Pequenas grandes mudanças nesse capítulo! Espero que não briguem muito comigo. XD
Bom, agora que minhas aulas começaram, vou ter que postar com menos freqüência, já que estou estudando que nem uma condenada pro vestibular. Espero que entendam meu dilema...
Agradecimento às reviews: Bruna, n1ckydant3s, Thais Vasconcellos, sango7higurashi, YUKI e Pequena Perola!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Kirigakure no Yuurei
Capítulo XIX – Três anos depois
Sua volta era prevista para, no máximo, dois meses. Mas três se passaram e ela não havia dado notícias. As estações foram mudando, e nem sinal da flor congelada. Três anos. 1095 dias. 26280 horas. E nada de Uchiha Panji.
E foi pensando nisso, que Sakura acordou no dia de número 1096.
- Bom dia. – Itachi disse assim que a Haruno apareceu na sala.
- Bom dia. – ela bocejou. – Que horas são?
- Seis.
Sakura bufou. Desde que Panji desaparecera sua rotina era dormir tarde e acordar cedo. Isso quando conseguia pegar no sono.
- É hoje. – Itachi disse.
Sim, ela sabia.
Desde que a demora de Panji tornara-se algo preocupante, Sakura fora obrigada a tomar várias atitudes. O Mizukage recusara-se a mandar alguém procurá-la, alegando que ela sabia se cuidar sozinha e se estava demorando era por vontade própria. Não tendo ajuda dele, Sakura convenceu Itachi a ir até Konoha.
A receptividade de Naruto fora incrível. E Konoha decidiu ajudar Sakura na busca por sua filha, ou melhor, Kakashi decidira ajudar...
- Ela ainda não voltou? – Sasuke ergueu uma sobrancelha. – Já se passaram dois meses!
- Eu sei! – Sakura exclamou, exaltada. – O Mizukage não quer ajudar e eu não tenho mais a perícia para ir atrás dela, eu ia apenas vagar o mundo todo em vão sabe-se lá por quanto tempo!
- Acalme-se, Sakura-chan. – Naruto pediu.
- Não consigo! Ela nunca demorou tanto. Algo pode ter acontecido!
- Nós mandaremos alguns caçadores atrás dela. Tente se controlar. – Naruto disse.
- Eu também quero ajudar. – Kakashi disse, a cabeça abaixada, conferindo a ele um tom sombrio que não lhe era normal.
- Sinto muito, Kakashi. – Naruto se desculpou. – Mas esse tipo de missão requer ANBUs.
- Então, eu vou começar a fazer a prova hoje mesmo.
- Vão encontrá-la antes que você se forme.
- Não me importa. Pelo menos eu não estarei apenas observando.
Naruto achava que ela seria encontrada antes. Mas todos os caçadores voltaram sem ao menos uma pista dela. E isso se seguiu durante todos aqueles anos.
Mas, finalmente, Kakashi se formaria como um caçador ANBU, e sua primeira missão seria encontrar Uchiha Panji. Ele era a última esperança de Sakura.
- Acha que ele vai conseguir? – Itachi perguntou.
- Sim, ele vai. Ele tem uma real motivação.
- Se ele não conseguir, eu vou atrás dela.
- Itachi, já falamos sobre isso. Se alguma outra vila descobrir que você está vivo será um pandemônio! Já chega que tivemos que revelar isso para Konoha!
Itachi suspirou.
- Não me importa, Sakura. Se o garoto Hyuuga falhar, eu vou atrás dela. Ou melhor, nós vamos.
Sakura suspirou.
- Ele vai conseguir, Itachi. Eu tenho certeza.
- Acho bom mesmo. Quero voltar logo para nossa casa. Estou cansado de ver o horror nos rostos de todos aqui.
Sakura riu baixinho. Ela havia pedido a Naruto para ficarem em Konoha, acompanhando de perto o andamento da procura por Panji. Sasuke oferecera uma casa no bairro Uchiha, mas Itachi recusou. Durante aqueles três anos, ele se recusara a pisar no bairro que antes fora seu lar.
Naruto, prestativo como sempre fora, conseguiu um pequeno apartamento no centro da vila. Isso fez o Uchiha ficar aliviado.
- Claro que eles te olham assim. Nem todos podem saber a verdade, Itachi.
- Eu sei.
- O que importa é que, de alguma forma, nossas penas foram dissolvidas e não somos mais traidores da vila oculta da Folha.
- "De alguma forma" não, Sakura. Graças a seu amiguinho que te ama incondicionalmente.
Sakura riu.
- Olha. – ela exclamou, admirada. – Ciúmes.
- Não. – ele negou friamente.
Sakura sentou-se no colo dele e beijou de leve os lábios do amor de sua vida.
- Odeio quando você nega.
- Já deveria estar acostumada.
- Nunca.
- Continue odiando, então.
- Você é cruel. – ela reclamou.
- Você nem sabe o quanto.
E se beijaram mais uma vez.
Kakashi estava sentado em um tronco de árvore, olhando preguiçosamente para seu reflexo na água cristalina do lago abaixo dele. Aqueles três anos o mudaram muito. Seus traços estavam mais duros e frios, o sorriso que antes saía tão fácil estava tão desaparecido quanto Panji e seus cabelos antes compridos estavam agora curtos, meio arrepiados e bagunçados.
Era outra pessoa. Completamente diferente.
E aquele era o dia que seus esforços imensuráveis trariam resultados, finalmente.
- Kakashi-san. – a voz já conhecida o chamou.
- Algum problema, Fugaku-kun? – ele perguntou, sem tirar os olhos do lago.
- Você vai logo depois da cerimônia?
- Sim, eu vou.
- Acha que vai conseguir encontrá-la?
- Vou sim. Nem que seja a última coisa que eu faça.
- Não se cobre muito. Ninguém conseguiu. Talvez... Ninguém consiga.
- Não, Fugaku. Eu vou encontrá-la. Ela vai ver essa vila de novo. Nem que eu tenha que morrer para isso. – e suspirou. – Mas não se preocupe comigo ou com Panji. Concentre-se em se formar na Academia. Você perdeu a oportunidade de se formar por dois anos seguidos.
- Eu sei. É que eu...
- Eu sei como é. Mas, esqueça, está bem? Não é um problema seu. É um problema meu.
- Não é não. É um problema nosso. Seu, meu, do meu pai, do seu pai, de Sakura-san e Itachi-sama.
- Acontece que ninguém da sua lista, tirando a mim mesmo, pode fazer alguma coisa. Automaticamente, esse passa a ser um problema meu. E só meu.
- Como você acha que irá encontrá-la? Digo, será que ela se escondeu por vontade própria ou...
- Disso eu não faço a menor idéia. Mas não importa.
Kakashi desceu da árvore, aterrissando ao lado do pequeno Fugaku, que já não era mais tão pequeno quanto antes.
- Eu a quero de volta tanto quanto você. – o Hyuuga disse, fingindo não ver as lágrimas que desciam pelo rosto do Uchiha. – E nós vamos tê-la de volta, é uma promessa.
- Arigatou, Kakashi-san.
Uma cerimônia solene nunca dura pouco. Geralmente, dura o tempo suficiente para qualquer um bocejar e ter vontade de estar em sua cama o mais rápido possível. Quando essa vontade chega, significa que a cerimônia ainda durará mais uns trinta minutos, no mínimo.
Claro que a cerimônia de formatura ANBU não poderia ser diferente.
- É com muito orgulho, – Tsunade começou. – que formamos a mais nova geração da elite de nossos shinobis. É através deles que nós iremos...
Sakura suspirou.
- Por que essas coisas sempre demoram séculos? – ela cochichou para Sasuke, que estava sentado a seu lado. – Tsunade nunca teve bons discursos.
E como ela se lembrava bem disso. Principalmente quando a Godaime soube que ela ficaria um tempo na vila.
- Espero que tenha consciência de que ninguém aprova o que você fez. – Tsunade disse, com dureza.
- Ah, shishou, foi há tanto tempo... – Sakura se defendeu.
- Não interessa, foi há muito tempo mas aconteceu. Só o que eu espero é que você tenha consciência de seus pecados.
- Acredite, eu tenho.
- Estou falando sério, Sakura. Não sorria assim.
- Shishou, todos os seus discursos eram feitos pela Shizune. Não tente improvisar. – e sorriu.
Tsunade riu e uma única lágrima escapou de seus olhos cor de mel.
- Senti sua falta.
- Eu também, shishou.
E se abraçaram, como nunca tinham feito antes.
Sasuke riu.
- Melhor ela do que o Naruto, você sabe.
Sakura riu baixinho.
- Sim, você tem razão.
- Shiu! – Itachi ralhou. – Parecem duas crianças.
Sasuke sorriu e Sakura fez o mesmo. Parecia tudo tão natural. Os dois irmãos e ela. Como se tivessem sido uma família a vida inteira. Como se todas as tragédias não tivessem acontecido.
Para Sasuke, ter Itachi a seu lado novamente, como o irmão que ele amava, era simplesmente inexplicável. Parecia ter voltado à época em que seus pais eram vivos. Época em que Itachi era apenas um ANBU, e não havia nenhum enorme peso em sua consciência.
- ... E mais uma vez, eu parabenizo nossos novos ANBUs. – Tsunade concluiu, ganhando uma salva de palmas de todos do amplo auditório.
Em seguida, eles ganharam seus uniformes e suas máscaras, que tinham a forma que os instrutores acharam que combinava mais com cada um, de acordo com o que eles haviam observado durante a formação. A pintura ficava a cargo do possuidor da máscara.
- Posso perguntar qual é sua máscara? – Sakura disse assim que Kakashi se aproximou deles.
- Um lobo. – ele disse mostrando a máscara ainda completamente branca para a Haruno. – Aposto que foi Anko quem escolheu.
- Ela foi sua instrutora? – Sasuke perguntou.
- Sim. – Kakashi respondeu. – E ela sempre me disse que eu era o oposto de um felino. Nada mais oposto a um gato do que um lobo, não é mesmo?
Sakura sorriu. A máscara de Panji tinha a forma de um gato. E eles eram mesmo completamente diferentes um do outro.
- Tem certeza que quer ir hoje? – Naruto perguntou.
- Sim. Eu vou pintar essa máscara e vestir o uniforme e vou partir.
- Já sabe que caminho seguir? – foi Itachi quem perguntou, os braços cruzados, expressão tão sentimental quanto uma pedra.
- Sei. Vou começar pela Pedra e seus arredores, depois farei o mesmo com a Cachoeira e por fim o País da Neve, que foi onde Sakura-san disse que seria a missão dela. Se depois de checar os três eu não conseguir achá-la, vou até cada Kage, mostrando uma foto dela, dizendo que é alguém da família que está desaparecido.
Itachi balançou a cabeça de leve. Era, de fato, um bom plano, e a parte de esconder a verdadeira identidade dela fazia-o confiar um pouco mais no jovem Hyuuga.
- Tem certeza do que está fazendo, Kakashi-kun? – Hinata sussurrou para seu filho, certificando-se de que ninguém mais ouviria.
- Sim, okaa-san, eu tenho. Nunca tive tanta certeza de alguma coisa.
- Você só tem dezenove anos. Não acha que pode ser muito arriscado?
- Não, não acho. Ela se arriscava ainda mais quando era bem mais nova. É hora de eu provar a ela que posso ser assim também.
- Você não precisa provar nada a ela. Ela já sabe disso tudo, só esconde tudo debaixo daquela fachada fria pelo simples fato de que é uma Uchiha e como tal, sofreu muito na vida, desde muito nova.
- Mesmo assim.
Hinata suspirou e abraçou Kakashi.
- Preciso ir.
E estava quase os deixando quando ouviu a voz de Sakura.
- Hinata está certa sobre Panji, Kakashi.
Ele a encarou.
- Não tenho tanta certeza.
- Tenha. Pois é exatamente isso.
Kakashi encarou sua máscara como um pintor encara uma tela em branco. Não sabia o que fazer nela, que tipo de pintura deveria fazer ali. Lembrou-se então da máscara de Panji. Tinha o molde do rosto de um gato e a garota limitara-se a fazer leves linhas roxas por toda a brancura da máscara de gesso.
Deveria imitá-la e fazer algo simples? Ou deveria elaborar um pouco mais?
Pegou o pincel e mergulhou delicadamente na tinta preta. Pintou o contorno dos olhos com um círculo grosso e preencheu o focinho do lobo. Depois, pegou a tinta azul marinho e fez traços dos lados. Pronto, devia ser o suficiente, pois era tudo que sua imaginação o permitia fazer.
Afinal, não tinha muito tempo para ficar brincando com seu novo acessório. Quanto mais rápido fosse atrás de sua flor, mais rápido a teria de volta.
Riu de seu próprio pensamento. "Sua flor". Desde quando pensava nela daquele jeito? Tinha plena consciência de que ela não era dele. Mas ele era dela. Completamente.
Quando pensava em resgatá-la, indagava se tudo o que Sakura falou fora verdade, e se fosse, será que Panji ainda se sentia da mesma forma? E se gostava dele, por que fugira? E por que nunca voltara?
Muitas eram as dúvidas que o assombravam. Mas agora, nenhuma delas importava mais. Só o que importava agora era que ele estava indo a procura dela, finalmente. E só voltaria à Konoha com a Uchiha a seu lado.
Por mais que tivesse se esforçado, não conseguia esquecê-la. Cada dia que passara com ela estava gravado em sua mente, como uma tatuagem em sua pele. O dia em que a conhecera; o dia em que matara os invasores com uma combinação de chuva de óleo e Gokakyu; o dia que passaram com as crianças; o dia em que ela foi embora.
Como esquecer aquilo?
Portanto, se ela tivesse esquecido ele não saberia se agüentaria. Era estranho para ele ser tão dependente daquele sentimento. Era assustador.
Mas, se Sakura estivesse certa, ele sabia que seria feliz para o resto de sua vida.
