Não pude responder às reviews, me perdoem! To completamente sem tempo ultimamente. Esse cap não é o melhor que eu já fiz na vida, mas eu espero que vocês gostem!
Agradecimento às reviews: Lolitah, Bruna, sango7higurashi, Uzu Hiina, Anita-chan, Pequena Perola, Srta_Uchiha, Miko Nina Chan, Alana56, AdyFany!!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Kirigakure no Yuurei
Capítulo XVIII – Kirigakure
Kakashi entrou na vila da Névoa lentamente. Sua mente o confundia, às vezes queria primeiro ir ver Panji, depois, seu senso de responsabilidade gritava, lembrando-o de que ele tinha uma missão importante para concluir antes que pudesse se dar ao luxo de resolver problemas pessoais.
Quando entrou na torre do Mizukage um ninja loiro o interceptou na entrada.
- O que um shinobi de Konohagakure deseja com o Mizukage? – sua voz era baixa e tentava ser ameaçadora, mas falhava miseravelmente.
- Acho que te conheço. – Kakashi sorriu. – Você esteve em Konoha sem autorização prévia. Acho que deveria me deixar entrar, não? Ou posso trazer problemas para você diante de seus superiores.
O ninja engoliu em seco.
- Pode entrar.
- Obrigado. – Kakashi agradeceu, elegantemente.
Ele entrou e subiu alguns lances de escada até chegar na porta do escritório do Mizukage. Bateu uma vez e esperou.
- Entre. – uma voz mandou.
Kakashi obedeceu e viu os olhos do Mizukage se arregalarem de surpresa ao ver uma bandana de Konoha.
- Mizukage, sou Hyuuga Kakashi, vim a pedido do Hokage de Konohagakure.
- O que ele deseja comigo? – o Mizukage perguntou, trincando os dentes.
- Ele deseja que o senhor não conclua seu plano de atacar nossa vila. Afinal, se os soberanos soubessem que o senhor traiu a confiança de Konoha, tal guerra não seria bem vista, pelo menos não para Kirigakure.
O Mizukage estreitou os olhos.
- Como assim traí Konoha?!
- Konoha sabe que Kirigakure no Yuurei é filha de Haruno Sakura e Uchiha Itachi. Traidores da nossa vila.
- Ser filha de traidores não significa ser uma traidora.
- Senhor, sabemos que sua intenção ao mandá-la para nós era que a expulsássemos e, assim, você teria razão ao atacar, já que a traição teria sido nossa. Mas o caso foi diferente. A kunoichi deixou nossa vila por motivos que desconhecemos e logo depois chegou ao conhecimento do Conselho quem ela realmente era. – Kakashi falava tranqüilamente, seguro de cada palavra que proferia.
- Não traí ninguém!
- Sinto muito, senhor. Queremos sua palavra de que não atacará Konoha. Porque se o fizer nós seremos obrigados a denunciá-lo para os governantes dos Países do Fogo e da Água. Acho que seu orçamento seria diminuído consideravelmente.
- Quem você acha que é?! – o Mizukage perdeu o controle, batendo as mãos na mesa com agressividade.
- Um portador das palavras do Hokage. E nada além disso.
O Mizukage apertou as mãos, quase fazendo as palmas sangrarem. Seu plano estava acabado. E tudo por causa de uma kunoichi idiota! O que dera na cabeça de Panji quando ela resolvera voltar para Kirigakure por livre e espontânea vontade?! Ainda bem que tinha a mandado para bem longe!
- Então, que palavras o senhor quer que sejam transmitidas ao Hokage?
O Mizukage sentou na cadeira, ruidosamente. Massageava as têmporas, como se tudo aquilo estivesse lhe dando uma dor de cabeça imensurável.
- Diga que eu não atacarei Konoha. Não que eu tivesse tal vontade.
- Sinceramente, Mizukage não precisa fingir. Nós sabemos.
- Você conheceu Kirigakure no Yuurei?
- Não, senhor.
- Melhor para você. Aquela garota... – ele trincou os dentes, dessa vez com mais força. – Ela é o próprio demônio.
- Você vai mesmo? – era a décima vez que Sakura perguntava.
Panji revirou os olhos.
- Sim, eu vou. Não seja tão insistente. Já era para eu estar cruzando a fronteira com o país do Vento!
- Pode ser o maior erro de sua vida!
- O maior erro de minha vida foi ter aceitado aquela missão idiota. Agora, eu vou.
- Espere. – foi Itachi quem pediu. – Acha mesmo que essa é a melhor solução?
- Sim. Eu tenho certeza.
- Muito bem, vá.
E ela foi, saltando de árvore em árvore a uma velocidade que nem Sakura nem Itachi nunca tinham visto.
- Ela não vai demorar nada se continuar correndo assim. – Sakura suspirou.
- Não. Ela vai fazer isso em tempo recorde. Deve estar de volta daqui a duas semanas.
- Uma missão que duraria, no mínimo, dois meses.
- Ela queria espairecer. Mas não vai conseguir. – Itachi sentenciou. – Ela vai ter que encarar tudo, cedo ou tarde.
- Talvez eu deva avisar Sasuke. Ou falar com Naruto.
- Falar com Naruto? – Itachi ergueu uma sobrancelha. – Você quer dizer...
- Sim, ir à Konoha.
- Enlouqueceu?
- Realmente acho que é importante, Itachi.
- Pode ser importante, mas você não pode simplesmente aparecer em Konoha. Vão te prender lá, já parou para pensar nisso? Panji logo estará de volta. Não acha melhor esperar um pouco?
- Não, não acho.
- Não vou deixar você ir.
- E desde quando você tem que deixar alguma coisa?
- Desde sempre.
Sakura envolveu os braços no pescoço do Uchiha e ficou nas pontas dos pés, para alcançar seu ouvido.
- Eu fiquei quinze anos agindo por conta própria. Acha que vou ficar aceitando ordens? – sua voz era macia e baixa, entoada de um jeito que conseguiria levar qualquer homem à loucura em segundos.
Mas Uchiha Itachi não era um homem qualquer.
- Acho não. Tenho certeza. – e a encostou violentamente na parede. – Você não vai a lugar nenhum sem mim.
E a beijou de um jeito quase desesperado.
- Só que você não pode me acompanhar até Konoha.
- Então está decidido, você não tira seus pés daqui.
- Não seja ridículo. Não vou brincar, Itachi. É sério. Acho que preciso ir. É filho dele.
- Mais um motivo para eu não gostar isso. Já parou para pensar que esse garoto pode fazer mal para nossa filha?
Sakura ergueu uma sobrancelha, mirando-o com estranheza.
- Como assim?
- Ele vai corrompê-la. Ela vai ficar fraca como um ninja de Konoha.
Sakura bufou.
- Essa foi a pior desculpa que eu já ouvi na vida. Você está com ciúmes.
Itachi riu.
- Ciúmes, eu? Nunca.
Foi a vez de Sakura rir.
- Sei, sei.
Itachi revirou os olhos. O tom dela era claramente irônico.
- Você não acredita. – ele disse.
- Claro que não. E posso provar que você mente.
- Como seria isso?
- Vamos à Konoha e vamos no hospedar na sua antiga casa.
- Nunca.
- Viu? Provado.
- Não, Sakura. Não é por isso. Eu nunca mais pisarei no bairro Uchiha, nem se fosse permitido a fazer tanto.
- Por quê?
- Acha que eu quero encarar o lugar que eu inundei em sangue?
E Sakura não tinha palavras para responder àquilo.
Kakashi caminhava, alternando olhares para a paisagem e para um mapa em suas mãos. Sasuke dera-se ao trabalho de desenhar a localização da casa de Sakura e Panji, mas mesmo assim ele tinha dificuldades para encontrá-la.
Por dois motivos. Primeiro: tudo ali parecia muito igual para ele, o tempo nublado e a fina e constante garoa davam um aspecto cinza a tudo, fazendo tudo ser exatamente da mesma cor. Segundo: ele estava ansioso para revê-la.
Como ela reagiria ao vê-lo parado em sua porta? Ficaria feliz – do jeito dela – ou o mandaria embora com o mesmo pé que ele chegara? A dúvida o estava matado. Queria chegar logo, mas não conseguia reconhecer nenhum dos pontos de referência que Sasuke havia indicado.
Quando finalmente chegou, já era noite. Não que fosse possível reparar que a grande estrela dourada se fora com toda aquela massa cinzenta de nuvens cobrindo o céu.
A bela casa em estilo oriental reinava no meio de um jardim impecavelmente bem cuidado. Era possível reparar nitidamente onde a floresta terminava e o jardim começava.
O Hyuuga avançou com passos vacilantes pelo caminho de cascalho que cortava a beleza imaculada do gramado verde. Cada passo que dava parecia ressoar naquela imensidão solitária.
A porta de madeira, no fim do caminho, pareceu intimidá-lo. Aliás, a construção inteira o deixava desconfortável. Era como suas donas. Imponentes e poderosas.
Respirou fundo e bateu, sem saber se alguém escutaria aquela batinha em uma casa tão grande. Mas alguém escutou, e ele sentiu seu coração parar quando a porta de correr começou a deslizar suavemente pelos trilhos.
Uma mulher de curtos cabelos róseos e olhos esmeralda o encarou com espanto.
Kakashi fez uma rápida reverência.
- Desculpe-me pelo incômodo, eu sou Hyuu-
- Hyuuga Kakashi. – ela o interrompeu. – Eu sei. Posso te ajudar, Hyuuga-kun?
Ele revirou seus bolsos e pegou a bandana.
- Panji esqueceu isso em Konoha, vim devolver.
Sakura pegou a bandana e a mirou com tristeza. Uma hora. Ele a perdera por sessenta minutos.
- Sinto muito, Hyuuga-kun, mas ela saiu em missão. Um pouco mais cedo.
Kakashi se amaldiçoou mentalmente. Se tivesse ido até lá antes a teria encontrado.
- Entendo. Sabe quando ela volta?
Sakura fez que não com a cabeça.
- Pela velocidade que ela saiu correndo, ela deve voltar em uma semana e meia, duas no máximo. Se ela reduzir, talvez um mês, ou mais. Não sei dizer.
Kakashi abaixou a cabeça, sentindo-se derrotado. Eis que seu motivo para ir vê-la fora estragado. Como que cara a visitaria quando voltasse? Ainda era provável que ela nem se lembrasse mais dele quando voltasse.
- Quer que eu te avise quando ela voltar? – Sakura perguntou com um sorriso terno nos lábios. Podia ver o desapontamento daqueles olhos perolados, e isso partia seu coração. Era como ver Neji, só que com os olhos tristes e amedrontados de Hinata. Simplesmente não combinava.
- Pode fazer isso? – ele perguntou, esperançoso.
- Sim. Sasuke te passará o recado. Assim que ela chegar eu aviso.
- Arigatou, Haruno-san.
Sakura sorriu abertamente.
- Não há de quê, Hyuuga-kun.
E ele se virou, pronto para ir embora.
- Ela sente muito a sua falta. – Sakura revelou.
Ele parou, sem virar para encarar a Haruno.
- É verdade?
- Sim. Foi por isso que ela pegou a missão mais longa que o Mizukage tinha.
- Ela nunca considerou que poderia voltar?
- Entenda, ela tem medo, Kakashi. Ela não está acostumada a isso. E, sim, a culpa é em parte minha. Mas você pode mudar isso. Assim que encontrá-la.
- Por que eu sinto como se ela nunca fosse voltar para mim?
Sakura podia sentir a luta que ele travava contra as lágrimas em sua voz contida e áspera.
- Não pense assim. Ela vai voltar. Apenas seja paciente. Acha que pode fazer isso?
Ele balançou a cabeça afirmativamente uma única vez.
- Quando ela voltar, – ele ainda se esforçava para conter as lágrimas. – diga a ela que Fugaku conseguiu executar um Gokakyu maior do que o dela.
Sakura sorriu.
- Considere seu recado dado.
- Obrigado, mais uma vez.
- Ela voltará rápido, tenho certeza.
Kakashi não respondeu nada, apenas recomeçou a andar, pensando no azar que dera. Sua missão fora perfeita, mas Panji partira antes que ele pudesse vê-la. Era revoltante, muito revoltante.
Será que teria chance de revê-la? Realmente sentia como se nunca mais fosse ver aqueles olhos frios, sentir aquela pele macia e ligeiramente fria.
Será que ele estava errado?
