CAPÍTULO TRÊS

Às dez para as três do dia seguinte, Bella se apresentou no último andar. Vestia um conjunto verde escuro de saia e casaco longo. Seu cabelo estava amarrado. Os olhos estavam defensivos e a palidez marcava suas delicadas feições.

Passara as duas últimas noites em claro. Permanecera acordada, preocupada, perguntando a si mesma se Edward saberia agora que ela tinha um filho. Ele, que uma vez manifestara com raiva sua opinião, quando o fato acontecera com um amigo:

– Preso em uma armadilha pelos próximos anos por uma mulher grávida, que deu o golpe da barriga para subir na vida!

Será que Edward havia visto sua ficha pessoal? Em caso positivo, certamente descobrira que ela dera a luz a um bebê prematuro, oito meses depois que eles haviam rompido!

Mandaram que ela seguisse por um corredor que dava direto na sala do diretor-geral. Com os nervos à flor da pele, Bella bateu à porta e depois entrou.

Edward atendia uma ligação telefônica. Seu perfil severo e bem delineado ouvia atento. Ele indicou uma cadeira a alguns metros de sua mesa e concentrou-se novamente na ligação. Bella sentou-se e tentou manter as mãos quietas. Procurava loucamente lembrar qual postura indicava a linguagem defensiva do corpo, pois certamente Edward sabia. À medida que o olhava, crescia nela uma dor emocional, quase física, que a deixava tensa.

Ele a trocara por outra mulher sem lhe dizer nada. Mas, na ocasião, as circunstâncias atenuaram esse comportamento. A verdade era que Bella precisava ainda se restabelecer de seu caso de amor com Edward Kiriakos.

– Desculpe, não pude deixar de atender – Edward colocou-se de pé, pondo o telefone de lado. Emanava dele uma energia poderosa e isso era bem o seu feitio.

– Pare de me olhar como um ratinho assustado, Bella. Eu não mandei chamar você até aqui em cima para demiti-la ou ofendê-la. Acredite ou não, posso me livrar de pessoas indesejáveis sem ter que me comportar como o homem de Neandertal!

Há quatorze meses, fora esse mesmo homem que rosnara ao telefone para ela:

– Nenhuma mulher me dispensa!

Conectada com aqueles impressionantes olhos castanho-dourados, Bella sentia-se magnetizada. Seu coração batia como um tambor, e sua mente estava completamente tonta. Felizmente, Edward continuava a falar, e sua pronúncia arrastada e cheia de sotaque soava em seus ouvidos como música, que há muito ansiava escutar.

– Vou precisar de uma secretária social.

Ágil como um gato selvagem, ele se aproximou das janelas coloridas.

– Você é rápida, esperta e não me irrita com perguntas idiotas. Quando eu for embora, você será uma executiva do quadro de diretores.

Desconcertada por essas palavras, Bella caiu em estado de choque. Evidentemente, no dia da chegada, ela estava muito melindrada e deve ter confundido sua surpresa natural em vê-la com hostilidade.

– Secretária para atividades sociais?

Edward citou um salário que fez sua cabeça girar. Em seguida, olhou com impaciência para seu relógio de ouro.

– Se quiser, o cargo é seu e você começa amanhã. Discutiremos suas tarefas depois. Estou sem tempo hoje.

– Com certeza eu quero. – Ouviu-se dizer, embora a indiferença de Edward quanto ao antigo relacionamento deles a espicaçasse como faca afiada.