Bom, eu gostaria de falar para a pessoa que me deixou a review anônima. Eu sinto muito se minha história te decepcionou de alguma forma. Se você acompanha essa história, significa que você leu Akatsuki No Hana. Se você o fez, deve ter reparado que a única coisa que me decepciona no mangá Naruto é o machismo usado por Kishimoto-sama. Eu sempre faço de tudo para tirar esse machismo. E em momento nenhum Panji foi uma donzela em perigo. Mas isso não importa. Eu aprecio todas as críticas que fazem sobre meu trabalho, mas a sua não foi uma crítica válida. Você foi grosseira(o), e não se identificou. Gostaria que o fizesse. E me desculpe mais uma vez por ter te ofendido.

Bom, espero que todos gostem do cap :)

Agradecimento às reviews: Darknee-chan, Luna, Lilly Nightfall, Anita-chan, Bruna, sango7higurashi e Pequena Perola!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XXI – Sobre montanhas e ninjas

Panji foi acordada pelo pior cheiro que poderia ter sentido naquele momento. Cheiro de suas odiadas panjis. Era meio irônico, não era? Ter o nome das flores que lhe causavam a pior crise alérgica já vista pelos médicos? Nem tudo é perfeito...

- Motosuwa, por que essas flores? – ela grunhiu, trincando os dentes e prendendo a respiração.

Motosuwa riu.

- Ah, sim. Suas panjis. Sabe, foi graças a elas que conseguimos te prender, então quando vi uma vendedora de flores vendendo algumas na feira resolvi comprar, sabe como é, para uma homenagem.

Panji tentava respirar menos, mas precisava do ar, e quando inconscientemente o inspirava, o cheiro do pólen das panjis queimava seu nariz, e invadia seu corpo.

- Completamente desnecessário. – ela murmurou. – Vocês já me pegaram, para que mais flores?

- Ah, Panji... Pelo simples prazer de te ver mal. Só por isso.

Panji revirou os olhos.

- Você continua sendo a mesma escória de sempre.

- A escória que te prendeu, vamos lembrar.

Tudo bem, tudo bem, ele tinha razão.

- Por sorte. Numa luta de verdade eu teria te matado em dois segundos, aliás, um segundo só seria o suficiente.

Motosuwa trincou os dentes. Odiava quando ela falava a verdade.

- Cala a boca, menina.

- Por quê? Se eu tenho que ficar sentindo o cheiro dessas coisinhas odiosas, você vai ter que me ouvir reclamar o dia inteiro, sabe como é, ando meio entediada ultimamente. – e sorriu diabolicamente.

Motosuwa suspirou. Seria um longo dia. Mais longo do que já era normalmente.

- Por que essas malditas correntes não te afetam como afetam a todos os outros? – ele praguejou.

- Porque eu não sou como todos os outros, você sabe disso. Eu tenho mais chakra do que elas podem agüentar. Acho que em breve poderei quebrá-las e dar uma surra em você.

Motosuwa teria rido, mas o medo de que o que ela acabara de disser pudesse ser realmente verdade prendeu a risada em sua garganta.

- Que foi, Motosuwa? – Panji debochou. – Já perdeu o senso de humor?

- Você é irritante.

- Sabe, você é o primeiro que tem a chance de me dizer isso. Geralmente eu os mato antes de eles chegarem a essa conclusão.

E um arrepio subiu a espinha do ninja. Por que diabos ele ainda tinha tanto medo dela?

- Você é confiante demais para quem está nessa posição.

- Você ainda não aprendeu? – sua voz se tornou ameaçadora.

Motosuwa engoliu em seco.

- Aprendi o quê?

- Você pode me torturar durante dez anos, pode me manter sem chakra o tempo que você quiser. Eu ainda vou sair daqui e te torturar. Aliás, eu não preciso nem sair daqui. É só eu conseguir acumular mais um pouco de chakra e você conhecerá o meu mundo alternativo. Um mundo onde sou eu quem faz as regras. O mundo do Mangekyou.

E ele tremeu ao ver uma mancha escarlate macular os olhos negros de Panji. Ela estava certa. Se ele não arranjasse um jeito de drenar mais chakra dela ele em breve estaria morto e ela livre.

E o pesadelo começaria.


A visita de Kakashi à vila da Cachoeira durou bem menos do que ele havia previsto. Apenas confirmou as informações que já tinha e foi embora, rumo ao País da Neve, do qual ele já estava a poucos metros de distância.

Sabia que a encontraria lá. De alguma forma, ele sabia. Mas outra coisa o preocupava. E se os ninjas na Shuriken Rochosa estivessem certos? E se Panji tivesse sido realmente seqüestrada a mando do Mizukage? O País da neve era o lugar perfeito para tal seqüestro. Afinal, era sempre frio, o que facilitava o crescimento das panjis, e sempre nevava, o que Panji dissera ser pior para sua alergia.

Eram as melhores condições para executar esse tipo de plano. Aliás, eram as únicas condições que permitiriam o seqüestro de Panji. Panjis e neve era a única coisa que daria vantagem a algum ninja, fora isso ela era completamente invencível.

Enquanto pensava em tudo isso, Kakashi avistou o "ponto de parada" da vila que se encontrava. Monstro da Neve, outra taverna, outro nome pouco criativo.

- Você não pode entrar aqui, criança. – um guarda na porta impediu Kakashi.

- Por que não?

- Forasteiros não entram.

- Que quer dizer? Isso aqui não deveria ser um lugar para forasteiros?

- Era. Mas parou de ser muito tempo atrás. Tivemos problemas com uns imbecis da Névoa que procuravam por Kirigakure no Yuurei. Desde então paramos de deixar forasteiros entrarem.

- Como é? Por favor, me diga, há quanto tempo isso aconteceu.

Finalmente! Tinha achado uma pista concreta! Finalmente tinha achado algo que realmente poderia ajudar em sua busca.

- Dois ninjas da Névoa entraram aqui e arrumaram confusão com uma menina ninja. Eles diziam que ela era Kirigakure no Yuurei, imbecis, como se a grande Yuurei fosse andar por aí sem máscara, ou como se meros jounins saberiam a verdadeira identidade dela.

- Você tem toda a razão. – Kakashi encorajou-o. – Sabe me dizer mais alguma coisa?

- Os três saíram daqui, tranqüilamente e tudo mais. E sumiram pela floresta. Nunca mais os vimos.

- Você já contou isso para mais alguém?

- Não. Mais ninguém perguntou.

Kakashi revirou os olhos. Todos os idiotas que foram atrás de Panji não tiveram o bom senso de perguntar isso para o guarda de um "ponto de parada"? Que tipo de caçadores Konoha tinha?!

- Arigatou. – e se afastou, andando em direção à floresta.

Eles andaram em direção à floresta. Provavelmente em algum ponto não muito longe deveria haver um canteiro de panjis. E depois? Para onde eles poderiam tê-la levado?

Duas horas depois de adentrar na floresta, Kakashi achou uma clareira cheia de flores, que sobreviveram às nevascas.

- Perfeito. – ele murmurou.

Aquele era um lugar em potencial. Mas e daí?

Ele olhou em volta com cuidado, tentando absorver cada detalhe daquela paisagem. Havia uma pequena trilha na lateral. Ele seguiu por ela e encontrou duas pequenas cabanas de madeira. Em frente de uma, um velho senhor descansava em uma cadeira de balanço, fumando um cachimbo.

- Posso te ajudar, menino? – ele perguntou, desconfiado.

- Desculpe-me o incômodo, senhor. Eu procuro por essa menina. – e mostrou a foto. – Ela já está um pouco mais velha agora.

- Já a vi sim. – e suspirou. – Já começava a me perguntar quando alguém viria para ajudá-la.

- Que quer dizer? – Kakashi perguntou, o coração batendo aceleradamente.

- Ninguém sabe? Que mundo ninja é esse! – o velhinho urrou. – Essa menina foi capturada há três anos! Eu vi! E vocês ainda se chamam os melhores espiões que já existiram! Um samurai arranjaria informações mais rápido!

Kakashi se ajoelhou ao lado do velhinho.

- Por favor, senhor. Conte-me tudo o que viu.

O velhinho suspirou.

- Tudo bem... Fazia pouco tempo que o inverno havia chegado, não que nós aqui saibamos a diferença das estações, afinal sempre temos neve. Eu estava cortando um pouco de lenha, para acender uma fogueira e me esquentar. Estava perto da clareira. Foi quando ouvi uma movimentação estranha...

- Por que vieram atrás de mim? – Panji perguntou ameaçadoramente. – É minha missão. E já estou quase terminando.

- Nós sabemos disso, Panji. – Motosuwa rir. – Mas viemos aqui por outro motivo. Temos ordens expressas do Mizukage de te ensinar uma lição.

Panji riu.

- Aquele velho está de fato caduco. O que ele imaginou que vocês poderiam fazer comigo?

Foi a vez de Motosuwa rir.

- Ainda não sentiu?

- Senti o quê? – ela trincou os dentes.

- Respire fundo, Panji.

Mas ela não precisou fazê-lo para entender o que Motosuwa queria dizer. O cheiro foi com tudo para seu nariz, queimando-a por dentro.

Eram as flores. Junto com a maldita neve. Como ela não notara antes? Tinha se esquecido completamente das flores.

- Como você sabe? – ela perguntou, já meio grogue.

- Você acha que eu iria para Konoha naquele dia e simplesmente voltar para a Névoa de mãos vazias? Nem pensar, minha cara. Eu te segui enquanto você seguia aquele Hyuuga. E eu vi você desmaiando. Só que eu sou mais esperto que seu namoradinho, eu logo entendi o que você quis dizer.

Panji amaldiçoou-o e sentiu suas forças se esvaindo. Aos poucos tudo ia escurecendo, até que ela não podia ver mais nada.

- E para onde eles a levaram? – Kakashi perguntou ao velhinho.

- Para cima.

Kakashi revirou os olhos, impaciente.

- Seja mais específico.

- Existe uma base ninja nesse pico. – e apontou a enorme montanha atrás dele. – Eles a levaram para lá.

- Tem certeza disso?

- Claro que eu tenho, criança. Vocês ninjas são péssimos. Sempre soube que os samurais eram mais efetivos.

Kakashi riu.

- Você era um samurai?

- Não. Mas meu pai era. E perdeu o emprego para um ninja. E olha o que vocês fizeram com nosso mundo!

- Muito obrigado, senhor.

- Não agradeça, criança. Apenas corra e tire aquela menina de lá.

Não era preciso mandar duas vezes.


Panji sentia o cheiro das panjis, mas ele estava bem fraco. Não havia queimação, não havia enjôo, nada. Era apenas um cheiro irritante.

- Neve... – ela sussurrou. – Não tem neve.

Era a primeira vez que ela via panjis fora da neve, afinal, aquelas flores eram proibidas em sua casa, por razões óbvias. Mas fora da neve, o cheiro não era nada. Era apenas algo irritante.

E somado a isso, havia o fato de que ela se sentia um pouco melhor. Pela primeira vez em três anos ela não se sentia acabada. Aquelas correntes estavam ficando velhas, e nem Motosuwa nem Suzuki sabiam que elas tinham um certo "prazo de validade".

Não estava 100%, mas estava relativamente bem. Chegara a hora.

- Sabe, Motosuwa. Essas flores não estão me afetando em nada.

Motosuwa se levantou e foi até a cela.

- Você está insuportável hoje.

- Fico feliz em saber.

E ativou seu mangekyou.

Motosuwa não teve tempo nem de gritar. Em poucos segundos ele estava preso no mundo paralelo da versão suprema do sharingan.

- Espero que goste de suas 48 horas de tortura.

Um a menos. Agora só faltava o outro inútil.

- Ei, Motosuwa, o que está acontecendo com voc-...

Mas Suzuki não teve tempo de terminar sua frase. Assim que encontrou os olhos de Panji, ele também foi preso na ilusão.

- Perfeito. – ela sorriu.

Claro que aquela manobra cobrara seu preço. Ela começava a se sentir tonta. Mas ela precisava sair dali. Só mais um pouco de chakra e ela poderia quebrar aquelas correntes e sair dali. Só mais um pouco.

Com um esforço sobre-humano, ela concentrou o chakra e quebrou as correntes que prendiam seus braços e suas pernas. Liberdade. Faltava muito pouco. Só alguns passos.

Mas ela estava fraca. Mal conseguia ficar de pé. Foi andando, e andando, até conseguir chegar às grades de sua cela. Um simples chute foi o suficiente para fazer as dobradiças enferrujadas cederem. Ela pegou uma kunai e cortou as gargantas de seus seqüestradores. Que eles morressem afogados em seu próprio sangue.

Mas aquilo já era demais.


Kakashi nunca correu tão rápido em toda sua vida. Escalou a montanha como se estivesse subindo em uma árvore de Konoha. Não tinha tempo a perder. Estava a poucos metros de achá-la. Finalmente!

O velho não mentira. Havia mesmo uma base ninja no pico. Era uma construção de concreto escuro. Olhando de fora ela poderia ser bastante assustadora. Mas não para Kakashi, ele não tinha tempo para se sentir intimidado por uma pilha de tijolos.

Com um selo explosivo ele arrombou a porta. Podia sentir o chakra dela. Estava fraco, mas ele poderia dizer onde ela estava.

Ele seguiu a trilha e teve que explodir mais algumas portas. Até que chegou.

Ela lutava para se manter de pé. E estava com a pior aparência possível. O cabelo não brilhava, estava muito magra, tinha enormes olheiras e machucados por toda parte. Mesmo assim, ela cortava as gargantas de dois ninjas.

- Panji! – ele chamou.

Ela se assustou com a voz e o mirou. Mas assim que o viu, sua expressão endureceu.

- Ouça com atenção. – ela disse, como um chefe se dirige a seus subordinados. – Eu vou desmaiar em poucos segundos. Eu quero que você corte as cabeças deles e leve-as comigo para aonde quer que você vá me levar. Fui bem clara?

Kakashi assentiu.

- Ótimo.

E desmaiou, assim como havia previsto.