CAPÍTULO CINCO
Uma hora mais tarde, as tumultuadas emoções de Bella já tinham se acalmado o suficiente para que ela, aos poucos, se enchesse de horror ante o próprio comportamento.
Havia passado dez minutos soluçando em silêncio no banheiro, vinte minutos tentando se recompor e mais trinta minutos abraçando Ben na creche.
Ben, cujo conforto e segurança dependiam do seu sucesso naquele emprego. Ben, cuja mãe havia perdido a cabeça e gritado como uma bruxa diante de um homem monstruosamente insensível. Ben, cuja mãe, agora, teria de se desculpar, pelo bem dele.
Voltando ao último andar, Bella bateu à porta da sala de Edward, ainda sentindo as mãos trêmulas. Furiosa consigo mesma, recostou-se na parede e respirou fundo antes de entrar.
Recostando-se na cadeira, Edward a examinou, o rosto vigoroso e enigmático.
– Devo desculpas a você. Não sei o que aconteceu comigo. – Bella esforçava-se para olhar para ele, mas só olhava através dele.
– Eu faço uma idéia do que aconteceu com você. – Seu tom de voz era suave.
– Em geral, sempre executo com boa vontade as tarefas que me são solicitadas – explicou Bella precipitadamente, querendo evitar que ele mencionasse o que tinha provocado sua ira.
– Incluindo fazer compras para a mulher da minha vida? – inquiriu Edward, ainda mais amável.
Bella sentiu um calafrio e cerrou as mãos. Ela não queria brigar, mas não conseguia arrancar de dentro de si uma palavra sequer de entendimento.
– E pensar que enquanto estivemos juntos eu jamais presenciei tal temperamento. – Seus olhos cor de mel estavam pregados nos dela. – Você estava histérica agora há pouco.
– E agressiva. Sinto muito – disse com firmeza. – Não acontecerá novamente.
– Rosalie é a esposa do meu irmão. O jantar é para comemorar o aniversário dela... – Edward percebeu um leve rubor nas faces de Bella.
O alívio de Bella com essas notícias era visível em seu rosto. Involuntariamente, seus olhos encontraram os dele. Um sorriso apaixonado brotou da boca de Edward e ela sentiu suas forças caindo em queda livre.
Recordações íntimas perturbadoras vieram à tona: Edward a beijando com forte desejo, incitando-a a ficar fora de controle. Um calor consumiu a superfície de sua pele. Ela estremeceu, o coração bateu rápido, a pulsação disparou. Sentia seu corpo traiçoeiro corresponder, como sempre fizera, à potente sexualidade de Edward.
E então, lembrou-se da loira seminua e furiosa que encontrara no apartamento dele quatorze meses antes.
Tinha sido culpa dela mesma, ao correr para lá sem convite, finalmente fazendo uso da chave que ele lhe dera, querendo surpreendê-lo e, misericordiosamente, falhando nisso. Felizmente, Edward já tinha saído. Mas sua atordoante loira ainda não tinha conseguido colocar as roupas de volta. Aquela lembrança humilhante mergulhou seu calor sensual em uma eficiente tina de água gelada.
– Bella... – chamou Edward, quase ríspido.
Ela desviou o olhar envergonhado.
– Ainda trabalho para você?
– A fita cassete está em seu escritório junto com um livro de endereços. Tem também uma pilha de correspondência para você cuidar. Vou estar fora do escritório até segunda-feira.
