então quer dizer que você ama Hyuuga Kakashi?
- Não distorça o que eu disse. – Panji reclamou, irritada.
- Não estou. Isso foi o que você disse.
- Okaa-san, por que você é tão irritante?
Sakura riu.
- Agora você está falando como seu tio.
- Ah! Então alguém realmente concorda comigo? Que bom, porque papai iria fazer uma palestra sobre o quão não irritante você é!
Sakura revirou os olhos.
- Panji, você não está bem.
- Eu sei. – e por um momento o brilho de seu olhar se apagou. – E é por isso que eu estou pegando essa missão. Para acabar com meu tédio, meu mau-humor e minha irritação.
- Não é essa missão que vai melhorar nada disso, Panji. Só vai piorar tudo, você não vê isso?
- Será que uma vez na vida eu não posso simplesmente fugir? Como todo mundo faz?
- Não, você não pode. Porque você não é como todo mundo.
- Okaa-san, você fugiu! E se transformou em algo infinitamente melhor e mais feliz do que você era antes! Por que eu não posso fazer isso também?
- Primeiro, porque você é muito diferente do que eu era com sua idade. Segundo, porque você já teve a oportunidade que eu tive.
- Nossa... Você está mais irritante do que estava há meros segundos atrás. – Panji reclamou, azeda.
- Então vá ouvir a palestra de seu pai de quão não irritante eu sou e veja se ele faz você mudar de idéia!
- Kakashi-san! Deixa eu ir com você!- Fugaku implorou.
Kakashi riu.
- Não estou indo brincar, Fugaku. É uma missão séria.
- Mas você vai poder ver a Panji nee-chan!
- Isso é só uma possibilidade. Não sei se vou realmente.
- Não minta para mim! Eu sei que você vai! Você só não quer me levar porque eu sou uma criança.
- Isso também é verdade, Fugaku. Não posso ir a uma reunião com o Mizukage com uma criança de sete anos à tiracolo.
Fugaku fez uma careta.
- Isso é tão injusto.
- Eu sei, o mundo é injusto, vá se acostumando antes que seja muito tarde.
Fugaku cruzou os braços, aborrecido e observou Kakashi partir.
