CAPÍTULO DOZE
Às nove horas da manhã seguinte, Bella estava ligando o monitor do computador quando Edward entrou.
Com um movimento gracioso, fechou a porta atrás de si recostando-se nela.
Ela passara a noite anterior dizendo a si mesma que verdadeiramente detestava Edward Kiriakos. Como ele poderia simplesmente supor que seu filho fosse de outro homem? Essa era uma possibilidade que ela não previra. E não era estranho que ele tivesse se omitido ao ser confrontado sobre a loira? Queria bancar o esperto? Agir como se a loira jamais tivesse acontecido? Bem, a memória de Bella era afiada como garra.
Mas, infelizmente, não importava o quão furiosa e amarga Edward a deixava, ele ainda fazia sua respiração ficar suspensa. Parado em pé, vigorosamente masculino em um terno formal de negócios, o maxilar agressivo, os olhos impressionantes, Edward mostrava um leve mas perceptível desapontamento que, de forma inesperada, tocou o coração de Bella.
– Se tem alguma coisa para dizer, diga! – Bella suspirou.
– Eu admito que um rapaz sensível, mas desonesto e interesseiro, teria pulado em cima do garoto e dito: oh, é a criança mais linda que eu já vi!
– Chegou a conhecer Ben?
– Eu não queria vê-lo... – Uma fração de segundo após ter admitido isso, Edward rangeu os dentes brancos e espalmou as mãos em um gesto de frustração.
– Apague esse comentário.
– Apenas uma olhadela rápida, não foi? – Bella retornou ao computador. – Não está interessado em bebês, não é?
– Sem comentários. Estou aqui para lhe dizer que saia essa manhã e compre para si mesma um vestido de noite para o jantar comemorativo. – Enquanto ela permanecia atônita diante da idéia de Edward pagar qualquer coisa que ela usasse, ele colocou sobre a mesa um cartão de crédito especial e mencionou o nome de uma loja de alta-costura. – É uma despesa legitima de negócios...
– Isso é uma ordem?
– Sim – confirmou Edward sem hesitar. – Aparência é tudo no meu mundo. Não quero ninguém comentando de você.
– Sou apenas uma empregada, Edward...
– Por mais quanto tempo?
– Isso é uma ameaça? – perguntou Bella, os olhos brilhando.
– Você devia me conhecer melhor. – Os olhos cor de mel flamejavam exasperados. – Vamos acertar os ponteiros, Bella. Quando eu olho você, a desejo intensamente, e sei que o mesmo acontece com você...
Bella tremeu em reação nervosa, mas ela não sabia com quem estava mais furiosa, se consigo mesma, por sua fragilidade desavergonhada e respiração ofegante, ou com ele, por ter feito tal arrogante afirmação com tanta frieza.
– A loira já fez você se sentir assim?
– Nunca...
Naquele silêncio incriminador, Bella arrancou seu olhar angustiado dos olhos dele, abalada por aquela única palavra com a qual, finalmente, ele parecia admitir sua traição cruel.
– Você não pode voltar no tempo. Não poderia nunca confiar em você.
– Quão boa em rastejar você é? – murmurou Edward sedutoramente ao sair.
Rastejar? Nem por todo o chá existente na China, nem mesmo por um novo começo com o homem que ela ainda amava.
Mas era tempo de contar a Edward a verdade sobre Ben, reconheceu Bella com amarga relutância. Um dia Ben perguntaria sobre o pai dele e esperaria respostas.
Como ela poderia permitir que Edward continuasse acreditando que Ben era filho de outro homem?
Como pôde imaginar guardar esse segredo para sempre, quando ele não era só seu...
