Desculpem-me pela demora, amores da minha vida! Carnaval para mim é sinônimo de ficar com meu pai, e ele não tem computador em casa (sim, existe uma pessoa assim). Bom, mas espero que a demora valha a pena :)

Agradecimento especial a Luna Suart pela betagem do cap.

Agradecimentos às reviews: Bruna, DarkAngel 16694, Srta_Uchiha, Lin-Blue ki, sango7higurashi, Sabaku no AnaH, Anita-chan, Fernandinha Hyuuga, n1ckydant3s e Aneishon-chan!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XX – Bom começo

- Não acha que o Mizukage está exagerando um pouco? – um homem grande e gordo perguntou. – Essa garota é famosa, logo alguém vai descobrir aonde ela está e quem a manteve presa. É perigoso, Motosuwa.

Motosuwa deu de ombros.

- Não é problema meu. Estou sendo bem pago para isso, e é só o que importa. Você também não tem do que reclamar.

- Só acho que ela não vai agüentar mais do que isso.

Motosuwa riu.

- Ela pode agüentar mais três anos disso, Suzuki, acredite. E só conseguirmos mantê-la assim por causa das algemas que drenam chakra. Ou já estaríamos mortos há tempos.

O homem de nome Suzuki estremeceu.

- É disso que tenho medo, Motosuwa. Se essa garota sair daqui e se recuperar, nós estamos perdidos.

- Essa não é uma opção. – Motosuwa garantiu. – Quem você acha que pode achar esse esconderijo? Se alguém conseguir, é porque está no nível dela, ou seja, no nível de Akatsukis. Não acho que produzam mais ninjas assim hoje em dia.

E riu de sua própria piada sem graça.

Fazia tempo que ele era um mero empregado do Mizukage, e sempre que via o poder que Kirigakure no Yuurei tinha sobre o Kage, ele ficava muito irritado. Sempre se sentia inferiorizado, porque sempre soube que jamais chegaria aos pés dela.

Mas ela cometeu um erro. Ela não completou a missão que lhe foi dada e ainda deu uma enorme brecha para Konoha sair por cima. Dessa vez o Mizukage não seria tão bonzinho. E quando Motosuwa recebeu a ordem de mantê-la presa e torturada, tudo o que ele fez foi aceitar, sorrindo de orelha a orelha.

- Como se sente hoje, Panji-sama? – ele riu, olhando pelas grades para Panji, que estava sentada em um catre, mãos e pernas amarradas com as correntes especiais.

Sua aparência era péssima. Tinha enormes olheiras e machucados por todos os lados, a palidez natural de sua pele era acentuada por seu estado frágil, dando-lhe a aparência de doente.

- Vá para o inferno. – ela resmungou, cuspindo nele.

- Panji, Panji, é por causa desse seu comportamento que você está aí, do jeito que está.

- Claro. E quando eu morrer, você continuará sendo nada mais do que o cachorrinho do Mizukage, balançando o rabinho e lambendo os pés daquele velho.

Motosuwa trincou os dentes e apertou as mãos com força, arrancando sangue de suas palmas. Ele abriu a cela violentamente e foi até Panji, segurando-a com força pelo pescoço.

- Como você consegue ainda ser tão arrogante, mesmo nesse estado? – sua raiva misturava-se com a frustração de que ela realmente falara a verdade.

- Motosuwa, eu sou Kirigakure no Yuurei, filha de Akatsuki no Hana e Uchiha Itachi. Escórias como você não podem entender esse tipo de coisa.

Ele deu um forte tapa no rosto dela, o que a fez rir.

- Eu posso agüentar isso por uma vida inteira, Motosuwa. E não vai me afetar em nada.

Disso ele já sabia, ou melhor, tinha certeza.

- Você é tão mal amada que ninguém veio te buscar. – ele debochou.

- Ninguém vem me buscar, Motosuwa. Você pode ficar tranqüilo quanto a isso. Os que poderiam vir me buscar, eu mesma matei, e não me arrependo por isso. – e sorriu diabolicamente, fazendo um frio subir pela espinha de Motosuwa. – Você terá de me agüentar por mais um bom tempo.

- O Mizukage tinha razão. – ele tremeu. – Você é mesmo o próprio demônio.


Kakashi chegou na vila oculta da Pedra muito antes do que o previsto. Acelerara até seu máximo para não perder tempo com nada. Afinal, ele não tinha mais tempo algum.

Em toda vila, há certos lugares que um ninja sabe reconhecer como "um ponto de parada", ou seja, um lugar que qualquer ninja pararia estando naquela vila. Mesmo os mais discretos acabavam passando por lugares assim.

Na Pedra, esse lugar era uma taverna pequena e escura, chamada Shuriken Rochosa. Só de entrar no pequeno estabelecimento já era possível sentir a mistura de chakras dos clientes ali presentes.

Kakashi se dirigiu ao balcão e pediu uma bebida. Não precisou nem se esforçar para escutar alguma coisa que lhe interessasse...

- Ouvi dizer que a Kirigakure no Yuurei desapareceu. – um ninja mal-encarado falou para seu companheiro.

- Duvido. Ela deve estar em alguma missão distante. Aquela garota nunca desistiria do seu trabalho.

- Você fala como se a conhecesse. – o primeiro ergueu uma sobrancelha.

- Não, nada disso. Apenas a vi matando um jounin da Chuva uma vez. Sério, nunca vi nada mais assustador na vida. Se eu fosse marcado para ser morto por ela, eu me matava antes de ela poder fazer isso, seria melhor.

- Não seja tão exagerado.

- Não estou sendo. Ela é realmente tudo isso.

- Mas ninguém a vê faz tempo. Alguns acham que o Mizukage resolveu castigá-la.

- Impossível. – e riu. – O Mizukage é obrigado a comer na mão dela, não sabia? Ela pode matá-lo com uma facilidade assustadora.

- Essa garota... Alguém além do Mizukage sabe quem ela é?

- Duvido. Talvez seus familiares, se ainda forem vivos.

- Do jeito que você fala dela, aposto como já matou todos.

E os dois riram em coro.

- Aonde quer que ela esteja, – o primeiro disse. – estamos mais seguros enquanto ela não estiver rondando por aí.

- Concordo.

E mudaram de assunto.

Kakashi, que ouvira tudo atentamente, soltou um longo e profundo suspiro, seguido de um gole do uísque que havia pedido.

A falta dela estava começando a ser notada por outros shinobis, e isso era perigoso. Se as vilas ninja resolvessem unir forças para procurá-la, ela estaria correndo perigo pela primeira vez em sua vida.

Outra coisa que também não passara despercebida pelos ouvidos atentos do Hyuuga fora a teoria de que o Mizukage pudesse ter colocado um plano de vingança em prática. Isso era preocupante. Embora parecesse um pouco surreal. O Mizukage era o ninja mais forte de Kirigakure, mas era mais fraco que Panji. Será que ele teria coragem de pôr algo tão absurdo quanto uma vingança em prática?

- Está aqui por alguma razão em especial? – um ninja puxou um banco e se sentou ao lado de Kakashi.

O Hyuuga virou seu rosto para ele. Tinha cabelos e olhos castanhos e usava uma bandana da Pedra, como a maioria dos ninjas ali.

- Na verdade, sim. – Kakashi respondeu.

- Posso te ajudar, se quiser. Geralmente, eu sou a pessoa mais bem informada desse lugar. Me chamo Yukihiro Daisuke.

- Muito prazer, Yukihiro-san. Sou Hyuuga Kakashi. E quanto me custará sua boa informação?

- Como estou de bom-humor hoje, pode me pagar uma bebida.

Kakashi ergueu uma sobrancelha, mas não questionou nada. Era estranho que alguém se oferecesse para informar alguma coisa, mas ele não estava podendo negar informações.

- Procuro por essa garota. – e mostrou uma foto. – Ela está um pouco mais velha, mas não acredito que tenha mudado muito.

Daisuke pegou a foto da mão de Kakashi.

- Ela não me é estranha... É um rosto que eu jamais esqueceria ou confundiria. Sua garota?

- Não. Filha de uns conhecidos.

- Sei... – Daisuke debochou. – Ela passou por aqui sim. Mas foi há muito tempo. Deve ter uns... Três anos.

- Sua memória é boa.

- Foi o que eu disse, ela é inconfundível. Eu lembro bem dela agora. Exatamente com a mesma idade dessa foto. Ela entrou e ficou sentada numa mesinha do canto. – apontou para a mesa. – Não consumiu absolutamente nada. Apenas ficou observando tudo com um olhar de pôr medo em qualquer um. E depois desapareceu.

Kakashi suspirou e pegou a foto de volta.

- Está sumida? – Daisuke perguntou.

- Sim.

- Estranho... Ela me parecia bem forte. Ao menos, era o que emanava dela. Ninguém ousava chegar perto, mesmo estando todos cochichando. Bela e perigosa, era assim que todos a descreviam.

- Ainda estou impressionado com a vivacidade de sua memória.

- Linhagem sangüínea. Como seus olhos. Por isso que eu sou o melhor informante daqui.

Kakashi balançou a cabeça, em sinal de compreensão.

- Acho que não fui de muita ajuda, né? – Daisuke perguntou.

- Não esperava achar nada tão facilmente. Obrigado, mesmo assim.

- Não há de quê. Se precisar de mais alguma informação, sabe a quem perguntar. – e foi embora, carregando o copo da bebida que Kakashi havia pagado em troca da informação.

Kakashi suspirou e terminou seu uísque em um único gole. Sakura estava certa, Panji havia começado pela vila da Pedra, e se o tal de Yukihiro Daisuke fosse mesmo confiável, ela não era vista ali desde a época em que saíra em missão.

- Vai querer mais um? – o cara do balcão perguntou.

- Não. Mas... Pode me dar uma informação?

- Se que informações, pergunte para o ninja sentado ali na ponta. Ele sabe tudo.

Kakashi suspirou. O "Ninja sentado ali na ponta" era exatamente Daisuke. Ele deveria mesmo ser confiável, pelo menos no quesito 'informações'.

- Certo. Obrigado.

O homem deu de ombros e foi servir outros clientes.

Kakashi se levantou e saiu da pequena taverna. Na Pedra ela provavelmente não estava. Também não conseguia sentir seu chakra. Ou talvez ele só estivesse bem escondido, mas essa não era uma opção. Ele se aperfeiçoara muito em reconhecimento de chakra, e foi considerado o melhor reconhecedor da ANBU, isso não podia ser pouca coisa.

- Ei, você aí, com a bandana de Konoha!

Kakashi se virou. Não eram ninjas da Pedra, e sim ninjas da Cachoeira.

- Posso ajudar? – Kakashi perguntou num tom falsamente amigável.

- Ouvimos sua conversa com o informante da Pedra. Você conhece mesmo a garota que está procurando?

- Sim, eu conheço. – estava desconfiado. Será que aqueles três ninjas sabiam alguma coisa de Panji? E se sabiam, por que estavam falando com ele?

- Essa pirralha... É Kirigakure no Yuurei, não é? – um deles perguntou, demonstrando toda sua raiva em sua voz.

- Kirigakure no Yuurei? Do que está falando? – Kakashi fingiu-se de desentendido.

- Não se faça de sonso. Sabemos que é ela. Vimos ela na vila, e logo depois dez de nossos melhores companheiros estavam mortos. Não acho que seria uma linda coincidência.

Claro que não era. E Kakashi sabia disso. O que o preocupava era que eles sabiam do segredo dela. E isso não poderia se espalhar. Teria que matá-los ali mesmo?

- Não sei do que você está falando. Essa menina desapareceu há algum tempo, estou atrás dela. Ela não é nenhuma assassina profissional renomada.

- Conta outra. O que um ANBU de Konoha faria atrás de uma garota qualquer?

- Você tem razão. – Kakashi continuou a atuar. – Só estou fazendo isso porque os pais dela são amigos de infância de meu pai. É mais um favor do que uma missão.

- E por que está de uniforme?

- Continuo sendo um ANBU, não é mesmo?

- Não estamos engolindo sua história.

- Nem eu a de vocês. Infelizmente, suas teorias estão erradas. Sinto muito com o que aconteceu com seus companheiros, mas, ela não é Kirigakure no Yuurei.

- Ela é sim. Disso temos certeza.

Kakashi suspirou.

- Tudo bem, já que insistem. Podem me falar pelo menos quando foi que vocês a viram?

- Mais ou menos uns três anos atrás.

Mais um suspiro escapou da boca de Kakashi. Sempre três anos atrás. Aonde aquela garota se metera? E com a súbita aparição daqueles ninjas da Cachoeira, nem visitar a vila parecia valer a pena, embora ele fosse fazê-lo só por insistência. Pelo menos já estava claro que ela realizara a missão no tempo que Sakura e Itachi previram. Por volta de duas semanas.

Não que isso fosse um bom sinal.

- Tem certeza do que está falando? – um dos ninjas voltou a insistir. – Temos quase certeza de que ela a assassina da Névoa.

- Vocês têm provas concretas?

- Não.

- Mais alguém em sua vila compartilha essa teoria?

- Não.

- Então, me perdoem, mas eu continuo tendo certeza que ela é apenas uma kunoichi comum, como outra qualquer.

Um dos ninjas, o que aparentava ser o líder, estreitou os olhos.

- Ainda não engolimos essa história.

Kakashi revirou os olhos.

- E o que você quer que eu faça? Empurre-a por sua garganta? Por que se quiser, eu até faço.

O líder avançou para Kakashi, segurando-o pela gola da blusa.

- Quem você acha que é para falar assim comigo?

Kakashi bocejou.

- Sério, acho melhor você me soltar.

Ele preparou-se para socar o Hyuuga, mas antes que seu punho fechado pudesse chegar perto de Kakashi, ele já havia se soltado, desviado e sumido.

- Mas que merd-

Mas o ninja da Cachoeira teve que terminar sua frase com a cara grudada no chão, engolindo grama e terra no processo.

- Eu disse que era melhor você se soltar. – Kakashi disse, sério, com o pé na cabeça do ninja.

Os outros ninjas encararam Kakashi com um medo óbvio nos olhos. Tremiam incessantemente.

- Posso ajudá-los em mais alguma coisa, senhores? – o Hyuuga debochou.

- N-ão. – um gaguejou. – Sentimos muito pelo inconveniente e acreditamos na sua teoria. Prometemos nunca dizer a ninguém que a vimos.

- Não pedi nada disso, mas, tudo bem. Façam o que quiserem.

Kakashi tirou o pé do líder e eles sumiram, sem deixar rastros.

No fundo, ele estava aliviado por ter resolvido seu pequeno imprevisto sem ter que derramar sangue. Seria incrivelmente problemático matar todos aqueles ninjas da Cachoeira, na vila da Pedra, sendo que ele era um ANBU da Folha. Poderia até mesmo arrumar problemas para sua vila.

Por sorte, tudo acabara bem. Ao menos encontrara gente que vira Panji andando por aí, já era um bom começo.