CAPÍTULO QUINZE

Passava um pouco da meia-noite. Bella acompanhou a babá até a saída. Seus olhos ardiam, mas as lágrimas se recusavam a sair. Quando os convidados de Edward começaram a ir embora, ela furtivamente partira e apanhara um táxi para casa.

– Sinto muito por tê-lo julgado mal – dissera constrangida para Edward.

– É só isso? Só isso que você tem para me dizer?

Bella estava triste demais para dizer as coisas certas. Quatorze meses antes tinha sido tão fácil para ela acreditar que ele a traíra. Ela estava apenas esperando que isso acontecesse. Estando insensatamente apaixonada por um homem que jamais pronunciava a palavra amor e nunca podia marcar um compromisso para além de dois dias à frente. Era demais para ela, ainda por cima estando de luto pela morte da mãe.

Que Edward preferisse uma bela loira a ela, triste e melancólica, tinha feito perfeito sentido. Ela pensara que Edward era um cretino, um cretino infiel. Só que ele não era. Agora, ela era a única errada e muito errada.

A campainha da porta soou. Ela sabia que era Edward.

Foi quando finalmente seus olhos se encheram de lágrimas.

Ela o amava tanto. Como tudo tinha dado tão errado?

Vestindo uma camisa branca não inteiramente abotoada, mostrando a musculatura do peito, seus cabelos despenteados e o maxilar enrijecido por uma barba curta, Edward parecia um pirata muito sexy.

– Eu não sei o que dizer a você – falou Bella depois de abrir a porta.

Edward colocou no chão o pacote que carregava e a tomou nos braços, examinando seus olhos úmidos com ar de censura. E então, sem qualquer aviso, ele a beijou com paixão explosiva, apertando sua boca contra a boca macia de Bella, por diversas e diversas vezes, até que ela estivesse molhada de desejo, com calafrios, os sentidos cantando e a mente totalmente vazia. Levantando o rosto para observar melhor as reações de Bella, Edward sorriu vorazmente e a ergueu nos braços.

Mas ele não procurou pelo quarto, e sim a carregou até o sofá. Depois pegou o pacote que havia trazido e colocou em seu colo.

– O que... o que é isso?

– É para Ben.

– Ben?

– Eu o vi na creche ontem. – Com as faces ruborizadas, Edward abriu os braços em um gesto carinhoso.

– Ele me deu um sorriso deste tamanho... parecia tão pequeno e frágil... Eu não vou dizer que ele é o bebê mais bonito que já vi. Ele é, provavelmente, o primeiro bebê para quem eu de fato olhei.

Tremendo, Bella retirou um coelho de pelúcia azul do pacote e sua garganta convulsionou-se em mais lágrimas.

– Tive algo parecido quando era criança... – compartilhou Edward.

Vergonha e culpa se apossaram de Bella fazendo com que se sentisse a pior das criaturas.

– Edward... Ben está... Ben está com seis meses de idade.

Edward continuou a examiná-la, imóvel.

– Ben é seu filho – ela disse por fim. Seus olhos brilhavam. – Nunca houve outro homem. Fiquei grávida em Paris, de você.

Com o coração sangrando, ela viu a compreensão crescer nos olhos dele. E depois descrença, choque e aceitação, seguidos por um olhar endurecido de condenação.

– O que você acabou de me dizer – Edward tinha a respiração suspensa – está além de qualquer perdão.

Em agonia, Bella viu Edward se afastar dela e bater a porta.