Penúltimo capítulo de Kirigakure no Yuurei! Minha maior fic até agora. Espero que gostem desse capítulo.

Agradecimentos às reviews: Darknee-chan, sango7higurashi, Bruna, Pequena Perola, Uzu Hiina, Anita-chan, Micka-chan, Lolitah, Uchiha Madazitah e Snow Kiss!!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Capítulo XXII – Prazeres e vinganças

Panji foi acordada pelo silvo agudo do vento que batia contra uma janela fechada. Podia sentir cada pequena parte de seu corpo doer, como se um elefante tivesse pirado em cada uma delas, bem devagar.

Entretanto, sentia-se mil vezes mais confortável do que se sentira nos últimos três anos. Sua pele estava gostosamente envolta pela delicada flanela de um pijama novinho; seus ferimentos haviam sido tratados e estavam todos cuidadosamente cobertos por curativos; e ainda estava deitada em um macio futon com lençóis limpos.

Tudo extremamente perfeito. Mas nada daquilo a fez sorrir.

- Kakashi! – ela gritou, quase que enfurecida.

- Sim? – ele respondeu prontamente, como se tivesse passado a vida toda esperando pelo chamado dela.

Panji o mirou. O Hyuuga estava deitado no chão, com um único lençol em cima dele. Seu rosto cansado denunciava que fazia tempos que não dormia bem.

- Quanto tempo fiquei desacordada?

- Quatro.

Ela xingou baixinho.

- Você fez o que eu te pedi?

- Fiz. Estão naquela bolsa de lona.

- Ótimo.

E se levantou de seu futon, pronta para sair de lá o mais rápido que pudesse. Mas antes de chegar à porta, a tontura voltou a apoderar-se dela.

Kakashi aparou-a antes que ela caísse no chão.

- Você ainda está fraca.

Panji lançou-o um olhar mortal.

- Quem você pensa que é para me dizer como eu estou ou não?

- Só estou constatando um fato, Panji. – ele disse com toda calma do mundo, completamente oposto ao tom furioso dela.

- Você não deveria ter vindo.

- Eu quis vir.

- Eu não precisava de ajuda.

- Ah, não. Claro que você não precisava. – ele debochou. – O que você ia fazer se eu não tivesse aparecido exatamente naquele momento?

- Eu nunca precisei de ninguém. Eu não preciso de você.

- Panji, você precisou de mim. Apenas admita isso, uma vez na sua vida, não vai te matar.

- Você é muito prepotente. Tentou dar uma de salvador, ousou trocar minhas roupas e curar meus ferimentos. Tudo ridículo.

- Você reclama demais. Ainda estaria lá se eu não tivesse aparecido lá. – e segurou-a pelos braços, prendendo-a ao futon, assim como fizera tantos anos antes.

- Eu preferia ainda estar lá. – e trocou as posições, ficando por cima dele.

- Qual o problema de receber ajuda? Não é nenhuma humilhação.

- Vinda de você, é sim.

Kakashi a puxou para si e trocou as posições mais uma vez

- Não sentiu minha falta? – ele perguntou, lançando um olhar irresistível para a jovem kunoichi.

- Não.

- Nem um pouquinho?

- Não.

Mas pela primeira vez desde que aquela conversa começara, os olhos de Panji a denunciaram. Brilharam como brilham olhos de crianças quando estão felizes.

- Senti sua falta também, Panji. – Kakashi admitiu. – Por isso me dei ao trabalho de me tornar um ANBU. Por isso saí para te procurar.

Panji virou o rosto, deixando de encarar os olhos perolados do Hyuuga, que a encaravam com tanta intensidade que pareciam querer perfurá-la, olhar cada cantinho obscuro de sua alma problemática.

- Isso tudo é muita perda de tempo, Kakashi.

- Discordo.

Ele a segurou pelo maxilar e forçou-a a encará-lo.

- Não somos crianças, e nem somos mais aqueles adolescentes dependentes. Não somos mais influenciados pelos motivos que influenciam crianças.

- Não sou esse tipo de garota, Kakashi. Eu não sou como as garotas de Konoha.

- Eu não gosto das garotas de Konoha. Elas são entediantes.

- Kakashi, não torne isso difícil. Eu não encaixo em seus sonhos.

- Você não conhece meus sonhos.

E a beijou com toda a vontade que contivera em todo aquele tempo. Beijou-a com a intensidade de quem busca algo durante toda uma vida e, quando encontra, delicia-se com seu prêmio.

E Panji enlaçou seus braços no pescoço dele, puxando-o com agressividade contra si, grudando seus corpos.

Kakashi deslizou suas mãos por debaixo do pijama da Uchiha, sentindo cada centímetro da pele dela que, mesmo depois de tudo, continuava macia como seda. Foi com gostosa surpresa que ele sentiu as mãos dela desamarrando a faixa que prendia sua blusa, e deslizando-as por seus braços musculosos, se livrando de vez da peça de roupa.

- Tem certeza que você quer isso? – ele perguntou aos sussurros.

Panji riu.

- De tudo o que você falou aqui hoje, isso foi o mais ridículo.

Kakashi sorriu maliciosamente e arrancou a parte de baixo do pijama de flanela.

- Sabe de uma coisa... – Panji falou, rolando para cima do Hyuuga. – Isso não deve estar tendo a menor graça para você. Você já me viu sem essas roupas.

Kakashi riu e voltou a prendê-la na cama, segurando-a com firmeza.

- Não contou. Eu estava preocupado demais com seus ferimentos para realmente aproveitar o momento.

Panji sorriu. O que foi que ela fizera para ganhar um homem como aquele? Ele era, basicamente, o sonho de qualquer garota que quisesse casar e ter o melhor marido do mundo. E ele se apaixonara por ela, mesmo tendo a opção de se apaixonar por todas as garotas que sonhavam com um cara como ele.

Era quase irônico.

E Kakashi grudou seus lábios nos dela mais uma vez. Panji enlaçou suas pernas nele e usou seus pés para tirar a calça dele. O Hyuuga, por sua vez, tirou a blusa dela e foi beijando e mordendo cada parte de sua barriga impecável.

- Essa é sua última chance de desistir. – ele murmurou no ouvido dela, enquanto usava suas mãos para desenrolar a faixa que tapava seus seios.

- Desista de me fazer essas perguntas. Elas são irritantes.

Ele sorriu e, terminando de tirar a faixa, concentrou toda sua atenção na nova parte exposta do corpo da Uchiha. Ele lambeu, mordiscou, acariciou; cada novo estímulo fazia-a gemer de prazer. Lentamente, ele foi se posicionando melhor e, sem tirar sua boca habilidosa dos delicados seios de Panji, ele foi penetrando-a devagar.

Dessa vez, Panji gemeu alto. Juntos, foram aumentando o ritmo, suspirando, gemendo e gritando. Dividiam juntos o maior prazer que qualquer um deles jamais sentira. Suaram, arrancaram sangue um do outro, se amaram como jamais haviam feito antes.

E juntos, chegaram ao ápice de seus prazeres e caíram, exaustos, um ao lado do outro.

- Panji... – Kakashi chamou-a.

- Sim? – ela respondeu, sem deixar de abraçá-lo.

- Eu te amo.

Ela abriu os olhos e encarou-o.

- Eu também.


- Por que você já está pronta? – Kakashi perguntou assim que acordou e reparou que Panji o mirava, sentada na beirada do futon, completamente vestida.

- Quero chegar hoje mesmo em Kirigakure.

Ele fez um muxoxo e bocejou.

- Para que a pressa?

Panji lançou-lhe um olhar de repreensão.

- Eu passei três anos naquele lugar nojento com aqueles dois idiotas. Aquele velho gagá vai aprender que não se pode mexer comigo.

Kakashi sentiu um arrepio passar por sua espinha quando ouviu aquelas palavras saírem da boca dela. Ela era perigosa até demais.

- O que você vai fazer? Sabe que pode ser banida da vila, não sabe?

- Não me importo mais com aquela vila idiota. Espero que ela vá a falência. Era eu quem mantinha o número de pedidos elevado. Eles vão pagar pelo que fizeram comigo.

- Não seja tão vingativa.

- Não tente me dizer o que fazer, Kakashi. Porque eu realmente não vou escutar e você vai ficar cada vez mais decepcionado.

Kakashi suspirou e foi até ela.

- Tudo bem. – e depositou um beijo na testa dela.

Ficaram em silêncio por um momento, apenas se abraçando, até que Panji se levantou de um salto com um olhar demoníaco.

- Vamos logo. Se você não agüentar o ritmo, pode parar.

Kakashi riu.

- É você quem não vai conseguir me acompanhar.

Foi a vez de Panji rir.

- Veremos.


O Mizukage estava sentado em sua cadeira, em sua sala, pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo. E o que mais o preocupava era a falta de notícias vindas de Motosuwa. Ele duvidava que Panji conseguisse se livrar dos dois, considerando o tipo de tratamento que ela estava recebendo, mas, mesmo assim, ele não conseguia se livrar de sua preocupação. Se ela conseguisse escapar era óbvio que viria diretamente procurá-lo. E vingar-se.

Ele tremeu ao pensar no que ela poderia fazer com ele se de fato chegasse a escapar. Ele morreria, sem dúvidas.

- Sentindo minha falta, Mizukage?

Aquela voz. Não, não era possível. Ele estava sonhando, não era? Só podia ser isso. Não podia ser verdade.

E se virou para a porta.

Ela estava parada, encostada no portal, os braços cruzados e o rosto tapado por sua bela máscara felina.

- Pan-Panji... – ele gaguejou. – C-como v-ocê...

- Acha mesmo que aqueles dois idiotas iam ser capazes de me manter presa para sempre? – e riu. – Seu maior erro foi ter me deixado viva, velho.

Ela abriu a mala de lona e jogou as cabeças dos dois em cima da mesa.

O Mizukage gritou, apavorado.

- Isso é o que acontece com quem resolve ir contra mim.

O Mizukage tremia freneticamente enquanto olhava para as cabeças de Motosuwa e Suzuki, que o encaravam com aqueles olhos vítreos e sem vida.

Panji o segurou pela gola da blusa e foi arrastando-o pelas escadas da torre.

- Para onde está me levando? – ele perguntou, apavorado, incapaz de fazer nada para impedi-la.

- Para o lugar de sua execução.

- Não, não, não, Panji! Não faça isso! Perdoe-me pelo que eu fiz.

Panji soltou uma gargalhada vazia e cruel.

- Kages não imploram. Você nunca mereceu seu posto.

- Você vai ser banida da vila! – ele ameaçou.

- Pouco me importa.

E foi arrastando-o até o quartel jounin especial de Kirigakure. Muitos tentaram impedi-la de continuar passando, mas todos foram sendo jogados, inconscientes, pelo caminho.

E assim ela chegou à sala comunal dos jounin da Névoa que, para sua sorte, estava completamente lotada naquela tarde.

Assim que a avistaram, carregando o Mizukage pelo pescoço, o burburinho foi geral. Alguns estavam espantados, outros a apoiavam. Ninguém ousou se mexer.

- Isso, – ela começou – é para que essa vila aprenda que eu não sou uma kunoichi qualquer que possa ser submetida a "castigos". É para que essa vila aprenda que eu devo ser temida. Porque, sim, eu posso acabar com esse lugar sem fazer muito esforço.

Ela então tirou sua máscara, e lançou um olhar gélido ao homem que tremia a seu lado. Pegou uma simples kunai e cortou sua garganta profundamente, deixando o sangue escorrer e empoçar. Então largou o corpo sem vida no chão.

- Espero que eu tenha sido bem clara.

Os jounins limitaram-se a assentir e observaram-na sumir em uma nuvem de penas de corvo.


Em Konoha, estava em andamento uma pequena reunião sobre o caso Panji.

- Eu acho que o moleque está demorando demais. – Itachi grunhiu, trincando os dentes.

- Como demorando demais? – Hinata protestou. – Ele saiu há dez dias. Você acha que uma garota desaparecida há três anos aparece assim tão fácil?

Era a primeira vez que todos ali viam Hinata irritada e, sem dúvidas, era um espetáculo que valia a pena ser visto.

- Calem a boca vocês dois. – Sasuke disse, revirando os olhos. – Todos nós sabemos que ele vai demorar, não adianta ficarmos discutindo isso a cada dois dias. Aliás, essas reuniões são completamente inúteis.

- Sasuke tem razão. – Naruto declarou. – Só o que podemos fazer é aguardar.

Itachi bufou e se levantou, carregando Sakura junto consigo escada a baixo.

- Eles são um bando de inúteis. Falei que era para nós irmos atrás dela.

Sakura revirou os olhos.

- Quantas vezes vamos ter que discutir isso, Itachi? Você não pode simplesmente se jogar pelo mundo e arriscar ser visto por alguém que não deve saber que você está vivo. Desencadearia uma nova guerra!

Itachi revirou os olhos.

- Isso é tudo muito ridículo.

Sakura suspirou.

- Também estou muito preocupada. Todo dia eu acordo com um aperto no meu coração. Eu sonho com ela voltando e acordo sobressaltada e vasculho a casa toda a procura dela. Mas não há nada que possamos fazer quanto a isso. Só o que podemos fazer é confiar em Kakashi.

- E essa é a parte que eu não goste.

- Mas é bom começar a gostar. Porque você vai ter que conviver com ele pro resto de sua vida.

- Eu sei. – ele admitiu, contra sua vontade.

E continuaram a caminhar lentamente, de mãos dadas, até que escutaram um grito quase ensurdecedor:

- Sakura-san!

Sakura se virou e viu que Konohamaru corria em direção a eles.

- Algum problema, Konohamaru-kun? – a Haruno perguntou, preocupada com a expressão no rosto dele.

- Acabamos de receber uma carta oficial de Kirigakure. O Mizukage está morto.

Sakura sentiu o sangue parar de correr em suas veias.

- Quem fez isso?

- Kirigakure no Yuurei.

Sakura estava espantada. Panji estava em Kirigakure? E ela tinha matado o Mizukage?

- Tem certeza disso? Tem certeza que foi mesmo ela?

- Sim. Todos os jounins confirmam. Ela o executou na sala comunal do quartel general, disse umas palavras e desapareceu.

- E qual é o comunicado oficial? – Itachi perguntou, finalmente se intrometendo na conversa.

- Oficialmente ela está banida da Vila Oculta da Névoa. Popularmente, ela está sendo aclamada como heroína. Já sabíamos que os dias daquele Mizukage estavam contados, mas nunca imaginamos que ele era tão impopular.

- Reporte isso ao Naruto agora! – Sakura mandou.

- Sim, Sakura-san! – e ele voltou a correr.

- Ela está de volta, Itachi. – e uma lágrima escorreu por seu rosto pálido.

- Sim, ela está. – e a abraçou apertado. – Quanto tempo ela demorará para chegar aqui?

- Horas. Ela deve chegar a qualquer momento.

Os orbes esmeralda de Sakura brilhavam do jeito que brilhavam quando ela e Itachi começaram a "namorar".

- Quer esperar no portão? – Itachi perguntou, sorrindo ternamente.

- Sim.

Ele riu e, juntos, foram se sentar em uma árvore próxima ao portão de acesso à vila.

Não demorou nem mesmo meia hora para que eles avistassem duas figuras que andavam calmamente até a entrada da vila.

- Não acredito que você está na porta me esperando. – Panji sorriu.

Sakura pulou da árvore, as lágrimas correndo soltas por suas bochechas, e abraçou-a apertado.

- Claro que eu estou! – ela exclamou. – E olha para você. Esqueleticamente magra, olheiras enormes, cheia de ferimentos. Vamos gastar horas cuidando disso, já sabe, não é?

- Sim, mamãe. Eu sei.

Sakura a apertou ainda mais.

- Nunca mais suma assim.

- Pode deixar.

Ao lado, Itachi encarava Kakashi com um olhar solene.

- Obrigado.

Kakashi sorriu.

- Não precisa agradecer.

E os quatro entraram na vila, rumo ao escritório do Hokage. Havia muito a ser acertado.