CAPÍTULO SEIS
Bella foi trabalhar refletindo que Edward permaneceria na Devlin Systems por apenas três semanas. Quase uma semana já havia se passado e ele ainda nem tinha idéia de que ela era mãe de uma criança. E por que motivo descobriria? Quem, afinal de contas, comentaria esse fato?
Na véspera, Bella ficara ouvindo sem parar a fita cassete somente para escutar o jeito dele falar, com sua voz arrastada, profunda e carregada no sotaque.
Ele havia recém-adquirido uma casa em Londres e ela deveria organizar um jantar festivo. Os fornecedores do bufê já estavam reservados, mas Bella teria de encontrá-los para organizar os detalhes finais.
Perguntava-se amargamente por que o eficiente empregado grego de Edward, Stamatis, não estava cuidando de tais assuntos domésticos. Pensamentos confusos e dolorosos, cada vez mais freqüentes, reportaram-na há quase dezoito meses.
Ela se apaixonara loucamente por Edward Kiriakos e não estimou nenhum risco ao permitir que fosse seu primeiro amante. Sabia que Edward tinha uma reputação de namorador. Rico, deslumbrante e famoso aos vinte e nove anos, Edward tinha o mundo a seus pés. Entretanto, o que mais magoava Bella era admitir que ela não poderia culpar Edward inteiramente por cansar-se dela...
Poucas semanas depois do início daquele caso amoroso, romântico e mágico, a mãe de Bella havia morrido de repente. De todas as formas possíveis Edward a ajudou. Todavia, Bella se transformara em uma jovem melancólica e taciturna. Que homem desejaria lidar com esses problemas após apenas algumas semanas de namoro? Era natural que Edward tivesse ficado aborrecido. No entanto, como ela estava em um estado de dependência, ele teve dificuldade em se livrar dela. Por isso, deixara o relacionamento à deriva, sem dúvida esperando que ela entendesse a mensagem por si mesma.
Infelizmente, Bella lembrou, sendo arrastada para o presente com os olhos marejados de lágrimas enquanto dava comida para Ben na creche durante sua hora de almoço, ela só entendeu a mensagem ao encontrar a loira seminua. Dispensar Edward pelo telefone, naquele mesmo dia, foi sua melhor tentativa para escapar de uma humilhação maior – resolveu não mencionar o degradante encontro com sua substituta.
Naquela tarde, uma elegante e vivaz morena entrou no escritório de Bella.
– Eu sou Alisha James. Encontre Edward e lhe diga que estou livre nesse fim de semana, afinal. – Um sorriso provocante estampava aquela boca perfeita. Diga-lhe que eu tenho as idéias mais divinas para seu quarto de dormir!
Bella corou, empenhando-se em manter um sorriso simpático.
– Receio só ter acesso ao serviço de mensagens. Eu não sei onde o sr. Kiriakos está. Mas tentarei encontrá-lo.
Alisha gargalhou ruidosamente.
– Não há necessidade. Quando Edward receber a mensagem, e não ouse mudar uma vírgula do que eu falei, ele saberá onde estarei a sua espera.
Assim que a morena foi embora, Bella ligou para o serviço de mensagens, cheia de repugnância por Edward e pela posição em que ele a havia colocado. Sentindo uma dor amarga e raivosa, ela transmitiu o convite provocante de Alisha. Depois, atormentada por uma onda de ciúme humilhante, ela acrescentou com vivacidade artificial, machucando a si própria:
– Tenha um ótimo fim de semana.
